{"id":8415,"date":"2019-04-27T10:24:57","date_gmt":"2019-04-27T13:24:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=8415"},"modified":"2019-04-27T10:24:58","modified_gmt":"2019-04-27T13:24:58","slug":"a-extraordinaria-cientista-que-estudou-o-cerebro-de-einstein-e-revolucionou-a-neurociencia-moderna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/27\/a-extraordinaria-cientista-que-estudou-o-cerebro-de-einstein-e-revolucionou-a-neurociencia-moderna\/","title":{"rendered":"A extraordin\u00e1ria cientista que estudou o c\u00e9rebro de Einstein e revolucionou a neuroci\u00eancia moderna"},"content":{"rendered":"\n<p>Horas antes de Marian Diamond nascer, o pai dela levou os outros cinco filhos ao hospital para se despedirem. Os m\u00e9dicos haviam dito que poderiam salvar apenas uma das duas: a m\u00e3e ou a filha.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um tumor uterino grande me acompanhou durante o processo gesta\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e, que tinha 42 anos&#8221;, contou a cientista americana. &#8220;Mas eles estavam errados! Minha m\u00e3e viveu at\u00e9 os 75 anos e eu tenho 80 anos&#8221;, escreveu Diamond em um ensaio de 2007 sobre sua vida e carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela estuda o c\u00e9rebro e revoluciona a forma como o entendemos, e seu legado como professora universit\u00e1ria tem inspirado v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos, pesquisadores e cientistas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15997\/production\/_106617488_8625bf5f-0c5e-4132-ae72-9b4156bced83.jpg\" alt=\"Diamond, ainda beb\u00ea, com a m\u00e3e\"\/><figcaption>Image captionM\u00e3e e filha correram risco quando Marian Diamond nasceu na Calif\u00f3rnia em 1926<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A dama da caixa florida<\/h2>\n\n\n\n<p>Diamond tinha o costume de caminhar pela Universidade Berkeley, na Calif\u00f3rnia, elegantemente vestida levando consigo uma caixa com estampa floral originalmente para carregar chap\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando olham uma senhora com uma caixa para chap\u00e9u n\u00e3o imaginam o que ela est\u00e1 transportando&#8221;, contou, em tom de piada, a um grupo de estudantes em 2010.<\/p>\n\n\n\n<p> <br>Dentro da elegante caixa, Diamond levava o \u00f3rg\u00e3o do corpo humano pelo qual se apaixonou ainda na adolesc\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o se compara a nada&#8221;, disse no document\u00e1rio&nbsp;<em>My Love Affair with the Brain<\/em>(Minha hist\u00f3ria de amor com o c\u00e9rebro, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso \u00e9 o que voc\u00ea realmente \u00e9, se voc\u00ea tirar o c\u00e9rebro, voc\u00ea tira a pessoa&#8221;, declarou com um c\u00e9rebro nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/113EC\/production\/_106363607_x1.jpg\" alt=\"Marian Diamond con un cerebro en la mano\"\/><figcaption>Image captionDiamond \u00e9 considerada uma das fundadoras da neuroci\u00eancia moderna<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A massa mais complexa da Terra<\/h2>\n\n\n\n<p>Diamond nasceu na Calif\u00f3rnia em 11 de novembro de 1926. &#8220;Quando tinha 15 anos, vi meu primeiro c\u00e9rebro humano enquanto caminhava pelo corredor do hospital do condado de Los Angeles, atr\u00e1s do meu pai, que visitava os pacientes&#8221;, escreveu a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que uma porta estava ligeiramente aberta e, no interior do quarto, havia um c\u00e9rebro sobre uma mesa pequena. Quatro homens vestindo aventais brancos o rodeavam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o sabia o que estavam fazendo, mas a imagem desse c\u00e9rebro, que antes tinha tido a possibilidade de criar ideias, ficou no meu c\u00e9rebro para sempre. A imagem \u00e9 t\u00e3o clara que \u00e9 como se tivesse sido ontem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A ideia era fascinante: esse c\u00e9rebro representava a massa do protoplasma mais complexa da Terra e, quem sabe, da nossa gal\u00e1xia&#8221;, emendou.<\/p>\n\n\n\n<p>Diamond conta que algo dentro dela lhe dizia que teria a oportunidade de aprender mais sobre aquela nobre parte do corpo humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma quest\u00e3o de tempo. Pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rompendo paradigmas<\/h2>\n\n\n\n<p>Diamond se formou em biologia aos 21 anos e, em 1948, come\u00e7ou seus estudos sobre o sistema nervoso no Departamento de Anatomia da Universidade Berkeley.