Thiago Bender foi atingido na mão, cabeça e ombro após confusão em posto. Namorada diz Thiago foi agredido por policial e depois o militar atirou contra o carro dele.
Um dos homens que foi baleado por um policial militar de folga em um posto de combustíveis em Rolândia, no norte do Paraná, morreu nesta segunda-feira (19). Thiago Bender estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Evangélico de Londrina e não resistiu.
Bender e um amigo foram baleados por um policial militar na madrugada de domingo (18).
A Polícia Militar diz que estava ocorrendo uma briga no posto quando o militar estacionou o carro no posto. A PM afirma que o policial atirou quando tentou separar os agressores, um dos envolvidos tentou agredi-lo.
A PM detalhou que uma das pessoas envolvidas na briga entrou em um carro e arrancou. Ao realizar uma manobra perigosa atropelou o policial e bateu no veículo dele. Conforme a Polícia Militar, depois disso o policial atirou contra os agressores.
Família contesta versão
A versão da polícia é contestada pela namorada de Thiago Bender, Polyana Artilha. Os dois moram em São Paulo, ela faz curso de formação da Polícia Militar paulista, e estavam em Rolândia visitando as famílias.
Ela conta que todos estavam reunidos em um churrasco, e Thiago e o namorado de uma prima, João Victor de Lima, saíram para buscar cerveja no posto de combustíveis. Polyana diz que teve uma confusão na loja de conveniência, Thiago discutiu com uma pessoa.
“Nisso, o segurança, que disseram que é policial militar e estava fazendo um bico, chegou e agrediu a boca do Thiago. Tem marcas no rosto dele, o IML vai constatar isso. O João puxou o Thiago e disse para os dois irem embora, para parar a confusão”, conta a Polyana.
Os dois entraram no carro, mas Thiago decidiu voltar para o posto.
“Ele acabou voltando para o posto, e o policial militar fez vários disparos em direção ao carro. O Thiago perdeu o controle e bateu contra um veículo que estava estacionado”, descreveu a namorada do jovem morto.
A família de Thiago Bender afirma que os tiros atingiram a mão, o ombro e a cabeça dele. Já, João Victor de Lima foi baleado na barriga e no braço.
“O Thiago não estava armado, por isso não dá para chamar de legítima defesa, porque o policial militar tem obrigação de constatar se há uma arma antes dele fazer o disparo. Isso o que ele [policial militar] fez chama-se execução, atirou na cabeça dele [de Thiago Bender]”, concluiu Polyana Artilha.
Depois da confusão, Thiago Bender foi levado ao Hospital Evangélico e João Victor de Lima ao hospital San Rafael. O policial militar foi encaminhado ao hospital Santa Casa de Cambé.
João Victor foi atendido, teve alta e, nesta segunda-feira (19), está se recuperando em casa. Ele não quis se manifestar sobre o caso.
O Comando da Polícia Militar informou que foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso e o policial militar em questão foi afastado da atividade operacional.
