quarta-feira, maio 13, 2026

InícioPolíciaGaeco cumpre mandados na sede do IAP, em Curitiba, na 2ª fase...

Gaeco cumpre mandados na sede do IAP, em Curitiba, na 2ª fase da Operação Rota 66

São investigadas corrupção e concessão ilícita de alvarás para a construtora Lyx Engenharia, localizada em Campo Largo, na Região Metropolitana da capital paranaense.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram, na manhã desta quarta-feira (4), três mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Curitiba, conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR).

Esta é a 2ª fase da Operação Rota 66, que investiga corrupção e concessão ilícita de alvarás para a construtora Lyx Engenharia, localizada em Campo Largo, na Região Metropolitana da capital paranaense.

A empresa é detentora e executora de quatro empreendimentos residenciais em Campo Largo, vinculados ao programa federal Minha Casa, Minha Vida. Segundo o MP-PR, os empreendimentos são avaliados em R$ 400 milhões. A construtora é ainda responsável por outras obras na Região de Curitiba.

Os alvos

As ordens judicais foram cumpridas, de acordo com o MP-PR, nos gabinetes de um diretor e de um técnico do IAP. Outro mandado de busca e apreensão foi cumprido em empresa que, ainda conforme o MP-PR, é relacionada à companheira de um dos servidores.

Segundo o MP-PR, as buscas realizadas nesta quarta-feira tiveram como objetivo a apreensão de computadores, celulares, pendrives, agendas e outros materiais que possam auxiliar na investigação.

Até a última atualização desta reportagem, não havia sido divulgado o balanço do material apreendido.

Gaeco cumpre mandados, na manhã desta quarta-feira (4), na sede do IAP — Foto: Aline Pavaneli/RPC

Gaeco cumpre mandados, na manhã desta quarta-feira (4), na sede do IAP — Foto: Aline Pavaneli/RPC

Indisponibilidade de bens

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens no valor de R$ 146,7 milhões da construtora e dos sócios dela. Essa medida tem como intenção, de acordo com o MP-PR, garantir uma eventual reparação aos consumidores que foram prejudicados com as irregularidades.

O técnico que foi alvo da ação está proibido de frequentar a sede do IAP e de manter contato com funcionários do órgão e com testemunhas dos fatos investigados, como prevê uma liminar de suspensão do exercícios das funções desempenhadas por ele que foi expedida contra o suspeito.

As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Promotoria da Vara Criminal de Campo Largo.

O que dizem os envolvidos

Por meio de nota, o IAP afirmou que está colaborando com as investigações, dentro da política de compliance adotada pelo atual governo e que as medidas administrativas solicitadas pelo Gaeco já estão sendo adotadas.

“O IAP informa que o Gaeco esteve no escritório regional do órgão em Curitiba para recolher documentos a respeito de empreendimentos imobiliários, datados na gestão anterior, em 2015”, diz um trecho da nota.

A Lyx Engenharia disse, por meio de nota, estar colaborando com a Justiça em todas as etapas e que vai se pronunciar somente depois que tiver acesso a todas as informações do processo.

1ª fase

A 1ª etapa da Operação Rota 66 ocorreu em agosto, com quatro prisões – sendo duas temporárias e duas em flagrante.

O MP-PR apura o pagamento de propina por parte de construtora a agentes públicos para a concessão ilegal de alvarás e licenças ambientais para obras em Campo Largo.

A análise de provas obtidas na 1ª etapa da ação indicaram o envolvimento, nas ilegalidades, de outras pessoas vinculadas ao IAP, segundo o MP-PR.

2ª fase da Operação Rota 66 foi deflagrada nesta quarta-feira (4); sede do IAP é alvo de mandados de busca e apreensão — Foto: Aline Pavaneli/RPC

2ª fase da Operação Rota 66 foi deflagrada nesta quarta-feira (4); sede do IAP é alvo de mandados de busca e apreensão — Foto: Aline Pavaneli/RPC

Na 1ª fase da operação, o proprietário da construtora e o ex-secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Campo Largo foram presos temporariamente.

Houve ainda duas prisões em flagrante por porte ilegal de armas e munição: um servidor do IAP e o ex-prefeito de Campo Largo Affonso Portugal Guimarães.

A casa do ex-prefeito foi alvo de um dos 19 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A residência do filho dele e ex-deputado estadual Alexandre Guimarães (PSD) também foi alvo de busca na ação do Gaeco.

De acordo com o MP-PR, a construtora tem quatro empreendimentos residenciais em Campo Largo, avaliados em R$ 400 milhões. São mais de 3,5 mil unidades residenciais construídas ou em obras.

Segundo o promotor Anastácio Fernandes Neto, a Prefeitura de Campo Largo chegou a editar um decreto para viabilizar os empreendimentos em áreas ambientalmente sensíveis ou em locais que não eram permitidos, segundo o planejamento urbano do município.

As irregularidades investigadas aconteceram entre 2013 e 2016, conforme o MP-PR. No período, Affonso Portugal Guimarães era prefeito.

O filho dele, Alexandre Guimarães, foi secretário de Governo de Campo Largo entre 2013 e 2014, Em 2014, Alexandre foi eleito deputado estadual, posto que ocupou entre 2015 e 2018.

Em 2019, o ex-deputado foi nomeado para um cargo em comissão de assessor especial na Vice-Governadoria, de acordo com o Portal da Transparência do Estado.

O Governo do Paraná informou que Alexandre Guimarães pediu exoneração do cargo no dia que a 1ª etapa da operação foi deflagrada, 20 de agosto.

Na época, as defesas de Affonso Guimarães e de Alexandre Guimarães afirmaram que, nas buscas, nada foi encontrado em relação à investigação. Também disseram que o período em que Alexandre Guimarães foi secretário da prefeitura é anterior aos empreendimentos investigados.

Em agosto, Operação Rota 66 cumpriu 19 mandados de busca e apreensão — Foto: Divulgação/MP-PR.

Em agosto, Operação Rota 66 cumpriu 19 mandados de busca e apreensão — Foto: Divulgação/MP-PR.

G1

ARTIGOS RELACIONADOS

MAIS POPULARES