São investigadas corrupção e concessão ilícita de alvarás para a construtora Lyx Engenharia, localizada em Campo Largo, na Região Metropolitana da capital paranaense.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram, na manhã desta quarta-feira (4), três mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Curitiba, conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Esta é a 2ª fase da Operação Rota 66, que investiga corrupção e concessão ilícita de alvarás para a construtora Lyx Engenharia, localizada em Campo Largo, na Região Metropolitana da capital paranaense.
A empresa é detentora e executora de quatro empreendimentos residenciais em Campo Largo, vinculados ao programa federal Minha Casa, Minha Vida. Segundo o MP-PR, os empreendimentos são avaliados em R$ 400 milhões. A construtora é ainda responsável por outras obras na Região de Curitiba.
Os alvos
As ordens judicais foram cumpridas, de acordo com o MP-PR, nos gabinetes de um diretor e de um técnico do IAP. Outro mandado de busca e apreensão foi cumprido em empresa que, ainda conforme o MP-PR, é relacionada à companheira de um dos servidores.
Segundo o MP-PR, as buscas realizadas nesta quarta-feira tiveram como objetivo a apreensão de computadores, celulares, pendrives, agendas e outros materiais que possam auxiliar na investigação.
Até a última atualização desta reportagem, não havia sido divulgado o balanço do material apreendido.
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Gaeco cumpre mandados, na manhã desta quarta-feira (4), na sede do IAP — Foto: Aline Pavaneli/RPC
Indisponibilidade de bens
A Justiça determinou a indisponibilidade de bens no valor de R$ 146,7 milhões da construtora e dos sócios dela. Essa medida tem como intenção, de acordo com o MP-PR, garantir uma eventual reparação aos consumidores que foram prejudicados com as irregularidades.
O técnico que foi alvo da ação está proibido de frequentar a sede do IAP e de manter contato com funcionários do órgão e com testemunhas dos fatos investigados, como prevê uma liminar de suspensão do exercícios das funções desempenhadas por ele que foi expedida contra o suspeito.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Promotoria da Vara Criminal de Campo Largo.
O que dizem os envolvidos
Por meio de nota, o IAP afirmou que está colaborando com as investigações, dentro da política de compliance adotada pelo atual governo e que as medidas administrativas solicitadas pelo Gaeco já estão sendo adotadas.
“O IAP informa que o Gaeco esteve no escritório regional do órgão em Curitiba para recolher documentos a respeito de empreendimentos imobiliários, datados na gestão anterior, em 2015”, diz um trecho da nota.
A Lyx Engenharia disse, por meio de nota, estar colaborando com a Justiça em todas as etapas e que vai se pronunciar somente depois que tiver acesso a todas as informações do processo.
1ª fase
A 1ª etapa da Operação Rota 66 ocorreu em agosto, com quatro prisões – sendo duas temporárias e duas em flagrante.
O MP-PR apura o pagamento de propina por parte de construtora a agentes públicos para a concessão ilegal de alvarás e licenças ambientais para obras em Campo Largo.
A análise de provas obtidas na 1ª etapa da ação indicaram o envolvimento, nas ilegalidades, de outras pessoas vinculadas ao IAP, segundo o MP-PR.
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2ª fase da Operação Rota 66 foi deflagrada nesta quarta-feira (4); sede do IAP é alvo de mandados de busca e apreensão — Foto: Aline Pavaneli/RPC
Na 1ª fase da operação, o proprietário da construtora e o ex-secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Campo Largo foram presos temporariamente.
Houve ainda duas prisões em flagrante por porte ilegal de armas e munição: um servidor do IAP e o ex-prefeito de Campo Largo Affonso Portugal Guimarães.
A casa do ex-prefeito foi alvo de um dos 19 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A residência do filho dele e ex-deputado estadual Alexandre Guimarães (PSD) também foi alvo de busca na ação do Gaeco.
De acordo com o MP-PR, a construtora tem quatro empreendimentos residenciais em Campo Largo, avaliados em R$ 400 milhões. São mais de 3,5 mil unidades residenciais construídas ou em obras.
Segundo o promotor Anastácio Fernandes Neto, a Prefeitura de Campo Largo chegou a editar um decreto para viabilizar os empreendimentos em áreas ambientalmente sensíveis ou em locais que não eram permitidos, segundo o planejamento urbano do município.
As irregularidades investigadas aconteceram entre 2013 e 2016, conforme o MP-PR. No período, Affonso Portugal Guimarães era prefeito.
O filho dele, Alexandre Guimarães, foi secretário de Governo de Campo Largo entre 2013 e 2014, Em 2014, Alexandre foi eleito deputado estadual, posto que ocupou entre 2015 e 2018.
Em 2019, o ex-deputado foi nomeado para um cargo em comissão de assessor especial na Vice-Governadoria, de acordo com o Portal da Transparência do Estado.
O Governo do Paraná informou que Alexandre Guimarães pediu exoneração do cargo no dia que a 1ª etapa da operação foi deflagrada, 20 de agosto.
Na época, as defesas de Affonso Guimarães e de Alexandre Guimarães afirmaram que, nas buscas, nada foi encontrado em relação à investigação. Também disseram que o período em que Alexandre Guimarães foi secretário da prefeitura é anterior aos empreendimentos investigados.
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Em agosto, Operação Rota 66 cumpriu 19 mandados de busca e apreensão — Foto: Divulgação/MP-PR.
G1
