{"id":8570,"date":"2019-04-30T09:40:28","date_gmt":"2019-04-30T12:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=8570"},"modified":"2019-04-30T09:40:39","modified_gmt":"2019-04-30T12:40:39","slug":"martelo-e-talhadeira-viram-armas-contra-a-invasao-do-coral-sol-no-litoral-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/30\/martelo-e-talhadeira-viram-armas-contra-a-invasao-do-coral-sol-no-litoral-brasileiro\/","title":{"rendered":"Martelo e talhadeira viram armas contra a invas\u00e3o do coral-sol no litoral brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Registrado em sete estados, o coral-sol libera compostos que causam necrose no tecido de outras esp\u00e9cies.<\/h4>\n\n\n\n<p>O coral-sol \u00e9 um animal ex\u00f3tico invasor de origem europeia que chegou ao Brasil na d\u00e9cada de 1980 na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, em uma embarca\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. Atualmente, o coral-sol \u00e9 uma amea\u00e7a ao ecossistema de mais seis estados: Cear\u00e1, Alagoas, Sergipe, Bahia, S\u00e3o Paulo e Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p>Classificado pela ONU no relat\u00f3rio\u00a0<em>Global Biodiversity Outlook<\/em>\u00a0como animal de maior impacto negativo na biodiversidade local, o coral-sol tem duas esp\u00e9cies em atividade no Brasil: a\u00a0<em>Tubastraea coccinea<\/em>, que veio do arquip\u00e9lago de Fiji, e a\u00a0<em>Tubastraea tagusensis<\/em>, origin\u00e1ria da Ilha de Gal\u00e1pagos, um dos locais com maior incid\u00eancia de animais ex\u00f3ticos invasores.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diversos fatores que contribuem para que ele seja t\u00e3o perigoso para a biodiversidade local. No Oceano Pac\u00edfico, seu habitat natural, a esp\u00e9cie possui centenas de concorrentes do g\u00eanero que disputam espa\u00e7o e alimento, enquanto a costa brasileira possui apenas 18. Aqui, o coral-sol n\u00e3o possui predadores e encontra um amplo espa\u00e7o para se reproduzir.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da falta de esp\u00e9cies concorrentes, o coral-sol libera larvas no oceano que s\u00e3o carregadas por correntes marinhas e formam os p\u00f3lipos. Esses p\u00f3lipos se dividem e formam novas col\u00f4nias. Para se proteger e ganhar ainda mais espa\u00e7o, as col\u00f4nias liberam compostos alelop\u00e1ticos que inibem a presen\u00e7a de outros corais no mesmo ambiente e causam necrose no tecido de outras esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cDe forma geral, o coral-sol apresenta uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas vantajosas, como crescimento r\u00e1pido, maturidade reprodutiva precoce, elevada capacidade regenerativa e capacidade de produzir larvas sexuadas e assexuadas\u201d , disse a pesquisadora da UFRJ K\u00e1tia Capel, que participou da expedi\u00e7\u00e3o em Santa Catarina e no arquip\u00e9lago de Alcatrazes.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esses fatores fazem com que outros tipos de corais que se reproduzem mais lentamente percam espa\u00e7o em seu pr\u00f3prio ambiente natural, como o coral-c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTais caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas, aliadas ao fato de o coral-sol n\u00e3o ter predadores naturais no Brasil, contribuem para que essas esp\u00e9cies sejam capazes de cobrir at\u00e9 90% de todo o substrato dispon\u00edvel em alguns locais, reduzindo o habitat dispon\u00edvel para esp\u00e9cies nativas\u201d, disse K\u00e1tia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Santa Catarina<\/h2>\n\n\n\n<p>As empresas petrol\u00edferas s\u00e3o uma das principais causas da prolifera\u00e7\u00e3o do coral em litoral brasileiro. Em 2000, por exemplo, foi registrado no munic\u00edpio de Itaja\u00ed, Santa Catarina, a presen\u00e7a da esp\u00e9cie\u00a0<em>Tubastraea coccinea<\/em>\u00a0em uma plataforma de petr\u00f3leo. Alguns anos depois, a esp\u00e9cie foi encontrada em cost\u00f5es rochosos na Ilha do Arvoredo, dentro da Reserva Biol\u00f3gica Marinha do Arvoredo em Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p>As col\u00f4nias foram encontradas por um grupo que fazia um mergulho recreativo. Ap\u00f3s sua identifica\u00e7\u00e3o, o bi\u00f3logo Alberto Lindner e sua ent\u00e3o aluna de mestrado K\u00e1tia Capel confirmaram ser a esp\u00e9cie&nbsp;<em>Tubastraea coccineana<\/em>, chamada popularmente de coral-sol.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Nessa regi\u00e3o, o coral-sol existe apenas em pequena escala e existem ainda poucos focos de invas\u00e3o. Isso gra\u00e7as ao trabalho dos gestores da Rebio do Arvoredo, que realizaram o manejo da \u00e1rea pra controlar a invas\u00e3o em escala local&#8221; , disse a pesquisadora da UFRJ K\u00e1tia Capel.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2018, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente divulgou um plano de Implementa\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia Nacional para Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras com objetivo de evitar a entrada do coral-sol e outras esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras no ecossistema nacional. O plano ficar\u00e1 em atividade por cinco anos, e cont\u00e9m todo o planejamento desde erradica\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o MMA, o plano de implementa\u00e7\u00e3o inclui um diagn\u00f3stico detalhado da situa\u00e7\u00e3o da invas\u00e3o das esp\u00e9cies no pa\u00eds e as estrat\u00e9gias de controle a serem consideradas, al\u00e9m da defini\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias para o per\u00edodo de cinco anos. O Plano de Implementa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 realizada por meio de monitorias anuais. A primeira ser\u00e1 em setembro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme o \u00f3rg\u00e3o, em Santa Catarina, de 2012 at\u00e9 o momento, foram removidas cerca de 11 mil col\u00f4nias de Coral-sol pelo Rebio Marinha do Arvoredo. Em Ilha Grande, a 1\u00aa Opera\u00e7\u00e3o Eclipse, realizada pelo Projeto Coral Sol e a Esec Tamoios, resultou na remo\u00e7\u00e3o de 17 mil col\u00f4nias.