{"id":76154,"date":"2026-02-02T11:23:01","date_gmt":"2026-02-02T14:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=76154"},"modified":"2026-02-02T11:23:03","modified_gmt":"2026-02-02T14:23:03","slug":"em-cuidados-paliativos-fa-realiza-sonho-de-conhecer-gian-giovani-no-verao-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2026\/02\/02\/em-cuidados-paliativos-fa-realiza-sonho-de-conhecer-gian-giovani-no-verao-maior\/","title":{"rendered":"Em cuidados paliativos, f\u00e3 realiza sonho de conhecer Gian &amp; Giovani no Ver\u00e3o Maior"},"content":{"rendered":"\n<p>Aproveitar a vida ao m\u00e1ximo e realizar sonhos. Esse tem sido o mantra de Luciana Vieira, de 43 anos, que tem duas s\u00edndromes gen\u00e9ticas raras que a tornam propensa a desenvolver diversos tipos de c\u00e2ncer. Atualmente em cuidados paliativos, Luciana p\u00f4de realizar um de seus sonhos neste s\u00e1bado (31) durante o Ver\u00e3o Maior Paran\u00e1: conhecer de perto os \u00eddolos Gian &amp; Giovani, de quem \u00e9 f\u00e3 desde crian\u00e7a e que a ajudaram, inclusive, em uma campanha que fez para arrecadar recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das condi\u00e7\u00f5es de Luciana \u00e9 a s\u00edndrome de Li-Fraumeni (SLF), uma desordem gen\u00e9tica rara que causa uma predisposi\u00e7\u00e3o de alto risco para diversos tipos de c\u00e2ncer. A outra \u00e9 a s\u00edndrome de Lynch, ou c\u00e2ncer colorretal heredit\u00e1rio n\u00e3o polipose (HNPCC), que tamb\u00e9m aumenta o risco de problemas oncol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por se tratar de condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, que passam de pais para filhos, Luciana perdeu v\u00e1rios parentes para o c\u00e2ncer, inclusive o pai e a m\u00e3e, com quem aprendeu a gostar de Gian &amp; Giovani ainda na inf\u00e2ncia. Na \u00e9poca, a fam\u00edlia n\u00e3o sabia o que os faziam predispostos a desenvolver a doen\u00e7a. Foi quando a filha, hoje com 18 anos, teve leucemia que ela descobriu as s\u00edndromes, e iniciou uma luta para que ela se curasse e n\u00e3o voltasse a desenvolver a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a\u00ed que os cantores sertanejos que ela ouvia desde crian\u00e7a entram na hist\u00f3ria. \u201cDesde 2015 eu venho combatendo essa situa\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer. Minha filha tamb\u00e9m tinha a mesma s\u00edndrome, e ela precisava de um transplante de c\u00e9lulas-tronco\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu j\u00e1 era f\u00e3 deles, e nesse per\u00edodo fiz uma carta e um v\u00eddeo que publiquei no Instagram e compartilhei com a equipe de produ\u00e7\u00e3o do Gian &amp; Giovani. Eles apoiaram tanto financeiramente como emocionalmente para a gente conseguir fazer esse tratamento\u201d, explica. \u201cHoje ela est\u00e1 curada, tem seis anos que ela fez o transplante. Eu sou paciente paliativa em est\u00e1gio 1, mas era um sonho. Eu n\u00e3o queria morrer sem agradecer a eles pessoalmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro com os artistas, que\u00a0tocaram no s\u00e1bado no palco do Ver\u00e3o Maior em Pontal do Paran\u00e1, no Litoral do Estado, foi marcado por muita emo\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o, e foi dif\u00edcil conter as l\u00e1grimas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o podia deixar de agradecer. Minha m\u00e3e n\u00e3o pode estar aqui para viver esse momento, mas sei que ficou feliz onde quer que ela esteja. Hoje comemoro que a minha filha quebrou o ciclo, ela n\u00e3o vai desenvolver as s\u00edndromes. E tem a m\u00e3o deles nessa conquista\u201d, celebra Luciana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CUIDADOS PALIATIVOS&nbsp;<\/strong>\u2013 Por causa da predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, Luciana j\u00e1 teve c\u00e2ncer de boca, c\u00e2ncer de mama e intestino. Hoje, trata um c\u00e2ncer raro no peric\u00e1rdio, membrana que envolve o cora\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 paciente oncol\u00f3gica do Hospital Erasto Gaetner, em Curitiba, e faz tratamentos experimentais no Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre (HCPA).<\/p>\n\n\n\n<p>Ela est\u00e1 na fase 1 do tratamento paliativo, per\u00edodo inicial em que o paciente descobre uma doen\u00e7a grave e inicia os cuidados para controlar os sintomas, diminuir os desconfortos, ganhar autonomia e qualidade de vida. \u201cAs pessoas acham que o paliativo \u00e9 aquele tratamento em que voc\u00ea fica l\u00e1 na cama esperando a morte. N\u00e3o \u00e9 isso, pelo contr\u00e1rio, a gente quer viver com qualidade de vida\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei quanto tempo tenho de vida, mas \u00e9 um dia de cada vez. Eu amo muito viver, tenho muita vontade de continuar viva e realizar os meus sonhos\u201d, fala. \u201cH\u00e1 anos eu n\u00e3o vinha para a praia, ent\u00e3o vim hoje. Tenho vontade de voar de parapente, um dia vou tentar. Tem muitos lugares de Porto Alegre que queria conhecer e estou conseguindo, tamb\u00e9m algumas pessoas de quem me aproximei porque se sensibilizaram com minha hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOVO CICLO<\/strong>&nbsp;\u2013 Luciana engravidou e hoje tem outro filho, de 6 anos de idade. \u201cA gente encerrou o ciclo da s\u00edndrome na minha filha, porque foi com ela que descobrimos essa condi\u00e7\u00e3o. Eu perdi meus pais, av\u00f3s, tios e primos para o c\u00e2ncer. Em mim eu n\u00e3o pude mudar a hist\u00f3ria, mas ela vai ter uma vida diferente, uma vida sem c\u00e2ncer\u201d, conta emocionada.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo o tratamento da filha, inclusive o transplante de c\u00e9lulas-tronco, foi feito pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). \u201cA gente fez o primeiro transplante dela em Porto Alegre em 2016, mediado pelo Governo do Paran\u00e1. Meu outro filho nasceu em 2019, ent\u00e3o fizemos mais um naquele ano\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo filho, hoje com 6 anos, tamb\u00e9m n\u00e3o ir\u00e1 desenvolver as s\u00edndromes. Durante o processo de fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro, foi feito um Diagn\u00f3stico Gen\u00e9tico Pr\u00e9-Implantacional (PGD), que permite a an\u00e1lise do DNA dos embri\u00f5es para identificar doen\u00e7as gen\u00e9ticas antes de fazer a transfer\u00eancia do embri\u00e3o para o \u00fatero. \u201cA condi\u00e7\u00e3o vem no gene TP53, e ele n\u00e3o tem a s\u00edndrome, ent\u00e3o n\u00e3o vai ter c\u00e2ncer. A gente mudou realmente a nossa hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproveitar a vida ao m\u00e1ximo e realizar sonhos. Esse tem sido o mantra de Luciana Vieira, de 43 anos, que tem duas s\u00edndromes gen\u00e9ticas raras que a tornam propensa a desenvolver diversos tipos de c\u00e2ncer. 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