Você tem dificuldade de tomar decisões? Saiba como não sofrer

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Imagem: iStock

Quem nunca se sentiu num mar de dúvidas na hora de tomar uma decisão? Escolher uma profissão, a pessoa certa para casar, ter filhos cedo ou só depois de crescer na carreira, trocar ou não de emprego, abrir uma empresa ou fazer a viagem dos sonhos. É normal sentir insegurança antes de bater o martelo para algo que pode mudar a rota da vida. Além disso, não é fácil chegar à conclusão de que uma opção é a melhor entre duas ou entre muitas. Principalmente porque existe a possibilidade de se arrepender.

Mas não é só de decisões importantes que a vida é feita. Muitas são rotineiras como a roupa que vamos vestir, a comida que faremos no jantar, ler um livro ou ver uma série na televisão, sair ou ficar em casa no fim de semana. Embora a maioria de nós tire de letra essas pequenas escolhas do dia a dia, há quem se sinta dividido entre elas. Hélio Deliberador, professor de psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), elenca alguns motivos para isso: insegurança, excesso de perfeccionismo e hábito de procrastinar.

Nossas decisões de cada dia são tomadas de forma particular. “As pessoas dão conotações mais positivas ou negativas para certas situações e isso facilita ou dificulta o processo de decisão”, segundo Deliberador.

Nem sempre existe certo e errado na hora de tomar uma decisão. Muitas vezes são apenas possibilidades que podem nos levar para diferentes caminhos. Ainda assim, errar é o maior temor de muitas pessoas e por esse motivo elas relutam em arriscar. Mas não deveriam porque essa é uma das melhores formas de vencer a indefinição. “Arriscar pode ser um modo de enfrentar o medo da escolha. Não é fácil porque significa ganhar ou perder, acertar ou errar. Mas é importante aprender lidar com os erros”, garante a psicóloga Roberta Pohl.

Nessas horas vale fazer psicoterapia, ouvir a opinião de especialistas e pedir conselho para pessoas próximas, mesmo sabendo que a decisão final será sua. Também ajuda tentar lembrar como e quando essa dificuldade começou, identificar medos e tentar se enxergar fora da situação. Assim como avaliar os prós e contras da escolha, imaginar as possíveis consequências e se perguntar se está disposto a enfrentá-las – se possível anotar tudo isso – fazer pesquisas e até recorrer à fé.

Esse balanço serve para decidir de forma mais consciente. “Geralmente as decisões que fazem a gente estar mais perto de onde se sente feliz são as mais acertadas”, acredita Fernando Gomes, neurocientista e chefe do Grupo de Hidrodinâmica Cerebral do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas do Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). E continua. “Nem sempre uma decisão é racional e nem sempre ela precisa ter uma explicação 100% clara. Basta ser autêntica e a gente assumir o risco de que ela pode ou não ser boa”. Pode até dar errado, mas é uma maneira de voltar a ter paz.

Mas em que momento da vida desenvolvemos um olhar positivo ou negativo sobre as decisões? É preciso voltar no tempo para encontrar a resposta, diz Pohl. “A tomada de decisão é um processo de aprendizagem que começa na infância com os pais deixando os filhos decidirem ou não”.

Ou seja, crianças incentivadas pelos pais a escolherem roupas, brinquedos e amigos serão adultos mais decididos. Já as que sofrem punições quando escolhem algo têm grandes chances de levar medo e insegurança para o resto da vida. Mas nem tudo deve ser colocado na conta da infância. As decisões malsucedidas que tomamos no decorrer da vida também contribuem para essa sensação de incapacidade. “Se a pessoa julga que sempre faz escolhas ruins, a tendência é que ela não queira assumir essa responsabilidade”, acrescenta Pohl.

Edmund Fantino, professor de psicologia que faleceu anos atrás e foi um dos maiores especialistas do mundo no assunto, corroborava a ideia de que as escolhas são baseadas no passado. “Nossas decisões são determinadas pelas experiências anteriores que tivemos em situações similares e pela eficácia dos estímulos discriminativos e outros sinais contextuais presentes no ambiente de decisão”. Quando essas experiências são negativas, elas reforçam o medo de errar, de ser julgado e ridicularizado, e trazem consigo uma boa dose de ansiedade.

Indecisão faz mal

Ficar com os pensamentos às voltas com uma escolha nos prende a ela. “Muitas vezes a pessoa fica fechada. Não se expõe por uma série de fantasias e avaliações que ela faz da sua própria incapacidade”, fala Deliberador. Como a mente se ocupa muito com aquele assunto, o desempenho em outras atividades pode ser comprometido. Gomes diz que pensamentos recorrentes geralmente estão associados a baixos níveis de serotonina, como acontece em pessoas que têm depressão. Por isso, às vezes é necessário tomar medicamentos.

Não é só ansiedade que esse impasse causa. Há um aumento de estresse, que libera hormônios como cortisol e adrenalina em quantidades elevadas. Quando isso acontece, o corpo pode adoecer. O neurocientista afirma que são comuns dores de cabeça, gastrite e insônia. O sistema imunológico também pode ficar debilitado e suscetível a infecções.

Uol/Viva Bem

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