Há quem aposte que estratégia de Horácio Tertuliano é conseguir nomeação de Bolsonaro mesmo sem muitos votos; professor nega rótulo de bolsonarista

O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, terá um único oponente na sua tentativa de chegar ao segundo mandato. Horácio Tertuliano Filho, diretor do Setor de Tecnologia da universidade, parece longe de ter força para derrotar o atual reitor nas urnas, mas conta com uma arma poderosa no Brasil atual: sua maior proximidade ideológica com o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

A leitura que muita gente faz na universidade é que Tertuliano sabe que não tem chances de bater Ricardo Marcelo no voto. No entanto, pelas regras do jogo, os votos de professores, técnicos e alunos servem apenas como uma consulta interna. Depois disso, o Colégio Eleitoral envia uma lista tríplice a Brasília, e a escolha final cabe ao presidente.

Tradicionalmente, os candidatos derrotados na consulta retiram-se da disputa para sequer constar da lista tríplice. Mas em tese, Tertuliano, por mais que não consiga muitos votos, pode ser escolhido pelo presidente – algo que vem ocorrendo em outras universidades federais do país desde a posse do atual governo.

Tertuliano nega que seja essa sua estratégia. Em entrevista ao Plural, disse que essa é apenas uma pecha que seus adversários tentam colar nele. “Estou na disputa para ganhar”, afirma. “Ficam falando em reitor interventor. Interventor não participa de eleição, de consulta, não se expõe, não dá a cara pra bater”, afirma

Embora admita ter votado em Bolsonaro em 2018, Tertuliano não gosta do rótulo de bolsonarista. “Precisamos acabar com essa partidarização da universidade”, afirma.

Embora recuse o rótulo de bolsonarista, o diretor do Setor de Tecnologia tem um discurso que se aproxima bastante do que o MEC e o presidente têm dito sobre as universidades brasileiras. Em entrevista ao Plural, ele afirma ter saído candidato em função de três problemas que vê na universidade. Todos estão na pauta do atual governo.

O primeiro ponto, segundo ele, é o excesso de entraves para que a universidade tenha maior parceria com a iniciativa privada, tanto na formação dos alunos quanto para arranjar colocação para os formandos no mercado de trabalho.

Em segundo lugar, segundo o professor, a UFPR teria se transformado em um “centro de formação ideológica”. “O papel da universidade é formar profissionais, é formar técnicos, não é incentivar a militância”, diz.

O terceiro ponto, diz ele, é um suposto assistencialismo da universidade. Tertuliano afirma não se opor às cotas, mas diz que é preciso pensar que não se pode lotar um curso de Medicina, por exemplo, com alunos que não vão ter condições financeiras. “Vai baixar o nível do curso”, ele diz. O professor também cita o caso dos indígenas: “Você pode trazer o índio, mas se trouxer a família toda dele vai desestabilizar a família”, afirma.

Segundo Tertuliano, é muito cedo para se falar em lista tríplice e na escolha que o presidente fará. “Querem fazer parecer que nossa chapa não tem chance”, diz. De acordo com ele, não é assim, embora 12 dos 15 diretores de setor hoje apoiem a reeleição de Ricardo Marcelo.

Sobre a avaliação que faz de Jair Bolsonaro e da gestão da cultura, Tertuliano diz que na sua opinião não cabe a um professor de universidade federal se posicionar contra o presidente. “Não posso me posicionar contra quem paga meu salário”, diz.

Plural

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.