Maior e mais abrangente estudo sobre os efeitos da pandemia na população desenvolvido pela UFPel está na fase crucial de monitoramento da prevalência do novo coronavírus

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) confirmou nesta terça-feira, 21, que o Ministério da Saúde não renovou o convênio para o financiamento da pesquisa de Prevalência de Infecção por Covid-19 no país (Epicovid-19). O governo federal era o maior financiador do estudo, considerado o maior e mais abrangente sobre os efeitos do novo coronavírus na população brasileira. O Ministério da Saúde financiou R$ 12 milhões, quase a totalidade do orçamento do trabalho coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel nas três fases desenvolvidas até agora.

Aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, o estudo avalia a velocidade de expansão do vírus, a evolução de casos na população e projeta a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19.

A universidade busca parcerias para dar continuidade às próximas fases da pesquisa. Em nota, o ministério informou que irá assumir os estudos de inquérito epidemiológico de prevalência de soropositividade na população, mas não especificou se irá manter a Epicovid19-BR sob a coordenação da UFPel ou outra instituição de ensino ou se a pesquisa será transferida para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em cada uma das três etapas da pesquisa concluídas no início de julho com financiamento do governo federal foram entrevistados cerca de 90 mil moradores dos 133 maiores municípios das regiões intermediárias do país segundo levantamento populacional do IBGE.

Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador da pesquisa Epicovid-19
Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador da pesquisa Epicovid-19Foto: Kátia Helena Dias/ UFPel/ Divulgação

De acordo com o reitor da UFPel, Pedro Hallal, após a conclusão dessas três etapas o trabalho deve entrar na fase mais importante, que é o monitoramento da prevalência da doença na população, mas ao ser consultado o Ministério da Saúde não demonstrou interesse em manter o financiamento para os novos estágios do estudo. Hallal, que coordena a pesquisa, informou que a universidade está em negociação com instituições de pesquisas do setor privado para dar continuidade às próximas fases. do estudo.

Após uma audiência com o governador do RS nesta terça-feira, o ministro interino da Saúde, general da reserva Eduardo Pazuello, alegou que o estudo deixou de ter abrangência nacional. “A pesquisa estava muito boa, mas com dificuldade da gente ter uma posição nacional. Para efeitos de Brasil, a gente precisaria mudar alguns tópicos do que foi contratado com a universidade. Ela ficou mais regionalizada e tivemos dificuldade”, criticou.

“O Ministério não tem que gostar ou não gostar dos resultados, ele tem que usar a pesquisa para desenvolver as políticas para proteger a população brasileira. Se não é capaz de fazer isso, é uma pena para o país”, rebateu Hallal.

No Rio Grande do Sul, a pesquisa Epicovid-19 não tem financiamento do ministério. É coordenada pela UFPel e uma rede de mais 12 instituições federais de ensino e governo do estado. Até agora, foram concluídas quatro fases da primeira série da pesquisa no estado, com financiamento privado do Instituto Cultural Floresta, Unimed-POA e Instituto Serrapilheira. A segunda série de quatro fases será financiada pelo Instituto Serrapilheira e Banrisul.

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