{"id":78662,"date":"2026-05-12T14:33:59","date_gmt":"2026-05-12T17:33:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=78662"},"modified":"2026-05-12T14:34:01","modified_gmt":"2026-05-12T17:34:01","slug":"couro-de-peixe-de-pontal-do-parana-e-a-26a-indicacao-geografica-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2026\/05\/12\/couro-de-peixe-de-pontal-do-parana-e-a-26a-indicacao-geografica-do-parana\/","title":{"rendered":"Couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1 \u00e9 a 26\u00aa Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica do Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>O couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1 conquistou o registro de Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) na modalidade Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento foi divulgado nesta ter\u00e7a-feira (12) e refor\u00e7a a lideran\u00e7a do Paran\u00e1 no ranking nacional, agora com 26 produtos certificados com selo de IG.<\/p>\n\n\n\n<p>O selo de IG reconhece a tradi\u00e7\u00e3o e a reputa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio na transforma\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de peles de peixes em couro, pr\u00e1tica que une reaproveitamento de res\u00edduos da pesca artesanal, gera\u00e7\u00e3o de renda e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura cai\u00e7ara. Atualmente, 16 produtores atuam diretamente na atividade e cerca de 30 fam\u00edlias s\u00e3o beneficiadas de forma indireta por meio da cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido de registro foi protocolado em outubro de 2025. A mobiliza\u00e7\u00e3o envolveu a Associa\u00e7\u00e3o Couro de Peixe de Pontal do Paran\u00e1 (ACPPP), Secretaria de Estado da Ci\u00eancia, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Universidade Estadual do Paran\u00e1 (Unespar), Sebrae Paran\u00e1, Prefeitura Municipal de Pontal do Paran\u00e1, Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), e o Conselho Municipal de Turismo. O trabalho teve origem em 2008, dentro do programa Universidade Sem Fronteiras da Unespar, com coordena\u00e7\u00e3o da professora K\u00e1tia Kalko Schwarz.<\/p>\n\n\n\n<p>A certifica\u00e7\u00e3o foi concedida na modalidade Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia, reconhecimento destinado a regi\u00f5es que se tornam refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de determinado produto. No caso de Pontal do Paran\u00e1, o selo est\u00e1 ligado \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos produtores cai\u00e7aras no aproveitamento de 16 esp\u00e9cies de peixes para a transforma\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da mat\u00e9ria-prima em couro com valor agregado e gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o secret\u00e1rio estadual da Ci\u00eancia, Tecnologia e Ensino Superior do Paran\u00e1, Aldo Nelson Bona, a conquista da Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica para o couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1 representa a integra\u00e7\u00e3o entre saber tradicional e inova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. &#8220;Ao mesmo tempo em que esse projeto valoriza a cultura cai\u00e7ara e a identidade das nossas comunidades litor\u00e2neas, coloca a ci\u00eancia, por meio da atua\u00e7\u00e3o da Unespar, como ferramenta central para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e tecnol\u00f3gico. A participa\u00e7\u00e3o da Seti nessa mobiliza\u00e7\u00e3o reafirma o nosso compromisso de transformar saberes populares em ativos de inova\u00e7\u00e3o com reconhecimento nacional&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o diretor-presidente do Instituto de desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 (IDR) destacou que a conquista da IG para o couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1 \u00e9 mais uma conquista que valoriza a produ\u00e7\u00e3o paranaense.&nbsp;\u201c\u00c9 mais uma conquista do nosso povo e a garantia de que teremos um produto ainda mais valorizado no mercado. Parab\u00e9ns \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Pontal e ao Sebrae por essa parceria hist\u00f3rica que viabilizou esse marco\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRAJET\u00d3RIA &#8211;<\/strong>&nbsp;A busca pela Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica come\u00e7ou em 2023, com a estrutura\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00f5es para qualifica\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva e elabora\u00e7\u00e3o do caderno de especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. O documento re\u00fane todas as etapas necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o do couro, desde a aquisi\u00e7\u00e3o e limpeza das peles at\u00e9 secagem, tingimento, amaciamento e comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar neste ano o curtimento de 600 quilos de pe\u00e7as, que \u00e9 o processo qu\u00edmico e artesanal que transforma a pele bruta do peixe em couro. Com a certifica\u00e7\u00e3o, a visibilidade deve fortalecer a gera\u00e7\u00e3o de renda do produto e incentivar a entrada de novos integrantes na atividade