{"id":83050,"date":"2026-10-23T10:33:10","date_gmt":"2026-10-23T13:33:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=83050"},"modified":"2026-10-23T10:33:12","modified_gmt":"2026-10-23T13:33:12","slug":"estado-amplia-rastreio-nutricional-e-ultrapassa-meta-global-de-aleitamento-materno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2026\/10\/23\/estado-amplia-rastreio-nutricional-e-ultrapassa-meta-global-de-aleitamento-materno\/","title":{"rendered":"Estado amplia rastreio nutricional e ultrapassa meta global de aleitamento materno"},"content":{"rendered":"\n<p>O monitoramento do estado nutricional e do consumo alimentar da popula\u00e7\u00e3o paranaense pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) registrou um avan\u00e7o expressivo na \u00faltima d\u00e9cada, gerando um balan\u00e7o in\u00e9dito para o Estado. Dados consolidados pela Secretaria da Sa\u00fade do Paran\u00e1 (Sesa-PR) mostram que a taxa de cobertura da avalia\u00e7\u00e3o \u2013 dados antropom\u00e9tricos de peso e altura \u2013 na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade (APS) saltou quase cinco vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Abrangendo a s\u00e9rie hist\u00f3rica de 2012 a 2025, o \u00edndice passou de 7,60% para 39,16% da popula\u00e7\u00e3o-alvo. Em n\u00fameros absolutos, o volume desses registros pulou de pouco mais de 804 mil para a marca de 4,13 milh\u00f5es de pessoas avaliadas em todo o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o rastreio dos marcadores de consumo alimentar, instrumento de avalia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida aplicado por profissionais da APS que investiga o consumo de um conjunto de alimentos e comportamentos alimentares praticados no dia anterior, atingiu a cobertura de 4,74% da popula\u00e7\u00e3o em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice objetiva conhecer o padr\u00e3o de consumo alimentar que se relaciona \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel ou n\u00e3o saud\u00e1vel, tanto individual quanto coletivo, e come\u00e7ou a ser monitorado pelo sistema de informa\u00e7\u00e3o em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>O volume de registros saltou de 16.885 em 2015 para 501.551 em 2025, alcan\u00e7ando uma marca quase 30 vezes maior que a inicial, o que representa um crescimento de 2.870,39%. Essa amplia\u00e7\u00e3o estrutural \u00e9 reflexo direto do fortalecimento das a\u00e7\u00f5es de busca ativa nas Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) e da vincula\u00e7\u00e3o dos indicadores a programas estaduais de repasse financeiro por desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa alta capilaridade de avalia\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, o Governo do Estado consegue tra\u00e7ar um diagn\u00f3stico preciso e descentralizado do estado nutricional dos paranaenses em cada regi\u00e3o. Paralelamente, o avan\u00e7o nos registros de consumo alimentar permite uma amostragem cada vez mais s\u00f3lida sobre os h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito estadual, direcionando o planejamento de pol\u00edticas mais assertivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAtingir a marca de mais de 4 milh\u00f5es de pessoas avaliadas n\u00e3o \u00e9 apenas um n\u00famero, mas a prova da for\u00e7a e da capilaridade da nossa Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria. Quando o Governo do Estado passa a conhecer de perto o estado nutricional de cada munic\u00edpio, deixamos de atuar no escuro. Esses dados robustos nos permitem desenhar pol\u00edticas p\u00fablicas mais precisas, garantindo que o cuidado chegue ao paranaense de forma adequada\u201d, ressalta o secret\u00e1rio de Estado da Sa\u00fade, C\u00e9sar Neves.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALEITAMENTO<\/strong> &#8211; A robustez desse rastreio revelou vit\u00f3rias importantes, especialmente na sa\u00fade materno-infantil. O Paran\u00e1 ultrapassou a meta global de Aleitamento Materno Exclusivo (AME) estabelecida pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Enquanto o objetivo mundial para 2025 era alcan\u00e7ar 50% de ades\u00e3o, o Estado atingiu o \u00edndice de 57% de beb\u00eas exclusivamente amamentados at\u00e9 os seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo desse cuidado inicial resultou em outros recuos hist\u00f3ricos captados pelo monitoramento: a desnutri\u00e7\u00e3o infantil caiu para 3,25% na faixa de 6 a 24 meses (a menor taxa desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica), e a obesidade entre beb\u00eas menores de seis meses caiu de um pico de 6,06% (em 2014) para apenas 1,86% em 2025. A desnutri\u00e7\u00e3o entre gestantes tamb\u00e9m apresentou queda expressiva, passando de 17,53% em 2012 para 9,86%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a diretora de Aten\u00e7\u00e3o e Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade da Sesa, Maria Goretti David Lopes, o avan\u00e7o reflete o fortalecimento da rede materno-infantil. \u201cUltrapassar a meta mundial da OMS no aleitamento materno \u00e9 