terça-feira, abril 28, 2026

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As belas tartarugas marinhas. Carismáticas, migratórias e uma das espécies de animais mais antigas da Terra

As belas tartarugas marinhas. Carismáticas, migratórias e uma das espécies de animais mais antigas da Terra

No dia 16 de junho comemoramos os Dia Internacional das Tartarugas Marinhas! E porque que essa data? Conscientizar as pessoas sobre a importância desse animal para a fauna marinha e sobretudo a ameaça que sofrem a décadas em todos os oceanos.

     Tartaruga-verde (Chelonia mydas), Foto: Noeli Ribeiro

“Esses animais fazem parte de uma cadeia de relações ecológicas fundamental para o desenvolvimento e sobrevivência de todo o ecossistema que inclui as praias, as dunas e os oceanos”.

As tartarugas marinhas são conhecidas como engenheiras do mar, pois transportam nutrientes entre componentes do ecossistema, garantindo energia vital à sobrevivência de diversas formas de vida, tais como os bancos de grama marinha (nos quais elas são responsáveis pela ciclagem nos nutrientes), para peixes, crustáceos, moluscos, esponjas, medusas, entre outros. Atuam também como substrato para organismos epibiontes, que se agregam em sua carapaça. As características ecológicas das tartarugas marinhas contribuem para a manutenção da qualidade e saúde ecossistêmica.

No mundo, são conhecidas sete espécies de tartarugas-marinhas: a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta); tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata); tartaruga-de-Kemp (Lepidochelys kempii) e a tartaruga-marinha-australiana (Natator depressus).

Tartaruga de couro ou tartaruga gigante (Dermochelys coriácea). Foto: Projeto TAMAR

Em geral, as tartarugas marinhas apresentam distribuição cosmopolita, com áreas de alimentação nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo; com exceção da tartaruga-marinha-australiana que é endêmica da região da Austrália, e a tartaruga-de-kemp que ocorre apenas no Golfo do México e na costa leste dos Estados Unidos. As tartarugas-de-couro também tem uma distribuição diferente, pois além de áreas equatoriais, tropicais e subtropicais, são registradas até as latitudes temperadas e subpolares.

Cinco espécies ocorrem no litoral brasileiro, a verde, oliva, de couro, de pente e a cabeçuda. As principais áreas reprodutivas das tartarugas marinhas no Brasil são: litoral norte do Rio de Janeiro, litoral da Bahia e litoral norte do Espírito Santo para a tartaruga-cabeçuda; litoral norte do Espírito Santo para a tartaruga-de-couro; litoral norte da Bahia e sul do Rio Grande do Norte para a tartaruga-de-pente; litoral de Sergipe para tartaruga-oliva; e as Ilhas oceânicas de Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Trindade, para a tartaruga-verde.

              Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). Foto: Paula Vianna

As tartarugas marinhas passam a maior parte do seu ciclo de vida em áreas de alimentação, transitando entre áreas com alta disponibilidade de recursos e investindo em crescimento até atingir a maturidade sexual (20-30 anos). Como estas regiões abrigam diferentes espécies e estoques genéticos é fundamental compreender a dieta e a ecologia alimentar dos animais, assim como a relação com as áreas utilizadas. Uma vez conhecida a ecologia alimentar das tartarugas marinhas, pode-se definir a potencial área de alimentação para cada fase de vida, a disponibilidade de alimentos nas diferentes regiões, os impactos potenciais aos quais estas áreas estão submetidas e o grau de exposição à riscos para os animais. A costa brasileira é reconhecida por sua importância para a alimentação de indivíduos das cinco espécies de tartarugas marinhas.

O ciclo de vida complexo das tartarugas marinhas envolve praias de nidificação e as regiões costeira e oceânica para migração e alimentação. O uso de múltiplos habitats em diferentes estágios de vida resulta em exposição dos animais à uma série de impactos diretos e indiretos, ampliando desafios para diagnósticos de riscos e efetivação de ações de conservação das espécies. Características do grupo como o longo ciclo de vida, a maturação sexual tardia, o baixo sucesso reprodutivo e os diferentes impactos que afetam os animais em todos os estágios de vida são os fatores que levam estes animais ao risco de extinção em todo o mundo.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). Foto Erika Beux

São reconhecidos grandes impactos globais sobre as tartarugas marinhas como a caça e consumo de carne e ovos, a captura incidental em redes pesqueiras de emalhe, espinhéis pelágicos, redes de arrasto e a pesca com dinamites; a destruição do habitat pela ocupação humana erosões costeiras. A poluição: por substâncias químicas, os quais aumentam a suscetibilidade das tartarugas a doenças, como a fibropapilomatose que vem acometendo muitas populações; por lixo, principalmente plástico, que quando ingerido pode levar a morte do animal por obstrução do trato digestório; e pela iluminação costeira que desorienta fêmeas e filhotes no momento de desova e nascimento, interferindo no comportamento natural da espécie; As mudanças climáticas globais: as quais promovem impacto nas áreas de reprodução com o aumento da temperatura de incubação dos ovos alterando a proporção de filhotes machos e fêmeas que nascem. As alterações climáticas também promovem eventos naturais extremos como tempestades costeiras que promovem a perda de desovas e descaracterização de praias de nidificação, bem como alteram áreas de alimentação como corais e bancos de gramíneas.

As cinco espécies de ocorrência global estão classificadas na lista vermelha de fauna ameaçada pela União Internacional de Conservação da Natureza (do inglês, IUCN: International Union for Conservation of Nature and Natural Resources). No Brasil, o estado de conservação foi avaliado por um grupo de especialistas junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e constam na Lista vermelha de fauna ameaçada do Brasil e na Portaria MMA 444/2014.

Os múltiplos impactos que acometem as populações de tartarugas marinhas no mundo começaram a ser identificados no Brasil a partir da década de 70. No decorrer dos anos, o diagnóstico do estado de conservação das espécies trouxe a necessidade de implementação de medidas protetivas no país, que incluíram o monitoramento de áreas de desova e a criação de unidades de conservação nestes locais, bem como o monitoramento de importantes áreas de alimentação e o impacto da pesca. Além de diversas medidas legais em esferas nacionais e estaduais, desde 2011 o governo brasileiro organizou, via Centro Tamar/ICMBIO, o Plano de Ação Nacional para Conservação das tartarugas marinhas (PAN). O conjunto das informações sobre as espécies, incluindo conhecimento biológico, quanto aos impactos e medidas de gestão (como a criação de políticas públicas) foram compilados no plano de ação nacional, o qual traz um diagnóstico dos principais impactos, demandas de pesquisa e de ações de mitigação, bem como a indicação de áreas prioritárias para a conservação das cinco espécies de tartarugas marinhas.

No Brasil alguns projetos voltados à conservação marinha trabalham pelas tartarugas. O maior deles, o Projeto TAMAR é pioneiro e focado nesses animais. www.tamar.org.br

Outro projeto é o REBIMAR, com foco em espécies ameaçadas de extinção nos litorais do Paraná e São Paulo, dentre elas a tartaruga-verde. www.marbrasil.org/rebimar

Por Robin Hilbert Loose

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