A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulou no final de 2019 a comercialização de medicamentos à base de canabidiol (CBD) no Brasil. A medida entrou em vigor no dia 22 de abril de 2020 e, aos poucos, será possível encontrar a substância nas farmácias do país. Porém, a compra depende de receita médica do Tipo B – a de cor azul.

A recente liberação da venda do canabidiol no Brasil é fruto de décadas de discussões sobre os efeitos da substância, inclusive com debates em Campinas. Toda a polêmica gira em torno da planta que a origina: a cannabis, mesma da maconha. No entanto, o canabidiol não possui os efeitos psicoativos da erva, já que esses são causados por outro composto, o THC – que também teve sua comercialização liberada no Brasil, mas é utilizado para fins medicinais diferentes.

O canabidiol é utilizado no tratamento de diversas doenças. Ele traz melhorias na qualidade de vida das pessoas com espectro autista, já que controla alguns dos sintomas do transtorno.

Além disso, o seu efeito também é sentido no tratamento de outras doenças neurológicas, como a Doença de Parkinson e a epilepsia.

A substância também pode ser utilizada no tratamento de distúrbios psiquiátricos e emocionais, como a ansiedade e a fobia social. O CBD também conta com efeitos analgésicos, podendo ser usado para amenizar dores crônicas.

Antes da regulamentação, os pacientes que precisassem dos medicamentos a base de canabidiol só poderiam adquiri-lo através de um processo de importação, o que apresentava muita burocracia e atrasava os tratamentos. No ano passado, o número de pedidos de importação triplicou. Agora, com a liberação, a Anvisa estima que mais de 13 milhões de brasileiros sejam beneficiados pelo uso da substância.

Primeiro medicamento desenvolvido no Brasil já está à venda

O primeiro medicamento de canabidiol desenvolvido no Brasil já está nas farmácias desde o dia 10 de maio. O extrato de CBD foi desenvolvido pela Universidade Estadual de São Paulo, em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, e produzido por um laboratório paranaense.

Antes dele, o único medicamento à base de cannabis nas farmácias brasileiras era produzido na Inglaterra e voltado exclusivamente ao tratamento de contrações musculares involuntárias, com uma maior concentração de THC. Já o remédio brasileiro é considerado um fármaco de origem vegetal, sem nenhuma pré-indicação. Ou seja, depende do médico receitá-lo para cada situação, podendo ser utilizado em pacientes diferentes doenças e transtornos.

Mesmo com a liberação da venda e produção dos medicamentos, o plantio da cannabis segue proibido no Brasil. Por isso, as plantas usadas no extrato brasileiro são importadas da Europa. Além do CBD puro, o remédio ainda conta com óleo de milho em sua composição.

campinas.com

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