{"id":6266,"date":"2019-04-12T14:11:10","date_gmt":"2019-04-12T17:11:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=6266"},"modified":"2019-04-12T14:11:12","modified_gmt":"2019-04-12T17:11:12","slug":"os-cabos-eleitorais-que-receberam-ate-r-20-mil-de-verba-publica-mas-nao-viram-a-cor-do-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/12\/os-cabos-eleitorais-que-receberam-ate-r-20-mil-de-verba-publica-mas-nao-viram-a-cor-do-dinheiro\/","title":{"rendered":"Os cabos eleitorais que &#8216;receberam&#8217; at\u00e9 R$ 20 mil de verba p\u00fablica, mas n\u00e3o viram a cor do dinheiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Em Lages (SC), Laurindo Alves Vargas ficou surpreso: &#8220;R$ 20 mil? Se eu tivesse ganhado um dinheiro desse, eu estava tranquilo. N\u00e3o trabalhei nas elei\u00e7\u00f5es, nem me envolvo em\u00a0pol\u00edtica\u00a0nenhuma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Mag\u00e9 (RJ), uma pessoa relatou sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato: &#8220;O que me ofereceram foi: &#8216;voc\u00ea s\u00f3 tem que ir l\u00e1, sacar o cheque (de R$ 5 mil), pegar o dinheiro e me entregar; voc\u00ea vai ganhar uma di\u00e1ria de servi\u00e7o (um pagamento \u00fanico inferior a R$ 300)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>E, em Ipir\u00e1 (BA), Jamil Bastos Souza explicou como usou o dinheiro que recebeu na campanha pol\u00edtica: &#8220;N\u00e3o foi s\u00f3 para mim, eram v\u00e1rias pessoas trabalhando. Cada pessoa eu pagava em m\u00e9dia R$ 200 por semana&#8221;. Neste caso, sem detalhar os gastos \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, o que \u00e9 irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comum, as tr\u00eas pessoas acima aparecem nas presta\u00e7\u00f5es de contas das elei\u00e7\u00f5es 2018 como contratadas para realizar &#8220;atividades de milit\u00e2ncia e mobiliza\u00e7\u00e3o de eleitores&#8221; \u2013 fun\u00e7\u00e3o conhecida por cabo eleitoral. Como pagamento, teriam recebido R$ 20 mil, R$ 5 mil e R$ 16,5 mil, respectivamente, pagos com dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>E, em Ipir\u00e1 (BA), Jamil Bastos Souza explicou como usou o dinheiro que recebeu na campanha pol\u00edtica: &#8220;N\u00e3o foi s\u00f3 para mim, eram v\u00e1rias pessoas trabalhando. Cada pessoa eu pagava em m\u00e9dia R$ 200 por semana&#8221;. Neste caso, sem detalhar os gastos \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, o que \u00e9 irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comum, as tr\u00eas pessoas acima aparecem nas presta\u00e7\u00f5es de contas das elei\u00e7\u00f5es 2018 como contratadas para realizar &#8220;atividades de milit\u00e2ncia e mobiliza\u00e7\u00e3o de eleitores&#8221; \u2013 fun\u00e7\u00e3o conhecida por cabo eleitoral. Como pagamento, teriam recebido R$ 20 mil, R$ 5 mil e R$ 16,5 mil, respectivamente, pagos com dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante um m\u00eas, a BBC News Brasil ouviu nove relatos como esses (leia mais abaixo) no pleito de 2018. Os casos foram encontrados a partir da an\u00e1lise da lista dos cabos eleitorais (pessoas f\u00edsicas) mais bem pagos nas elei\u00e7\u00f5es de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram as primeiras elei\u00e7\u00f5es gerais (para cargos federais e estaduais) cujas campanhas foram financiadas, sobretudo, com recurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9CD1\/production\/_105954104_taniarego-agbr.jpg\" alt=\"cabo eleitoral na rua\"\/><figcaption>Image captionCandidatos declararam \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral pagamentos altos para supostos cabos eleitorais, que dizem nunca ter visto o dinheiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes disso, a principal fonte de financiamento eram doa\u00e7\u00f5es de empresas. Mas, em 2015, elas foram proibidas por decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) \u2013 um dos argumentos era que esse tipo de doa\u00e7\u00e3o possibilitaria o pagamento de propina disfar\u00e7ado de colabora\u00e7\u00e3o para campanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para