Segue aquela pessoa no Instagram, curte algumas fotos, puxa papo nos Stories, troca telefone e combina um encontro pelo WhatsApp. A estratégia de flerte mais do que conhecida das redes sociais virou um ofício para Lídia Luiza Bortoncello, 23. Ela faz tudo isso todos os dias, muitas vezes por dia, com várias pessoas diferentes, que têm algumas coisas em comum: são comprometidas e têm uma parceira ou parceiro que anda meio desconfiado. É aí que entra o trabalho da jovem: por R$ 45, Lídia oferece o serviço de teste de fidelidade via redes sociais, a pedido da parte que carrega alguma suspeita. Sua abordagem acaba quando o infiel incauto topa o encontro com ela.
E as notícias não são boas para os românticos monogâmicos: dos mais de 4 mil testes realizados pela estudante em 11 meses no ofício, menos de 500 tiveram como resultado uma fidelidade à prova de boas investidas online. São tempos difíceis para os sonhadores. (Para as lésbicas e para os homens hétero que desejam testar a fidelidade de suas amadas, o panorama é melhor: até há as mulheres que caem, mas elas são uma clara minoria).
Da infidelidade ao ofício A estudante viralizou no TikTok com um vídeo em que uma menina contratava seus serviços para checar a fidelidade do noivo, com quem se casaria em fevereiro. A noiva tinha certeza de que seu futuro marido era muito fiel e apostou 500 reais com uma amiga de que ele não ia cair no papinho. Lá foi Lídia verificar. Ele caiu feio — e rápido.
O vídeo viralizou e bateu mais de 8 milhões de visualizações. Já o casamento? Não se sabe se continuou de pé. Lídia começou a atuar na checagem da fidelidade alheia depois que o método a ajudou a sair de uma relação ruim.
“Passei por um relacionamento abusivo há um tempo, sofri muito, fui agredida. E eu tive vontade de fazer um teste de fidelidade com esse ex-namorado, porque eu via que ele escondia coisas. Sabia que algo estava acontecendo, mas eu não tinha provas concretas. Pedi para uma amiga que ele não conhecia puxar assunto no Instagram”, conta ela. Dito e feito.
O hoje ex-companheiro marcou de encontrar a amiga de Lídia e, com os prints em mãos, ela finalmente conseguiu forças para sair do relacionamento.
Em março de 2021, triste com o término, Lídia quis ajudar pessoas que passavam por situações similares à sua e se ofereceu para o serviço. De graça. A demanda foi enlouquecedora logo de cara — e só aumenta.
“No começo, eu fazia para conhecidas, amigas, e aí um dia contei no meu Instagram. Olha, foram tantos pedidos! Cheguei a fazer 40 testes em um único dia, fiquei acordada de 5h às 2h da manhã para dar conta de tanta gente falando comigo, só para ajudar as pessoas, sem ganhar nada”, conta.
Diferente do programa do João Kleber que, nos idos dos anos 10, consagrou o quadro “Teste de Fidelidade”, Lídia não tem produção — e o único membro de sua equipe é a parte solicitante. A namorada ou namorado desconfiado é o responsável por ajudá-la a entender qual é a melhor forma de abordar o infiel em potencial. A maior parte das pessoas que pedem o teste de fidelidade já foram vítimas de alguma traição e querem saber se o amado mudou ou estão desconfiadas de puladas de cerca. Então, para o teste dar certo, é preciso conhecer bem a personalidade da pessoa. Por exemplo, há mulheres que sabem que foram traídas com garotas de programa e contam que os maridos gostam de profissionais de profissionais do sexo. Se esse é o caso, Lídia aborda o cara com voz sedutora e papo quente.
“Eu recomendo só fazer o teste se você se sentir capaz de lidar com o resultado. Se você descobrir que ele te trairia e não terminar, você vai acabar sofrendo muito com o que vai ver e só desgastar ainda mais a sua relação. Acho que faz sentido fazer se for para ter força e sair do relacionamento”, avalia. Hoje, Lídia namora um cara bacana, que entende e não tem ciúme de seu ofício. “Depois de tudo que eu já vi de quatro mil caras, eu realmente achei um em quem posso confiar”, diz.
Fonte: TAB
