{"id":8412,"date":"2019-04-27T10:21:34","date_gmt":"2019-04-27T13:21:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=8412"},"modified":"2019-04-27T10:21:34","modified_gmt":"2019-04-27T13:21:34","slug":"habitos-digitais-estao-atrofiando-nossa-habilidade-de-leitura-e-compreensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/27\/habitos-digitais-estao-atrofiando-nossa-habilidade-de-leitura-e-compreensao\/","title":{"rendered":"H\u00e1bitos digitais est\u00e3o &#8216;atrofiando&#8217; nossa habilidade de leitura e compreens\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<p>A neurocientista cognitiva americana Maryanne Wolf costuma ser abordada, em suas palestras e aulas, por pessoas que se queixam de n\u00e3o conseguir mais se concentrar em textos longos ou &#8220;mergulhar&#8221; na leitura t\u00e3o profundamente quanto conseguiam antes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o percebendo que algo est\u00e1 mudando em si mesmas, que \u00e9 seu poder de leitura. E h\u00e1 um motivo para isso&#8221;, diz Wolf.<\/p>\n\n\n\n<p>A raz\u00e3o, segundo a pesquisadora da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA), \u00e9 que o excesso de tempo em telas &#8211;\u00a0celulares e tablets, desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 a vida adulta &#8211; e os h\u00e1bitos digitais associados a isso est\u00e3o mudando radicalmente a forma como muitos de n\u00f3s processamos a informa\u00e7\u00e3o que lemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um livro de Wolf prestes a ser lan\u00e7ado no Brasil (<em>O C\u00e9rebro no Mundo Digital &#8211; Os desafios da leitura na nossa era<\/em>; ed. Contexto) e algumas pesquisas sobre o tema, o fato de lermos cada vez mais em telas, em vez de papel, e a pr\u00e1tica cada vez mais comum de apenas &#8220;passar os olhos&#8221; superficialmente em m\u00faltiplos textos e postagens online podem estar dilapidando nossa capacidade de entender argumentos complexos, de fazer uma an\u00e1lise cr\u00edtica do que lemos e at\u00e9 mesmo de criar empatia por pontos de vista diferentes do nosso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso tem o poder de impactar desde a nossa performance individual no mercado de trabalho at\u00e9 nossa tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas e a vida em sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que acontece com a leitura no nosso c\u00e9rebro, e o que podemos fazer a respeito?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O circuito da leitura<\/h2>\n\n\n\n<p>Wolf, que \u00e9 diretora do Centro de Dislexia, Aprendizagem Diversa e Justi\u00e7a Social da UCLA, explica \u00e0 BBC News Brasil que, ao contr\u00e1rio da vis\u00e3o e da linguagem oral, a habilidade de ler e interpretar letras e n\u00fameros n\u00e3o \u00e9 algo com que nascemos: a leitura \u00e9 resultado de um circuito que os seres humanos come\u00e7aram a criar no c\u00e9rebro cerca de 6 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse circuito cerebral come\u00e7ou a se desenvolver quando nossos antepassados passaram a contar cabe\u00e7as de gado e a criar s\u00edmbolos para fazer seus primeiros registros escritos. E evoluiu, em (relativamente) pouco tempo, at\u00e9 a elaborada capacidade que temos hoje, de processar argumentos, sutilezas e emo\u00e7\u00f5es impressos nas p\u00e1ginas de livros e jornais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/33CD\/production\/_106516231_smartphonegetty.jpg\" alt=\"Mulher com smartphone\"\/><figcaption>Image caption&#8217;As pessoas est\u00e3o percebendo que algo est\u00e1 mudando em si mesmas, que \u00e9 seu poder de leitura. E h\u00e1 um motivo para isso&#8217;, diz Maryanne Wolf<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o existe, portanto, um circuito gen\u00e9tico para ler, que se desenvolva logo que uma crian\u00e7a nasce&#8221;, explica Wolf \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;(A habilidade de) ler \u00e9 algo que precisa ser criada no c\u00e9rebro, e o circuito vai refletir a linguagem que a pessoa usa, seu sistema de escrita, e o meio pelo qual l\u00ea.