substitu\u00ed-las, foi criado em 2017 o Fundo Eleitoral, composto de recurso p\u00fablico. Em 2018, o Fundo distribuiu R$ 1,7 bilh\u00e3o entre os partidos, que por sua vez repartiram o dinheiro entre seus candidatos. A esse valor se somaram R$ 371 milh\u00f5es do Fundo Partid\u00e1rio, tamb\u00e9m dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, contribuintes financiaram um total de R$ 2,1 bilh\u00f5es das campanhas pol\u00edticas de 2018 \u2013 o que corresponde a 69% das despesas de todos os candidatos. O valor equivale, por exemplo, \u00e0 metade do or\u00e7amento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a soma ainda \u00e9 menor do que as doa\u00e7\u00f5es de empresas nas elei\u00e7\u00f5es de 2014. Assim, a mudan\u00e7a no financiamento fez com que campanhas pol\u00edticas perdessem recursos &#8211; consequentemente, os gastos eleitorais tamb\u00e9m ca\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cabos eleitorais<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os gastos com cabos eleitorais foram na contram\u00e3o, crescendo 84% entre 2014 e 2018, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 o maior aumento entre todos os tipos de despesa eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>No total, cabos eleitorais receberam R$ 197 milh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico. Em m\u00e9dia, R$ 923 por pessoa. Mas um grupo de 107 pessoas teve ganhos muito superiores: de R$ 20 mil a R$ 79,8 mil, para trabalhar em uma campanha com 52 dias de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses megapagamentos foram feitos por 17 partidos diferentes, em 17 Estados do pa\u00eds. Os nove relatos colhidos pela BBC News Brasil envolvem PRB, Podemos e PP \u2013 as duas primeiras legendas afirmam que \u00e9 &#8220;praticamente imposs\u00edvel&#8221; que elas pr\u00f3prias fiscalizem o uso dos recursos distribu\u00eddos entre os candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a lei eleitoral, a presta\u00e7\u00e3o de contas \u00e9 responsabilidade do administrador financeiro, indicado pelo partido ou pelo pr\u00f3prio candidato, mas o candidato \u00e9 solidariamente respons\u00e1vel (ou seja, tamb\u00e9m pode responder se houver irregularidade).<\/p>\n\n\n\n<p>O ato de incluir informa\u00e7\u00f5es falsas na presta\u00e7\u00e3o de contas pode ser enquadrado como crime de falsidade ideol\u00f3gica eleitoral e culminar em at\u00e9 cinco anos de pris\u00e3o. Al\u00e9m disso, pode levar o candidato a ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficando ineleg\u00edvel por at\u00e9 oito anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Me pediram para sacar R$ 5 mil e entregar o dinheiro&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;O que me ofereceram foi: &#8216;voc\u00ea s\u00f3 tem que ir l\u00e1, sacar o cheque, pegar o dinheiro e me entregar. Voc\u00ea vai ganhar uma di\u00e1ria de servi\u00e7o. Depois a gente te deixa no mesmo local em que te pegou&#8217;. Eu perguntei se aquilo ia dar problema para a gente. Disseram que n\u00e3o, que era dinheiro de elei\u00e7\u00e3o mesmo, dinheiro de patrocinadores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O relato acima \u00e9 de uma pessoa contratada pela campanha da candidata a deputada estadual Livian Merlino, do PRB do Rio de Janeiro, que teve apenas 612 votos. Segundo informa\u00e7\u00f5es prestadas \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, essa pessoa teria realizado servi\u00e7os de cabo eleitoral e recebido R$ 5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pessoa, que preferiu n\u00e3o se identificar, diz que n\u00e3o foi cabo eleitoral de Merlino e n\u00e3o recebeu R$ 5 mil. A hist\u00f3ria verdadeira seria bem diferente: oito moradores de Fragoso, bairro do munic\u00edpio fluminense de Mag\u00e9, teriam sido contratados para uma di\u00e1ria de servi\u00e7o. A tarefa: ir at\u00e9 um banco e sacar cheques.