Um vereador de Maripá, no oeste do Paraná, criticou a união homossexual usando como exemplo o relacionamento entre ator Paulo Gustavo, que morreu por complicações da Covid-19 na terça-feira (4), e Thales Bretas, em uma sessão da Câmara realizada na segunda-feira (3). A sessão foi transmitida pela internet.
Veja a fala do vereador no vídeo acima.
O vereador Donaldo Seling, do Cidadania, após encerrar uma fala sobre a necessidade de recapear estradas rurais do município decidiu prestar uma homenagem ao dia da Mães.
Ele usou a frase “parabéns as mães e aos pais que são mães também”, dita momentos antes por uma vereadora, para começar o discurso que criticou a união entre duas pessoas do mesmo sexo.
“Aí você vê uma notícia, em primeira mão nos celulares e na televisão, um ator Gustavo, é Gustavo, é homem, internado com Covid e seu marido torcendo pela melhora dele. Estamos tendo um desentendimento. Na minha opinião, essa coisa moderna não serve para mim. Não podemos pregar esse tipo de coisa”, disse o parlamentar.
O vereador afirmou ainda que é necessário identificar quem é a mulher na relação para que se possa prestar a homenagem no Dia dos Pais, e que ele não vê sentido em publicar matérias sobre isso porque, para Seling, elas querem ‘mudar uma geração criada por Deus’.
“Não podemos perder o que realmente há no coração de uma mãe, que há de mais bonito em uma família unida. Pai e mãe, não marido com marido, ou marida com marida. Não sei como é que fala essa porcaria de tanto que eu odeio isso. Sou da época que homem é homem, mulher é mulher”, afirmou.
Encerrou a fala desejando Feliz Dia das Mães ‘para as que são mães’.

Presidente da Câmara de Maripá disse que ‘Deus instituiu casamento entre homem e mulher’
Logo depois, o presidente da Casa, Edio Sartori, também do Cidadania, agradece a fala do colega e também decide prestar uma homenagem às mães. No discurso também critica relações homoafetivas.
“Sou da defensoria de que homem é homem e mulher é mulher. Deus instituiu casamento entre homem e mulher, por isso quero parabenizar a todas as mães do Brasil, do Paraná e do nosso município”, disse na sessão transmitida pela internet.
Reações contrárias
Após a sessão, as falas do vereador Donaldo Seling (Cidadania) ecoaram e não foram aceitas pelo próprio partido e por grupos que lutam pelos direitos dos homossexuais.
Toni Reis, diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+ e um dos fundadores do Grupo Dignidade, disse que os advogados do grupo estão preparando uma ação contra o parlamentar. O documento será entregue ao Ministério Público do Paraná.
Reis afirma que as declarações do vereador foram homofóbicas e podem ser enquadradas no crime de racismo, que é crime reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme previsto pelo STF, em caso de condenação, a pena para esse tipo de crime pode ser de um a três anos de prisão. Se houver divulgação em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena pode chegar a cinco anos, mais multa.
“Vamos provocar o MP para que as autoridades tomem providência. Ele vai ter que responder em processo. Não tem acordo sobre isso. Ele deveria ter respeito a família. Isso é um discurso nazista, de quer matar o diferente. O holocausto começou com discursos como esse”, criticou o presidente do Grupo Dignidade e Aliança Nacional LGBT+.
O partido Cidadania divulgou uma nota repudiando as declarações do vereador de Maripá. O diretório estadual da sigla disse que o Conselho de Ética do partido instaurou um processo disciplinar e está notificando o filiado.
“O Cidadania do Paraná afirma que as palavras do mandatário não refletem em nenhum aspecto a posição do partido e que não aprova atos homofóbicos ou qualquer outro tipo de preconceito. Destacamos também que a diversidade e a igualdade são a alma deste partido e lamenta as declarações do vereador”, disse um trecho da nota.
Investigação na Câmara
O presidente da Câmara de Vereadores de Maripá, Edio Sartori, pediu desculpas pela fala após o discurso do colega de Casa, e afirmou que “em momento algum teve a intenção de ofender alguém”.
Sartori disse que o Legislativo Municipal vai analisar a fala de Donaldo Seling e que há a possibilidade da criação de uma Comissão Processante para investigar a conduta do vereador. No entanto, não há um prazo para isso acontecer.
G1PR