artesanal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SEM CHEIRO E MAIS RESISTENTE<\/strong>&nbsp;\u2013 O processo produtivo utiliza peles de esp\u00e9cies de \u00e1gua doce e salgada, como linguado-abaxial, robalo flecha, robalo peva, par\u00fa, corvina, pescada amarela, miraguaia, tainha, prejereba, peixe-porco, cavala, salm\u00e3o e til\u00e1pia. As v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es resultam em diferentes texturas de couro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para transformar a pele em couro, estudos de quase duas d\u00e9cadas foram feitos em laborat\u00f3rio da Unespar. Gra\u00e7as \u00e0 academia, o produto n\u00e3o utiliza o cromo, que \u00e9 um subst\u00e2ncia t\u00f3xica muito comum em produtos de curtimento de pele bovina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a compra da pele do peixe, os produtores realizam a limpeza manual para retirar res\u00edduos de carne e gordura. Em seguida, o material passa pelo processo de curtimento, que estabiliza as prote\u00ednas e transforma a pele em um couro sem odor e adequado para diferentes aplica\u00e7\u00f5es por conta da elasticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro diferencial \u00e9 a resist\u00eancia do couro do peixe, que \u00e9 at\u00e9 tr\u00eas vezes maior que o bovino, como comprovado em pesquisa feita pela Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM) e na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Isso acontece por causa da disposi\u00e7\u00e3o das fibras de col\u00e1geno na pele do peixe. Elas formam uma estrutura entrela\u00e7ada, quase em \u201cX\u201d, que distribui melhor a for\u00e7a e reduz rasgos. No couro bovino, as fibras costumam ser mais paralelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s os processos qu\u00edmicos de curtimento do couro, ocorre a pintura, que pode ser feita com urucum, para tons avermelhados; ou c\u00farcuma, em amarelo. Por fim, a \u00faltima etapa \u00e9 a hidrata\u00e7\u00e3o e secagem que \u00e9 feita na sombra. Todo o processo dura dois dias e meio, enquanto o do couro bovino leva em torno de uma a duas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os produtos confeccionados incluem bolsas, colares, chaveiros, cadernetas e pe\u00e7as de artesanato. O couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1 j\u00e1 alcan\u00e7a mercados internacionais, com comercializa\u00e7\u00e3o para pa\u00edses como Alemanha, Fran\u00e7a e Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00cdDER NACIONAL<\/strong>&nbsp;\u2013 Em uma estrat\u00e9gia voltada \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de produtos regionais e ao fortalecimento da economia local, o Paran\u00e1 ampliou a articula\u00e7\u00e3o para o reconhecimento de produtos com selo de Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica. Hoje, o Estado soma 26 IGs reconhecidas e ocupa, de forma isolada, a lideran\u00e7a nacional. Na sequ\u00eancia aparecem Minas Gerais, com 21 registros, e S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Sul, ambos com 13 indica\u00e7\u00f5es cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente em 2026, o Paran\u00e1 conquistou quatro novos registros. Al\u00e9m do couro de peixe de peixe de Pontal do Paran\u00e1,\u00a0o ginseng de Quer\u00eancia do Norte, o\u00a0caf\u00e9 da Serra de Apucarana\u00a0e as\u00a0tortas de Carambe\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, o Estado obteve oito novas Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas, entre elas as ostras do Cabaraquara, ponkan de Cerro Azul, broas de centeio de Curitiba, crac\u00f3via de Prudent\u00f3polis, carne de on\u00e7a de Curitiba, caf\u00e9 de Mandaguari, urucum de Paranacity e queijo colonial do Sudoeste do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m possuem selo de IG no Paran\u00e1 o mel de Ortigueira, queijos coloniais de Witmarsum, cacha\u00e7a e aguardente de Morretes, melado de Capanema, vinhos de Bituruna, mel do Oeste do Paran\u00e1, barreado do Litoral do Paran\u00e1, bala de banana de Antonina, erva-mate de S\u00e3o Mateus, camomila de Mandirituba, uvas finas de Marialva, caf\u00e9s especiais do Norte Pioneiro, morango do Norte Pioneiro e goiaba de Carl\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, IG concedida a Santa Catarina que envolve munic\u00edpios do Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros cinco produtos paranaenses t\u00eam pedidos em an\u00e1lise no INPI, entre eles acerola de P\u00e9rola, p\u00e3o no bafo de Palmeira, cervejas artesanais de Guarapuava, mel de Capanema e cambira, prato t\u00edpico de Pontal do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Saiba mais sobre os produtos paranaenses que conquistaram Indica\u00e7\u00e3o Geografica em uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/aen\/Editoria\/Indicacao-Geografica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">s\u00e9rie de reportagens produzida pela Ag\u00eancia Estadual de Not\u00edcias<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1 conquistou o registro de Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) na modalidade Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 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