{"id":76056,"date":"2026-01-28T10:45:15","date_gmt":"2026-01-28T13:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=76056"},"modified":"2026-01-28T10:45:18","modified_gmt":"2026-01-28T13:45:18","slug":"paralamas-do-sucesso-vao-levar-a-forca-do-rock-brasileiro-para-o-verao-maior-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2026\/01\/28\/paralamas-do-sucesso-vao-levar-a-forca-do-rock-brasileiro-para-o-verao-maior-parana\/","title":{"rendered":"Paralamas do Sucesso v\u00e3o levar a for\u00e7a do rock brasileiro para o Ver\u00e3o Maior Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das principais bandas brasileiras de todos os tempos, o Paralamas do Sucesso estar\u00e1 presente em um show especial em Matinhos, no litoral do Paran\u00e1. No s\u00e1bado (31), \u00e0s 22h, a areia da Praia Brava recebe tr\u00eas figuras hist\u00f3ricas do pante\u00e3o do rock nacional. Herbert Vianna, Bi Ribeiro e Jo\u00e3o Barone v\u00e3o apresentar o mesmo primor t\u00e9cnico do in\u00edcio da banda, que come\u00e7ou h\u00e1 mais de 40 anos. Antes dos brasileiros,\u00a0os jamaicanos do Inner Circle abrem a noite em Matinhos com seu reggae.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas, a banda foi capaz de construir um arsenal de hits. Alguns deles s\u00e3o \u201cVital e Sua Moto\u201d (1983), &#8220;Meu Erro&#8221; (1985), &#8220;Alagados&#8221; (1986), &#8220;Lanterna dos Afogados&#8221; (1988) e &#8220;Saber Amar&#8221; (1994). S\u00e3o dezenas de sucessos que misturam o lirismo afiado de Herbet Vianna com grooves maravilhosos da cozinha de Bi Ribeiro no baixo com Jo\u00e3o Barone na bateria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 not\u00e1vel a preserva\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o original do trio e a longevidade da banda, que enfrentou uma trag\u00e9dia capaz de abalar qualquer estrutura e, ainda assim, soube se reconstruir como uma f\u00eanix, mantendo uma respeitabilidade que atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o acidente a\u00e9reo sofrido em 2001, Herbert Vianna, que \u00e9 o l\u00edder do trio, teve uma les\u00e3o grave na medula espinhal e ficou parapl\u00e9gico, al\u00e9m de sequelas neurol\u00f3gicas que afetaram a fala e a coordena\u00e7\u00e3o motora. A volta \u00e0 m\u00fasica foi poss\u00edvel gra\u00e7as a um longo processo de reabilita\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cognitiva, com fisioterapia intensiva e reaprendizado motor, especialmente das m\u00e3os e dos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tocar novamente, Herbert adaptou a forma de segurar a guitarra, simplificou movimentos, ajustou timbres e passou a tocar sentado, respeitando seus novos limites f\u00edsicos. A volta \u00e0s turn\u00eas teve muito \u00eaxito, com shows lotados, at\u00e9 pela ansiedade em ver a banda reunida novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, a banda manteve uma agenda movimentada de shows com a turn\u00ea de comemora\u00e7\u00e3o de 40 anos dos Paralamas. Em uma apresenta\u00e7\u00e3o que durou 2 horas e meia, a banda reuniu 50 mil pessoas no Allianz Parque, principal arena de shows da capital S\u00e3o Paulo. A agenda da banda tamb\u00e9m tem destino constante para a Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela, onde constru\u00edram imensa popularidade durante o auge da banda na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ORIGEM&nbsp;<\/strong>\u2013<strong>&nbsp;<\/strong>Paraibano e vindo da capital Bras\u00edlia ao Rio de Janeiro, Herbert Vianna encontrou seu amigo de adolesc\u00eancia Bi Ribeiro, que tamb\u00e9m trocou a capital brasileira pela cidade carioca antes mesmo de os dois entrarem na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Deslocados, formaram uma banda de rock com um som totalmente new-wave, g\u00eanero musical que foi uma evolu\u00e7\u00e3o pop, polida e eletr\u00f4nica do punk rock, como a banda The Police. O som dos Paralamas tamb\u00e9m tinham forte influ\u00eancia dos grupos da 2 Tone \u2013 gravadora brit\u00e2nica que misturou o ritmo jamaicano do ska no punk ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCinema Mudo\u201d, de 1983, foi o primeiro \u00e1lbum dos Paralamas. A produ\u00e7\u00e3o foi uma aposta da gravadora EMI, que se encantou com os tr\u00eas jovens que abriram o show do Lulu Santos no Circo Voador, local hist\u00f3rico no Rio de Janeiro que abriu espa\u00e7o para novas bandas.