{"id":5837,"date":"2019-04-10T19:57:52","date_gmt":"2019-04-10T22:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=5837"},"modified":"2019-04-10T19:57:54","modified_gmt":"2019-04-10T22:57:54","slug":"o-lado-oculto-do-carvao-cinzas-toxicas-contaminam-agua-e-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/10\/o-lado-oculto-do-carvao-cinzas-toxicas-contaminam-agua-e-pessoas\/","title":{"rendered":"O lado oculto do carv\u00e3o: cinzas t\u00f3xicas contaminam \u00e1gua e pessoas"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 22 de dezembro de 2018, dez anos ap\u00f3s o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/tn\/epa-response-kingston-tva-coal-ash-spill\">rompimento de uma conten\u00e7\u00e3o em uma usina de energia da Tennessee Valley Authority<\/a>&nbsp;pr\u00f3ximo a Kingston, Tennessee, que resultou no derramamento de mais de 3,7 bilh\u00f5es de litros de cinzas de carv\u00e3o t\u00f3xicas no Rio Emory, a TVA publicou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tennessean.com\/story\/news\/crime\/2019\/01\/06\/tva-still-doing-business-contractor-accused-poisoning-coal-ash-workers\/2456973002\/\">um an\u00fancio de p\u00e1gina inteira<\/a>&nbsp;no jornal local parabenizando a si mesma e as empresas contratadas pelo sucesso do trabalho de limpeza. Naquele mesmo dia, cerca de 150 dos trabalhadores que realmente estiveram envolvidos na limpeza do derramamento se reuniram no local, que atualmente \u00e9 um parque com trilhas, acesso para barcos e campos esportivos. Vestindo cal\u00e7as jeans e botas, e reunidos pr\u00f3ximo a uma cruz de madeira, eles homenagearam um outro aspecto da limpeza: os 36 colegas de trabalho que morreram de c\u00e2ncer no c\u00e9rebro, c\u00e2ncer no pulm\u00e3o, leucemia e outras doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos sobreviventes andavam com bengalas. A maioria apresentava bolhas na pele causadas pelo ars\u00eanico. Quase todos carregaram inaladores em seus bolsos. O an\u00fancio publicado pela TVA n\u00e3o mencionava esses trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/15_kingston_i8996_181223_08980.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mais de 900 trabalhadores limparam o derramamento das cinzas de carv\u00e3o na usina de Kingston, que \u00e9 operada pela Tennessee Valley Authority; mais de 200 processaram a Jacobs Engineering, a empresa contratada para realizar a limpeza. Doug Bledsoe \u00e9 um deles: ele foi recentemente diagnosticado com c\u00e2ncer no c\u00e9rebro e no pulm\u00e3o, logo ap\u00f3s sua mulher ter lutado contra o c\u00e2ncer de mama.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/09_kingston_i8996_181220_00455.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Frankie Norris mostra as feridas que ainda tem e que apareceram logo ap\u00f3s ele ter come\u00e7ado a trabalhar nas opera\u00e7\u00f5es de limpeza h\u00e1 uma d\u00e9cada. Ele e outros trabalhadores dizem que lhes foi negado o uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo de simples m\u00e1scaras faciais.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 200 pessoas envolvidas na limpeza e seus familiares est\u00e3o processando a principal empresa contratada pela TVA, a Jacobs Engineering, por se recusar a fornecer equipamentos de prote\u00e7\u00e3o e por ter debilitado os trabalhadores e, em alguns casos, causado doen\u00e7as mortais. Em novembro passado, eles ganharam a primeira fase do processo: um juiz federal entendeu que a Jacobs deixou de proteger os trabalhadores e que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s cinzas de carv\u00e3o foi respons\u00e1vel pelas doen\u00e7as apresentadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo que o mundo dirige sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0s emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono provenientes da queima do carv\u00e3o, uma das principais causas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o derramamento de Kingston e suas consequ\u00eancias trazem \u00e0 tona um problema bem mais urgente: o que fazer com as milh\u00f5es de toneladas de cinzas de carv\u00e3o acumuladas nos 1,4 mil aterros e lagoas n\u00e3o impermeabilizados ao redor dos EUA. A maior parte desses locais est\u00e1 localizada pr\u00f3ximo a lagos ou rios ou acima de aqu\u00edferos de \u00e1gua doce que abastecem as comunidades da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O epis\u00f3dio envolvendo 4,1 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de sedimento respons\u00e1veis por romper uma barragem de cerca de 17 metros em Kingston representa o maior derramamento industrial da hist\u00f3ria do pa\u00eds, com magnitude quase dez vezes maior do que o derramamento de \u00f3leo na plataforma Deepwater Horizon dois anos depois no Golfo do M\u00e9xico. A onda de cinzas \u00famidas atingiu cerca de 300 acres ao redor da usina e dezenas de casas na pequena comunidade de Swan Pond, antes de transformar boa parte dos Rios Emory, Clinch e Tennessee, bem como partes da Represa Watts Bar, em um grande dep\u00f3sito de l\u00edquido acinzentado.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tva.gov\/Energy\/Our-Power-System\/Coal\/Kingston-Fossil-Plant\">Usina de Combust\u00edveis F\u00f3sseis de Kingston<\/a>&nbsp;da TVA, constru\u00edda em 1955, foi a maior usina termoel\u00e9trica a carv\u00e3o do mundo por mais de uma d\u00e9cada, e ainda queima 14 mil toneladas de carv\u00e3o pulverizado, ou o equivalente \u00e0 carga de 140 vag\u00f5es por dia. Cerca de 10% do carv\u00e3o, a parte n\u00e3o combust\u00edvel, se tornam cinzas \u2014 cinzas volantes finas que se acumulam nos filtros das chamin\u00e9s e cinzas de fundo mais grossas, bem como res\u00edduos das caldeiras que s\u00e3o removidos das fornalhas da usina. As cinzas constituem uma combina\u00e7\u00e3o de argila, quartzo e outros minerais fundidos, pelo calor do fogo, em min\u00fasculos gr\u00e2nulos parecidos com vidro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/24_kingston_i8996_181222_06421.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os sobreviventes se reuniram para homenagear os 36 colegas de trabalho que morreram de c\u00e2ncer e outras doen\u00e7as. Os trabalhadores envolvidos na limpeza foram cronicamente expostos a finas part\u00edculas de cinzas de carv\u00e3o no ar que continham metais pesados t\u00f3xicos.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, elas tamb\u00e9m concentram dezenas de metais pesados naturalmente presentes, incluindo&nbsp;<a href=\"https:\/\/ehs.duke.edu\/2018\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/09\/Kravchenko_Coal-Ash.pdf\">carcin\u00f3genos e toxinas conhecidos<\/a>, como ars\u00eanico, c\u00e1dmio, chumbo, van\u00e1dio, cr\u00f4mio, bem como ur\u00e2nio radioativo e rad\u00f4nio. Esses metais s\u00e3o as principais amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade encontradas nas cinzas de carv\u00e3o. At\u00e9 mesmo sem nenhum derramamento catastr\u00f3fico, essas subst\u00e2ncias podem sofrer lixivia\u00e7\u00e3o e contaminar \u00e1guas subterr\u00e2neas. Ligados a finas part\u00edculas da cinza, os metais pesados podem estar presentes no ar, entrando na pele e nas narinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas part\u00edculas de cinza de carv\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o finas \u2014 menos de 2,5 micra de di\u00e2metro, equivalente ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/pm-pollution\/particulate-matter-pm-basics\">di\u00e2metro