{"id":74446,"date":"2025-11-26T11:45:30","date_gmt":"2025-11-26T14:45:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=74446"},"modified":"2025-11-26T11:45:32","modified_gmt":"2025-11-26T14:45:32","slug":"laudo-tecnico-final-do-simepar-eleva-classificacao-de-tornados-que-atingiram-11-cidades-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/11\/26\/laudo-tecnico-final-do-simepar-eleva-classificacao-de-tornados-que-atingiram-11-cidades-do-parana\/","title":{"rendered":"Laudo t\u00e9cnico final do Simepar eleva classifica\u00e7\u00e3o de tornados que atingiram 11 cidades do Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paran\u00e1 (Simepar) concluiu nesta semana o laudo t\u00e9cnico que detalha a trajet\u00f3ria e a classifica\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas tornados que atingiram o Paran\u00e1 em 7 de novembro. O trabalho descrito no documento, que tem mais de 130 p\u00e1ginas, elevou para F4 a categoria na escala Fujita dos tornados que atingiram Rio Bonito do Igua\u00e7u e Guarapuava, e manteve em F2 a categoria do tornado que atingiu Turvo. Onze munic\u00edpios foram atingidos: Rio Bonito do Igua\u00e7u, Turvo, Guarapuava, Quedas do Igua\u00e7u, Espig\u00e3o Alto do Igua\u00e7u, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Cantagalo e Cand\u00f3i.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O laudo descreve as an\u00e1lises feitas atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o entre meteorologia operacional, geointelig\u00eancia, sensoriamento remoto e an\u00e1lise geoespacial. O trabalho envolveu todos os setores do Simepar, com apoio do Corpo de Bombeiros, Instituto \u00c1gua e Terra e Defesa Civil do Estado do Paran\u00e1, permitindo a compreens\u00e3o do evento para oferecer subs\u00eddios valiosos para o planejamento territorial e a gest\u00e3o de risco.&nbsp;Ele concluiu que este evento pode ser considerado um dos maiores desta categoria no Estado do Paran\u00e1 nos \u00faltimos 30 anos, considerando os aspectos relacionados \u00e0 quantidade de tornados no mesmo evento, pessoas atingidas e destrui\u00e7\u00e3o em diversos n\u00edveis observada nas suas trajet\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o foi de que o ramo frio de um ciclone extratropical formado sobre o Sul do Brasil favoreceu o desenvolvimento de nuvens de tempestade de forte intensidade sobre o Paran\u00e1 em 7 de novembro. Algumas dessas nuvens, imersas em um ambiente de elevada instabilidade termodin\u00e2mica, intensificaram-se ainda mais, evoluindo para a categoria de superc\u00e9lulas, com caracter\u00edsticas de rota\u00e7\u00e3o em torno de seu eixo vertical. O cisalhamento vertical intenso do vento e o transporte de ar quente e \u00famido foram cruciais para a evolu\u00e7\u00e3o das tempestades.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas dessas superc\u00e9lulas foram respons\u00e1veis pela ocorr\u00eancia de tr\u00eas tornados em munic\u00edpios das regi\u00f5es Sudoeste e Centro-Sul do Paran\u00e1. A categoriza\u00e7\u00e3o dos tornados seguiu a metodologia preconizada pela Escala Fujita, criada para mensurar a intensidade do fen\u00f4meno com base nos danos observados e nas velocidades estimadas do vento.<\/p>\n\n\n\n<p>As evid\u00eancias dos danos foram obtidas por meio de registros fotogr\u00e1ficos realizados pelo meteorologista Reinaldo Kneib por sobrevoo de helic\u00f3ptero sobre a \u00e1rea entre Espig\u00e3o Alto do Igua\u00e7u, Rio Bonito do Igua\u00e7u e Virmond e no distrito de Entre Rios, munic\u00edpio de Guarapuava, nos dois dias seguintes \u00e0 ocorr\u00eancia. Ele tamb\u00e9m fez registros fotogr\u00e1ficos em superf\u00edcie na \u00e1rea urbana de Rio Bonito do Igua\u00e7u, e a equipe tamb\u00e9m analisou imagens, v\u00eddeos e depoimentos disponibilizados por terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 por isso que o Simepar