{"id":75889,"date":"2026-01-23T12:17:49","date_gmt":"2026-01-23T15:17:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=75889"},"modified":"2026-01-23T12:17:51","modified_gmt":"2026-01-23T15:17:51","slug":"1o-comandante-do-ferry-boat-recorda-inicio-da-travessia-e-fala-do-sonho-da-ponte-de-guaratuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2026\/01\/23\/1o-comandante-do-ferry-boat-recorda-inicio-da-travessia-e-fala-do-sonho-da-ponte-de-guaratuba\/","title":{"rendered":"1\u00ba comandante do ferry boat recorda in\u00edcio da travessia e fala do sonho da Ponte de Guaratuba"},"content":{"rendered":"\n<p>A Ponte de Guaratuba, que colocar\u00e1 fim a um gargalo hist\u00f3rico e ligar\u00e1 por completo o Paran\u00e1, promete trazer ainda mais progresso ao Litoral, que tem crescido ano ap\u00f3s ano, resultado de obras estruturantes realizadas pelo Governo do Estado. Mas muito antes da ponte sequer ser cogitada, o ferry boat foi a solu\u00e7\u00e3o encontrada h\u00e1 mais de 60 anos para promover a travessia de uma ponta \u00e0 outra, e que tem ajudado a levar desenvolvimento para a cidade que hoje, para ser acessada por terra, apenas por Santa Catarina. Cerca de 40 milh\u00f5es de ve\u00edculos j\u00e1 transitaram no ferry.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ferry boat a fazer a travessia na Ba\u00eda de Guaratuba \u00e9 de 1960, criado pelo governador Mois\u00e9s Lupion. A embarca\u00e7\u00e3o, de madeira, media 27 metros de comprimento por 10 metros de largura e contava com dois motores GM de 130 cavalos. \u201cTinha sanit\u00e1rio a bordo, beliche na casa de navega\u00e7\u00e3o para dormir e arm\u00e1rio com fogareiro para alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, conta Jo\u00e3o James de Oliveira Alves, mais conhecido como Seu Janj\u00e3o. \u201cO nome do barco era \u2018Engenheiro Ayrton Cornelsen\u2019. Transportava dez autom\u00f3veis e um caminh\u00e3o leve. N\u00e3o passava \u00f4nibus.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A riqueza de detalhes tem motivo. Janj\u00e3o foi o primeiro comandante do ferry boat, quando o servi\u00e7o foi reinaugurado dois anos depois pelo governador Ney Braga, ap\u00f3s obras na embarca\u00e7\u00e3o. \u201cDevido a flexibilidade do barco houve problema de estanqueidade [entrada de \u00e1gua]. A Capitania decretou a retirada da travessia, e o barco foi ao estaleiro para manuten\u00e7\u00e3o. Retificou o calafeto [veda\u00e7\u00e3o de frestas], colocou da linha d\u2019\u00e1gua para baixo chapa de cobre, revestindo todo ele. Resolveu\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Natural de S\u00e3o Francisco do Sul, munic\u00edpio catarinense, Janj\u00e3o chegou ao Litoral do Paran\u00e1 atrav\u00e9s do convite de um amigo, cujo irm\u00e3o procurava algu\u00e9m experiente com embarca\u00e7\u00f5es para comandar o servi\u00e7o de travessia. \u201cPerguntei para ele o que era ferry boat, no que ele me explicou que era um barco que atravessa os carros na Ba\u00eda de Guaratuba, de um lado para o outro. Na hora eu disse sim\u201d, recorda, sobre o dia que mudaria sua vida para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Janj\u00e3o esteve embarcado no ferry boat de Guaratuba de 1962 a 1978, ou como gosta de frisar, \u201c15 anos e quatro meses\u201d. Ele veio sozinho para a cidade, deixando a fam\u00edlia em Joinville at\u00e9 que as coisas se ajeitassem por aqui. Na regi\u00e3o de Caieiras, Janj\u00e3o foi pioneiro. Ajudou a construir escola, batalhou por um acesso exclusivo para a localidade, deu aulas para formar mestres em ferry boat, como tamb\u00e9m s\u00e3o chamados os comandantes. A fam\u00edlia veio na sequ\u00eancia, e ali atracaram para nunca mais sair.