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, em 30 de agosto, o grupo teria sido transportado em dois carros at\u00e9 uma ag\u00eancia da Caixa Econ\u00f4mica, localizada em outro munic\u00edpio da Regi\u00e3o Metropolitana do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1, teriam recebido cheques no valor de R$ 5 mil cada um. Usando seus nomes e CPFs, sacaram o dinheiro. Em seguida, teriam entregue os valores para um suposto representante da campanha de Merlino, presente no dia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13911\/production\/_105954108_urna4_elza-fiuza_agbr.jpg\" alt=\"Urna eletr\u00f4nica\"\/><figcaption>Image captionO gasto com cabos eleitorais foi o que mais cresceu de 2014 para 2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao final, ainda de acordo com o relato, as pessoas teriam sido levadas de volta ao bairro Fragoso e sido pagas por uma di\u00e1ria de servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os detalhes do relato feito \u00e0 BBC coincidem exatamente com o extrato banc\u00e1rio da conta de campanha de Merlino. No dia 30 de agosto, de fato, est\u00e3o registrados oito saques de cheques no valor de R$ 5 mil cada. Os nomes das pessoas que fizeram os saques, tamb\u00e9m registrados no extrato banc\u00e1rio, s\u00e3o os mesmos relatados para a reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, uma segunda pessoa, que aparece no extrato banc\u00e1rio como tendo sacado o cheque naquele dia, afirmou \u00e0 reportagem que n\u00e3o prestou servi\u00e7o para a campanha de Merlino e que nem sequer conhece a candidata: &#8220;Em nenhum momento eu fiz campanha pol\u00edtica. Em momento algum ouvi falar dessa Livian. \u00c9 candidata do meu munic\u00edpio?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados com a presta\u00e7\u00e3o de contas entregue \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral e\u00a0dispon\u00edvel no sistema do TSE, Merlino recebeu R$ 355 mil de verba p\u00fablica nas elei\u00e7\u00f5es &#8211; a maior parte vinda do Fundo Eleitoral. Ao todo, gastou R$ 100 mil com 17 contrata\u00e7\u00f5es de cabos eleitorais &#8211; na m\u00e9dia, R$ 5,9 mil por pessoa, bem acima da m\u00e9dia fluminense, de R$ 760.<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC News Brasil encontrou outra poss\u00edvel irregularidade na campanha de Merlino.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados declarados \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, o microempreendedor Thiago Mine Sanches recebeu R$ 45 mil para fazer publicidade por materiais impressos da candidata &#8211; de acordo com os dados, foi a \u00fanica campanha para a qual Sanches foi contratado. Ele, por\u00e9m, disse que n\u00e3o lembrava o nome do candidato para o qual havia trabalhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, consultou um amigo para lembrar: &#8220;Eu fiz um trabalho para um pol\u00edtico, s\u00f3 que eu n\u00e3o lembrava o nome dele. Foi por meio de um amigo meu. O pol\u00edtico estava querendo saber de um designer que fizesse campanha para ele. O nome do pol\u00edtico \u00e9 Livian, eu fiz para o Livian&#8221;, declarou Sanches, sempre tratando a candidata no masculino. A reportagem pediu para ver os materiais impressos que teriam sido produzidos, mas n\u00e3o foi atendida.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pela BBC News Brasil por telefone, Livian Merlino n\u00e3o quis responder \u00e0s perguntas sobre as poss\u00edveis irregularidades.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o PRB afirmou, via nota, que &#8220;seria humanamente imposs\u00edvel administrar cada candidatura em cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal&#8221;. A legenda diz ainda que aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o responsabilizando os candidatos pelo uso do dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/173A9\/production\/_105954159_urna-tse-sede.jpg\" alt=\"Sede do TSE em Bras\u00edlia\"\/><figcaption>Image captionO TSE (foto) e os TREs dos Estados n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de analisar todas as presta\u00e7\u00f5es de contas, diz advogado eleitoral<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;N\u00e3o trabalhei em campanha e n\u00e3o conhe\u00e7o esse candidato&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o trabalhei nas elei\u00e7\u00f5es. Nem me envolvo em pol\u00edtica nenhuma, porque n\u00e3o gosto. Nunca me envolvi, nem vou me envolver. Pode investigar. E n\u00e3o conhe\u00e7o essa candidata, nunca ouvi falar&#8221;, diz Vargas, o catarinense citado no in\u00edcio da reportagem, dono de uma lanchonete em Lages (SC).