existe, para podermos trabalhar na mitiga\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na resili\u00eancia futura que ser\u00e1 produzida a partir da experi\u00eancia deste triste epis\u00f3dio\u201d, afirma o secret\u00e1rio estadual do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Rafael Greca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2025-11\/whatsapp_image_2025-11-26_at_07.54.24.jpg\" alt=\"-\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>CLASSIFICA\u00c7\u00c3O<\/strong>&nbsp;\u2013 A primeira superc\u00e9lula gerou o Tornado 1, que passou por Quedas do Igua\u00e7u em categoria F1, por Espig\u00e3o Alto do Igua\u00e7u em categoria F1, por Nova Laranjeiras em categoria F1, por Rio Bonito do Igua\u00e7u em categoria F4, por Porto Barreiro em categoria F3, por Laranjeiras do Sul em categoria F3, por Virmond em categoria F2, e por Cantagalo em categoria F1.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta mesma superc\u00e9lula tamb\u00e9m gerou o Tornado 2, que passou por Cand\u00f3i em categoria F2 e pelo Distrito de Entre Rios, em Guarapuava, em categoria F4. A superc\u00e9lula percorreu aproximadamente 270 km de dist\u00e2ncia, com velocidade m\u00e9dia de deslocamento de cerca de 80 km\/h.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma segunda superc\u00e9lula percorreu aproximadamente 230 km de dist\u00e2ncia, com velocidade m\u00e9dia de deslocamento de cerca de 85 km\/h, e gerou o Tornado 3, que passou sobre Turvo em categoria F2.<\/p>\n\n\n\n<p>Na escala Fujita, os tornados categoria F1 s\u00e3o de severidade moderada e tem velocidade do vento estimada entre 116 km\/h e 180 km\/h. Os de categoria F2 tem severidade consider\u00e1vel e velocidade do vento estimada entre 180 km\/h e 253 km\/h. Os de categoria F3 s\u00e3o considerados severos e velocidade do vento estimada entre 253 km\/h e 332 km\/h. J\u00e1 os de categoria F4 s\u00e3o considerados devastadores, com velocidade do vento estimada entre 332 km\/h e 418 km\/h.<\/p>\n\n\n\n<p>A escala vai de F0 a F5, onde F0, com severidade leve, tem ventos de 65 km\/h a 116 km\/h, e o F5 \u00e9 descrito como \u201cincr\u00edvel\u201d, com ventos entre 418 km\/h e 511 km\/h.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2025-11\/whatsapp_image_2025-11-26_at_07.54.281.jpg\" alt=\"-\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>TRAJET\u00d3RIAS<\/strong>&nbsp;\u2013 O Tornado 1 percorreu aproximadamente 75 km, com uma \u00e1rea de impacto estimada em 12.426 hectares. Sua largura variou de 750 metros em Quedas do Igua\u00e7u para 3.250 metros na regi\u00e3o de maior intensidade, em Rio Bonito do Igua\u00e7u. Em m\u00e9dia, a largura foi de 1.850 metros, refletindo o poder destrutivo do tornado, especialmente nas \u00e1reas mais afetadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A intensidade F4 do Tornado 1 ocorreu na \u00e1rea urbana de Rio Bonito do Igua\u00e7u, causando destrui\u00e7\u00e3o massiva nas edifica\u00e7\u00f5es, arremesso de ve\u00edculos, tombamento de caminh\u00e3o e estragos associados \u00e0 velocidade de vento compat\u00edveis com a categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>No Tornado 2, em Guarapuava, os danos tamb\u00e9m foram condizentes com a categoria F4, como intensa e vasta destrui\u00e7\u00e3o na vegeta\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pontos, colapso total de algumas casas de alvenaria e at\u00e9 mesmo o arremesso de um container a cerca de 150 metros. O Tornado 2 percorreu cerca de 44 km, com uma \u00e1rea de impacto estimada em 2.301 hectares. Apresentou larguras mais homog\u00eaneas, variando entre 500 metros e 1.160 metros.