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os mais de 15 anos no comando da travessia, primeiro com o barco Ayrton Cornelsen e depois com as embarca\u00e7\u00f5es Iguassu e Tibagi, Janj\u00e3o viu de tudo um pouco no ferry boat de Guaratuba. Transportou autoridades, como o pr\u00f3prio governador Ney Braga e o ex-presidente paraguaio Alfredo Stroessner, que se exilou na cidade por dois meses ap\u00f3s ser deposto, em 1989. Levou de artistas a pessoas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos epis\u00f3dios mais marcantes em sua trajet\u00f3ria, por\u00e9m, foi o afundamento de parte da cidade, onde hoje est\u00e1 localizada a Pra\u00e7a dos Namorados. Na noite de 22 de setembro de 1968, um homem bateu na porta de sua casa. Era o amarrador do ferry boat. \u201cComandante Janj\u00e3o, est\u00e3o chamando o senhor. Guaratuba est\u00e1 caindo. \u00c9 preciso prestar socorro. O ferry boat j\u00e1 est\u00e1 guarnecido, o condutor est\u00e1 a bordo virando motor. S\u00f3 precisa da sua presen\u00e7a para fazer a travessia. \u00c9 urgente\u201d, disse o homem \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPeguei a documenta\u00e7\u00e3o que tinha, a m\u00e1quina de tric\u00f4 da minha esposa, que era de valor, e avisei os vizinhos que estavam aqui, uma meia d\u00fazia. Chamei todos e anunciei que Guaratuba estava caindo. N\u00e3o tinha estrada e nem luz em Caieiras. Era pela trilha do morro, pelo mato, para chegar no ferry. Foram todos comigo, embarcados no Tibagi\u201d, relembra. Prefeitura, com\u00e9rcio, casas, tudo naquela regi\u00e3o desmoronou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIniciamos a travessia trazendo socorristas, m\u00e9dicos, policiais, tudo veio de Paranagu\u00e1 para prestar socorro aqui. Fizemos esse trabalho at\u00e9 as tr\u00eas horas da manh\u00e3, quando a mar\u00e9 iniciou a vazante. Nisso vieram arma\u00e7\u00f5es de casa, assoalhos, m\u00f3veis, tudo. N\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00e3o de atravessar\u201d, complementa. \u201cOs moradores embarcaram, muitos s\u00f3 com traje \u00edntimo, em caminh\u00f5es e \u00f4nibus, e foram para Garuva, com medo de que Guaratuba ca\u00edsse toda. Mas n\u00e3o caiu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2026-01\/comandante_ferryboat_foto_rdziura-9041.jpg\" alt=\"A\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Roberto Dziura Jr.\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2026-01\/comandante_ferryboat_foto_rdziura-9161.jpg\" alt=\"A\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Roberto Dziura Jr.\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>A VIDA TAMB\u00c9M PASSA ALI&nbsp;<\/strong>\u2013 Em 1975, a esposa de Janj\u00e3o, gr\u00e1vida da filha ca\u00e7ula, precisou usar o ferry boat para ir at\u00e9 o hospital. \u201cAqui n\u00e3o tinha maternidade, sendo preciso ir a Paranagu\u00e1. O m\u00e9dico examinou e disse que estava tudo bem, mas que a menina s\u00f3 nasceria no dia seguinte, depois da meia-noite. Ela ficou internada e eu voltei para Guaratuba. Na manh\u00e3 seguinte, fui ao DER ligar para a maternidade, porque n\u00e3o t\u00ednhamos telefone. \u2018Pode ficar tranquilo, nasceu a menina, est\u00e1 tudo bem\u2019, me falaram.