{"id":70578,"date":"2025-07-18T11:20:59","date_gmt":"2025-07-18T14:20:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=70578"},"modified":"2025-07-18T11:21:02","modified_gmt":"2025-07-18T14:21:02","slug":"ha-50-anos-geada-negra-marcava-fim-de-um-ciclo-e-diversificacao-da-economia-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/07\/18\/ha-50-anos-geada-negra-marcava-fim-de-um-ciclo-e-diversificacao-da-economia-do-parana\/","title":{"rendered":"H\u00e1 50 anos, geada negra marcava fim de um ciclo e diversifica\u00e7\u00e3o da economia do Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 50 anos, em 18 de julho de 1975, uma das maiores geadas j\u00e1 registrada no Estado devastou os cafezais e mudou o perfil agropecu\u00e1rio do Paran\u00e1. A partir dali houve o fortalecimento do cultivo da soja e de outros gr\u00e3os, o crescimento da horticultura como ativo comercial e a moderniza\u00e7\u00e3o das cadeias de prote\u00ednas animais, particularmente na avicultura e suinocultura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA diversifica\u00e7\u00e3o das culturas foi um fato importante que presenciei\u201d, disse Eug\u00eanio Stefanelo, que naquele per\u00edodo era o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paran\u00e1 (Seab). Mais tarde, em 1981, ele viria a assumir como secret\u00e1rio. A diversifica\u00e7\u00e3o continuou contando com cafeicultores que at\u00e9 hoje mant\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o, principalmente de caf\u00e9s especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Stefanelo lembra que na tarde de 17 de julho de 1975 o governador Jaime Canet Junior telefonou para o secret\u00e1rio da Agricultura Paulo Carneiro pedindo que todos os servidores do Deral ficassem de prontid\u00e3o, pois j\u00e1 se previa um frio mais intenso. Por volta das 21 horas, o governador questionou o pr\u00f3prio Stefanelo. \u201cLamento dizer, mas acredito que pela marcha da temperatura os cafezais ter\u00e3o um grande baque\u201d, respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O progn\u00f3stico se confirmou na manh\u00e3 do dia 18, com estimativa de que pelo menos 60% dos cafezais que cobriam 1,8 milh\u00e3o de hectares foram destru\u00eddos. Era o fim de um ciclo econ\u00f4mico do Estado. O Paran\u00e1 tinha conquistado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 a lideran\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, ultrapassando S\u00e3o Paulo, com cerca de 21,3 milh\u00f5es de sacas, representando 64% do volume nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1975 foram retirados 10,2 milh\u00f5es de sacas, o que correspondia a quase 50% da produ\u00e7\u00e3o nacional. Imediatamente depois da geada de 1975 o Estado ainda manteve participa\u00e7\u00e3o importante na produ\u00e7\u00e3o, chegando a representar mais de 20% da safra nacional no final da d\u00e9cada de 1980, por\u00e9m nunca mais liderou. J\u00e1 na d\u00e9cada de 1990 a participa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia foi de menos de 10%, baixando para menos de 5% nos anos 2000 e menos de 3% nos anos 2010.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ATUALIDADE&nbsp;<\/strong>\u2013 A estimativa do Deral para a atual safra \u00e9 de 718 mil sacas (43,1 mil toneladas), produzidas em 25,4 mil hectares, o que representa 1% da safra nacional. Em rela\u00e7\u00e3o ao Valor Bruto de Produ\u00e7\u00e3o (VBP) paranaense, a cultura teve renda de R$ 1,13 bilh\u00e3o em 2024, equivalente a 0,6% de toda renda gerada no territ\u00f3rio estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>O Norte Pioneiro \u00e9 hoje a maior regi\u00e3o produtora do Estado, tendo uma\u00a0Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) de origem para o caf\u00e9 ali produzido. Apenas o munic\u00edpio de Carl\u00f3polis concentra um quarto da produ\u00e7\u00e3o estadual, de acordo com o VBP de 2024. Outra IG foi conquistada pelo\u00a0Caf\u00e9 de Mandaguari, no Noroeste.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o agr\u00f4nomo Carlos Hugo Godinho, analista da cultura no Deral, a safra deste ano foi marcada por flora\u00e7\u00f5es uniformes, que facilitam o andamento da colheita. O tempo seco registrado nas \u00faltimas semanas tamb\u00e9m ajuda nos trabalhos e 57% da safra j\u00e1 est\u00e1 colhida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs produtividades nas regi\u00f5es de mais express\u00e3o est\u00e3o em um patamar melhor que em 2024, assim como a qualidade do produto obtido\u201d, afirmou Godinho. \u201cApesar da queda recente, os pre\u00e7os permanecem remuneradores nesta safra, indicando uma poss\u00edvel manuten\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para pr\u00f3xima safra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXPORTA\u00c7\u00c3O&nbsp;<\/strong>\u2013 Quanto \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es paranaenses, elas totalizaram 21,8 mil toneladas de caf\u00e9 verde em 2024, com acr\u00e9scimo em rela\u00e7\u00e3o a 2023. Por\u00e9m o forte das vendas para o exterior \u00e9 o caf\u00e9 sol\u00favel, que totalizou 33 mil toneladas em 2024 e continua em ritmo similar neste primeiro semestre.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado a exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 totalizou a entrada de US$ 433 milh\u00f5es no Paran\u00e1. Neste primeiro semestre de 2025 os valores chegaram a US$ 241 milh\u00f5es, valor superior ao do primeiro semestre de 2024 mesmo com menor volume embarcado. \u201cOs pre\u00e7os melhores foram respons\u00e1veis por este ganho, mas as incertezas moment\u00e2neas com as tarifas impostas pelo governo americano preocupam bastante a manuten\u00e7\u00e3o deste ritmo para o segundo semestre\u201d, ponderou Godinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a depend\u00eancia do mercado de commodities \u00e9 bastante arriscado, especialmente para propriedades pequenas, o que leva os produtores remanescentes a buscarem alternativas. No caso do caf\u00e9, a produ\u00e7\u00e3o de um produto de maior qualidade \u00e9 um dos caminhos trilhados.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara Setorial do Caf\u00e9 do Paran\u00e1, a obten\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s especiais no Estado representa no m\u00ednimo 10% do volume, podendo se aproximar de 30% a depender das condi\u00e7\u00f5es da safra. A C\u00e2mara Setorial, criada por lei estadual, tamb\u00e9m \u00e9 um dos promotores do Concurso Caf\u00e9 Qualidade Paran\u00e1, que chega a sua 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o neste ano visando promover a melhora constante do produto colhido no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da iniciativa do concurso, o Estado promove assist\u00eancia t\u00e9cnica por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 (IDR-Paran\u00e1), especialmente no projeto \u201cMulheres do Caf\u00e9\u201d. Este projeto n\u00e3o se restringe \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7ando a agrega\u00e7\u00e3o de valor na venda direta da produ\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta verticaliza\u00e7\u00e3o tem sido outra forma de muitos produtores buscarem um rendimento melhor. Tamb\u00e9m h\u00e1 iniciativas de turismo rural sendo promovidas. \u201cCada vez mais os Caf\u00e9s do Paran\u00e1 buscam uma diferencia\u00e7\u00e3o, visto que a produ\u00e7\u00e3o em grande escala dificilmente voltar\u00e1 a ser a regra para os produtores paranaenses\u201d, concluiu o analista do Deral.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, em 18 de julho de 1975, uma das maiores geadas j\u00e1 registrada no Estado devastou os cafezais e mudou o perfil agropecu\u00e1rio do Paran\u00e1. 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