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, esse circuito \u00e9 moldado pela forma como lemos e pelo tempo que gastamos na leitura. Como os h\u00e1bitos digitais atualmente favorecem uma leitura pouco aprofundada, em que apenas passamos os olhos por textos diversos, o perigo, diz Wolf, \u00e9 que a habilidade de entender argumentos complexos &#8211; sejam eles presentes em um contrato legal, em um livro, em uma reportagem mais longa &#8211; pode ser &#8220;atrofiada&#8221; caso n\u00e3o seja exercitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio de leitura apenas superficial, &#8220;o circuito da leitura no c\u00e9rebro n\u00e3o vai alocar tempo suficiente para um processamento cognitivo&#8221; necess\u00e1rio para um processamento cr\u00edtico, diz a acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao apenas &#8216;passar os olhos&#8217; em um texto, a pessoa passa por cima da argumenta\u00e7\u00e3o, dos pontos mais sofisticados do texto, e receber\u00e1 menos da subst\u00e2ncia de pensamento que \u00e9 importante para a an\u00e1lise cr\u00edtica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tempo de tela<\/h2>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o principal de Wolf e de acad\u00eamicos como ela \u00e9 o que acontecer\u00e1 com as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, habituadas desde os primeiros anos de vida a passar horas nos celulares e tablets e a consumir ali toda a sua informa\u00e7\u00e3o, com rapidez e diversas distra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora muito se fale dos riscos que o excesso de tempo passivo diante de telas pode causar para a sa\u00fade infantil &#8211; dos problemas de vis\u00e3o \u00e0 obesidade -, s\u00f3 agora a ci\u00eancia come\u00e7a a explorar o potencial impacto dos h\u00e1bitos digitais sobre o poder de leitura e a concentra\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma meta-an\u00e1lise feita por estudiosos da Espanha e de Israel analisou dados de 171 mil pessoas na Europa, coletados entre 2000 e 2017, para comparar a compreens\u00e3o de leitura dos participantes nos meios digital e papel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/81ED\/production\/_106516233_childrenreadingbbc.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as lendo\"\/><figcaption>Image captionPesquisa sugere que processamento de informa\u00e7\u00f5es ainda \u00e9 melhor na leitura em papel do que digital, embora isso possa mudar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O estudo diz que ainda \u00e9 dif\u00edcil chegar a conclus\u00f5es absolutas, porque o desempenho das pessoas \u00e9 &#8220;inconsistente&#8221;, mas identificou o que chama de &#8220;inferioridade da tela&#8221;: a leitura digital parece n\u00e3o favorecer as habilidades de compreens\u00e3o dos leitores, e o processamento das informa\u00e7\u00f5es \u00e9 mais &#8220;raso&#8221; nesses meios online.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontecer\u00e1 no futuro ainda \u00e9 dif\u00edcil prever. O estudo levanta a possibilidade de as vantagens da leitura no meio impresso se perderem ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Maryanne Wolf teme que, em vez disso, as pessoas percam aos poucos as capacidades de leitura que levamos mil\u00eanios para desenvolver no n\u00edvel atual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 isso o que me preocupa nos mais jovens: eles est\u00e3o desenvolvendo uma impaci\u00eancia cognitiva que n\u00e3o favorece (a leitura cr\u00edtica)&#8221;, diz a acad\u00eamica. &#8220;Deixamos de estar profundamente engajados no que estamos lendo, o que torna mais improv\u00e1vel que sejamos transportados para um entendimento real dos sentimentos e pensamentos de outra pessoa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse aspecto que Wolf acredita que a &#8220;leitura r\u00e1pida&#8221; pode reduzir a nossa capacidade de sentir empatia pelos demais ou de superar mais limites de conhecimento. E tamb\u00e9m