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Havia nascido a s\u00e9tima filha de Janj\u00e3o. Para escolha do nome, a tradi\u00e7\u00e3o. \u201cMeu pai dizia para colocar o nome dos filhos com mar. \u2018Tem que botar mar, porque tu \u00e9s do mar, assim como eu\u2019\u201d, lembra o comandante. E ele seguiu o ensinamento. \u201cGilmar, Vilmar, Edilamar, Lindomar, Rosemar, Altemar e Lucimar, tudo com \u2018mar\u2019. E a minha esposa \u00e9 Maria, com o mar na frente. Tem hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OUTRA \u00c9POCA<\/strong>&nbsp;\u2013 Quem v\u00ea hoje as seis embarca\u00e7\u00f5es que fazem a travessia na Ba\u00eda de Guaratuba n\u00e3o imagina o desafio que era realizar esse servi\u00e7o h\u00e1 quase sete d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele tempo, uma embarca\u00e7\u00e3o sa\u00eda \u00e0s seis da manh\u00e3, outra ao meio-dia e, dali em diante, rodavam at\u00e9 \u00e0s 18 horas, ou ent\u00e3o noite adentro em caso de fila. \u201cGuaratuba n\u00e3o tinha luz. Era a luz de bordo que iluminava para fazer a atraca\u00e7\u00e3o. Nunca aconteceu acidente algum sob meu comando. At\u00e9 com cerra\u00e7\u00e3o eu atravessava, porque eu tinha conhecimento da mar\u00e9\u201d, afirma o comandante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom neblina eu s\u00f3 atravessava com mar\u00e9 parada. Tinha os rumos certos, o tempo certo para fazer isso\u201d, recorda, ao citar que hoje em dia as embarca\u00e7\u00f5es contam com sensores, radares e GPS para orientar o mestre. \u201cN\u00f3s faz\u00edamos fogo em tambores em um porto e no outro para enxergar bem onde ia atracar, e bat\u00edamos nele para tamb\u00e9m se guiar pelo som. Cont\u00e1vamos com holofote de bordo, o farol de busca. Nunca houve anormalidade no meu trabalho\u201d, diz, com o sentimento de orgulho no olhar ao contar sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem passou a vida ouvindo hist\u00f3rias, o sentimento \u00e9 compartilhado. \u201cO pai tem uma vis\u00e3o muito profissional. Eles tinham esse conhecimento de mar\u00e9 baixa, mar\u00e9 parada. Hoje em dia muitos n\u00e3o sabem. \u00c9 for\u00e7a no motor, guinada de qualquer lado e isso \u00e9 estranho para ele e para n\u00f3s, porque estamos acostumados do jeito que ele explica como tem que ser\u201d, destaca Lucimar, a filha que atravessou a Ba\u00eda de Guaratuba ainda na barriga da m\u00e3e. \u201cNaquela \u00e9poca n\u00e3o tinha radar, era tudo visual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com amplo conhecimento e experi\u00eancia que faziam ser poss\u00edvel a travessia sob forte neblina, Janj\u00e3o ajudou inclusive que um enterro fosse poss\u00edvel. \u201cChegou um senhor com um carro funer\u00e1rio vindo de Florian\u00f3polis com destino a Curitiba. \u2018N\u00e3o d\u00e1 para atravessar rapidamente?\u2019, ele me perguntou, no que eu respondi que daria, no momento certo. Dei a hora mais ou menos em que ia atravessar e deu certo, com cerra\u00e7\u00e3o fechada\u201d, resgata na mem\u00f3ria intacta que carrega no alto de seus 91 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>O FUTURO CHEGOU&nbsp;<\/strong>\u2013 Tendo trabalhado desde o in\u00edcio da travessia, Janj\u00e3o sabe da import\u00e2ncia que o ferry boat teve para o desenvolvimento de Guaratuba. Foi por meio dele que a cidade cresceu, se desenvolveu e tornou-se uma das principais cidades litor\u00e2neas do Sul do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele tamb\u00e9m entende a import\u00e2ncia que a ponte ter\u00e1 para garantir que esse desenvolvimento possa continuar. \u201cO ferry boat, \u00e0s vezes, faz fila que vai l\u00e1 no centro da cidade. Leva horas e horas esperando para atravessar. Pelo desenvolvimento atual, pelo grande n\u00famero de ve\u00edculos que circulam na cidade e na estrada, a ponte, sem a menor d\u00favida, \u00e9 uma grande obra para n\u00f3s\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhando todo o processo de constru\u00e7\u00e3o de perto, com as in\u00fameras vezes em que a ponte foi prometida, mas n\u00e3o entregue \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, Janj\u00e3o sentia que podia