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois, foi promovida a professora-assistente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/ECDC\/production\/_106363606_x.jpg\" alt=\"Marian Diamond com um c\u00e9rebro e uma caixa nas m\u00e3os\"\/><figcaption>Image captionNa caixa com estampa floral para chap\u00e9u, Diamond levava c\u00e9rebros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, &#8220;ningu\u00e9m estudava anatomia das fun\u00e7\u00f5es cognitivas superiores&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o departamento onde trabalhava estar concentrado em estudos sobre os horm\u00f4nios, ela encontrou algo que a cativou: o hipot\u00e1lamo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como 4 gramas de tecido nervoso poderiam desempenhar uma variedade t\u00e3o grande de fun\u00e7\u00f5es?&#8221;, lembrou ela em seu ensaio.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim come\u00e7ou uma carreira de sucesso como pesquisadora e professora que durou quase 60 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor George Brooks, um de seus colegas na universidade, destacou que Diamond &#8220;demonstrou anatomicamente, pela primeira vez, o que hoje chamamos de plasticidade do c\u00e9rebro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao fazer isso, rompeu o antigo paradigma que via o c\u00e9rebro como um corpo est\u00e1tico e invari\u00e1vel que simplesmente se degenera a medida que envelhecemos&#8221;, completou Brooks.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas pioneiras de Diamond sobre o impacto de um ambiente estimulante e de atividades enriquecedoras no desenvolvimento do c\u00e9rebro &#8220;mudaram literalmente o mundo, desde a forma como pensamos sobre n\u00f3s mesmos at\u00e9 a forma como criamos os nossos filhos&#8221;, avalia o professor e colega da pesquisadora num artigo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estudando Einstein<\/h2>\n\n\n\n<p>Marian Diamond terminou sua carreira como professora em\u00e9rita de biologia integrativa da Universidade de Berkeley, aposentando-se em 2014. Morreu tr\u00eas anos depois, aos 90 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A universidade a homenageou escrevendo: &#8220;Uma dos fundadoras da neuroci\u00eancia moderna, ela foi a primeira pessoa a demonstrar que o c\u00e9rebro pode mudar com a experi\u00eancia e aperfei\u00e7oar o enriquecimento e que descobriu evid\u00eancias disso no c\u00e9rebro de Albert Einstein.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CE64\/production\/_106363825_y.jpg\" alt=\"Albert Einstein tocando violino\"\/><figcaption>Image captionDiamond encontrou particularidades no c\u00e9rebro de Einstein<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga havia pedido para estudar o c\u00e9rebro do pai da Teoria da Relatividade. Anos depois, recebeu amostras do \u00f3rg\u00e3o de Einstein.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi Diamond que come\u00e7ou os estudos do c\u00e9rebro de um dos mais importantes cientistas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora &#8220;alcan\u00e7ou fama em 1984, quando examinou fragmentos conservados do c\u00e9rebro de Einstein e descobriu que ele tinha mais c\u00e9lulas de suporte do que a m\u00e9dia das pessoas&#8221;, destacou a universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um artigo publicado pela neurocientista, em 1985, disse que o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica tinha mais c\u00e9lulas gliais por neur\u00f4nio do que o grupo controle que participou do experimento.<\/p>\n\n\n\n<p>As c\u00e9lulas da glia desempenham um papel de apoio para os neur\u00f4nios e interv\u00eam ativamente no processamento de informa\u00e7\u00f5es. O texto reafirmava a ideia de que o c\u00e9rebro de Einstein tinha uma peculiaridade que poderia explicar sua genialidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12911\/production\/_106394067_z.jpg\" alt=\"Thomas Harvey com o c\u00e9rebro de Einstein em um frasco\"\/><figcaption>Image captionThomas Harvey, respons\u00e1vel pela aut\u00f3psia de Einstein, guardou amostras do c\u00e9rebro do f\u00edsico<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No ensaio de 2007, a pr\u00f3pria neurocientista faz uma reflex\u00e3o sobre essa particularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O fato de que as c\u00e9lulas gliais aumentam com o enriquecimento levou-me \u00e0 minha hip\u00f3tese de que Albert Einstein poderia ter mais c\u00e9lulas gliais em seu c\u00f3rtex, especificamente nas \u00e1reas de associa\u00e7\u00e3o esquerda e direita 9 e 39, em compara\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea m\u00e9dia cortical de outros 11 homens.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Descobrimos que as quatro regi\u00f5es tinham mais c\u00e9lulas gliais do que as dos outros homens, mas apenas (a \u00e1rea) esquerda 39, em termos estat\u00edsticos, tinha consideravelmente mais&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Anos antes de se dedicar aos estudos do c\u00e9rebro de Einstein, Diamond havia feito estudos de laborat\u00f3rio com roedores, fundamentais para sua conclus\u00e3o de que &#8220;um ambiente enriquecido (com brinquedos e companhia) mudam a anatomia do c\u00e9rebro&#8221;, informa a UC Berkeley.