{"id":70470,"date":"2025-07-16T15:42:22","date_gmt":"2025-07-16T18:42:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=70470"},"modified":"2025-07-16T15:42:25","modified_gmt":"2025-07-16T18:42:25","slug":"ha-50-anos-curitiba-ficava-toda-branca-simepar-explica-o-fenomeno-da-neve-de-1975","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/07\/16\/ha-50-anos-curitiba-ficava-toda-branca-simepar-explica-o-fenomeno-da-neve-de-1975\/","title":{"rendered":"H\u00e1 50 anos, Curitiba ficava toda branca: Simepar explica o fen\u00f4meno da neve de 1975"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 16 de julho de 1975 chovia em partes do Rio Grande do Sul ao Paran\u00e1, enquanto uma massa de ar extremamente frio e seco atingia o setor central da Argentina. Durante a madrugada essa massa de ar frio entrou no extremo-sul do Pa\u00eds. No dia 17, Curitiba amanheceu com chuvisco. Neve e chuva congelada foram observadas a partir das 8h. Com a visibilidade reduzida e temperaturas pr\u00f3ximas a 0\u00b0C, entre 13h e 15h a neve se tornou mais intensa, criando o fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico mais marcante da mem\u00f3ria recente dos curitibanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Capital, a popula\u00e7\u00e3o comemorava a alegria de um momento marcante com a fam\u00edlia, montando bonecos de neve e registrando os momentos em belas fotografias. No dia seguinte, 18 de julho de 1975, ocorreu um dos epis\u00f3dios mais tristes do agroneg\u00f3cio paranaense. A mesma massa de ar polar que colaborou para forma\u00e7\u00e3o da neve, com rajadas de vento intensas e ar muito muito frio, congelou a seiva das plantas no Norte do Paran\u00e1 e a geada negra dizimou cafezais inteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar), a forma\u00e7\u00e3o da neve requer a combina\u00e7\u00e3o de fatores atmosf\u00e9ricos fundamentais, quase como uma f\u00f3rmula precisa. Desde a superf\u00edcie terrestre at\u00e9 3000 metros de altura, \u00e9 preciso ter temperaturas do ar abaixo de 0\u00b0C e a presen\u00e7a de ar \u00famido capaz de promover a sublima\u00e7\u00e3o do vapor d\u2019\u00e1gua para cristais de gelo. Este \u00e9 o ambiente ideal para a forma\u00e7\u00e3o e ocorr\u00eancia de precipita\u00e7\u00e3o de flocos de neve<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando esta camada se encontra fria e saturada de umidade como descrito acima, a possibilidade de forma\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno \u00e9 elevada, com mais \u00eanfase em situa\u00e7\u00f5es de transporte de umidade com bandas de precipita\u00e7\u00e3o\u201d, explica Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de forma\u00e7\u00e3o dos flocos de neve ocorre dentro das nuvens, com a forma\u00e7\u00e3o de cristais de gelo. \u201cOs cristais de gelo crescem atrav\u00e9s da sublima\u00e7\u00e3o, ou seja, troca da fase da \u00e1gua do vapor d&#8217;\u00e1gua para o gelo. Os cristais tamb\u00e9m podem crescer ao colidirem uns com os outros ou ao entrarem em contato diretamente com a \u00e1gua super-resfriada\u201d, detalha Furlan.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim que os flocos de neve se formam, crescem e ficam pesados ao ponto de n\u00e3o ficarem suspensos no ar, eles precipitam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie. Se a temperatura se mantiver abaixo de zero grau ou muito pr\u00f3ximo a esse valor, a chance do floco cair integralmente \u00e9 maior.