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00fasicas c\u00f4micas do primeiro \u00e1lbum foram uma determina\u00e7\u00e3o da gravadora para que, depois, pudessem deixar uma marca mais autoral nos pr\u00f3ximos. Insatisfeitos com o primeiro trabalho, a banda amadureceu em postura e tomou as r\u00e9deas da produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum seguinte de 1984, \u201cO Passo do Lui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O finalmente t\u00e3o esperado \u00e1lbum mais s\u00e9rio do grupo foi sucesso absoluto de cr\u00edtica e vendas. O disco consagrou diversos hits como &#8220;\u00d3culos&#8221;, &#8220;Me Liga&#8221;, &#8220;Meu Erro&#8221;, &#8220;Romance Ideal&#8221; e &#8220;Ska&#8221;, que elevaram Herbert Vianna a s\u00edmbolo pop brasileiro. A produ\u00e7\u00e3o teve um som mais pr\u00f3ximo do new-wave desejado pela banda, com uma bateria marcante inspirado nos bateristas Stewart Copeland, do The Police, e Everett Morton, do The Beat.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSAGRA\u00c7\u00c3O NO ROCK IN RIO<\/strong>&nbsp;\u2013 O reconhecimento levou o grupo a tocar na primeira edi\u00e7\u00e3o do Rock in Rio, de 1985. Os Paralamas realizaram um dos melhores shows da estreia marcante do festival que tamb\u00e9m teve as bandas consagradas Queen, Iron Maiden, Whitesnake, Scorpions, AC\/DC, Ozzy Osbourne, Yes e The B-52s.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos Paralamas, Blitz, Kid Abelha e Bar\u00e3o Vermelho tamb\u00e9m eram bandas brasileiras de rock que iriam passar por um verdadeiro teste de fogo. Todas rec\u00e9m criadas no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, que se somaram aos experientes Ney Matogrosso, Baby do Brasil com Pepeu Gomes e o tremend\u00e3o Erasmo Carlos \u2013 expoente da jovem guarda foi vaiado durante a apresenta\u00e7\u00e3o por um p\u00fablico majoritariamente de heavy metal.<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro dia de apresenta\u00e7\u00f5es, os Paralamas foram sucesso absoluto e colocaram 20 mil pessoas para dan\u00e7ar, p\u00fablico que chegou a 100 mil na outra apresenta\u00e7\u00e3o da banda, durante a mesma edi\u00e7\u00e3o do festival.<\/p>\n\n\n\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o ficou marcada por um discurso inflamado de Herbert Vianna que defendeu os artistas brasileiros que foram vaiados, como Kid Abelha e Eduardo Dussek. A banda tamb\u00e9m entoou a m\u00fasica \u201cIn\u00fatil\u201d, do Ultraje a Rigor, que embalou o \u201cDiretas J\u00e1\u201d, movimento pol\u00edtico que clamava por elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com grandes atra\u00e7\u00f5es internacionais, a primeira edi\u00e7\u00e3o do Rock in Rio foi respons\u00e1vel por convencer gravadoras, empres\u00e1rios musicais e a imprensa de que o rock era um mercado rico ainda a ser explorado, al\u00e9m de incluir o Brasil no circuito de turn\u00eas internacionais. Foi neste contexto que Os Paralamas do Sucesso, conhecidos nas r\u00e1dios cariocas, tiveram o sucesso projetado nacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IDENTIDADE MUSICAL&nbsp;<\/strong>\u2013 Alavancados por uma hist\u00f3rica apresenta\u00e7\u00e3o no Rock in Rio, e pelo lan\u00e7amento do disco \u201cO Passo do Lui\u201d recheado de hits e muito bem recebidos pela cr\u00edtica, os Paralamas decidiram dar mais um passo em dire\u00e7\u00e3o a identidade musical pr\u00f3pria. O terceiro \u00e1lbum do grupo, \u201cSelvagem?