<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, para a Justi\u00e7a Eleitoral, Vargas recebeu R$ 20 mil de recursos p\u00fablicos por &#8220;atividades de milit\u00e2ncia e mobiliza\u00e7\u00e3o de rua&#8221; nas elei\u00e7\u00f5es de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>O servi\u00e7o teria sido feito para uma das candidatas a deputada federal menos votada em Santa Catarina, com apenas 302 votos: Denise Borges, do partido Podemos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sou um pouco careca. Mas o pouco de cabelo que tenho ficou em p\u00e9 com essa hist\u00f3ria. Eu quero descobrir o que aconteceu&#8221;, diz Vargas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16021\/production\/_105954109_urna-lona-tse.jpg\" alt=\"Urna de lona\"\/><figcaption>Image captionCabos eleitorais s\u00e3o figuras antigas das campanhas no Brasil: existem desde antes da urna de lona<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O extrato banc\u00e1rio da campanha de Denise Borges mostra que os R$ 20 mil foram depositados em uma conta com numera\u00e7\u00e3o id\u00eantica a uma conta de Vargas &#8211; segundo ele pr\u00f3prio confirmou \u00e0 reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, de acordo com Vargas, trata-se de uma conta banc\u00e1ria que ele n\u00e3o costuma usar. &#8220;Eu quero saber como esse dinheiro apareceu (na minha conta), quem pegou e que pol\u00edtica \u00e9 essa que eu n\u00e3o conhe\u00e7o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Vargas, Denise Borges afirmou para a Justi\u00e7a Eleitoral que contratou outras 22 pessoas para realizarem servi\u00e7os de milit\u00e2ncia. Os pagamentos somaram, no total, R$ 231 mil &#8211; tudo dinheiro p\u00fablico. Na m\u00e9dia, R$ 9.100 por pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior pagamento feito pela campanha de Denise Borges a um cabo eleitoral, segundo a presta\u00e7\u00e3o de contas da candidata, foi para o empres\u00e1rio Andr\u00e9 Fernando Schneider, de Nova Itaberaba (SC): R$ 33 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro momento, Schneider disse que n\u00e3o conhecia a candidata. &#8220;N\u00e3o recebi n\u00e3o. N\u00e3o participei da campanha. N\u00e3o conhe\u00e7o essa candidata. Vou procurar um advogado para saber de onde est\u00e1 surgindo isso&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, no dia seguinte, depois da reportagem procurar a campanha de Denise Borges, Schneider mudou de vers\u00e3o. Declarou que havia distribu\u00eddo panfletos da candidata no Oeste de Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser comunicado que o valor de R$ 33 mil havia sido um dos maiores pagos para esse tipo de servi\u00e7o em todo o Brasil, segundo as presta\u00e7\u00f5es de contas declaradas \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, Schneider acrescentou: &#8220;Rapaz! \u00c9? Na verdade, eu acabei em negativo, para voc\u00ea ter uma ideia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha de Denise Borges foi coordenada pelo seu marido, Bruno Borges dos Santos \u2013 que recebeu R$ 28,7 mil pelo servi\u00e7o, pagos com recurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado pela reportagem, Bruno Borges argumenta que n\u00e3o houve irregularidades nas despesas eleitorais da candidata Denise. Em sua defesa, disse que o dinheiro foi de fato depositado nas contas dos cabos eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu fico surpreso das pessoas falarem que n\u00e3o fizeram campanha para a Denise. Eu me sinto at\u00e9 enganado, porque a pessoa foi paga para isso. Eu estou t\u00e3o surpreso quanto voc\u00ea&#8221;, declarou Bruno Borges. Disse ainda que iria procurar mais informa\u00e7\u00f5es e voltaria a falar com a reportagem, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pela BBC News Brasil para comentar, a deputada federal Renata Abreu (S\u00e3o Paulo), presidente nacional do Podemos, afirmou que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fiscalizar tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um problema\u00e7o. Uma vez que voc\u00ea repassa (o dinheiro do fundo), \u00e9 imposs\u00edvel controlar a campanha de cada pessoa, n\u00e9?