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/Galeria-de-Imagens\/50-ANOS-DA-NEVE-EM-CURITIBA#&amp;gid=1&amp;pid=8\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2025-07\/neveemcuritiba_1975.colecaojesussantoro_4.jpg\" alt=\"-\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Cole\u00e7\u00e3o Jesus Santoro-Museu da Imagem e do Som do Paran\u00e1 (MIS-PR)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>SISTEMAS METEOROL\u00d3GICOS&nbsp;<\/strong>\u2013 Para que todos os ingredientes desta f\u00f3rmula estejam presentes e a neve aconte\u00e7a, determinados sistemas meteorol\u00f3gicos devem atuar. \u201cNo ingresso de frentes frias com caracter\u00edsticas continentais, o ar mais frio, associado a grandes massas de ar de origem polar, invadem o continente. Sistemas de alta press\u00e3o robustos no centro\/centro-sul da Argentina, a leste da Cordilheira dos Andes, s\u00e3o determinantes. Esses sistemas trazem consigo intensas incurs\u00f5es polares, capazes de provocar uma redu\u00e7\u00e3o expressiva nas temperaturas de forma generalizada\u201d, diz Furlan.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do frio, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a de umidade que, al\u00e9m das frentes frias, pode ser transportada por ciclones extratropicais. \u201cEstes sistemas d\u00e3o origem a bandas de precipita\u00e7\u00e3o, que ao encontrarem um ar muito frio (normalmente em \u00e1reas mais elevadas), e tamb\u00e9m \u00famido, podem resultar na precipita\u00e7\u00e3o de neve, ou de chuva congelada (quando os flocos de neve derretem parcialmente no caminho, em dire\u00e7\u00e3o ao solo)\u201d, detalha Furlan.<\/p>\n\n\n\n<p>O padr\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica em eventos de nevada no Sul do Brasil tem sido objeto de estudos. A tese de doutorado da pesquisadora M\u00e1rcia Vetromilla Fuentes (2009), do Instituto Federal de Santa Catarina, observa que, em todas as situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a de vigorosos sistemas de alta press\u00e3o para ocorr\u00eancia de neve de forma mais abrangente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom o avan\u00e7o da frente fria e com o ar polar ingressando na retaguarda, est\u00e3o dadas as condi\u00e7\u00f5es principais para precipita\u00e7\u00e3o invernal em forma de neve ou chuva congelada. Mas \u00e9 com o aprofundamento de um sistema de baixa press\u00e3o, preferencialmente pr\u00f3ximo do Litoral ga\u00facho ou do Uruguai, que na sequ\u00eancia d\u00e1 origem a um ciclone extratropical, \u00e9 que a ocorr\u00eancia de neve pode ser mais abrangente\u201d, afirma o meteorologista Leonardo Furlan.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, estudos apontam que, quanto mais intenso for o ciclone, favorecido por fortes ventos em n\u00edveis altos da atmosfera, maior ser\u00e1 o transporte de umidade e consequentemente maior ser\u00e1 o impulso do ar frio associado ao sistema de alta press\u00e3o. \u201cResumindo: com um sistema de alta press\u00e3o tamb\u00e9m intenso, o gradiente de press\u00e3o na regi\u00e3o de interesse ser\u00e1 maior, e consequentemente o transporte de ar frio e de umidade ser\u00e1 mais eficiente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>50 ANOS<\/strong>&nbsp;\u2013 Em 17 de julho de 1975 ocorreu uma potente incurs\u00e3o de ar frio pelo Centro-Sul da Am\u00e9rica do Sul, com um robusto sistema de alta press\u00e3o, associado com massas de ar frio de grande intensidade. Tudo come\u00e7ou no dia 12 de julho, quando uma frente fria avan\u00e7ou pelo extremo sul do continente, enquanto o Sul do Brasil enfrentava varia\u00e7\u00e3o de nuvens e chuvas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo dia 14 de julho, o avan\u00e7o do sistema frontal trouxe o aumento das instabilidades na regi\u00e3o. Na sequ\u00eancia, no dia 15 de julho, se iniciava o aprofundamento de um sistema de baixa press\u00e3o na altura do Uruguai. E a oeste daquele sistema, o ar frio avan\u00e7ava pelo centro-norte da Argentina, Paraguai e Bol\u00edvia, como uma bolha de ar frio\u201d, lista Furlan.