Médica desabafa: ‘Não é mais só o SUS que está cheio, a rede privada em Curitiba também está’

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(Foto: Divulgação)

No dia em que Curitiba teve recorde de mortes por Covid-19 em 24 horas, sete óbitos, e jovens lotavam os gramados do Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico, a médica Idalina da Costa Madureira, postou um desabafo no Facebook para alertar a população. Ela trabalha como médica clínica em dois hospitais privados da capital paranaense e contou o que viu em 12 horas de plantão. ” Vi pacientes com acometimento pulmonar, 50% deles com necessidade de oxigênio e paciente com plano da Unimed sem vaga na UTI. Ligamos para seis hospitais privados e nenhum com vaga disponível em Curitiba. Não é mais só o SUS que está cheio, a rede privada também está”, alertou ela. “Até quando a população curitibana continuará no descaso com a pandemia? A demanda de pacientes positivos para Covid-19 está aumentando diariamente com acometimento pulmonar. Sociedade, vamos acordar, antes que o colapso se torne uma batalha por uma vaga, por um respirador e pela vida”. 

Idalina trabalha em plantões em hospitais privados há cinco anos e espera que seu desabafo ajude os curitibanos a acordarem. “O que eu quis mostrar que não é só SUS que está o caos, mas a rede particular também”, disse ela em entrevista ao Bem Paraná. No sábado (20), a taxa de ocupação das 223 UTIs do SUS exclusivas para covid-19 na capital era de 74% – todos aqueles que deram entrada no internamento com sintomas de síndromes respiratórias agudas graves vão para leitos exclusivos covid-19 e não apenas os com casos confirmados. A taxa de ocupação do leitos privados não foi divulgada. 

Hospitais cheios e risco de desabastecimento de medicamento para ventilação mecânica

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) emitiu um alerta neste domingo (21) sobre o risco de desabastecimento de remédios necessários à manutenção de ventilação mecânica, o que afeta diretamente o tratamento dos pacientes de Covid-19 e outras enfermidades. O Conselho recomenda que todas as cirurgias eletivas, que não são emergenciais, sejam suspensas no Estado. As entidades que representam os hospitais privados confirmam a falta dos medicamentos e dizem que já trabalham em novos protocolos e padronizações para amenizar o problema. 

O presidente da Federação das Santas Casas de Misercórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa) e do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Paraná (Sindipar), Flaviano Feu Ventorim, disse que o alerta partiu justamente dos hospitais, que estão com dificuldade de obter os medicamentos. “Nós alertamos ao CRM sobre o risco de falta de medicamentos para entubação. Informamos a dificuldade que estamos tendo para obter os medicamentos. A maioria dos hospitais já suspendeu as cirurgias eletivas lá no início da pandemia. Estamos trabalhando para que todos suspendam”, disse ele.  Ventorim destacou que nos últimos dias a taxa de ocupação nos serviços destinados aos pacientes com Covid-19 subiu muito e nesse ritmo pode ficar comprometido o abastecimento da rede privada. Ele diz que, hoje, há harmonia entre os serviços do SUS e os particulares, mas que se houver estrangulamento na capacidade do primeiro o sistema todo pode entrar em colapso, ainda mais se depender de regulação pelos meios judiciais.

Josianne Ritz
Bem Paraná

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