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A implica\u00e7\u00e3o era de que os c\u00e9rebros de todos os animais, incluindo os humanos, se beneficiam de um ambiente enriquecido e que os entornos empobrecedores (quanto a est\u00edmulos e atividades) podem diminuir nossa capacidade de aprender.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Inspirado em uma observa\u00e7\u00e3o do pesquisador Donald Hebb, da Universidade McGill (Canad\u00e1), uma equipe de Berkeley realizou um experimento com ratazanas jovens: colocou 12 delas em uma &#8220;jaula enriquecida&#8221; &#8211; grande e cheia de atividades &#8211; e uma outra numa jaula separada, &#8220;empobrecida&#8221; &#8211; pequena e sem brinquedos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As ratazanas que cresceram em um ambiente intencionalmente enriquecido tiveram melhor desempenho (percorrendo) labirintos do que as ratazanas &#8216;empobrecidas&#8217; que cresceram em confinamento e sem est\u00edmulo&#8221;, explica a neurocientista em seu ensaio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os roedores que cresceram em grupo tinham n\u00edvel maior de acetilcolinesterase, um qu\u00edmico cerebral, do que a ratazana que cresceu solit\u00e1ria e entediada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diamond se aproximou dos l\u00edderes desse estudo e pediu para integrar sua equipe. Eles aceitaram &#8211; e dessa uni\u00e3o viria uma das principais descobertas do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga colocou sob a lente do microsc\u00f3pio pequenos peda\u00e7os dos c\u00e9rebros dos roedores que haviam participado do experimento e mediu a grossura de seu c\u00f3rtex.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As ratazanas enriquecidas tinham um c\u00f3rtex cerebral mais grosso que as empobrecidas. (&#8230;) Era a primeira vez que algu\u00e9m havia visto uma mudan\u00e7a estrutural em um c\u00e9rebro animal tendo com base diferentes tipos de experi\u00eancia em sua vida inicial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois, em 1963, ela repetiu o experimento com outros roedores e teve resultados semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/184D0\/production\/_106363599_ratsincage.jpg\" alt=\"Ratazanas em jaula\"\/><figcaption>Image captionRatazanas que tiveram espa\u00e7o, est\u00edmulo e companhia para descobrir, explorar e se exercitar se desenvolveram muito mais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Isto \u00e9 \u00fanico&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>Diamond recorda correr, emocionada, pelo campus da universidade rumo ao escrit\u00f3rio do psic\u00f3logo experimental e social David Krech, carregando consigo os documentos com suas descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele os leu, olhou para mim e disse imediatamente: &#8216;Isto \u00e9 \u00fanico. Vai mudar o pensamento cient\u00edfico sobre o c\u00e9rebro'&#8221;, recorda Diamond.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1964, os resultados foram publicados e, no ano seguinte, a pesquisadora exp\u00f4s suas descobertas no encontro anual da Sociedade Americana de Anatomistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia centenas de pessoas no sal\u00e3o, mas &#8220;poucas mulheres&#8221;, recorda ela. &#8220;Eu estava muito assustada (em apresentar o projeto). Expliquei com o m\u00e1ximo de calma que consegui, a plateia aplaudiu educadamente e, ent\u00e3o, um homem se levantou e disse em voz alta: &#8216;senhorita, o c\u00e9rebro n\u00e3o pode mudar'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas me sentia confiante quanto ao trabalho e respondi: &#8216;Lamento, senhor, mas temos o experimento inicial e o de repeti\u00e7\u00e3o que demonstram que pode mudar, sim&#8217;. Essa confian\u00e7a \u00e9 a beleza de fazer anatomia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O c\u00e9rebro pode mudar em qualquer idade<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das principais contribui\u00e7\u00f5es de Diamond foi, al\u00e9m de compreender que os componentes estruturais do c\u00f3rtex cerebral podem ser modificados, \u00e9 que essas mudan\u00e7as podem ocorrer em qualquer idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que ele pode continuar se desenvolvendo com o passar dos anos, a ponto de sua constante estimula\u00e7\u00e3o ajudar a melhorar at\u00e9 o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ante uma popula\u00e7\u00e3o em processo de envelhecimento, essa conclus\u00e3o traz otimismo, ao indicar que o c\u00f3rtex mant\u00e9m um grau de plasticidade mesmo