Cuidar da casa, dos filhos, do marido, cozinhar, passar, lavar e ainda trabalhar. Essa é a realidade diária enfrentada por muitas mulheres no Brasil.
No último sábado, dia 1º de Maio, foi celebrado o Dia do Trabalho, um dia de feriado em que o trabalhador pode aproveitar para descansar, celebrar ou reivindicar seus direitos, por meio de passeatas e outras formas de movimentos sociais. Uma figura, entretanto, é destaque por muitas vezes não ter esse momento de descanso, a mulher trabalhadora.
Sabe-se que o trabalhador é a engrenagem que move a sociedade e que as mulheres têm conquistado seu espaço nos mais diversos âmbitos profissionais, por meio de grandes lutas por seus direitos.
A sociedade ainda mantém muitos elementos machistas, desigualdade de poder e violência de gênero, resquícios do passado que estão em processo de desbotamento desde a Constituição Federal promulgada em 1988. Esses elementos resultam numa compreensão coletiva de que em uma relação, a mulher é responsável pelo lar e pelos filhos, enquanto o marido seria o principal fornecedor de renda, essa realidade, que vem se transformando ao longo do tempo, ainda é mantida na mentalidade de muitas pessoas.
Por consequência, a mulher é obrigada a, sozinha, conciliar o lar e o trabalho, o que tende a ser um desafio.
No município de Paranaguá, no litoral do Paraná, uma história de vida vem ganhando reconhecimento, a história de Kikue Hayashida, de oitenta e oito anos, filha de imigrantes japoneses, que se tornou testemunha da história e um exemplo de dedicação, fé e perseverança.
Kikue Hayashida teve uma infância difícil, casou-se cedo e teve sete filhos. O casal trabalhava diariamente nas terras que tinha para poder pagar suas contas e dar alimento para suas crianças. Enfrentando a fome, as péssimas condições financeiras e as demais dificuldades da vida, Kikue nunca desistiu, conseguindo dar uma boa vida para todos seus filhos, por meio de muita dedicação e trabalho duro.
Nem mesmo nos piores cenários ela deixou de lutar pelo seu futuro. Enfrentando a crueldade humana, a fome, a natureza bruta, as diferenças culturais e a instabilidade financeira, Kikue sempre persistiu no trabalho, sem deixar seus filhos e seu lar de lado.
Seu sonho era o de escrever um livro sobre sua vida, sobre os obstáculos que tinha enfrentado e vencido ao longo de sua trajetória. Kikue conseguiu dar aos filhos boas condições, sendo a família dona de um restaurante no município de Paranaguá, com comida e moradia dignas, o que tanto lutou para conseguir. O tempo, porém, foi passando e o sonho de ter um livro com sua história parecia se distanciar a cada dia.
Por sua dedicação exemplar, entretanto, os filhos de Kikue procuraram realizar o sonho da mãe, encontrando uma pessoa disposta a escrever sua história. Hoje o livro Arigatai, Arigatou – A História de Vida de Kikue Hayashida está disponível para venda física e em e-book nas livrarias Cultura, Travessa, Amazon e Martins Fontes Paulista. Um sonho realizado.
A vida sempre foi muito difícil, mas Kikue Hayashida continuou com muita fé e esperança, aguardando um momento no qual, como resultado de todo seu esforço, sua vida iria mudar. E sua vida mudou. Depois de tanto trabalho, dedicação e persistência, dona Kikue se tornou um exemplo por nunca ter desistido de seus sonhos.

Cecília Ferreira Leal