de um fio de cabelo humano dividido por 30<\/a>&nbsp;\u2014 que podem ser totalmente aspiradas pelos pulm\u00f5es e se tornarem um perigo \u00e0 sa\u00fade, at\u00e9 mesmo sem nenhuma subst\u00e2ncia t\u00f3xica. O PM 2,5, como algumas dessas part\u00edculas s\u00e3o conhecidas, tamb\u00e9m pode ser encontrado em neblina com fuma\u00e7a, fuma\u00e7a e produto do escapamento de autom\u00f3veis, e s\u00e3o conhecidas por causar&nbsp;<a href=\"https:\/\/ehs.duke.edu\/2018\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2018\/09\/Kravchenko_Coal-Ash.pdf\">diversas doen\u00e7as respirat\u00f3rias e cardiovasculares<\/a>, al\u00e9m de representarem causa significativa de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/28696208\">mortalidade global<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/10_kingston_i8996_181222_07802.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sessenta e tr\u00eas anos ap\u00f3s sua abertura e dez anos ap\u00f3s o desastroso derramamento, a Usina de Combust\u00edveis F\u00f3sseis de Kingston ainda queima 14 mil toneladas de carv\u00e3o por dia e produz cerca de 1,4 mil toneladas de cinzas de carv\u00e3o.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A TVA deu ao meu marido uma senten\u00e7a de morte&#8221;, diz Janie Clark, cujo marido Ansol Clark foi respons\u00e1vel por construir a cruz da cerim\u00f4nia de homenagem no \u00faltimo m\u00eas de dezembro. &#8220;Eles lhe causaram uma doen\u00e7a sangu\u00ednea incur\u00e1vel e destru\u00edram seu cora\u00e7\u00e3o. Esse estado e esse pa\u00eds carregam esse segredo obscuro, as cinzas de carv\u00e3o, por muito tempo. Ele precisa ser revelado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Seguro como areia?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tempos, as empresas de energia afirmam que as cinzas de carv\u00e3o s\u00e3o seguras como areia (que \u00e9 composta em sua maior parte de di\u00f3xido de silicone com part\u00edculas bem mais grossas do que as das cinzas) e que as concentra\u00e7\u00f5es de tra\u00e7os de toxinas n\u00e3o s\u00e3o muito mais altas do que os n\u00edveis naturais encontrados no solo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No seu quintal, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea tenha de 20 a 50 partes por milh\u00e3o (ppm) de ars\u00eanico, dependendo de onde voc\u00ea mora&#8221;, afirma John Kammeyer, vice-presidente de projetos civis na TVA, que ficou \u00e0 cargo dos trabalhos de limpeza. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o come a sujeira do seu quintal pelo fato de ela possuir ars\u00eanico. Os padr\u00f5es para \u00e1gua pot\u00e1vel s\u00e3o de cerca de 10 ppm. Nas cinzas de carv\u00e3o de Kingston, s\u00e3o 70 ppm, mas n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que parte delas tenha contaminado a \u00e1gua pot\u00e1vel. O Oak Ridge National Laboratory, a EPA e Vanderbilt testaram as aves e peixes para verificar a exist\u00eancia de qualquer impacto. Eles conclu\u00edram que n\u00e3o prejudicamos ningu\u00e9m&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/12_kingston_i8996_181220_01170.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ansol Clark foi um dos primeiros a chegar ao local em 22 de dezembro de 2008. Ele sofre de insufici\u00eancia card\u00edaca congestiva e tem um tipo raro de c\u00e2ncer que pode ter sido causado pela radia\u00e7\u00e3o das cinzas, que cont\u00eam ur\u00e2nio e rad\u00f4nio.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto os trabalhadores envolvidos na limpeza de Kingston foram fortemente expostos a cinzas no ar. Mais de 900 pessoas trabalharam no local entre 2008 e 2015, operando dragas gigantes, p\u00e1s carregadeiras, escavadeiras e outros equipamentos para remover as cinzas do rio, sec\u00e1-las em canteiros e envi\u00e1-las em vag\u00f5es a um aterro impermeabilizado pr\u00f3ximo a Uniontown, no estado de Alabama.