{"id":71178,"date":"2025-07-30T12:36:06","date_gmt":"2025-07-30T15:36:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=71178"},"modified":"2025-07-30T12:36:08","modified_gmt":"2025-07-30T15:36:08","slug":"livro-de-aluna-da-rede-aborda-bullying-e-chega-de-graca-a-leitores-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/07\/30\/livro-de-aluna-da-rede-aborda-bullying-e-chega-de-graca-a-leitores-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Livro de aluna da rede aborda bullying e chega de gra\u00e7a a leitores em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a mochila escolar de Melissa Kalva Palhano carregou mais do que livros did\u00e1ticos. Na bagagem da estudante do Col\u00e9gio Estadual Monteiro Lobato, de Ponta Grossa, havia tamb\u00e9m p\u00e1ginas escritas \u00e0 m\u00e3o, rabiscadas com ideias, personagens, g\u00edrias, d\u00favidas e for\u00e7a. Nascia &#8220;Uma tal de Gabriela&#8221;, primeiro livro de sua autoria, gestado na sala de aula de altas habilidades da escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Melissa, hoje com 14 anos, cursava \u00e0 \u00e9poca o 6\u00ba ano do Ensino Fundamental e, tr\u00eas anos depois, Gabriela (protagonista da obra) ganhou as ruas da cidade, por meio de 5 mil exemplares impressos, distribu\u00eddos gratuitamente. O livro traz \u00e0 tona, de forma leve e acess\u00edvel, um tema profundo e necess\u00e1rio: o enfrentamento do bullying na adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia surgiu durante as aulas do contraturno. Melissa, sempre apaixonada por leitura, lia livros como &#8220;Di\u00e1rio de um Banana&#8221; (do autor norte-americano Jeff Kinney) e &#8220;Querido Di\u00e1rio Ot\u00e1rio&#8221; (de Jim Benton), mas sentia falta de personagens com os quais realmente se identificasse. \u201cEu percebia que os personagens eram legais, mas n\u00e3o falavam como eu, n\u00e3o pareciam viver como eu\u201d, conta. Foi a\u00ed que decidiu escrever a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, com uma linguagem pr\u00f3xima dos adolescentes brasileiros e cheia de refer\u00eancias do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o incentivo do professor de L\u00edngua Portuguesa, Vilmar Rogoski e o apoio da fam\u00edlia, a obra foi sendo constru\u00edda aos poucos. \u201cA Melissa sempre teve muita facilidade de escrever de forma natural. Diante dessa habilidade, come\u00e7amos a estudar a possibilidade dela desenvolver esse livro\u201d, conta o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConstatamos que os estudantes em geral gostavam muito do formato liter\u00e1rio &#8216;di\u00e1rio&#8217; e, depois, buscamos alguns alunos da escola para entender que assuntos eles consideravam importantes para serem abordados e que refletissem de forma fiel os conflitos da adolesc\u00eancia. Este foi o ponto de partida\u201d, revela o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria de Melissa \u00e9 tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria sobre o papel da escola p\u00fablica. Desde o primeiro rascunho at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o, a rede estadual do Paran\u00e1 foi essencial no acolhimento e na valoriza\u00e7\u00e3o do talento da estudante. \u201cO apoio da escola e dos professores ajudou a me entender em muitas coisas. Foi fundamental para que esse sonho se tornasse realidade\u201d, afirma a jovem escritora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UMA TAL DE GABRIELA&nbsp;<\/strong>&#8211; Forte e confiante, Gabriela \u00e9 aluna do 6\u00b0 ano do Fundamental. Em seu di\u00e1rio, a personagem compartilha os conflitos que vive na escola, onde \u00e9 alvo de bullying por um grupo de colegas. Diante das afrontas, ao inv\u00e9s de amuar-se, Gabriela refor\u00e7a sua identidade com coragem e autoestima, reconhecendo seu valor e se recusando a ser definida pelos olhares alheios.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma narrativa leve e cheia de humor, a personagem constr\u00f3i uma jornada de autoconhecimento, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel enfrentar situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis sem revidar ou perder a alegria de ser quem se \u00e9. \u201cEla \u00e9 um pedacinho de todo mundo que eu conhe\u00e7o. Eu quis mostrar que, mesmo passando por situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, como o bullying, a gente pode encontrar for\u00e7a dentro da gente. A vida dela n\u00e3o gira em torno do que os outros dizem\u201d, explica Melissa.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante dois anos, a jovem trabalhou na escrita do livro com o apoio do professor Vilmar, que revisava os textos e sugeria ajustes pontuais. \u201cA escrita do material foi um processo leve e f\u00e1cil para ela, porque diante da desenvoltura e da facilidade em escrever, o livro dispensou revis\u00f5es e reescritas constantes. O que hoje chega \u00e0s m\u00e3os dos leitores \u00e9 praticamente o conte\u00fado original, imaginado e desenvolvido pela Melissa\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de escrever, Melissa tamb\u00e9m ilustrou a obra. Com as habilidades art\u00edsticas desenvolvidas na Academia Ponta-Grossense de Letras e Artes, institui\u00e7\u00e3o que frequenta desde os seis anos de idade, ela mesma desenvolveu os desenhos que compuseram a cria\u00e7\u00e3o da capa e do projeto gr\u00e1fico. Depois de conclu\u00edda, com incentivo do docente, o livro foi encaminhado ao projeto Pega\u00ed Leitura Gr\u00e1tis, iniciativa filantr\u00f3pica de incentivo \u00e0 leitura, do munic\u00edpio, que apoia autores amadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTA PARAN\u00c1 &#8211;<\/strong>&nbsp;Outra iniciativa importante que deu suporte direto \u00e0 impress\u00e3o do material foi o programa Nota Paran\u00e1, do Governo do Estado, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Fazenda. Por meio dele, consumidores que n\u00e3o incluem o CPF nas notas fiscais podem destinar os cr\u00e9ditos para institui\u00e7\u00f5es sociais. Foi assim que o livro de Melissa saiu do papel, literalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dos recursos arrecadados via Nota Paran\u00e1 foi para o Instituto Pega\u00ed Leitura Gr\u00e1tis e utilizada para custear a impress\u00e3o dos exemplares. Hoje, o livro est\u00e1 dispon\u00edvel em 165 pontos de coleta do projeto Pega\u00ed, em locais como universidades, mercados, terminais e espa\u00e7os p\u00fablicos. N\u00e3o \u00e9 preciso cadastro: qualquer pessoa pode pegar, ler e devolver.