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28º Festival de Curitiba encerra a edição do engajamento

Com excelentes bilheterias e muita participação popular, o Festival mudou a rotina da cidade com sua extensa programação

São 28 anos de um Festival, que hoje é conhecido como o Maior das Américas. E a marca que acompanha essa edição é “engajamento”.

Para os sócios do projeto Leandro Knopfholz e Fabíula Passini, o foco maior é sempre avaliar se as pessoas estão engajadas. Isso vale tanto para as plateias lotadas na rua e nos teatros, quanto na venda de ingressos.

“De coração aberto, sinto que nós alteramos o dia a dia da cidade e vimos muitas plateias lotadas”, comenta Leandro, que cita a reportagem sobre o Festival no Jornal Nacional como uma marca da repercussão conquistada.

“O endosso de uma pauta nacional mostra que algo importante está realmente acontecendo”, completa.

Muito citado nos dias de hoje, o conceito de engajamento também é medido por meio de comentários e alcance. “Ouvimos comentários sobre a programação do Festival em diversos lugares. As transmissões ao vivo e as possibilidades de acompanhar a programação, mesmo a distância, tornaram o Festival ainda mais acessível”, comenta Fabíola.

Para eles, o alto engajamento das pessoas é a soma do trabalho de curadoria, feito há quatro anos, que veio se adequando, e hoje garante uma programação equilibrada. Tem a ver, também, com aprender a falar com as pessoas.

Há quatro anos os gestores investem em uma linguagem própria para o público de teatro, que consegue explicar, traz boas imagens e edições que aumentam a audiência sobre tudo o que rola no Festival.

“Acredito que encontramos uma forma adequada”, comenta Leandro que aponta como resultado os bons retornos vindos dos novos meios: redes sociais e canais próprios, por exemplo.

Maturidade

Diante de uma realidade que não permite ao teatro viver exclusivamente de bilheterias, o modelo para viabilizar espetáculos e festivais segue sendo por meio da Lei Rouanet.

“Vivemos um tempo complicado, onde há quase total dependência das leis de incentivo. Cerca de 80% dos patrocínios vem por meio da Lei”, conta Leandro que aponta a relação madura com os patrocinadores como um dos principais motivos de seguir com o Festival.

“Nossa relação é de muitos anos. E criamos um círculo virtuoso, onde eles percebem o retorno de investir e garantem o aporte com antecedência. Isso nos permite planejar, e a programação fica cada vez melhor, e assim por diante”, conta Leandro que se diz otimista com as renovações para 2020.

A própria mudança do QG do Festival para o Mabu Curitiba Business não afetou, em nada, os resultados da programação. Até então, por quase uma década, a equipe do Festival se concentrava no Memorial de Curitiba, que não abriu a possibilidade de utilização da equipe, e também deixou a programação do Fringe, com a desculpa de usar o espaço para a agenda da própria prefeitura.

Um tradicional abrigo dos dias chuvosos para o público e artistas de rua, o Memorial foi substituído pela Galeria Júlio Moreira e pelo edifício da União Paranaense dos Estudantes. Felizmente, este ano, o Festival foi agraciado com um período de clima ameno, sem intempéries. Ainda assim, alguns grupos precisaram improvisar nesses dois novos e gratos espaços.

Essa mesma maturidade na relação com os patrocinadores permite uma programação equilibrada e a garantia de fazer com que a cidade toda participe de uma verdadeira efervescência cultural. Ela alcançou, inclusive, a forma de comunicar o Festival.

“Um bom exemplo é o Interlocuções, que passamos a divulgar por meio de grupos específicos, com foco em estudantes de arte. Deu muito certo. Ou seja, chegamos a um equilíbrio entre a divulgação mais específica e uma parte para o público em geral”, afirma Fabíula.

Ao serem perguntados sobre a colaboração do Festival na formação de plateias, Leandro imediatamente lembra de pessoas que fazem teatro na cidade. “O João Luiz Fiani, a Regina Vogue e tantos outros estão, ao longo do ano, em busca do público. Dar esse crédito só pra gente é injusto com quem, cotidianamente, forma público de teatro”, avalia Leandro, que destaca os desafios de fazer com que as pessoas que circulam nas peças do Festival consumam teatro em outros períodos.

“Como manter essa frequência? Entendo que o gargalo não é produzir, mas sim vender ingressos e divulgar. Devemos buscar formas de nos unir para promover e fomentar o teatro. E isso cabe, também, ao governo”, finaliza.

Números

Os números realmente impressionam e a estimativa é de que 200 mil pessoas tenham passado pelas atrações do Festival. Foram 400 espetáculos num total de 1700 apresentações.

Dessas, 600 gratuitas ou no sistema “pague o quanto vale”, acessíveis a todos os bolsos e perfis. Para atender todas essas pessoas – muitas delas vindas de fora da cidade -, são gerados 1700 postos de trabalho (700 diretos e 1.000 indiretos) durante o período de produção, na duração do Festival e, posteriormente, durante o encerramento das atividades.

Para que isso tudo aconteça, movimentou-se em Curitiba uma massa de 2500 artistas de 13 estados brasileiros e 5 países (Argentina, Portugal, Chile, França e Uruguai). Só na Mostra – segmento do Festival com espetáculos escolhidos por uma curadoria – foram 27 espetáculos, além de outros 8 das mostras de repertório de Os Satyros – que completa 30 anos – e da Companhia Stavis-Damaceno, ganhadora do Shell na categoria dramaturgia.

A cidade foi ocupada por 80 espaços diferentes que receberam o teatro, a gastronomia, a música, exposições, lançamentos de livros, palestras, oficinas gratuitas, exibição de filmes, debates, dança, mágica, malabarismo, humor e o encontro entre artistas e a população.

Outros números do Festival de Curitiba:

  • 1700 apresentações previstas
  • 27 espetáculos na Mostra 2019
  • 2 mostras de repertório, com 8 espetáculos (Stavis-Damaceno e Satyros)
  • 6 eventos simultâneos (Interlocuções, Risorama, Gastronomix, MishMash, Programa Guritiba e Fringe)
  • Companhias de 13 estados brasileiros
  • 10 atrações internacionais (Argentina, Portugal, Chile, França e Uruguai)
  • 3 espetáculos internacionais na Mostra (Aquele que Cai, Do Convento à Sala de Concerto e Tráfico).
  • Mais de 100 espetáculos gratuitos
  • Mais de 50 no sistema Pague Quanto Vale
  • Média de 2500 artistas
  • Mais de 80 espaços da cidade (teatros, espaços de arte e cultura, praças, parques, ruas, entre outros).
  • Cerca de 40 mil turistas em Curitiba

Com aprovação de todos os públicos envolvidos no Festival – patrocinadores, elenco, espectadores – o grande marco da 28ª edição, para Leandro e Fabíola é um evento bem realizado.

“Rolou dentro do planejado. Na verdade, mais do que o esperado. Esse Festival nos surpreendeu”, finaliza Leandro.

Dogville foi o primeiro espetáculo a ter ingressos esgotados no Festival — Foto: Renato Mangolin

Dogville foi o primeiro espetáculo a ter ingressos esgotados no Festival — Foto: Renato Mangolin

G1

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