contribuir, visando que o melhor modelo fosse adotado para colocar um ponto final no transtorno causado pela falta de uma estrutura condizente a altura de Guaratuba e do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu vi o projeto da ponte ligando o Porto da Passagem at\u00e9 o morro onde tem a torre da Copel, resolvi fazer um croqui da ponte, ligando estrada com estrada, com cerca de 1.200 metros. Sei disso pela travessia do ferry boat, que tem essa dist\u00e2ncia. Nesse croqui a \u00fanica agress\u00e3o \u00e0 natureza com as obras da ponte seriam as estacas fincadas no fundo do mar\u201d, comenta. Ele levou o croqui at\u00e9 a prefeitura, em 2021. \u201cAcho que levaram para o governador, porque depois abriu a concorr\u00eancia com essa ponte que est\u00e1 a\u00ed, da forma que sugeri\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2024, Seu Janj\u00e3o recebeu o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Honor\u00e1rio do Munic\u00edpio de Guaratuba, concedido pela C\u00e2mara Municipal em reconhecimento aos seus servi\u00e7os e engajamento na comunidade. \u201cEu sou um soldado desconhecido. O que eu fa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 visando benef\u00edcio financeiro, mas sim em benef\u00edcio da comunidade, para ajudar as pessoas\u201d. \u00c9 isso que fez ao longo de toda sua vida, e continua fazendo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2026-01\/ponte_guaratuba_foto_rdziura-10.jpg\" alt=\"a\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Roberto Dziura Jr.\/AEN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>FALTA POUCO<\/strong>&nbsp;\u2013 A constru\u00e7\u00e3o da Ponte de Guaratuba chegou ao fim de 2025 com um \u00edndice de&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/aen\/Noticia\/Ponte-de-Guaratuba-alcanca-88-de-execucao-com-conclusao-de-todas-estacas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">execu\u00e7\u00e3o de 88%<\/a><\/strong>, j\u00e1 em sua reta final e com previs\u00e3o de entrega para o m\u00eas de abril. A obra avan\u00e7ou em todas as frentes de trabalho, com destaque para a finaliza\u00e7\u00e3o completa da infraestrutura e progressos expressivos no trecho estaiado, que j\u00e1 \u00e9 um cart\u00e3o-postal da regi\u00e3o antes mesmo de ser finalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 1.240 metros de extens\u00e3o, a ponte vai eliminar a depend\u00eancia da travessia por ferry boat, trazendo mais agilidade, seguran\u00e7a e integra\u00e7\u00e3o ao Litoral do Estado. A estrutura contar\u00e1 com quatro faixas de tr\u00e1fego, ciclovia, passeios e ilumina\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria, representando um dos maiores investimentos em mobilidade da hist\u00f3ria do Paran\u00e1, com aporte de R$ 400 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de pronta, Janj\u00e3o vai seguir a mesma rotina que leva hoje em rela\u00e7\u00e3o a balsa. Usar\u00e1 a ponte apenas para ir ao m\u00e9dico em Paranagu\u00e1, de tempos em tempos. O objetivo dele \u00e9 aproveitar a vida que construiu ali, em Caieiras, ao lado da esposa, filhos, netos e bisnetos, em uma casa projetada por ele, um sobrado com vista de 360\u00ba, o qual lhe remete \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es que navegou durante mais de 50 anos. Tudo ali, pertinho da t\u00e3o esperada Ponte de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ponte de Guaratuba, que colocar\u00e1 fim a um gargalo hist\u00f3rico e ligar\u00e1 por completo o Paran\u00e1, promete trazer ainda mais progresso ao Litoral, que tem crescido ano ap\u00f3s ano, resultado de obras estruturantes realizadas pelo Governo do Estado. 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