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um trabalho de anos. Ver isso se tornar real \u00e9 inacredit\u00e1vel. Eu jamais imaginaria, aos 11 anos, que o meu livro chegaria \u00e0s m\u00e3os de tantas pessoas. Espero que alcance muitas crian\u00e7as e que elas se sintam representadas como eu queria me sentir quando lia\u201d, diz Melissa.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa de doa\u00e7\u00e3o de notas fiscais por meio do programa Nota Paran\u00e1 tem se mostrado uma ferramenta poderosa de apoio ao terceiro setor no Estado. Desde 2015, o programa j\u00e1 repassou mais de R$ 468 milh\u00f5es a cerca de 1.815 entidades sociais cadastradas, fortalecendo projetos que muitas vezes enfrentam escassez de recursos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o consumidor opta por n\u00e3o colocar o CPF na nota fiscal e direciona o documento a uma institui\u00e7\u00e3o, essa entidade passa a concorrer a cr\u00e9ditos e sorteios promovidos pelo programa. A doa\u00e7\u00e3o pode ser feita pelo site ou aplicativo do Nota Paran\u00e1, ou ainda por meio de urnas f\u00edsicas disponibilizadas pelas pr\u00f3prias entidades. Segundo a coordenadora do programa, Marta Gambini, al\u00e9m de garantir recursos fundamentais, a iniciativa tamb\u00e9m contribui para o combate \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o fiscal e estimula a cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 muito importante pedir a nota fiscal, com ou sem CPF. Quando o CPF n\u00e3o \u00e9 inserido na nota, o consumidor tem a oportunidade de ajudar organiza\u00e7\u00f5es sociais que atuam em diversas \u00e1reas, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura e assist\u00eancia, simplesmente destinando o documento fiscal a uma entidade cadastrada no programa Nota Paran\u00e1: uma atitude simples que transforma vidas e fortalece projetos em todo o Estado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SEGUNDO LIVRO&nbsp;<\/strong>&#8211; A jovem autora j\u00e1 est\u00e1 escrevendo um segundo livro, com a mesma linguagem leve e pr\u00f3xima dos adolescentes. \u201c\u00c9 como um di\u00e1rio, mas com um garotinho como protagonista. Ele vive a experi\u00eancia de estar longe de casa. Eu adoraria seguir nesse caminho. Quem sabe at\u00e9 escrever um segundo volume da Gabriela?\u201d, revela a jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a m\u00e3e de Melissa, a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 dupla: de m\u00e3e e de educadora. \u201cEla n\u00e3o nasceu, ela estreou. Sempre tomou as r\u00e9deas das pr\u00f3prias ideias. Ler o livro dela me emocionou muito. \u00c9 uma obra leve, que fala com os adolescentes de igual para igual. \u00c9 o tipo de material que eu gostaria de ter tido acesso na minha juventude\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com a Gabriela circulando por Ponta Grossa e tocando leitores de todas as idades, Melissa segue fazendo aquilo que sempre fez: escrevendo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PROJETO PEGA\u00cd LEITURA GR\u00c1TIS&nbsp;<\/strong>&#8211; Iniciativa sem fins lucrativos, n\u00e3o governamental, criada em julho de 2013 em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, o Instituto Pega\u00ed Leitura Gr\u00e1tis, tem a miss\u00e3o de aproximar livros sem leitores de leitores sem livros. O projeto foi idealizado pelo professor universit\u00e1rio Idomar Augusto Cerutti, com o objetivo de incentivar o h\u00e1bito da leitura e \u00e9 mantido por um grupo de volunt\u00e1rios apaixonados por leitura que acreditam que os livros n\u00e3o podem ficar guardados nas estantes, privados de serem lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta \u00e9 receber a doa\u00e7\u00e3o de livros e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de novos leitores em locais de acesso p\u00fablico. As obras que chegam por meio de doa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o separadas e registradas pelos volunt\u00e1rios do Projeto, que carimbam, colocam etiquetas e classificam a faixa et\u00e1ria. Depois, os livros s\u00e3o disponibilizados em estantes, alocadas em pontos de circula\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, onde a popula\u00e7\u00e3o pode emprestar. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer cadastro, basta encontrar uma das estantes Pega\u00ed, pegar o t\u00edtulo, levar para casa, ler e devolver nos Pontos de Coleta quando terminar a leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja mais informa\u00e7\u00f5es&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.pegai.info\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AQUI<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a mochila escolar de Melissa Kalva Palhano carregou mais do que livros did\u00e1ticos. Na bagagem da estudante do Col\u00e9gio Estadual Monteiro Lobato, de Ponta Grossa, havia tamb\u00e9m p\u00e1ginas escritas \u00e0 m\u00e3o, rabiscadas com ideias, personagens, g\u00edrias, d\u00favidas e for\u00e7a. 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