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia antes do grande epis\u00f3dio de neve em Curitiba, o ar frio e seco j\u00e1 dominava boa parte do centro e centro-sul da Argentina, enquanto o Rio Grande do Sul ainda tinha muitas nuvens e temperaturas abaixo de 15 \u00b0C. O Paran\u00e1 ainda estava sob influ\u00eancia de muita cobertura de nuvens&nbsp; e de chuva, com o ar frio avan\u00e7ando gradualmente, principalmente pelas regi\u00f5es oeste, sudoeste e sul, com queda mais significativa na \u00e1rea da Capital paranaense a partir do final da noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ventos em n\u00edveis altos da troposfera eram mais intensos na altura da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, e a umidade era significativa, principalmente nas primeiras horas do dia. A Capital registrava temperaturas pr\u00f3ximas a 0\u00b0C com chuva leve, o que permitiu a precipita\u00e7\u00e3o invernal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO gradiente de press\u00e3o entre os dois sistemas, com a baixa press\u00e3o sobre o oceano, na altura do litoral ga\u00facho, criou uma pista de vento que transportou ar muito frio para o Paran\u00e1, o que favoreceu a precipita\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de neve em muitos munic\u00edpios, inclusive em Curitiba, que registrou neve pela manh\u00e3 e in\u00edcio da tarde do dia 17 de julho\u201d, explica Furlan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/Galeria-de-Imagens\/50-ANOS-DA-NEVE-EM-CURITIBA#&amp;gid=1&amp;pid=2\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.parana.pr.gov.br\/sites\/default\/arquivos_restritos\/files\/imagem\/2025-07\/dias_da_neve_em_curitiba_17e18julho1975-colecaomiscelanea_3.jpg\" alt=\"-\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Cole\u00e7\u00e3o Miscel\u00e2nia-Museu da Imagem e do Som do Paran\u00e1 (MIS-PR)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>DADOS HIST\u00d3RICOS&nbsp;<\/strong>\u2013 Apesar de ser um dos epis\u00f3dios mais marcantes da mem\u00f3ria recente dos curitibanos, n\u00e3o foi o epis\u00f3dio de neve mais intenso na Capital. Relatos hist\u00f3ricos apontam que, em 1928, outra nevasca causou acumulados de at\u00e9 50 cm de neve em algumas regi\u00f5es de Curitiba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 1975, ocorreram registros de neve leve e granular em 1979 e 1981. No ano de 2013 a neve ocorreu com mais intensidade novamente no Paran\u00e1, inclusive em Curitiba, principalmente nos bairros mais a oeste e sul do munic\u00edpio. Em 2020 novamente houve precipita\u00e7\u00e3o de neve na Capital, mas de forma r\u00e1pida e leve, acompanhada de chuva congelada.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno n\u00e3o s\u00f3 na Capital, mas em toda a faixa Leste, \u00e9 raro e exige um cen\u00e1rio muito espec\u00edfico para ocorrer. \u201cNas \u00faltimas d\u00e9cadas, as grandes incurs\u00f5es de ar frio t\u00eam sido cada vez menos duradouras. Em conjunto, o transporte de umidade e ar frio em virtude da forma\u00e7\u00e3o de sistemas de baixa press\u00e3o ou at\u00e9 mesmo ciclones, t\u00eam se restringido mais a Santa Catarina, ao Rio Grande do Sul, e ao extremo sul do Paran\u00e1\u201d, ressalta Furlan.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 16 de julho de 1975 chovia em partes do Rio Grande do Sul ao Paran\u00e1, enquanto uma massa de ar extremamente frio e seco atingia o setor central da Argentina. Durante a madrugada essa massa de ar frio entrou no extremo-sul do Pa\u00eds. No dia 17, Curitiba amanheceu com chuvisco. 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