&#8221;, diz , \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Paguei v\u00e1rias pessoas, comprei carneiro&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2018, a campanha de Claudio Cajado, deputado federal reeleito pelo PP da Bahia, foi a que mais contratou cabos eleitorais por valores a partir de R$ 10 mil, segundo as presta\u00e7\u00f5es de contas das elei\u00e7\u00f5es. Foram 73 pessoas, totalizando quase R$ 1 milh\u00e3o (R$ 998 mil) em dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2B89\/production\/_105954111_claudiocajado-agcd.jpg\" alt=\"Deputado Claudio Cajado\"\/><figcaption>Image captionUm dos cabos eleitorais do deputado Claudio Cajado (PP-BA) disse n\u00e3o se lembrar de ter trabalhado na campanha<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um desses supostos cabos eleitorais, por\u00e9m, disse para a BBC News Brasil que n\u00e3o se recordava de ter trabalhado na campanha de 2018. &#8220;Eu n\u00e3o estou lembrada, n\u00e3o. Qual foi o candidato?&#8221;, disse Aracy Scalzer Lopes Correia, que teria sido contratada para fazer servi\u00e7os de milit\u00e2ncia na regi\u00e3o de Itanh\u00e9m (BA) por R$ 5.650.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu tenho que analisar. Eu tenho que ver a situa\u00e7\u00e3o de um partido, como est\u00e1&#8221;, continuou Aracy, que dirige um centro esp\u00edrita na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Jamil Bastos Souza, que aparece na presta\u00e7\u00e3o de contas de Cajado como cabo eleitoral em Ipir\u00e1 (BA), confirma que trabalhou na campanha do deputado, por R$ 16,5 mil. Teria sido chamado por j\u00e1 trabalhar para o presidente da C\u00e2mara de Vereadores local &#8211; ele pr\u00f3prio tamb\u00e9m contratado como cabo eleitoral pela campanha de Cajado, pelo mesmo valor, R$ 16,5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Souza, por\u00e9m, disse que usou o dinheiro que recebeu para subcontratar outros cabos eleitorais: &#8220;N\u00e3o foi s\u00f3 para mim, eram v\u00e1rias pessoas trabalhando. Eu levava o pessoal nos carros para as zonas rurais. Cada pessoa eu pagava em m\u00e9dia R$ 50 por dia, R$ 200 por semana. Chegando l\u00e1, tinha que dar comida. Eu comprava um carneiro e fazia um churrasco para o pessoal, entendeu?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Souza informou ainda que n\u00e3o tem comprovantes dos pagamentos feitos a essas outras pessoas &#8211; o que, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, \u00e9 irregular, pois os pagamentos precisam estar discriminados a cada pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode pagar para um l\u00edder de cabos eleitorais para ele ficar repassando dinheiro. A presta\u00e7\u00e3o de contas tem que dizer quem recebeu, detalhar com quem gastou&#8221;, explica o advogado eleitoral Daniel Falc\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu, como pessoa f\u00edsica, n\u00e3o posso ser intermedi\u00e1rio, subcontratar outras pessoas. Isso \u00e9 uma irregularidade que precisa ser apurada. Pode configurar tentativa de oculta\u00e7\u00e3o do prestador real do servi\u00e7o&#8221;, analisa Tony Chalita, tamb\u00e9m advogado especializado em direito eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Na presta\u00e7\u00e3o de contas de Claudio Cajado, a BBC News Brasil identificou ainda pagamentos elevados a funcion\u00e1rios p\u00fablicos com cargas semanais de 40 horas, para trabalharem como cabos eleitorais. Um desses casos \u00e9 o da professora Hernilia Pereira Coelho Marques, que recebeu R$ 15 mil para ser cabo eleitoral em Maiquinique (BA) &#8211; munic\u00edpio a 54 quil\u00f4metros de Itapetinga, onde fica a escola e a casa de Marques.