\u201d, de 1986, foi a confirma\u00e7\u00e3o definitiva da qualidade musical gigantesca e inovadora da banda, e a chave para a internacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a cr\u00edtica da \u00e9poca, foi un\u00e2nime que o novo disco ganhava com novos elementos sonoros. Para al\u00e9m do pop rock dominante da \u00e9poca, o som da banda envolveu reggae e ska mais marcantes, ritmos com origem jamaicana, que conquistou novamente o p\u00fablico brasileiro. Em duas semanas de lan\u00e7amento, j\u00e1 era disco de ouro, chegando a 700 mil exemplares vendidos posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais pr\u00f3xima dos ritmos jamaicanos, a banda incorporou o tecladista Jo\u00e3o Fera para ampliar a sustenta\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica. Amigo de Barone desde os tempos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Fera integrou a forma\u00e7\u00e3o que seguiu at\u00e9 a Su\u00ed\u00e7a para participar do cultuado Festival de Montreux, onde foi gravado o primeiro disco ao vivo do grupo, \u201cD\u201d, lan\u00e7ado em 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>Entusiasmados pela fama de cruzarem a linha entre o rock e a MPB, o pr\u00f3ximo disco, \u201cBora Bora\u201d, de 1988, deixou ainda mais evidente esta caracter\u00edstica a partir da inclus\u00e3o de guitarras afro-cubanas e colabora\u00e7\u00f5es de artistas estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Influenciados pela agenda de shows internacionais, o novo trabalho teve participa\u00e7\u00e3o do DJ de reggae Peter Metro e de Charly Garc\u00eda, este \u00faltimo que foi respons\u00e1vel por fundar a linguagem moderna do rock argentino, misturando rock, pop, jazz, m\u00fasica erudita e eletr\u00f4nica, tornando-se \u00eddolo m\u00e1ximo da m\u00fasica argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o fim dos anos 1980 e a metade da d\u00e9cada seguinte, os Paralamas viveram um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre continuidade, ousadia criativa e reconstru\u00e7\u00e3o. O \u00e1lbum \u201cBig Bang\u201d, de 1989, ainda conseguiu manter di\u00e1logo com o grande p\u00fablico, enquanto &#8220;Os Gr\u00e3os&#8221; (1991) e, sobretudo, &#8220;Severino&#8221; (1994) aprofundaram a busca por novos caminhos est\u00e9ticos, com arranjos mais elaborados e menor compromisso com o formato radiof\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sob ressalvas da imprensa e menor apelo radiof\u00f4nico, a banda preservou p\u00fablico nos shows e, a partir de \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d, disco ao vivo de 1995, retomou o formato pop, reconectou-se com as r\u00e1dios e iniciou uma fase de enorme sucesso comercial e midi\u00e1tico, consolidada com \u201c9 Luas\u201d (1996), \u201cHey Na Na\u201d (1998) e o \u201cAc\u00fastico MTV\u201d (1999), que recolocaram os Paralamas no centro do rock brasileiro dos anos 1990, sem perder a qualidade musical.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com o \u00faltimo \u00e1lbum de est\u00fadio gravado em 2017, \u201cSinais do Sim\u201d, a banda nunca precisou apelar para colabora\u00e7\u00f5es for\u00e7adas com outros artistas para manter-se em evid\u00eancia. Com agenda e shows lotados, o grupo recebe uma enorme profundidade afetiva da plateia. Quem for \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o dos Paralamas neste s\u00e1bado, no terceiro final de semana do Ver\u00e3o Maior Paran\u00e1, certamente vai presenciar a aura de raridade de uma m\u00e1quina que se recusa a enferrujar.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das principais bandas brasileiras de todos os tempos, o Paralamas do Sucesso estar\u00e1 presente em um show especial em Matinhos, no litoral do Paran\u00e1. No s\u00e1bado (31), \u00e0s 22h, a areia da Praia Brava recebe tr\u00eas figuras hist\u00f3ricas do pante\u00e3o do rock nacional. 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