em pessoas idosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os experimentos de Diamond tamb\u00e9m nos ajudam a entender que podemos melhorar nosso potencial, a despeito da loteria biol\u00f3gica-gen\u00e9tica da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 associada \u00e0 frase &#8220;use-o ou perca-o&#8221;, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia de se manter o c\u00e9rebro ativo e estimulado por constantes desafios e aprendizados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quanto mais pessoas entenderem a estrutura e as fun\u00e7\u00f5es de seus corpos, que \u00e9 intrinsicamente influenciado pelo sistema nervoso, e forem cuidadas em suas etapas iniciais da vida, mais saud\u00e1vel e prazeroso ser\u00e1 o per\u00edodo que vir\u00e1 depois dos 50 anos&#8221;, escreveu em 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m concluiu que, &#8220;em resumo, nossos resultados demonstram ao menos cinco fatores importantes para um c\u00e9rebro saud\u00e1vel&#8221;: dieta, exerc\u00edcios, desafios, novidades e amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao amor, Diamond explicou que as ratazanas de laborat\u00f3rio que eram tocadas e acariciadas costumavam ter vidas mais longevas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Professora e cientista<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/26C7\/production\/_106372990_y1.jpg\" alt=\"Astr\u00f3citos\"\/><figcaption>Image captionDiamond e sua equipe estudaram a import\u00e2ncia dos astr\u00f3citos, um tipo de c\u00e9lula cerebral<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como professora universit\u00e1ria, Diamond mantinha uma rela\u00e7\u00e3o especial com seus estudantes, diz Jeff, o filho dela, \u00e0 BBC News Mundo (servi\u00e7o da BBC em espanhol).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela era muito querida&#8221;, conta. &#8220;Quando \u00edamos ao hospital, eram grandes as chances de que cruz\u00e1ssemos com algum ex-aluno, j\u00e1 formado m\u00e9dico, que nos falava sobre a boa experi\u00eancia que havia sido ter aula com ela. \u00c9 a \u00fanica professora que conhe\u00e7o que a cada semana escolhia, ao acaso, alunos para levar para almo\u00e7ar, para conhecer melhor seus interesses.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como cientista, grande parte de suas pesquisas eram feitas em laborat\u00f3rio. Nele consolidou um grupo de ajudantes composto, em sua maioria, por mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela gostava muito do trabalho delas e sempre lhes dava cr\u00e9dito nas pesquisas que publicava&#8221;, prossegue Jeff.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniela Kaufer, professora do Departamento de Biologia Integrativa de Berkeley, diz que o dia em que conheceu Diamond foi &#8220;especial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu era uma jovem e rec\u00e9m-nomeada professora-assistente. Quando vi Diamond, foi como conhecer uma estrela do rock.&#8221; Para Kaufer, as contribui\u00e7\u00f5es de Diamond n\u00e3o se limitaram \u00e0 &#8220;compreens\u00e3o vision\u00e1ria do potencial de plasticidade do c\u00e9rebro adulto&#8221;, mas se expandiram ao entendimento da fun\u00e7\u00e3o central que os astr\u00f3citos desempenham nessa plasticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Astr\u00f3citos s\u00e3o o principal e mais numeroso tipo de c\u00e9lulas gliais, e os estudos do c\u00e9rebro de Einstein apontaram que essas c\u00e9lulas s\u00e3o mais importantes do que se pensava inicialmente, por se ocuparem, por exemplo, da nutri\u00e7\u00e3o dos demais componentes cerebrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1953, Diamond se tornou m\u00e3e e registrou a import\u00e2ncia daquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O mais impactante que vivi at\u00e9 aquele momento foi quando abracei minha primeira filha rec\u00e9m-nascida e a coloquei sobre o meu peito. Foi quando soube por que eu existia&#8221;, escreveu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13287\/production\/_106617487_e19d690c-4fa1-4220-a621-9e44c7c882a7.jpg\" alt=\"Diamond com 3 de seus filhos\"\/><figcaption>Image captionDiamond com 3 de seus filhos (ela teria mais uma filha mais tarde) conciliava a vida familiar com pesquisas e aulas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Teve outros tr\u00eas filhos, Catherine Richard, Jeff e Ann.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde pequeno, Jeff se deu conta de que sua m\u00e3e era incomum, n\u00e3o apenas por ser considerada uma grande cientista, mas porque &#8220;fazia coisas que outras m\u00e3es n\u00e3o faziam&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ela ia \u00e0 nossa escola falar sobre ci\u00eancia e levava um c\u00e9rebro, um esqueleto ou alguns olhos dentro de um frasco e os passava pela classe para que todos pudessem v\u00ea-los.