{"id":70863,"date":"2025-07-24T10:32:37","date_gmt":"2025-07-24T13:32:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=70863"},"modified":"2025-07-24T10:32:39","modified_gmt":"2025-07-24T13:32:39","slug":"ampolinha-de-esperanca-paranaense-doa-medula-a-paciente-do-rio-grande-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/07\/24\/ampolinha-de-esperanca-paranaense-doa-medula-a-paciente-do-rio-grande-do-norte\/","title":{"rendered":"Ampolinha de esperan\u00e7a: paranaense doa medula a paciente do Rio Grande do Norte"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma pequena decis\u00e3o tomada durante uma doa\u00e7\u00e3o de sangue no Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paran\u00e1), em Curitiba, transformou a vida do gerente de projetos Renato Pereira Linhares, de 34 anos, e pode ter salvado a de um desconhecido a centenas de quil\u00f4metros dali, no Rio Grande do Norte. Carioca de nascimento, mas morador do Paran\u00e1 desde 2018, Renato embarcou no dia 15 de julho para realizar o maior gesto de solidariedade de sua vida: a doa\u00e7\u00e3o de medula \u00f3ssea para um paciente compat\u00edvel que ele talvez nunca conhe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em 2023, durante sua primeira doa\u00e7\u00e3o de sangue no Hemepar, que ele notou uma placa convidando doadores a se cadastrarem tamb\u00e9m como doadores de medula. Curioso, perguntou \u00e0 enfermeira que o atendeu. &#8220;\u00c9 uma ampolinha pequenininha a mais que eles tiram durante a doa\u00e7\u00e3o de sangue, algo bem tranquilo e indolor e a\u00ed meu nome j\u00e1 ficou cadastrado&#8221;, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daquele gesto simples, seu nome foi inclu\u00eddo no Registro Nacional de Doadores de Medula \u00d3ssea (Redome). Foi apenas em dezembro de 2024 que veio a liga\u00e7\u00e3o: ele era potencialmente compat\u00edvel com um paciente e precisaria fazer uma contraprova no Hemepar. \u201cEra um fim de semana e j\u00e1 fui no dia seguinte que era poss\u00edvel\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o de que seria o doador ideal chegou quatro meses depois. \u201cMe perguntaram diversas vezes se eu tinha certeza, mas eu nunca tive d\u00favidas. Para mim \u00e9 um privil\u00e9gio, uma honra poder estar ajudando essa vida\u201d, orgulha-se<\/p>\n\n\n\n<p>Renato n\u00e3o embarcou sozinho nessa miss\u00e3o. Ao seu lado, a esposa Amanda e a filha Anna Beatriz, de 12 anos, acompanharam cada etapa do processo com orgulho e emo\u00e7\u00e3o. \u201cEu estou super orgulhosa n\u00e9, porque poderia ser a gente precisando. Acho que a palavra certa \u00e9 reciprocidade\u201d, afirma Amanda. \u201cS\u00f3 essa sensa\u00e7\u00e3o de estar dando esperan\u00e7a para uma fam\u00edlia, n\u00e3o tem pre\u00e7o. Ele \u00e9 o nosso her\u00f3i, que agora vamos dividir com outra fam\u00edlia\u201d, celebra.<\/p>\n\n\n\n<p>Anna tamb\u00e9m se emociona. \u201cEu percebi que meu pai estava feliz e a\u00ed perguntei para minha m\u00e3e \u2018por que o pai est\u00e1 assim?\u2019. Ela me disse que ele ia doar a medula \u00f3ssea. Eu nem sabia direito o que era, a\u00ed ele ficou me explicando por horas. Eu estou bem orgulhosa, sabe? Porque meu pai nem conhece essa pessoa que ele vai ajudar e ele est\u00e1 todo feliz\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato passou pelo procedimento em um hospital de Natal, no Rio Grande do Norte. Recebeu alta no dia seguinte, uma sexta-feira, e j\u00e1 estava em casa no domingo, pronto para retomar \u00e0 rotina. \u201cHoje sou eu ajudando, mas penso que poderia ser eu, minha filha, minha esposa, meus pais, algum amigo precisando de ajuda\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a m\u00e9dica Luana Tannous, respons\u00e1vel t\u00e9cnica pelo Sistema Estadual de Transplantes (SET\/PR), a doa\u00e7\u00e3o realizada por Renato \u00e9 chamada de doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparentada, feita quando n\u00e3o h\u00e1 compatibilidade entre os parentes do paciente e tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de uso da pr\u00f3pria c\u00e9lula. \u201c\u00c9, em muitos casos, a \u00faltima esperan\u00e7a para que essa pessoa se cure\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do impacto, a m\u00e9dica destaca que se trata de um procedimento cir\u00fargico simples, com anestesia local, baixa taxa de intercorr\u00eancia e recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. A medula se regenera em poucas semanas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2025-07\/arquivo_pessoal.jpg\" alt=\"Renato\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>HEMEPAR&nbsp;<\/strong>\u2013 Foi o atendimento no Hemepar que deu in\u00edcio a tudo. A equipe t\u00e9cnica da unidade aproveita cada oportunidade para incentivar que os doadores de sangue tamb\u00e9m se cadastrem no Redome.