uma conquista enorme para o Paran\u00e1. O leite materno \u00e9 o primeiro escudo protetor da crian\u00e7a. O reflexo desse cuidado intensivo j\u00e1 aparece na queda da desnutri\u00e7\u00e3o e da obesidade nos primeiros anos de vida, garantindo um desenvolvimento muito mais saud\u00e1vel e seguro para as nossas crian\u00e7as\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PONTO DE ATEN\u00c7\u00c3O<\/strong> \u2013 Se a primeira inf\u00e2ncia concentra os melhores indicadores e a desnutri\u00e7\u00e3o geral apresenta patamares baixos na maioria das faixas et\u00e1rias, os dados hist\u00f3ricos acendem um alerta para uma mudan\u00e7a de perfil. O levantamento aponta a consolida\u00e7\u00e3o do excesso de peso (sobrepeso somado \u00e0 obesidade) como um dos principais desafios da sa\u00fade p\u00fablica atual.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapeamento evidencia o ac\u00famulo cont\u00ednuo de gordura corporal ao longo dos ciclos da vida, requerendo aten\u00e7\u00e3o redobrada das fam\u00edlias e das equipes de sa\u00fade conforme o avan\u00e7o da idade. Na fase escolar (5 a 10 anos), ap\u00f3s um pico registrado durante o isolamento da pandemia (22,54% em 2021), a obesidade iniciou uma trajet\u00f3ria de queda, fechando 2025 em 17%. No entanto, ao se somar o sobrepeso, o excesso de peso j\u00e1 est\u00e1 presente na rotina de mais de 34% dos alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio exige olhar atento a partir da adolesc\u00eancia, faixa et\u00e1ria que registrou a acelera\u00e7\u00e3o proporcional mais r\u00e1pida no Estado: a taxa de obesidade saltou de 8,12% em 2012 para 17,35% em 2025. Ao atingir a idade adulta, o excesso de peso torna-se a condi\u00e7\u00e3o predominante, alcan\u00e7ando 72,45% das pessoas acompanhadas pela rede p\u00fablica, com 38,31% j\u00e1 com indicativo de obesidade. Entre as gestantes, a taxa de obesidade tamb\u00e9m exige cuidados continuados, tendo dobrado ao longo da d\u00e9cada e atingido 30,36%.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas idosas, por sua vez, apresentam uma din\u00e2mica que necessita de acompanhamento espec\u00edfico. Embora mais de 55% dos idosos avaliados apresentem sobrepeso, a desnutri\u00e7\u00e3o nesta faixa et\u00e1ria ultrapassa a barreira dos 10%, caracterizando um quadro de dupla vulnerabilidade nutricional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ULTRAPROCESSADOS<\/strong> \u2013 O cruzamento das informa\u00e7\u00f5es de peso com o mapeamento estadual do consumo alimentar refor\u00e7a a necessidade de a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel. O lado positivo \u00e9 a resist\u00eancia da base cultural brasileira: o feij\u00e3o continua presente na rotina de 82% a 90% da popula\u00e7\u00e3o em todas as idades, quase sempre acompanhado de um consumo elevado de frutas e hortali\u00e7as \u2013 acima de 80% entre adultos e idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>O fator que gera alerta, no entanto, \u00e9 o alto consumo de alimentos ultraprocessados em todas as faixas et\u00e1rias, caracterizando uma introdu\u00e7\u00e3o precoce nas refei\u00e7\u00f5es. Cerca de 80% (quatro em cada cinco) das crian\u00e7as a partir de dois anos, dos adolescentes e dos adultos consomem alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, embutidos e macarr\u00e3o instant\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dos principais alertas que esses dados nos trazem \u00e9 justamente a elevada preval\u00eancia do consumo de alimentos ultraprocessados em todas as faixas et\u00e1rias, principalmente na introdu\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o complementar infantil. Uma introdu\u00e7\u00e3o inadequada a partir dos seis meses influencia o paladar e a aceita\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, criando h\u00e1bitos que tendem a se consolidar\u201d, orienta a chefe da Divis\u00e3o de Promo\u00e7\u00e3o da Alimenta\u00e7\u00e3o Saud\u00e1vel e Atividade F\u00edsica da Sesa, Cristina Klobukoski.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acrescenta que isso reflete diretamente nessa acelera\u00e7\u00e3o do excesso de peso observada nas crian\u00e7as maiores e a partir da adolesc\u00eancia. \u201c\u00c9 urgente olharmos para a alimenta\u00e7\u00e3o complementar com maior aten\u00e7\u00e3o, ofertando uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada, variada, baseada em alimentos in natura, sem a introdu\u00e7\u00e3o de alimentos ultraprocessados para as crian\u00e7as menores de dois anos&#8221;, alertou a chefe da Divis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo frequente tamb\u00e9m se mostra nos l\u00edquidos: bebidas ado\u00e7adas, como refrigerantes e sucos artificiais, j\u00e1 fazem parte da rotina de 63% das crian\u00e7as pequenas e de quase 70% dos adolescentes. Mais do que apenas o excesso de calorias, a elevada presen\u00e7a de aditivos qu\u00edmicos e o n\u00edvel de ultraprocessamento desses produtos criam um padr\u00e3o prejudicial que contribui para a obesidade e para o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas que tendem a se consolidar na vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para apoiar a alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel e evitar que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre as fam\u00edlias, que muitas vezes s\u00e3o impactadas pela desinforma\u00e7\u00e3o e o marketing agressivo da ind\u00fastria, a Sesa refor\u00e7a o papel das equipes de sa\u00fade na qualifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos profissionais da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 garantir que os munic\u00edpios estejam preparados para orientar a popula\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00f5es seguras e confi\u00e1veis, baseadas em evid\u00eancias, buscando a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade por meio da alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel, com o desenvolvimento da autonomia das pessoas e respeito \u00e0s suas culturas e modos de viver, bem como a articula\u00e7\u00e3o intersetorial para a seguran\u00e7a alimentar e nutricional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00d5ES DO ESTADO<\/strong> \u2013 Para enfrentar o avan\u00e7o do ganho de peso e promover a alimenta\u00e7\u00e3o adequada, o Governo do Estado tem fortalecido a atua\u00e7\u00e3o nas Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS), a principal porta de entrada do SUS. Nesses espa\u00e7os, as equipes fazem o acompanhamento multiprofissional, que abrange desde a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, consultas e orienta\u00e7\u00f5es nutricionais at\u00e9 o apoio psicol\u00f3gico e a indica\u00e7\u00e3o de fisioterapia e atividade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>A Sesa tamb\u00e9m atua de forma intersetorial, integrando conselhos e comit\u00eas estaduais voltados \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, sa\u00fade no ambiente escolar e programas sociais de transfer\u00eancia de renda, visando interferir nos determinantes e condicionantes da sa\u00fade. Al\u00e9m disso, trabalha ativamente na qualifica\u00e7\u00e3o das equipes nos 399 munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2020 a outubro de 2026, foram ofertadas mais de 100 capacita\u00e7\u00f5es e oficinas para os profissionais da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria, abordando desde a obesidade infantil e novas curvas de ganho de peso gestacional at\u00e9 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e atividade f\u00edsica nas doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis. Como marco desse cuidado, em 2022, o Estado publicou a \u201cLinha de Cuidado \u00e0s Pessoas com Sobrepeso e Obesidade\u201d, diretriz oficial para o atendimento integral nessa \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das capacita\u00e7\u00f5es, o Estado distribuiu mais de 25 mil exemplares de materiais t\u00e9cnicos, como o Guia Alimentar para Crian\u00e7as Brasileiras Menores de 2 Anos, os Protocolos de Uso do Guia Alimentar, Manuais Instrutivos e cadernos de atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo esse esfor\u00e7o educacional e estrutural \u00e9 atrelado a incentivos financeiros: a Sesa monitora indicadores vinculados a repasses de recursos, como o Provigia-Paran\u00e1 e o Proaps-Paran\u00e1, que bonificam os munic\u00edpios pelo aumento da cobertura de vigil\u00e2ncia nutricional e o cuidado cont\u00ednuo \u00e0 pessoa com obesidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VOLUME ASSISTENCIAL<\/strong> \u2013 Os investimentos e capacita\u00e7\u00f5es refletem diretamente no volume de assist\u00eancia prestada aos paranaenses. Entre 2020 e setembro de 2026, a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria do Paran\u00e1 promoveu mais de 96 mil atividades coletivas sobre alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, alcan\u00e7ando 2,6 milh\u00f5es de participantes. Na \u00e1rea de pr\u00e1ticas corporais e atividade f\u00edsica, foram mais de 343 mil a\u00e7\u00f5es, com 4,8 milh\u00f5es de participa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No cuidado cl\u00ednico individualizado, os postos de sa\u00fade de todo o Estado realizaram 538,6 mil atendimentos focados no tratamento da desnutri\u00e7\u00e3o e mais de 1,7 milh\u00e3o de consultas voltadas ao tratamento da obesidade, consolidando a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria como principal ponto da aten\u00e7\u00e3o nutricional no SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio completo pode ser acessado neste <a href=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/documento\/2026-10\/panorama_do_estado_nutricional_e_consumo_alimentar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AQUI<\/a> .<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O monitoramento do estado nutricional e do consumo alimentar da popula\u00e7\u00e3o paranaense pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) registrou um avan\u00e7o expressivo na \u00faltima d\u00e9cada, gerando um balan\u00e7o in\u00e9dito para o Estado. 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