<\/p>\n\n\n\n<p>Ansol Clark foi um dos primeiros a chegar no local em 22 de dezembro de 2008. Motorista profissional de caminh\u00e3o, 57 anos de idade, ele havia acabado de receber um atestado de sa\u00fade do m\u00e9dico do Minist\u00e9rio do Transporte. Durante os cinco anos seguintes, ele trabalhou como motorista de caminh\u00e3o-tanque no local, chegando a cumprir 15 horas por dia, normalmente sete dias por semana, mantendo todos os ve\u00edculos e m\u00e1quinas funcionando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s dois anos, ele come\u00e7ou a apresentar problemas respirat\u00f3rios, coriza e tosse. Posteriormente, passou a sentir epis\u00f3dios de mal-estar. Um dia, acordou para ir ao trabalho e desmaiou no ch\u00e3o do quarto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9dicos disseram que ele tinha arritmia, que seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava recebendo oxig\u00eanio suficiente. Eles lhes prescreveram um rem\u00e9dio e ele voltou ao trabalho. Ent\u00e3o, come\u00e7ou a apresentar epis\u00f3dios de desmaio. No fim, foi diagnosticado com insufici\u00eancia card\u00edaca congestiva. Alguns meses ap\u00f3s ter precisado pedir demiss\u00e3o, ele sofreu um grave derrame. Ele se recuperou, mas foi diagnosticado com policitemia vera, um tipo raro de c\u00e2ncer no sangue. Os m\u00e9dicos disseram que provavelmente a doen\u00e7a tenha sido&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.mpnresearchfoundation.org\/Polycythemia-Vera-28PV-29\">causada por radia\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;proveniente das cinzas.Tommy Johnson, visto aqui com sua esposa Betty em sua casa em Knoxville, foi outra v\u00edtima. Ele sofre de tosse cr\u00f4nica e falta de ar.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Depois que a Jacobs assumiu [o processo de limpeza] ap\u00f3s tr\u00eas meses, eles come\u00e7aram a nos dizer que tudo era seguro&#8221;, conta Clark, que agora est\u00e1 com 67 anos. &#8220;E trabalhamos em meio a um nevoeiro azul por meses. Quando come\u00e7amos a formar pilhas de cinzas e o p\u00f3 come\u00e7ou a se espalhar, eles disseram que era p\u00f3len. Tome alguma coisa para alergia e voc\u00ea ficar\u00e1 bem em uma semana. Eles diziam que poder\u00edamos ingerir um quilo de cinzas por dia que n\u00e3o seria prejudicial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos colegas de trabalho de Clark tiveram experi\u00eancias semelhantes. Frankie Norris, de Albany, Kentucky, tinha 47 anos quando come\u00e7ou a operar escavadeiras, p\u00e1 carregadeiras e caminh\u00f5es-tanque no local. Ap\u00f3s seis meses, ele come\u00e7ou a ter problemas para usar o banheiro. Sua press\u00e3o sangu\u00ednea foi \u00e0s alturas e ele teve feridas de queimadura na pele. Ap\u00f3s quatro anos, ele foi demitido devido \u00e0s suas doen\u00e7as. Em 2016, ele teve perfura\u00e7\u00e3o do c\u00f3lon, tendo ficado na UTI por 19 dias, onde quase morreu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi o p\u00f3? Com certeza sim&#8221;, afirma Norris. &#8220;Toda vez que fre\u00e1vamos as m\u00e1quinas, uma nuvem de p\u00f3 se formava bem na nossa frente. Eu ficava constantemente coberto de p\u00f3 por 10 a 12 horas por dia.Eu e outros trabalhadores solicitamos m\u00e1scara respirat\u00f3ria. Eles disseram que n\u00e3o iriam fornecer. O cara da seguran\u00e7a nos disse que ser\u00edamos despedidos apenas por solicitar uma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Norris diz que pensou em pedir demiss\u00e3o, mas ele tinha uma esposa e tr\u00eas filhos para sustentar. O pa\u00eds estava passando pela pior fase da recess\u00e3o e os trabalhos de limpeza pagavam mais de US$20 por hora. Havia gente fazendo fila por essa vaga.