Apontada como uma das apostas mais promissoras contra o novo coronavírus, a vacina russa, chamada de “Sputnik V”, se mostrou segura e eficaz, de acordo com um estudo preliminar publicado na revista científica The Lacet.
Segundo o relatório divulgado nesta sexta-feira (04), a imunização desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, em Moscou, conseguiu induzir resposta imunológica nos voluntários que participaram dos testes, sem causar efeitos adversos de risco.
O trabalho apresenta com mais detalhes os dados sobre a vacina, que até então não haviam sido divulgados de forma mais ampla para o resto do mundo. Apesar dos resultados, o estudo indicou a necessidade de mais testes para comprovar a eficácia da vacina.
Vacina russa contra a COVID-19
O estudo se refere às fases 1 e 2 da pesquisa que avaliou a vacina russa. Para a elaboração dos ensaios clínicos, os pesquisadores testaram, de forma não randomizada, doses do imunizante contendo dois tipos de adenovírus em 76 voluntários.
Os participantes, segundo o estudo, eram pessoas de 18 a 60 anos. Podiam ser indivíduos saudáveis e que não haviam sido contaminados com o SARS-CoV-2, mas também indivíduos que tiveram COVID-19 ou contato com pacientes contaminados anteriormente.
De acordo com o trabalho, a vacina utiliza a técnica de enfraquecimento de adenovírus – grupo de vírus que, normalmente, são os causadores de doenças respiratórias, como gripe e bronquite.
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Nela, são usados dois adenovírus (Ad26 e Ad5) que causam resfriado em humanos e que foram geneticamente modificados para estimular a produção de anticorpos contra uma proteína presente na superfície do coronavírus.
Assim, para as fases 1 e 2 da vacina russa, um grupo recebeu doses do adenovírus Ad26 e outro, do Ad5. Diferente de outras pesquisas, o estudo envolvendo a Sputnik V não utilizou placebos.
Segundo o relatório, após a aplicação das vacinas, as formulações demonstraram ser seguras com resultados positivos. Isso porque os voluntários começaram a demonstrar respostas imunes em seus organismos após receberem as doses da Sputnik V.
“Ao analisarmos os IgGs específicos do antígeno, a taxa de soroconversão foi de 100% para ambas as formulações de vacina nos dias 28 e 42 do estudo. Analisando as respostas de anticorpos neutralizantes, a soroconversão foi de 100% no dia 42 do estudo para ambas as formulações de vacina”, diz o relatório sobre a produção de anticorpos.
Em um prazo de 28 dias, os pesquisadores também citaram a produção das chamadas células T – “células de memória” do corpo que são capazes de matar e reconhecer um agente patógeno por anos. Além disso, os efeitos adversos das vacinas se mostraram leves, envolvendo dores de cabeça, perda de força, dores musculares e febre.
Limitações do estudo
Embora promissor, o estudo apresenta entraves que os próprios pesquisadores apontam no relatório. De acordo com os cientistas envolvidos no projeto, o espaço curto para os resultados (42 dias), a participação exclusiva de homens, o não uso de placebos e o número reduzido de voluntários deixam a pesquisa limitada.
Os testes para a fase 3 já foram aprovados e devem acontecer com 40 mil voluntários de diferentes idades e grupos de risco. Assim, a estimativa é que a comunidade científica consiga novos dados para evidenciar se, de fato, a vacina russa pode ser considerada eficaz no combate ao coronavírus.
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