Na linguagem popular, quando alguma coisa é orquestrada, significa que ela foi muito bem organizada, pensada nos mínimos detalhes. A expressão se remete justamente às orquestras musicais, que reúnem instrumentos variados, tocados de forma harmoniosa, mesmo sendo executados por algumas dezenas de pessoas.
E para atingir essa harmonia, a organização é imprescindível. Por isso, na data em que se celebra os 40 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), músicos e o maestro do corpo artístico ajudam a explicar como uma orquestra é formada, seguindo uma organização pré-definida, mas que pode ser adaptada conforme a peça a ser executada ou o espaço onde o concerto é apresentado. A reportagem faz parte da série especial produzida pela Agência Estadual de Notícias (AEN) sobre os 40 anos da OSP.
“A orquestra sinfônica é uma das maiores representações de uma interação, de uma integridade não só musical, mas também como humanidade. São pessoas que se juntam para fazer música e constroem uma relação muito bonita e significativa que exige, em primeiro lugar, uma disciplina muito grande”, afirma o maestro da Orquestra Sinfônica do Paraná, Roberto Tibiriçá.
As orquestras são compostas por três famílias ou naipes instrumentais: as cordas, o sopro – que se divide entre os instrumentos de madeira e os de metal – e a percussão. Cada naipe tem uma disposição no palco, de acordo com a frequência do som que chegará à plateia. Ao redor do maestro que rege os músicos estão as cordas. Os sopros de madeira ficam logo atrás, funcionando como uma ligação entre as cordas e os metais. No fundo, fica a família da percussão, com som mais forte.
Atualmente, a Orquestra Sinfônica do Paraná conta com 73 músicos, mas ela pode reduzir ou aumentar de tamanho conforme a peça que será executada. Um exemplo é a “Sinfonia nº 2” de Gustav Mahler, que será apresentada na próxima semana em celebração aos 40 anos da OSP. O palco do Guairão vai receber quase 200 músicos, sendo 110 instrumentistas e um coro de 80 vozes.
“O tamanho da orquestra é relativo ao compositor, à obra que vai ser executada e, às vezes, tem relação ao teatro em que se apresenta”, explica Tibiriçá. “Os compositores russos e franceses, principalmente, usam uma orquestra maior. Já Mozart, Heiden e Beethoven, na sua primeira fase, usam uma orquestra menor, que chamamos de orquestra clássica, de 40 músicos”.
Alexandre Brasolin, violinista da OSP e maestro convidado nos concertos do projeto Guaíra para Todos, cita alguns exemplos. “Se vamos fazer um Mozart, usamos uma média de 40 a 50 músicos. Agora, se for fazer um Tchaikovski já sobe para uns 80 ou 90 músicos. Se vai fazer um Mahler ou um Richard Strauss, pode passar de 100 músicos. Grandes orquestras podem chegar 120 músicos, dependendo do repertório, do compositor e da época em que a peça foi composta”, conta.
Ele ressalta que, ao surgirem na Europa no período barroco, no século XVII, as orquestras não eram muito numerosas. “Elas surgiram nos castelos, tocando para os reis ou nas igrejas. Basicamente foi Beethoven que aumentou as orquestras, já no século XVIII, fazendo composições mais pesadas e acrescentando instrumentos. Ele colocou mais sopros, mais percussão e, com isso, teve que aumentar as cordas para equilibrar”, explica.
“A orquestra começou então a ganhar mais força sonora e os compositores também ampliaram suas composições. Quando chegou ao começo do século XX, havia praticamente uma competição de compositores para ver quem compunha para orquestras maiores”, complementa Brasolin.
AEN
