{"id":77659,"date":"2026-03-30T12:00:09","date_gmt":"2026-03-30T15:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=77659"},"modified":"2026-03-30T12:00:12","modified_gmt":"2026-03-30T15:00:12","slug":"parana-assume-lideranca-nacional-em-implantes-de-correcao-auditiva-pelo-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2026\/03\/30\/parana-assume-lideranca-nacional-em-implantes-de-correcao-auditiva-pelo-sus\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 assume lideran\u00e7a nacional em implantes de corre\u00e7\u00e3o auditiva pelo SUS"},"content":{"rendered":"\n<p>O Paran\u00e1 se consolidou como a principal refer\u00eancia brasileira em sa\u00fade auditiva de alta complexidade. Nos \u00faltimos oito anos, o Estado saltou das \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es para o primeiro lugar no ranking nacional de implantes cocleares por milh\u00e3o de habitantes. Saiu de 2,1 implantes por milh\u00e3o de habitantes em 2016, quando se mantinha na frente apenas do Cear\u00e1 (1,36), para 18,0 implantes por milh\u00e3o de habitantes, ultrapassando o Rio Grande do Norte (15,14) que era o l\u00edder naquele ano, com 9,39.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2019 e 2025 foram 651 implantes na rede p\u00fablica de sa\u00fade paranaense. Os procedimentos, assim como todo o tratamento, s\u00e3o oferecidos de forma gratuita pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), com repasses via Secretaria de Estado da Sa\u00fade (Sesa), de mais de R$ 41,7 milh\u00f5es apenas nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos na Sesa em funcionamento a Linha de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade da Pessoa com Defici\u00eancia, que atua de forma constante e com o prop\u00f3sito de prevenir agravos e proteger a sa\u00fade da pessoa com defici\u00eancia. Reabilitar a capacidade funcional \u00e9 a melhor forma de inclus\u00e3o e de cuidado\u201d, disse o secret\u00e1rio de Estado da Sa\u00fade, Beto Preto, que afirmou ainda que os n\u00fameros que colocam o Estado em destaque na escala de quantidade de implantes refletem o comprometimento da Sesa com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o paranaense.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecido popularmente como &#8220;ouvido bi\u00f4nico&#8221;, o implante coclear \u00e9 um dispositivo eletr\u00f4nico de alta tecnologia inserido atrav\u00e9s de cirurgia. Diferente dos aparelhos auditivos convencionais, que apenas amplificam o som, o implante estimula diretamente o nervo auditivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O dispositivo conta com uma parte interna, que \u00e9 colocada cirurgicamente dentro da c\u00f3clea (caracol da audi\u00e7\u00e3o) e uma parte externa (que fica vis\u00edvel na parte posterior da cabe\u00e7a) que \u00e9 formada por um processador que capta o som ambiente. As duas partes s\u00e3o conectadas por um \u00edm\u00e3, sendo que a externa deve ser retirada para tomar banho e dormir, e a bateria precisa ser carregada.<\/p>\n\n\n\n<p>O implante \u00e9 indicado para adultos que apresentam perdas auditivas severas, e para crian\u00e7as com surdez cong\u00eanita. O implante n\u00e3o \u00e9 exclusivamente para pessoas que n\u00e3o ouvem nada, e sim tamb\u00e9m para quem, fazendo uso do aparelho convencional, n\u00e3o consegue mais ser atendido na sua necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja tecnicamente complexa e delicada devido ao espa\u00e7o reduzido, a cirurgia \u00e9 considerada de baixo risco cl\u00ednico. Pode ser feita em beb\u00eas a partir dos 6 meses, at\u00e9 idosos acima de 90 anos, desde que haja condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de avalia\u00e7\u00e3o para elegibilidade inclui exames cl\u00ednicos e avalia\u00e7\u00e3o fonoaudiol\u00f3gica espec\u00edfica, como o exame BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry). Tamb\u00e9m \u00e9 importante a avalia\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logos e outros especialistas, caso o paciente tenha alguma doen\u00e7a ou condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente.<\/p>\n\n\n\n<p>O implante \u00e9 ativado cerca de 30 dias ap\u00f3s o procedimento cir\u00fargico e \u00e9 essencial que a pessoa passe pela adapta\u00e7\u00e3o e acompanhamento com um m\u00e9dico otorrinolaringologista especializado em implante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesse primeiro momento o som \u00e9 estranho e o volume \u00e9 baixo. Existe todo um processo para ir adaptando e, gradativamente, ir ajustando o volume. E, com tudo isso acontecendo, o acompanhamento com fonoaudi\u00f3logo \u00e9 fundamental, porque \u00e9 preciso que o c\u00e9rebro aprenda a interpretar os sinais el\u00e9tricos enviados pelo implante\u201d, explica o m\u00e9dico otorrinolaringologista Neilor Mendes, que coordena um dos Centros Especializados em Implante Coclear do Paran\u00e1, localizado no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, que atende de forma gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BUSCANDO ATENDIMENTO<\/strong>&nbsp;&#8211; A porta de entrada para acessar o tratamento \u00e9 a Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) de refer\u00eancia do paciente. A partir dessa consulta, caso exista a indica\u00e7\u00e3o, a pessoa ser\u00e1 encaminhada para o setor especializado. \u201c\u00c9 importante as pessoas saberem como procurar o tratamento. As pessoas sabem, por exemplo, que se o rim delas n\u00e3o funcionar mais, elas podem fazer hemodi\u00e1lise, mas a grande maioria n\u00e3o sabe que se ficar surda pode fazer um implante coclear\u201d, diz Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme o m\u00e9dico, estudos apontam que em m\u00e9dia apenas 5% das pessoas que poderiam ser beneficiadas com alguma tecnologia auditiva implant\u00e1vel de fato usam. \u201cRealmente as pessoas n\u00e3o t\u00eam conhecimento do que \u00e9 o implante, como funciona, e muito menos que elas podem fazer de gra\u00e7a pelo SUS\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, essa realidade vem mudando, tanto que os n\u00fameros comprovam. H\u00e1 8 anos, eram feitos cerca de 30 implantes por ano e agora s\u00e3o aproximadamente 30 a cada dois meses. \u201cO servi\u00e7o est\u00e1 crescendo bastante, a Sesa nos apoia muito e com isso estamos conseguindo cada vez mais levar essa tecnologia, essa op\u00e7\u00e3o de sa\u00fade para os pacientes de todo o Estado do Paran\u00e1\u201d acrescentoo m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na rede particular, o valor do implante coclear parte de R$ 65 mil, podendo chegar a R$ 170 mil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REAPRENDER A OUVIR<\/strong>&nbsp;&#8211; A professora Edilaine Montanhani, de 49 anos, \u00e9 moradora de Alt\u00f4nia, na regi\u00e3o Noroeste, e passou pelo implante coclear bilateral em 2022. Ela nasceu ouvint, at\u00e9 que, aos 20 anos, come\u00e7ou a sentir a perda gradativa da audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLogo quando comecei a perceber que estava perdendo a audi\u00e7\u00e3o procurei atendimento m\u00e9dico. No come\u00e7o usava aparelho auditivo, que me ajudava, mas ainda assim tinha dificuldade de entender as palavras, sobretudo em lugares com muito barulho\u201d, contou. \u201cMas, logo depois, perdi quase que totalmente a audi\u00e7\u00e3o e precisei deixar a sala de aula\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a foi t\u00e3o impactante na vida da professora que ela se isolou. \u201cEu cheguei em um determinado momento que mesmo com o aparelho auditivo n\u00e3o ouvia nada, me afastei do trabalho, dos amigos, n\u00e3o tinha mais vida\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ela n\u00e3o se entregou e buscou atendimento na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade, onde recebeu aux\u00edlio e orienta\u00e7\u00e3o. \u201cO m\u00e9dico me disse, num primeiro momento, que at\u00e9 para ele era uma situa\u00e7\u00e3o nova, mas que eu seria encaminhada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Edilaine conta que passou por todo o processo de consultas e exames com especialistas. \u201cOs profissionais de sa\u00fade n\u00e3o mediram esfor\u00e7os para me ajudar. Quando cheguei no Hospital Universit\u00e1rio Regional de Maring\u00e1 e o cirurgi\u00e3o pediu os exames e avaliou que eu poderia fazer o implante, minha