{"id":68059,"date":"2025-06-03T13:19:00","date_gmt":"2025-06-03T16:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=68059"},"modified":"2025-06-03T13:19:03","modified_gmt":"2025-06-03T16:19:03","slug":"presenca-de-baleias-no-litoral-e-sinal-de-recuperacao-da-especie-iat-inicia-pesquisa-da-migracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2025\/06\/03\/presenca-de-baleias-no-litoral-e-sinal-de-recuperacao-da-especie-iat-inicia-pesquisa-da-migracao\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de baleias no Litoral \u00e9 sinal de recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie; IAT inicia pesquisa da migra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>A imagem chamou a aten\u00e7\u00e3o: uma baleia-jubarte, no fim do m\u00eas passado, nadava calmamente nas \u00e1guas do Litoral do Paran\u00e1, pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o onde est\u00e1 sendo erguida a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/Noticia\/Ponte-de-Guaratuba-chega-60-de-execucao-com-avanco-nas-obras-dos-acessos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ponte de Guaratuba<\/a>. A cena despertou a curiosidade da popula\u00e7\u00e3o e logo ganhou os holofotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, o que o mam\u00edfero estava fazendo na costa paranaense? A resposta \u00e9 simples e vem agregada de \u00f3timas perspectivas para o meio ambiente local. O exemplar integra uma popula\u00e7\u00e3o de baleias que habita a regi\u00e3o da Ant\u00e1rtica e migra nesta \u00e9poca do ano para se reproduzir em \u00e1guas mais quentes, entre o Esp\u00edrito Santo e a Bahia. Ou seja, o Paran\u00e1 \u00e9 parte da viagem migrat\u00f3ria, e essa cena deve ficar cada vez mais frequente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o Instituto \u00c1gua e Terra (IAT), autarquia vinculada \u00e0 Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Sedest), em parceria com o Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1 (LEC-UFPR), montou uma opera\u00e7\u00e3o para tentar entender melhor o comportamento das jubartes.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma semana, entre 26 de maio e 1\u00ba de junho, t\u00e9cnicos ambientais dos dois \u00f3rg\u00e3os, com suporte do Centro de Opera\u00e7\u00f5es A\u00e9reas (COA) do IAT, peregrinaram de ponta a ponta o Litoral. Al\u00e9m de golfinhos e toninhas, avistaram uma outra baleia, dessa vez nadando pr\u00f3ximo \u00e0 Ba\u00eda das Laranjeiras, em Guaraque\u00e7aba: um jovem-adulto com aproximadamente 12 metros de comprimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro servir\u00e1 de subs\u00eddios para pesquisas que v\u00e3o monitorar a presen\u00e7a do animal no Estado, com foco em a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental e para nortear processo de licenciamentos ambientais na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante esses voos catalogamos todos esses animais, marcamos os pontos para poder mostrar para para a popula\u00e7\u00e3o que, sim, esses animais est\u00e3o se reproduzindo. Queremos aprender para conserv\u00e1-los, para tenham o menor impacto poss\u00edvel quando estiverem por aqui\u201d, afirma o t\u00e9cnico em Meio Ambiente do IAT, Rafael Galv\u00e3o. \u201cSer\u00e1 uma presen\u00e7a constante no nosso Litoral e a popula\u00e7\u00e3o precisa entender como respeitar o espa\u00e7o desses animais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Galv\u00e3o explica que \u00e9 essencial pensar nessa rota das baleias tamb\u00e9m nos processos de emiss\u00e3o de licenciamentos ambientais, j\u00e1 que interven\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o n\u00e3o podem perturbar a vida marinha. \u201cTemos no\u00e7\u00e3o de que essa esp\u00e9cie tende a se procriar cada vez mais na costa brasileira. Por isso precisamos de um mar compartilhado, que contemple esses m\u00faltiplos usos, pensando, claro, nesses animais, que garantem a produtividade do oceano\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RECUPERA\u00c7\u00c3O DA ESP\u00c9CIE<\/strong>&nbsp;\u2013 De acordo com a bi\u00f3loga e pesquisadora do LEC-UFPR, Camila Domit, as apari\u00e7\u00f5es desse mam\u00edfero em \u00e1guas paranaense s\u00e3o tamb\u00e9m um indicativo da recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, que, at\u00e9 2014, estava amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. \u201cElas geralmente fazem rotas mais abertas, ou seja, navegam mais pela zona oce\u00e2nica at\u00e9 chegar ao Sul da Bahia. Com a recupera\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es, temos um \u00f3timo indicador de sa\u00fade ambiental\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de jubartes chegou a ser de aproximadamente mil indiv\u00edduos em 1988, segundo estimativa do Projeto Baleia Jubarte (PBJ), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental da Bahia dedicada ao estudo da esp\u00e9cie. Hoje, estima-se que existam algo em torno de 30 mil baleias, recupera\u00e7\u00e3o que se deu, principalmente, por causa da proibi\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da retomada, a esp\u00e9cie segue correndo riscos, o que refor\u00e7a a necessidade de a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cEssa aproxima\u00e7\u00e3o das baleias com a zona costeira traz um grande desafio que \u00e9 a sobreposi\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de uso desses animais com as \u00e1reas que hoje s\u00e3o ocupadas por atividades humanas, como a explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, as atividades portu\u00e1rias de grandes navega\u00e7\u00f5es e atividades pesqueiras. Precisamos, ent\u00e3o, educar, para que as pessoas saibam como respeitar e conviver com as baleias\u201d, diz Camila.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CARACTER\u00cdSTICAS<\/strong>&nbsp;\u2013 A baleia-jubarte, cujo nome cient\u00edfico \u00e9&nbsp;<em>Megaptera novaeangliae<\/em>, pode atingir at\u00e9 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas. S\u00e3o facilmente identific\u00e1veis pela colora\u00e7\u00e3o quase negra do corpo, pela nadadeira dorsal t\u00edpica da esp\u00e9cie e pelas grandes nadadeiras peitorais, que podem chegar a ter 1\/3 do comprimento do corpo e s\u00e3o geralmente brancas. Al\u00e9m disso, a cauda, na face inferior, possui padr\u00f5es de colora\u00e7\u00e3o em branco e preto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto nas \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o quanto nas de reprodu\u00e7\u00e3o, as baleias-jubarte apresentam organiza\u00e7\u00e3o social caracterizada por grupos inst\u00e1veis e pequenos, com m\u00e9dia de dois a tr\u00eas animais.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o que se reproduz ao longo da costa brasileira migra anualmente para os mares ant\u00e1rticos para se alimentar durante o ver\u00e3o, e retornam ao Pa\u00eds durante o inverno e a primavera.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN\/PR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem chamou a aten\u00e7\u00e3o: uma baleia-jubarte, no fim do m\u00eas passado, nadava calmamente nas \u00e1guas do Litoral do Paran\u00e1, pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o onde est\u00e1 sendo erguida a&nbsp;Ponte de Guaratuba. A cena despertou a curiosidade da popula\u00e7\u00e3o e logo ganhou os holofotes. 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