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Tornado 3 teve o percurso mais curto, com 12 km de extens\u00e3o e uma \u00e1rea de impacto de 570 hectares. Sua largura variou entre 400 metros e 675 metros, com uma m\u00e9dia estimada de 525 metros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2025-11\/whatsapp_image_2025-11-26_at_07.54.252.jpg\" alt=\"-\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>TRABALHO<\/strong>&nbsp;\u2013 Assim que a previs\u00e3o do tempo confirmou a ocorr\u00eancia das tempestades severas, na ter\u00e7a-feira anterior (04), o Simepar iniciou a confec\u00e7\u00e3o de boletins di\u00e1rios para a popula\u00e7\u00e3o. Em parceria com a Defesa Civil, equipes j\u00e1 iniciaram refor\u00e7os no monitoramento das regi\u00f5es que seriam mais afetadas. Na sexta-feira (07), uma opera\u00e7\u00e3o especial com participa\u00e7\u00e3o de todos os meteorologistas de Curitiba monitorou a movimenta\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o fen\u00f4meno foi constatado em Rio Bonito do Igua\u00e7u, por volta das 18h10, as an\u00e1lises preliminares para classifica\u00e7\u00e3o do tornado deram in\u00edcio. As primeiras fotos e v\u00eddeos feitas pelas equipes de resgate no munic\u00edpio e enviadas pela Defesa Civil j\u00e1 evidenciaram o potencial para o tornado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a an\u00e1lise dos dados de radar, a refletividade foi estudada e tamb\u00e9m foi percebido um hook echo, ou seja, eco de gancho, uma assinatura do radar meteorol\u00f3gico que indica a possibilidade de exist\u00eancia de tornado.\u00a0Preliminarmente o tornado foi classificado na escala Fujita entre as categorias F2 e F3, com estimativa de ventos na faixa de 250 km\/h.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, s\u00e1bado (08), Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, foi at\u00e9 a cidade realizar entrevistas t\u00e9cnicas. Acompanhado de um integrante do Corpo de Bombeiros com forma\u00e7\u00e3o em Engenharia Civil, ele tamb\u00e9m sobrevoou a cidade e outras regi\u00f5es que tiveram ind\u00edcios nos dados de radar de possibilidade de tornado. Reinaldo conversou com profissionais que atuaram nos resgates em todas as cidades envolvidas. Conversou com moradores das regi\u00f5es que vivenciaram o tornado. Compreendeu, presencialmente, a dist\u00e2ncia que objetos e pessoas foram arremessados pela for\u00e7a do vento.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma reuni\u00e3o envolvendo todos os 15 meteorologistas da equipe de Curitiba concluiu com um longo debate as an\u00e1lises feitas, para a emiss\u00e3o de\u00a0uma nota t\u00e9cnica, que j\u00e1 identificava as duas superc\u00e9lulas que geraram os tr\u00eas tornados. Inicialmente, o tornado de Rio Bonito do Igua\u00e7u foi classificado como F3, o de Guarapuava como F2, e o de Turvo tamb\u00e9m como F2.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho seguiu nas semanas seguintes, envolvendo outros setores do Simepar. As an\u00e1lises meteorol\u00f3gicas, baseadas em imagens de sat\u00e9lite e radar, foram corroboradas pela utiliza\u00e7\u00e3o combinada de imagens de sat\u00e9lite e de imagens a\u00e9reas, que foram fundamentais para identifica\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es macros de altera\u00e7\u00e3o da paisagem e de danos mais espec\u00edficos. A an\u00e1lise multiespectral ajudou a delimitar as trilhas dos tornados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA abordagem integrada fortalece as capacidades de resposta e mitiga\u00e7\u00e3o frente a eventos clim\u00e1ticos extremos, e \u00e9 um passo importante para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de gest\u00e3o de risco mais eficiente e resiliente no Paran\u00e1\u201d, afirma Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paran\u00e1 (Simepar) concluiu nesta semana o laudo t\u00e9cnico que detalha a trajet\u00f3ria e a classifica\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas tornados que atingiram o Paran\u00e1 em 7 de novembro. 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