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela lei, servidores p\u00fablicos podem atuar em campanhas eleitorais, desde que fora do hor\u00e1rio de trabalho e sem se valer do &#8220;status&#8221; do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu consegui conciliar (com o trabalho de professora na escola) porque Maiquinique \u00e9 pertinho, eu ia e voltava. Quando eu tinha dia de folga, final de semana&#8230; e eu trabalhava em parceria com meu esposo&#8221;, explicou Marques.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado pela reportagem, Claudio Cajado disse por meio de sua assessoria de imprensa que as contas de campanha do ent\u00e3o candidato foram aprovadas pelo Tribunal Regional da Bahia. Al\u00e9m disso, declarou que os contratos com cabos eleitorais foram feitos para o per\u00edodo de 2 meses e meio e &#8220;inclu\u00edram despesas com ve\u00edculos, alimenta\u00e7\u00e3o, combust\u00edvel, hospedagem, material gr\u00e1fico, manuten\u00e7\u00e3o de comit\u00ea eleitoral&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A BBC News Brasil tamb\u00e9m procurou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (Piau\u00ed), mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FE79\/production\/_105954156_plenario-camara-agcd.jpg\" alt=\"Plen\u00e1rio da C\u00e2mara\"\/><figcaption>Image captionO Fundo Eleitoral foi criado em 2017 pelo Congresso e sancionado em cima da hora pelo ex-presidente Michel Temer (MDB)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dificuldade de fiscaliza\u00e7\u00e3o do uso do dinheiro p\u00fablico<\/h2>\n\n\n\n<p>Especialistas e autoridades eleitorais explicam que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fiscalizar a contrata\u00e7\u00e3o de cabos eleitorais com dinheiro p\u00fablico. Os candidatos podem pagar o quanto quiserem pelo trabalho, sem a necessidade de comprovar que o servi\u00e7o foi feito. Podem, inclusive, contratar parentes &#8211; o que, no \u00e2mbito da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 proibido.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das poucas regras estabelece que o dinheiro p\u00fablico n\u00e3o utilizado pelas campanhas deve ser devolvido ao Tesouro, com corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou \u00e0 BBC News Brasil que ainda n\u00e3o sabe quanto foi devolvido nas elei\u00e7\u00f5es 2018. Segundo especialistas, notas fiscais e recibos elevados para pagar cabos eleitorais pode ser uma forma de evitar a devolu\u00e7\u00e3o do dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0 medida que um candidato recebe um bolo de dinheiro muito grande, vindo do Estado, para gastar da forma que quiser, sem requisitos maiores de transpar\u00eancia e sem uma fiscaliza\u00e7\u00e3o pesada, isso facilita o mau uso dos recursos&#8221;, diz Bruno Carazza, especialista em financiamento eleitoral no Brasil e autor do livro&nbsp;<em>Dinheiro, Elei\u00e7\u00f5es e Poder<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais dificuldades para fiscalizar a aplica\u00e7\u00e3o do dinheiro \u00e9 o volume de informa\u00e7\u00f5es. Em 2018, por exemplo, foram declaradas 1,5 milh\u00e3o de despesas, com 830 mil fornecedores diferentes. &#8220;A Justi\u00e7a Eleitoral jamais ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de fazer uma an\u00e1lise minuciosa de todas as presta\u00e7\u00f5es de contas&#8221;, diz o advogado eleitoral Daniel Falc\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente precisa pensar em um sistema eleitoral que demande menos dinheiro. E precisamos investigar o uso do dinheiro p\u00fablico nas elei\u00e7\u00f5es, com uma for\u00e7a-tarefa dos \u00f3rg\u00e3os de controle &#8211; Justi\u00e7a Eleitoral, Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, Receita Federal, Minist\u00e9rio P\u00fablico\u2026&#8221;, opina Carazza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EAF1\/production\/_105954106_brazilian-reais.jpg\" alt=\"Moedas de real\"\/><figcaption>Image captionEm m\u00e9dia, um cabo eleitoral ganhou R$ 923 no Brasil em 2018. Mas h\u00e1 um grupo de 107 pessoas que teria recebido mais de R$ 20 mil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como funciona a an\u00e1lise das contas eleitorais<\/h2>\n\n\n\n<p>Candidatos podem usar o dinheiro do Fundo Eleitoral para fazer campanha como quiserem: com cabos eleitorais, impress\u00e3o de &#8220;santinhos&#8221;, impulsionando publica\u00e7\u00f5es em redes sociais, alugando carros. Mas a presta\u00e7\u00e3o de contas precisa refletir os verdadeiros gastos feitos pelo candidato ou partido.