dificultar o nosso entendimento sobre o que est\u00e1 acontecendo na pol\u00edtica, na economia ou em qualquer outro fen\u00f4meno social complexo, que exija uma leitura cuidadosa e que tenha causas &#8211; e solu\u00e7\u00f5es &#8211; n\u00e3o simplistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As pessoas ficam muito mais suscet\u00edveis a&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;e demagogos que criam falsas expectativas&#8221;, opina ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra poss\u00edvel consequ\u00eancia \u00e9 que diminua nossa capacidade de pensar mais criticamente e de levar em conta diferentes pontos de vista, habilidades consideradas cada vez mais importantes no mercado de trabalho \u00e0 medida que empregos que exigem menos capacita\u00e7\u00e3o v\u00e3o sendo automatizados.<\/p>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo Daniel Goleman, que tamb\u00e9m estuda esse assunto, alerta para o que chama de &#8220;aten\u00e7\u00e3o parcialmente cont\u00ednua&#8221; &#8211; citando, por exemplo, participantes de semin\u00e1rios que, de olho em seus celulares e notebooks, n\u00e3o conseguem prestar aten\u00e7\u00e3o plena ao que diziam os palestrantes do evento.<\/p>\n\n\n\n<p>O perigo, diz ele, \u00e9 que percamos parte da nossa habilidade de chegar ao fim de leituras e de tarefas offline.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DD9D\/production\/_106533765_manuscritoafp.jpg\" alt=\"Antigo manuscrito\"\/><figcaption>Image captionHabilidade de escrever n\u00e3o \u00e9 algo com que nascemos, mas sim um circuito que nosso c\u00e9rebro come\u00e7ou a aprender cerca de 6 mil anos atr\u00e1s<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 preciso ser realista<\/h2>\n\n\n\n<p>No entanto, os pesquisadores concordam que n\u00e3o adianta querer evitar o inevit\u00e1vel: as pessoas leem cada vez mais online e de modo r\u00e1pido, e isso certamente n\u00e3o mudar\u00e1 em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Est\u00e1 claro que a leitura em meios digitais \u00e9 uma parte inevit\u00e1vel das nossas vidas e uma parte integral do campo da educa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a meta-an\u00e1lise europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda que os resultados atuais indiquem que a leitura em papel deva ser preferida \u00e0 leitura online, n\u00e3o \u00e9 realista recomendar que se evitem os dispositivos digitais. No entanto, ignorar os resultados de um robusto efeito de inferioridade da tela pode (&#8230;) impedir que leitores se beneficiem plenamente de suas capacidades de leitura e que crian\u00e7as desenvolvam essas habilidades.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Wolf lembra, ao mesmo tempo, que s\u00e3o ineg\u00e1veis os benef\u00edcios da internet e da leitura online para democratizar e agilizar a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. Para ela, o primeiro passo \u00e9 termos consci\u00eancia do que est\u00e1 acontecendo com nossa capacidade de leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quero refor\u00e7ar que n\u00e3o vejo isso como uma quest\u00e3o bin\u00e1ria, como uma oposi\u00e7\u00e3o (entre telas e material impresso). Temos apenas de saber qual o prop\u00f3sito do que estamos lendo e qual \u00e9 a melhor forma de faz\u00ea-lo. N\u00e3o se trata de escolher um meio em detrimento do outro, mas sim entender o que est\u00e1 acontecendo com nosso c\u00e9rebro e entender o prop\u00f3sito do que se est\u00e1 lendo&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se eu precisar ler algo simples e superficial, a tela \u00e9 \u00f3tima. Mas se for algo complexo, que necessite de um olhar sob diferentes perspectivas, em que precise discernir o verdadeiro valor da informa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o tenho de pensar se o meio vai promover o processamento mais lento e profundo de uma an\u00e1lise cr\u00edtica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12BBD\/production\/_106533767_childrensmartphonegetty.