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso do doador de sangue que tamb\u00e9m aceita se cadastrar como doador de medula \u00f3ssea, al\u00e9m da bolsa com aproximadamente 450 ml de sangue, \u00e9 coletado um tubo com 5 ml, que ser\u00e1 inserido no banco de dados do REDOME, aproveitando-se a ocasi\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea\u201d, detalha o t\u00e9cnico administrativo do Hemepar, Cleber Eduardo Parucker.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00e9cnico explica que mesmo aqueles que estejam inaptos para a doa\u00e7\u00e3o de sangue, podem procurar o Hemepar para se cadastrar como doadores de medula. \u201cDesde que n\u00e3o apresentem doen\u00e7as pr\u00e9-existentes que impe\u00e7am o cadastro e estejam dentro da faixa et\u00e1ria entre 18 e 35 anos\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p>No Estado, h\u00e1 579 mil doadores cadastrados no Redome. Em 2024, foram realizados 313 transplantes de medula \u00f3ssea. De janeiro a maio de 2025, esse n\u00famero j\u00e1 chegou a 121, segundo a Central Estadual de Transplantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ser um doador de sangue, a pessoa deve ter entre 16 e 69 anos, estar em boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, n\u00e3o estar em jejum e ter dormido pelo menos 6h nas 24 horas antes da doa\u00e7\u00e3o. No Paran\u00e1, s\u00e3o 23 unidades do Hemepar e a doa\u00e7\u00e3o pode ser agendada no site da entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para quem tem interesse em se tornar um doador de medula \u00f3ssea, \u00e9 necess\u00e1rio ter entre 18 e 35 anos, mas uma vez cadastro o registro fica dispon\u00edvel no banco de dados at\u00e9 a pessoa completar 60 anos. Uma vez cadastrado no Redome, o importante \u00e9 manter os dados atualizados, pois s\u00e3o pelos canais indicados que a pessoa ser\u00e1 acionada em caso de poss\u00edvel compatibilidade. O processo \u00e9 simples e pode ser feito no site oficial do Redome.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LIDERAN\u00c7A&nbsp;<\/strong>\u2013 O Paran\u00e1 \u00e9 l\u00edder nacional em doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Em 2024, o Estado atingiu a marca de 42,3 doadores por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o (pmp) \u2013 mais que o dobro da m\u00e9dia nacional, de 19,2 pmp. Tamb\u00e9m lidera o indicador de doadores cujos \u00f3rg\u00e3os foram efetivamente transplantados, com 36 pmp, frente a 17,5 pmp do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 fruto da articula\u00e7\u00e3o do Sistema Estadual de Transplantes, composto pela Central Estadual de Transplantes, com sede em Curitiba, e quatro Organiza\u00e7\u00f5es de Procura de \u00d3rg\u00e3os (OPOs) estrategicamente localizadas em Londrina, Maring\u00e1, Cascavel e Curitiba. Ao todo, mais de 700 profissionais atuam no sistema em cerca de 70 hospitais notificantes, apoiando 34 equipes transplantadoras de \u00f3rg\u00e3os, 72 de tecidos e cinco laborat\u00f3rios de histocompatibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para garantir a agilidade no transporte, o governo estadual promoveu a maior renova\u00e7\u00e3o de frota da hist\u00f3ria do SET\/PR, com a entrega de 18 novos ve\u00edculos e o uso cont\u00ednuo da estrutura a\u00e9rea da Casa Militar. Desde 2019, j\u00e1 foram realizadas 654 miss\u00f5es a\u00e9reas, somando mais de 1,8 mil horas de voo para o transporte de \u00f3rg\u00e3os e equipes m\u00e9dicas.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pequena decis\u00e3o tomada durante uma doa\u00e7\u00e3o de sangue no Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paran\u00e1), em Curitiba, transformou a vida do gerente de projetos Renato Pereira Linhares, de 34 anos, e pode ter salvado a de um desconhecido a centenas de quil\u00f4metros dali, no Rio Grande do Norte. 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