<\/p>\n\n\n\n<p>O TSE \u00e9 respons\u00e1vel apenas pela an\u00e1lise das contas dos candidatos a presidente. Candidatos a todos os outros cargos s\u00e3o de responsabilidade dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado eleitoral Daniel Falc\u00e3o explica que a Justi\u00e7a Eleitoral costuma priorizar a an\u00e1lise das contas dos candidatos que foram eleitos. &#8220;Quem foi eleito precisa ter suas contas julgadas at\u00e9 dezembro daquele ano, para poder tomar posse. Os demais costumam ficar para depois&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no caso dos candidatos n\u00e3o eleitos, a an\u00e1lise das contas eleitorais \u00e9 feita de forma automatizada, apenas para checar inconsist\u00eancias formais nas presta\u00e7\u00f5es de contas &#8211; falta de recibos, soma incorreta de valores, etc. Isso torna mais dif\u00edcil descobrir irregularidades, dizem especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o desembargador eleitoral Flavio Britto, do TRE do Distrito Federal, a Justi\u00e7a Eleitoral n\u00e3o tem inger\u00eancia sobre a forma como os partidos e candidatos conduzem suas campanhas &#8211; n\u00e3o cabe a ela dizer, por exemplo, se o dinheiro gasto com um cabo eleitoral, um advogado ou um publicit\u00e1rio \u00e9 excessivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Presta\u00e7\u00f5es de contas precisam ser feitas com transpar\u00eancia e seriedade, sob pena de existirem investiga\u00e7\u00f5es criminais depois&#8221;, diz Britto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3F11\/production\/_105954161_joesley-ag_br-rovena_rosa.jpg\" alt=\"Joesley Batista\"\/><figcaption>Image captionDoa\u00e7\u00f5es de empresas foram usadas para pagar propina, disse o delator Joesley Batista (foto), da JBS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em fevereiro, casos de mau uso de verbas p\u00fablicas nas elei\u00e7\u00f5es, apontados pelo jornal Folha de S.Paulo, foram o piv\u00f4 da queda do ex-ministro Gustavo Bebbiano do comando da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a queda de Bebianno, o senador Major Ol\u00edmpio (PSL-SP) apresentou um projeto para extinguir o Fundo Eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A lei n\u00e3o tem par\u00e2metro nenhum para distribui\u00e7\u00e3o desse dinheiro, o \u00fanico par\u00e2metro \u00e9 30% para mulheres. A\u00ed voc\u00ea tem visto em v\u00e1rios partidos, inclusive no meu, questionamentos e investiga\u00e7\u00f5es sobre candidaturas laranjas&#8221;, declarou Ol\u00edmpio em entrevista \u00e0 TV Senado.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Lages (SC), Laurindo Alves Vargas ficou surpreso: &#8220;R$ 20 mil? Se eu tivesse ganhado um dinheiro desse, eu estava tranquilo. N\u00e3o trabalhei nas elei\u00e7\u00f5es, nem me envolvo em\u00a0pol\u00edtica\u00a0nenhuma&#8221;. Em Mag\u00e9 (RJ), uma pessoa relatou sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato: &#8220;O que me ofereceram foi: &#8216;voc\u00ea s\u00f3 tem que ir l\u00e1, sacar o cheque (de R$ [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6267,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[],"class_list":{"0":"post-6266","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-curiosidades"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/bbc-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6266"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6266"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6268,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6266\/revisions\/6268"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}