<\/p>\n\n\n\n<p>No arquip\u00e9lago de Alcatrazes, a situa\u00e7\u00e3o era ainda mais cr\u00edtica. L\u00e1, de 2013 at\u00e9 a \u00faltima opera\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 2019, foram retiradas 250 mil col\u00f4nias do coral. Ao todo, institui\u00e7\u00f5es associadas ao minist\u00e9rio j\u00e1 fizeram a remo\u00e7\u00e3o de cerca de 279 mil col\u00f4nias<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto econ\u00f4mico<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a diretora do Instituto Brasileiro de Biodiversidade, Simone Pszczol, o coral-sol impacta negativamente as atividades socioecon\u00f4micas relacionadas ao ambiente marinho, como a pesca e o mergulho. Logo, atinge a fonte de renda das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O problema se torna cada vez maior e mais grave quando voc\u00ea perde &#8216;servi\u00e7o&#8217;. \u00c9 muito grave quando aquele determinado servi\u00e7o n\u00e3o existe mais, seja maricultura ou um turismo subaqu\u00e1tico (&#8230;) Para isso, precisamos de manejo, que \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o, conten\u00e7\u00e3o, erradica\u00e7\u00e3o e a sensibiliza\u00e7\u00e3o da sociedade sobre essa problem\u00e1tica&#8221;, disse Simone.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O coral-sol se enquadra como animal ex\u00f3tico invasor, pois al\u00e9m de destruir rapidamente a biodiversidade local, influencia negativamente a vida de pescadores e afeta economicamente grandes empresas petrol\u00edferas, que devem fazer a limpeza das plataformas constantemente e prestar esclarecimentos cont\u00ednuos sobre a prolifera\u00e7\u00e3o de corais nos navios e plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, por exemplo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) determinou, em liminar, que a Petrobr\u00e1s, al\u00e9m de pagar multa di\u00e1ria de R$ 50 mil em caso de descumprimento, devia apresentar um diagn\u00f3stico completo sobre o estabelecimento do coral na Ba\u00eda da Ilha Grande, em Angra dos Reis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/uE2oGV-CYvGAWA_sbBYBqI_4hc4=\/0x0:805x562\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2018\/h\/a\/9UFxAATAApwb6yWyPdBw\/coral4.jpg\" alt=\"Pesquisadores mergulham e retiram coral-sol de Calhaus \u2014 Foto: Mariane Rossi\/G1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pesquisadores mergulham e retiram coral-sol de Calhaus \u2014 Foto: Mariane Rossi\/G1<\/p>\n\n\n\n<p>A Petrobr\u00e1s entrou com recurso para reverter a liminar e, segundo o MPF, a manifesta\u00e7\u00e3o mais recente indica que o processo tramitou na justi\u00e7a at\u00e9 2018 e foi encaminhado para um poss\u00edvel TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a Petrobr\u00e1s diz que a liminar foi suspensa por decis\u00e3o do relator do recurso, que considerou as medidas determinadas inexequ\u00edveis para a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e que h\u00e1 registros da esp\u00e9cie na regi\u00e3o h\u00e1 30 anos. Ainda segundo a Petrobr\u00e1s, os autores da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica n\u00e3o levaram em conta toda a incerteza t\u00e9cnica e as lacunas cient\u00edficas que envolvem o tema e que ainda est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja a nota na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;A liminar citada foi suspensa por decis\u00e3o do Relator do recurso no TRF da 2\u00aa Regi\u00e3o, que considerou as medidas determinadas inexequ\u00edveis e ineficazes para a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Todas as partes est\u00e3o em negocia\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, autor da a\u00e7\u00e3o, para buscar uma solu\u00e7\u00e3o de consenso e mais aderente \u00e0s necessidades do ecossistema, sob o ponto de vista das empresas, dos \u00f3rg\u00e3os ambientais e dos t\u00e9cnicos do MPF.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Cabe ressaltar que a liminar citada foi deferida em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo MPF em face da Petrobras, de mais quatro empresas e dos \u00f3rg\u00e3os ambientais federal, estadual e ICMBio, com o argumento de que a presen\u00e7a de coral-sol na Ba\u00eda de Ilha Grande supostamente causaria grande risco \u00e0 biodiversidade marinha. Essa decis\u00e3o desconsiderou que h\u00e1 registro da presen\u00e7a de tais esp\u00e9cies no local h\u00e1 mais de 30 anos, assim como n\u00e3o levou em conta toda a incerteza t\u00e9cnica e lacunas cient\u00edficas que envolvem o tema e que ainda est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e no mundo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>G1PR<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Registrado em sete estados, o coral-sol libera compostos que causam necrose no tecido de outras esp\u00e9cies. O coral-sol \u00e9 um animal ex\u00f3tico invasor de origem europeia que chegou ao Brasil na d\u00e9cada de 1980 na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, em uma embarca\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. 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