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da maternidade, ela passou a dedicar menos tempo ao trabalho, diz ele. Mas &#8220;depois do jantar v\u00edamos ela fazendo anota\u00e7\u00f5es e preparando as aulas do dia seguinte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns fins de semana, ela levava as crian\u00e7as consigo para a universidade, para conseguir avan\u00e7ar em suas pesquisas. E os observava pela janela do laborat\u00f3rio enquanto eles brincavam no jardim do campus.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17731\/production\/_106394069_xx.jpg\" alt=\"Mulher se exercitando\"\/><figcaption>Image captionDiamond percebeu, em suas pesquisas, que o c\u00e9rebro \u00e9 estimulado pelo exerc\u00edcio f\u00edsico<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes as crian\u00e7as eram autorizadas a entrar no laborat\u00f3rio, onde viam as ratazanas com seus &#8220;brinquedos&#8221; nas jaulas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Como crian\u00e7as, a gente pensava: &#8216;bem, isso \u00e9 o que fazem todos os pais&#8217;. Mas, j\u00e1 adulto, voc\u00ea pensa: &#8216;como ela conseguiu fazer todas aquelas pesquisas, dar aulas e al\u00e9m disso criar uma fam\u00edlia?'&#8221;, questiona Richard.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Agora que sou pai, n\u00e3o consigo imaginar como ela fazia para nos levar a acampamentos e excurs\u00f5es, como conseguia fazer as atividades t\u00edpicas de uma fam\u00edlia, ao mesmo tempo em que dava aulas e pesquisava. Nunca a escutamos se queixar de que n\u00e3o havia horas suficientes no dia. Ela era simplesmente incr\u00edvel. Lembro, j\u00e1 mais velho, que ela dizia a seus estudantes e a amigas minhas que sim, era poss\u00edvel criar uma fam\u00edlia e ter uma carreira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os 4 Ps de Marian Diamond<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisadora n\u00e3o apenas ocupou cargos acad\u00eamicos importantes nos EUA como viajou pelo mundo para divulgar suas pesquisas, incentivar o est\u00edmulo a crian\u00e7as e atrair mais mulheres \u00e0 ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu ensaio de 2007, compartilhou o que chamou de seus 4 Ps:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Prioridade&nbsp;<strong>P<\/strong>essoal: fam\u00edlia e amigos<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Prioridade&nbsp;<strong>P<\/strong>rofissional: c\u00e9rebros, colegas e estudantes amigos<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;&nbsp;<strong>P<\/strong>erseveran\u00e7a: essencial para tudo<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Atitude&nbsp;<strong>P<\/strong>ositiva: basta ver qual \u00e9 a alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez uma anedota lembrada pelo jornal&nbsp;<em>The Washington Post<\/em>&nbsp;reflita uma combina\u00e7\u00e3o desses 4 Ps: &#8220;Sua filha Ann contava que certa vez sua m\u00e3e atravessou o pa\u00eds para visit\u00e1-la em um acampamento de ver\u00e3o. No avi\u00e3o, levava duas caixas para chap\u00e9us: uma tinha uma torta de p\u00eassego e outra, \u00e9 claro, um c\u00e9rebro humano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre quando sua m\u00e3e decidiu colocar o c\u00e9rebro humano dentro de uma caixa de chap\u00e9us, Richard diz que lembra bem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi um dia que procurava pela casa algo em que pudesse levar o c\u00e9rebro para uma de suas aulas. O c\u00e9rebro estava em um frasco redondo e, quando ela viu a caixa, decidiu coloc\u00e1-lo l\u00e1 dentro porque cabia perfeitamente. Ela guardou aquela caixa durante toda a vida. Se tornou parte de sua assinatura.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Horas antes de Marian Diamond nascer, o pai dela levou os outros cinco filhos ao hospital para se despedirem. Os m\u00e9dicos haviam dito que poderiam salvar apenas uma das duas: a m\u00e3e ou a filha. &#8220;Um tumor uterino grande me acompanhou durante o processo gesta\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e, que tinha 42 anos&#8221;, contou a cientista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8416,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[],"class_list":{"0":"post-8415","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-curiosidades"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/cientist.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8415"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8415"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8415\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8417,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8415\/revisions\/8417"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}