{"id":9499,"date":"2019-05-07T09:23:26","date_gmt":"2019-05-07T12:23:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=9499"},"modified":"2019-05-07T09:23:27","modified_gmt":"2019-05-07T12:23:27","slug":"nao-existe-empreendedorismo-mas-gestao-da-sobrevivencia-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/05\/07\/nao-existe-empreendedorismo-mas-gestao-da-sobrevivencia-diz-pesquisadora\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o existe empreendedorismo, mas gest\u00e3o da sobreviv\u00eancia&#8217;, diz pesquisadora"},"content":{"rendered":"\n<p>Incentivar o &#8216;esp\u00edrito empreendedor&#8217; do trabalhador \u00e9 um meio para tornar legal a\u00a0precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, aponta\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem \u00e9 de\u00a0Felipe Mascari, publicada por\u00a0Rede Brasil Atual &#8211; RBA, 26-02-2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Jornadas longas, p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pouqu\u00edssimos direitos assegurados e\u00a0inseguran\u00e7a sobre o futuro. Essas s\u00e3o as dificuldades apontadas por trabalhadores informais, que vivem sob a \u00f3tica do &#8220;incentivo empreendedor&#8221;. Para pesquisadoras da\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo (FPA), o termo\u00a0&#8220;empreendedorismo&#8221;\u00a0deveria ser substitu\u00eddo por &#8220;gest\u00e3o da sobreviv\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O incentivo para que o trabalhador se torne &#8220;empreendedor&#8221; \u00e9 um meio para formalizar a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, aponta um estudo publicado pela FPA, que ouviumanicures,\u00a0dom\u00e9sticas,\u00a0motoboys,\u00a0ambulantes,\u00a0costureiras e trabalhadores do setor de constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0cientista social e coordenadora executiva da pesquisa,\u00a0L\u00e9a Marques, explica que a precariedade do mercado se relaciona a diversos aspectos, como a\u00a0&#8220;uberiza\u00e7\u00e3o&#8221;\u00a0do emprego, a incapacidade de organiza\u00e7\u00e3o coletiva e os efeitos da reforma trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse discurso do tal\u00a0empreendedorismo\u00a0\u00e9 mais uma forma da\u00a0precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Isso se d\u00e1 para os trabalhadores das periferias, que est\u00e3o longe dos centros comerciais e precisam lidar com o mercado de trabalho sem nenhum direito. Esse discurso do empreendedor \u00e9 para que o Estado n\u00e3o tenha responsabilidade sobre pol\u00edticas p\u00fablicas de emprego e renda&#8221;, explica \u00e0\u00a0RBA.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a soci\u00f3loga e supervisora da pesquisa,\u00a0Ludmila Costhek Ab\u00edlio, lamenta que nos per\u00edodos de crise, a informalidade se torne a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para o trabalhador. &#8220;N\u00f3s vimos, por meio das entrevistas, que h\u00e1 uma &#8216;uberiza\u00e7\u00e3o&#8217; do trabalho. S\u00e3o novas formas de organiza\u00e7\u00e3o da informalidade e que atingem diversas ocupa\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso desconstruir o discurso do\u00a0empreendedorismo, de quem alcan\u00e7aria o sucesso sozinho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Formal em um dia, informal no outro<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A pesquisa da\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo\u00a0aponta que o trabalhador vive num tr\u00e2nsito constante entre o trabalho formal,\u00a0informal\u00a0e outras atividades remuneradas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com\u00a0Ludmila, o estudo mostra que o mercado formal e o\u00a0informal\u00a0s\u00e3o\u00a0dois campos est\u00e1ticos. &#8220;As pessoas fazem um monte de coisa ao mesmo tempo para garantir a sobreviv\u00eancia. O\u00a0motoboy\u00a0usa o trabalho dele para ser\u00a0sacoleiro\u00a0tamb\u00e9m, a\u00a0costureira\u00a0abre um\u00a0brech\u00f3\u00a0na casa dela. S\u00e3o v\u00e1rias formas de garantir a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia&#8221;, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto levantando pela pesquisa \u00e9 de que a figura do\u00a0Microempreendedor Individual (MEI)\u00a0funciona mais como ve\u00edculo de informaliza\u00e7\u00e3o do que de formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho. &#8220;As manicures e os motoboys viraram\u00a0MEI. Est\u00e3o formalizando a informalidade. O mercado se apropriou dessa brecha para precarizar mais o trabalho&#8221;, critica Ludmila.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Novas formas de organiza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>A\u00a0Perseu Abramo\u00a0tamb\u00e9m identificou que, com o aumento do\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/560294-informalidade-a-ilegalidade-dos-pobres-e-a-flexibilizacao-dos-ricos\" target=\"_blank\">tr<\/a>a<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/560294-informalidade-a-ilegalidade-dos-pobres-e-a-flexibilizacao-dos-ricos\" target=\"_blank\">balho informal<\/a>, os trabalhadores, desamparados pela lei trabalhista, criaram suas formas de organiza\u00e7\u00e3o coletiva. Entretanto, n\u00e3o s\u00e3o todas as categorias que conseguem e as que alcan\u00e7am t\u00eam dificuldade de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\u00a0motoboys, por exemplo, possuem formas de organiza\u00e7\u00e3o ativas por meio das redes sociais. &#8220;Mas vimos categorias que t\u00eam dificuldade de organizar, como as manicures e empregadas dom\u00e9sticas, porque est\u00e3o em espa\u00e7os privados&#8221;, conta a supervisora da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado,\u00a0L\u00e9a\u00a0explica que \u00e9 preciso entender como funcionam as novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, j\u00e1 que a\u00a0informalidade\u00a0estimula o individualismo, sendo que as dificuldades devem ser enfrentadas coletivamente para serem superadas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem\u00a0motoboy\u00a0relatando (na pesquisa) que houve uma manifesta\u00e7\u00e3o contra a empresa do aplicativo e ele foi, mas como recebe por dia, n\u00e3o ganhou nada na ocasi\u00e3o. Quando teve a segunda manifesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi e ganhou o dobro do valor, porque todos estavam paralisados. H\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 dif\u00edcil colocar em pr\u00e1tica&#8221;, afirma Marques. &#8220;Os trabalhadores est\u00e3o conectados, mas \u00e9 dif\u00edcil se organizar quando nada est\u00e1 garantido&#8221;, acrescenta\u00a0Costhek.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostra que os trabalhadores n\u00e3o buscam se formalizar com medo de perder a renda e por conta da\u00a0precariza\u00e7\u00e3o\u00a0do mercado formal. Por\u00e9m, eles admitem\u00a0querer os direitos previstos da\u00a0CLT.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A cientista social acredita que o momento pede uma nova forma de articula\u00e7\u00e3o dos\u00a0sindicatos\u00a0para que representem os trabalhadores informais. &#8220;Isso mostra uma necessidade de os sindicatos criarem esse debate para incluir os informais nas suas formas de atua\u00e7\u00e3o&#8221;, diz\u00a0L\u00e9a.<\/p>\n\n\n\n<p>Unisinos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Incentivar o &#8216;esp\u00edrito empreendedor&#8217; do trabalhador \u00e9 um meio para tornar legal a\u00a0precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, aponta\u00a0Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo. A reportagem \u00e9 de\u00a0Felipe Mascari, publicada por\u00a0Rede Brasil Atual &#8211; RBA, 26-02-2019. Jornadas longas, p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pouqu\u00edssimos direitos assegurados e\u00a0inseguran\u00e7a sobre o futuro. 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