vida mudou novamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a habilita\u00e7\u00e3o para o implante e a efetiva\u00e7\u00e3o da cirurgia, foram cerca de 6 meses. \u201c\u00c9 um processo lindo, de reaprender a ouvir. No primeiro ano fiz acompanhamento intenso com fono, o mapeamento do implante e at\u00e9 hoje sigo recebendo esses atendimentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Edilaine fez quest\u00e3o de destacar que, desde os exames, passando pelos implantes e seguindo com a reabilita\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o teve nenhum custo. \u201cSe posso dar um conselho para quem est\u00e1 passando pela mesma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que eu passei \u00e9 que procure o atendimento atrav\u00e9s da UBS\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EMILLY E HEITOR&nbsp;<\/strong>&#8211; Moradores de Sarandi, no Noroeste do Paran\u00e1, os irm\u00e3os Emilly Caroline Guimar\u00e3es Rodrigues, de 10 anos, e Heitor Donato Guimar\u00e3es Rodrigues, de 4 anos, s\u00e3o usu\u00e1rios de implante coclear. A m\u00e3e deles, Cibele Guimar\u00e3es, relatou que as duas crian\u00e7as nasceram com defici\u00eancia auditiva bilateral severa. \u201cA Emilly apresentou atraso na fala, e por isso n\u00f3s buscamos atendimento m\u00e9dico. Os exames confirmaram uma neuropatia auditiva, que \u00e9 bastante complexa\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>A pequena tinha pouco mais de 2 anos quando veio o diagn\u00f3stico e os implantes (bilaterais) ocorreram logo depois, com intervalo de cerca de um m\u00eas entre um e outro. \u201cNo dia do anivers\u00e1rio de 3 anos dela o implante foi ativado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Heitor, a necessidade do implante foi descoberta ainda mais cedo, aos quatro meses de vida. O diagn\u00f3stico foi o mesmo da irm\u00e3: neuropatia auditiva. As cirurgias aconteceram pouco depois de ele completar 1 ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento, que \u00e9 realizado pelo SUS, inclui acompanhamento m\u00e9dico desde antes do implante. Atualmente, os irm\u00e3os t\u00eam reabilita\u00e7\u00e3o com a fonoaudi\u00f3loga uma vez por semana e mapeamento dos implantes, que acontecem anualmente para Emilly e a cada 6 meses para Heitor. \u201cO mapeamento avalia como est\u00e1 a parte interna do implante, se a externa est\u00e1 funcionando corretamente, se precisa aumentar ou diminuir o volume\u201d, explica a m\u00e3e. \u201cE o tempo varia de acordo com a necessidade de cada um. Como ela est\u00e1 mais adaptada, o intervalo \u00e9 maior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e contou que, apesar dos filhos serem muito jovens quando foram tratados, a adapta\u00e7\u00e3o foi dentro do esperado. \u201cNo come\u00e7o era uma novidade, ent\u00e3o eles tiravam, deixavam em qualquer lugar, era preciso ficar muito atenta, mas, com o tempo eles foram se acostumando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Cibele comentou ainda que para ela tamb\u00e9m foi uma adapta\u00e7\u00e3o. \u201cNo come\u00e7o foi muito dif\u00edcil para mim, nunca imaginei na vida que teria que passar por isso. Nenhuma m\u00e3e quer que o filho tenha alguma defici\u00eancia ou doen\u00e7a, e ter que tomar uma decis\u00e3o t\u00e3o grande por um filho \u00e9 muito dif\u00edcil. Ter que entregar um filho em um centro cir\u00fargico \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas a recupera\u00e7\u00e3o da cirurgia do implante coclear \u00e9 t\u00e3o tranquila que no segundo filho foi tudo mais f\u00e1cil, e hoje sinto uma gratid\u00e3o por ter tido esse privil\u00e9gio, de ter conseguido proporcionar a eles um futuro melhor, e saber que foi a melhor decis\u00e3o que tomei na vida\u201d, completa ela.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Paran\u00e1 se consolidou como a principal refer\u00eancia brasileira em sa\u00fade auditiva de alta complexidade. Nos \u00faltimos oito anos, o Estado saltou das \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es para o primeiro lugar no ranking nacional de implantes cocleares por milh\u00e3o de habitantes. 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