{"id":8862,"date":"2019-05-02T09:32:26","date_gmt":"2019-05-02T12:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=8862"},"modified":"2019-05-02T09:32:27","modified_gmt":"2019-05-02T12:32:27","slug":"mulheres-estavam-na-linha-de-frente-da-primeira-greve-geral-da-historia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/05\/02\/mulheres-estavam-na-linha-de-frente-da-primeira-greve-geral-da-historia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Mulheres estavam na linha de frente da primeira greve geral da hist\u00f3ria do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u201c\u00c9 preciso entender o feminismo como campo pol\u00edtico, e por isso, permeado de disputas\u201d, diz autora de livro sobre o tema<\/h4>\n\n\n\n<p>A primeira greve geral da hist\u00f3ria do Brasil ocorreu em 1917, em S\u00e3o Paulo (SP), e as mulheres estavam na linha de frente. Elas eram a maioria da classe trabalhadora e reivindicavam melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento salarial, fim do trabalho infantil e redu\u00e7\u00e3o das cargas hor\u00e1rias exaustivas.<\/p>\n\n\n\n<p>A onda de paralisa\u00e7\u00f5es de 1917 come\u00e7ou em duas f\u00e1bricas t\u00eaxteis&nbsp;conhecidas como&nbsp;Cotonif\u00edcio Rodolfo Crespi, no bairro da Mooca,&nbsp;e logo se espalhou por cidades como Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Era uma esp\u00e9cie de \u201cmotim contra fome\u201d, ainda sem pautas espec\u00edficas das trabalhadoras na lista de reivindica\u00e7\u00f5es do comando de greve, o Comit\u00ea de Defesa Prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o estarem na lideran\u00e7a dos sindicatos, pouco a pouco as mulheres passaram a estabelecer como pautas priorit\u00e1rias do movimento de greve direitos como licen\u00e7a maternidade, aux\u00edlio-creche&nbsp;e igualdade salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>A greve durou 30 dias e reuniu cerca de 70 mil trabalhadores e trabalhadoras. Se nem todas as demandas objetivas foram conquistadas,&nbsp;a paralisa\u00e7\u00e3o teve como saldo&nbsp;o fortalecimento organizativo do movimento. Em 1922, foi criada a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino. Primeiro grupo feminista com capilaridade nacional, ele nasceu&nbsp;com o prop\u00f3sito de lutar por direitos civis, e n\u00e3o necessariamente pol\u00edticos ou trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es eram protagonizadas&nbsp;por trabalhadoras com hist\u00f3rico de luta nos sindical, em sua maioria integrantes do Partido Comunista (PC), por meio da forma\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea da Mulher Trabalhadora, a partir de orienta\u00e7\u00f5es da Internacional Comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO 8 de mar\u00e7o mais antigo que eu tenho not\u00edcia aconteceu no Rio de Janeiro, em 1929, e teve a presen\u00e7a apenas de 50 mulheres, e esse ato foi organizado pelas mulheres do PC. Ent\u00e3o, se tem uma press\u00e3o pol\u00edtica porque h\u00e1 alguma organiza\u00e7\u00e3o, mesmo que pouca\u201d, analisa Glaucia Fraccaro, autora do livro&nbsp;<em>Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A escritora enaltece o papel da&nbsp;cartunista e militante comunista Patr\u00edcia Galv\u00e3o. Conhecida como Pagu, ela&nbsp;era pr\u00f3xima da dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista, e nunca deixou de criticar tanto a Federa\u00e7\u00e3o&nbsp;quanto o PC&nbsp;pela falta de uma organiza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica que desse conta n\u00e3o s\u00f3 dos direitos civis, mas de pautas que levassem as mulheres trabalhadoras, pobres, e seus direitos em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o termina o per\u00edodo de 20 anos analisados pela pesquisadora com a proposta de um &#8220;Estatuto da Mulher&#8221;, ou seja,&nbsp;uma revis\u00e3o de todo o ordenamento jur\u00eddico brasileiro com a&nbsp;proposi\u00e7\u00e3o de emendas que n\u00e3o prejudicassem mais as mulheres \u2013&nbsp;o que abarcava, por exemplo, pol\u00edticas de&nbsp;igualdade salarial e a&nbsp;licen\u00e7a-maternidade. Al\u00e9m disso, foi proposto um Departamento Nacional da Mulher, junto ao governo federal, fruto das press\u00f5es de outros movimentos feministas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ciclo de conquistas organizativas e pol\u00edticas foi rompido, segundo a autora,&nbsp;a partir do golpe de 1937, com a forma\u00e7\u00e3o do Estado Novo, comandado por Get\u00falio Vargas. O Estatuto da Mulher e o Departamento Nacional da Mulher pararam de tramitar em seguida, e a for\u00e7a dos movimentos feministas foi&nbsp;drasticamente suprimida.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, durante o per\u00edodo Vargas, as mulheres teriam avan\u00e7os significativos na luta por direitos, por meio da cria\u00e7\u00e3o da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), em 1943.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 preciso que a gente compreenda o feminismo como campo pol\u00edtico, e como tal ele \u00e9 permeado de disputas. Se n\u00e3o, voc\u00ea vai contar a hist\u00f3ria s\u00f3 das vencedoras, e n\u00e3o dos grupos que compuseram o campo e a disputa pol\u00edtica ao longo desse tempo\u201d, finaliza a escritora.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil de Fato\/Daniel Giovanaz<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 preciso entender o feminismo como campo pol\u00edtico, e por isso, permeado de disputas\u201d, diz autora de livro sobre o tema A primeira greve geral da hist\u00f3ria do Brasil ocorreu em 1917, em S\u00e3o Paulo (SP), e as mulheres estavam na linha de frente. 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