{"id":68280,"date":"2025-06-05T16:42:25","date_gmt":"2025-06-05T19:42:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=68280"},"modified":"2025-06-05T16:42:27","modified_gmt":"2025-06-05T19:42:27","slug":"patrimonio-global-pesquisadores-da-uepg-atuaram-no-reconhecimento-da-erva-mate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/06\/05\/patrimonio-global-pesquisadores-da-uepg-atuaram-no-reconhecimento-da-erva-mate\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f4nio global: pesquisadores da UEPG atuaram no reconhecimento da erva-mate"},"content":{"rendered":"\n<p>Alessandra Izabel de Carvalho, Evelyn Nimmo e Robson Laverdi percorreram o Centro-Sul do Paran\u00e1 por cerca de oito anos para ouvir produtores de erva-mate da regi\u00e3o. A pesquisa sobre pr\u00e1ticas tradicionais e agroecol\u00f3gicas, ligada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PPGH-UEPG), rendeu resultados positivos. Em maio deste ano, os Sistemas Tradicionais e Agroecol\u00f3gicos de Erva-Mate do Paran\u00e1 foram reconhecidos como\u00a0Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial (Sipam), junto ao Comit\u00ea Cient\u00edfico da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas Para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO).<\/p>\n\n\n\n<p>E parte da conquista veio pela contribui\u00e7\u00e3o dos pesquisadores da institui\u00e7\u00e3o.&nbsp;A candidatura foi feira pelo Observat\u00f3rio dos Sistemas Tradicionais e Agroecol\u00f3gicos de Erva-Mate, em 2020, entidade na qual a UEPG \u00e9 signat\u00e1ria. Com a conquista, o sistema de erva-mate passa a ser o segundo Sipam do Brasil, juntamente com os apanhadores de flores sempre-vivas de Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma alegria e um orgulho imensos, pois a nossa inten\u00e7\u00e3o sempre foi dar visibilidade e, de alguma forma, contribuir para a valoriza\u00e7\u00e3o dos sistemas tradicionais e agroecol\u00f3gicos de erva-mate e, sobretudo, dos pequenos agricultores, que s\u00e3o verdadeiros agentes ambientais, pois t\u00eam mantido em p\u00e9 os remanescentes da Floresta com Arauc\u00e1ria\u201d, destaca Alessandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, os professores come\u00e7aram as viagens pelas regi\u00f5es de Rebou\u00e7as, In\u00e1cio Martins, Irati, S\u00e3o Jo\u00e3o do Triunfo e S\u00e3o Mateus do Sul para entrevistar os pequenos agricultores de erva-mate, que se intitulam erveiros, uma forma de se diferenciarem dos ervateiros, que s\u00e3o os donos da ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse trabalho deixa claro que as ci\u00eancias humanas s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto qualquer outra \u00e1rea para enfrentar desafios concretos da sociedade\u201d, explica Robson Laverdi. Para ele, estar com os erveiros, escutar, aprender no territ\u00f3rio e construir solu\u00e7\u00f5es coletivas por meio da hist\u00f3ria oral demonstrou, na pr\u00e1tica, a relev\u00e2ncia da pesquisa. \u201cN\u00e3o nos limitamos ao debate te\u00f3rico: atuamos diretamente para que saberes e modos de vida fossem reconhecidos e protegidos em escala internacional. Participar desse processo refor\u00e7ou minha convic\u00e7\u00e3o de que a pesquisa em hist\u00f3ria deve intervir, transformar e gerar resultados pr\u00e1ticos. O reconhecimento dos sistemas tradicionais de erva-mate prova que a universidade, junto com a comunidade, faz diferen\u00e7a e cria impacto social real\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se encaixar como um Sipam, o sistema deve produzir alimentos com qualidade, manter a capacidade de gerar renda e trabalho para agricultores e auxiliar na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Evelyn Nimmo explica que o grupo documentou os conhecimentos, mem\u00f3rias e hist\u00f3rias das fam\u00edlias que usam ainda esses sistemas porque os pesquisadores da Embrapa entendiam que para entender o sistema e a floresta precisavam entender as culturas, pr\u00e1ticas e conhecimentos associados. Esse trabalho est\u00e1 registrado no&nbsp;PPGH-UEPG.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O trabalho de documentar e registrar valorizou a continua\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas dos produtores tradicionais. A partir dessas pesquisas iniciais, conseguimos entender melhor esses sistemas do ponto de vista sociocultural e desenvolver a candidatura para o reconhecimento, considerando que a parte social, da hist\u00f3ria e da cultura, s\u00e3o t\u00e3o importantes para a candidatura quando a parte ambiental\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PR\u00c1TICA&nbsp;<\/strong>\u2013&nbsp;A produ\u00e7\u00e3o de erva-mate tem ra\u00edzes na pr\u00e1tica cultural dos povos ind\u00edgenas, quando a planta come\u00e7ou a ser cultivada em sombra, nos bosques da Floresta de Arauc\u00e1ria. Com a chegada dos espanh\u00f3is no s\u00e9culo 16, na Bacia do Rio da Prata, as t\u00e9cnicas de colheita e processamento das folhas foram apropriadas e rapidamente impulsionaram a economia da regi\u00e3o. Com o passar do tempo e o desenvolvimento de ind\u00fastrias, a pr\u00e1tica de cultivo tradicional ficou amea\u00e7ada, com grandes produtores cultivando a planta a pleno sol ou com muitos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o reconhecimento como Sipam, cerca de 7 mil agricultores e agriculturas familiares t\u00eam protegidas a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, a manuten\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es e as t\u00e9cnicas populares. A conquista tamb\u00e9m impacta diretamente no reconhecimento da qualidades das pesquisas produzidas no PPGH.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPesquisas em hist\u00f3ria podem ser aplicadas e relevantes. Alunos e professores vivenciaram a metodologia em campo, enfrentaram situa\u00e7\u00f5es reais e participaram de processos de escuta, an\u00e1lise e devolu\u00e7\u00e3o social. O Programa se fortaleceu justamente por mostrar que \u00e9 poss\u00edvel unir rigor acad\u00eamico e compromisso p\u00fablico\u201d, salienta Robson.<\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento traz novas oportunidades para o PPGH em termos de projetos de pesquisa e engajamento com comunidades, segundo Evelyn. \u201cOs alunos t\u00eam a oportunidade de fazer parte de um projeto, ou um movimento, que faz uma diferen\u00e7a na comunidade e que foi desenvolvido de uma maneira participativa. A possibilidade de aprender e colocar em pr\u00e1tica essa metodologia de fazer pesquisa e extens\u00e3o \u00e9 muito especial e \u00fanico\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2021, a institui\u00e7\u00e3o esteve presente no encontro liderado pela FAO em Irati, para apresentar a candidatura dos sistemas tradicionais e agroecol\u00f3gicos de erva-mate como um Sipam. \u201cA nossa pesquisa sempre fez parte de projetos multidisciplinares, que s\u00e3o muito mais desafiadores, obviamente, mas que tendem a ter um alcance social ampliado, como demonstra esse reconhecimento. A candidatura foi exatamente isso, um encontro de saberes: saberes tradicionais, t\u00e9cnicos e acad\u00eamicos, todos mobilizados em torno de uma causa em comum\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alessandra Izabel de Carvalho, Evelyn Nimmo e Robson Laverdi percorreram o Centro-Sul do Paran\u00e1 por cerca de oito anos para ouvir produtores de erva-mate da regi\u00e3o. A pesquisa sobre pr\u00e1ticas tradicionais e agroecol\u00f3gicas, ligada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PPGH-UEPG), rendeu resultados positivos. 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