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a usando smartphone\"\/><figcaption>Image caption\u00c9 importante que o tempo de \u00f3cio das crian\u00e7as n\u00e3o se converta apenas em tempo de tela. \u00c9 no \u00f3cio que as crian\u00e7as aprendem a usar a criatividade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como incentivar a leitura cr\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1, diz ela, uma receita universal para preservar nossa habilidade de leitura cr\u00edtica, mas sim a necessidade de prestar aten\u00e7\u00e3o a nossos pr\u00f3prios h\u00e1bitos e aos das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Para algumas pessoas, bastar\u00e1 concentrar-se em uma leitura sem distra\u00e7\u00f5es &#8211; mesmo que seja online &#8211; e manter o olhar atento para m\u00faltiplas perspectivas e pontos de vista. Outros talvez precisem ter a autodisciplina de limitar seu tempo di\u00e1rio diante das telas, para ter o que ela chama de &#8220;vida digital mais saud\u00e1vel&#8221;, al\u00e9m de retomar o h\u00e1bito de ler livros impressos.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para crian\u00e7as e adolescentes, eis algumas recomenda\u00e7\u00f5es do livro de Wolf:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ensinar a evitar o &#8220;multitasking&#8221;. A realiza\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas tarefas simultaneamente online d\u00e1 aos jovens a capacidade de lidar com m\u00faltiplos fluxos de aten\u00e7\u00e3o, mas cria depend\u00eancia de dopamina (que recompensa o c\u00e9rebro por buscar constantes est\u00edmulos) e desestimula a mem\u00f3ria;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Proteger o tempo ocioso das crian\u00e7as, ou seja, n\u00e3o deixar que todo momento de \u00f3cio vire desculpa para usar telas. \u00c9 no \u00f3cio que nasce a criatividade;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ler livros para as crian\u00e7as, antes mesmo de elas come\u00e7arem a falar. Isso estimula conex\u00f5es neurais, a aten\u00e7\u00e3o rec\u00edproca entre pais e filhos, a experi\u00eancia t\u00e1til dos livros e \u00e9, diz ela, o &#8220;come\u00e7o ideal para uma vida de leitor&#8221;. Wolf faz coro com especialistas que sugerem que crian\u00e7as com menos de 2 anos n\u00e3o devem ser expostas a telas;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Entre dois e tr\u00eas anos, limitar a no m\u00e1ximo meia hora o tempo di\u00e1rio de tela. Para os maiores, limitar a duas horas di\u00e1rias. Wolf acha que n\u00e3o adianta proibir totalmente as telas, porque isso s\u00f3 causar\u00e1 mais obsess\u00e3o por elas. O jeito \u00e9 buscar equil\u00edbrio;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sobretudo entre 2 e 5 anos de idade, cercar as crian\u00e7as de l\u00e1pis coloridos, livros, n\u00fameros e m\u00fasica, que estimulem a criatividade e a explora\u00e7\u00e3o f\u00edsica do meio. O aprendizado de m\u00fasica e de esportes tamb\u00e9m ajuda a ensinar disciplina e recompensas de longo prazo;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ela lembra que muitas crian\u00e7as conseguem manter a conex\u00e3o com os livros mesmo acessando tablets e celulares com modera\u00e7\u00e3o. &#8220;O importante \u00e9 estimular a forma\u00e7\u00e3o de uma mente curiosa&#8221;, escreve ela. &#8220;A forma\u00e7\u00e3o cuidadosa do racioc\u00ednio cr\u00edtico \u00e9 a melhor maneira de vacinar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o contra a informa\u00e7\u00e3o manipuladora e superficial, seja em texto (de papel) ou em telas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A neurocientista cognitiva americana Maryanne Wolf costuma ser abordada, em suas palestras e aulas, por pessoas que se queixam de n\u00e3o conseguir mais se concentrar em textos longos ou &#8220;mergulhar&#8221; na leitura t\u00e3o profundamente quanto conseguiam antes. &#8220;As pessoas est\u00e3o percebendo que algo est\u00e1 mudando em si mesmas, que \u00e9 seu poder de leitura. 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