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu precisava do emprego&#8221;, conta Norris. &#8220;Eu queria poder pagar a escola dos meus filhos. Mas n\u00e3o esperava que a TVA fosse nos matar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Esquecidos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A TVA, uma ag\u00eancia federal, n\u00e3o est\u00e1 atualmente envolvida&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.knoxnews.com\/story\/news\/crime\/2018\/11\/07\/verdict-reached-favor-sickened-workers-coal-ash-cleanup-lawsuit\/1917514002\/\">nos processos instaurados pelos trabalhadores<\/a>&nbsp;contra a Jacobs Engineering, embora possa ter alguma responsabilidade pelas custas legais de sua contratada, de acordo com seu pr\u00f3prio relat\u00f3rio anual de 2018. Durante o julgamento, diversos epidemiologistas confirmaram os impactos \u00e0 sa\u00fade dos componentes das cinzas de carv\u00e3o. De acordo com Barry Levy da Tufts University, especialista em sa\u00fade ambiental, apenas seis das toxinas presentes nas cinzas de carv\u00e3o de Kingston \u2014 part\u00edculas finas, ars\u00eanico, c\u00e1dmio, cr\u00f4mio, chumbo, van\u00e1dio e materiais radioativos naturalmente presentes \u2014 poderiam causar muitas das doen\u00e7as apresentadas pelo trabalhador.Em sua casa em Powell, Tennessee, Doug Bledsoe, que sofre de c\u00e2ncer no c\u00e9rebro e no pulm\u00e3o, segura uma sacola com seus medicamentos.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Est\u00e1 bem estabelecido que essas subst\u00e2ncias perigosas causam um grande n\u00famero de efeitos adversos \u00e0 sa\u00fade do homem&#8221;, escreveu Levy em seu relat\u00f3rio, &#8220;incluindo c\u00e2ncer, dist\u00farbios respirat\u00f3rios, dist\u00farbios neurol\u00f3gicos e diversas outras doen\u00e7as&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas o ars\u00eanico, por exemplo, demonstrou causar c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, c\u00e2ncer na bexiga e c\u00e2ncer de pele, entre muitas outras doen\u00e7as apresentadas pelos trabalhadores envolvidos na limpeza. A combina\u00e7\u00e3o de toxinas tamb\u00e9m pode ser mais perigosa do que as subst\u00e2ncias isoladas, de acordo com Levy. H\u00e1 mais de 20 toxinas nas cinzas de carv\u00e3o de Kingston.<\/p>\n\n\n\n<p>Documentos do processo demonstram que a TVA e a Jacobs solicitaram \u00e0 EPA que reduzisse os padr\u00f5es de seguran\u00e7a ocupacional; uma grava\u00e7\u00e3o oculta feita pelos trabalhadores demonstra os representantes da empresa violando monitores pessoais de ar e equipamentos de teste. Todas essas evid\u00eancias sugerem que a TVA e a Jacobs tentaram ocultar os perigos das cinzas de carv\u00e3o, afirma Jamie Satterfield, jornalista investigativa do&nbsp;<em>Knoxville News-Sentinel<\/em>&nbsp;que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tennessean.com\/staff\/10054034\/jamie-satterfield\/\">cobriu extensivamente a mat\u00e9ria<\/a>&nbsp;ao longo dos anos. O motivo, afirma ela, era convencer o p\u00fablico de que as cinzas de carv\u00e3o n\u00e3o eram uma amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi uma estrat\u00e9gia de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas&#8221;, afirma Satterfield. &#8220;O p\u00fablico ficou muito irritado. Houve muitas reuni\u00f5es e os pais perguntavam &#8216;Os meus filhos est\u00e3o em perigo?&#8217;. A TVA emitiu uma ordem clara \u00e0 Jacobs: primeiro, n\u00e3o deveria haver nenhuma cinza de carv\u00e3o em nenhum caminh\u00e3o ou maquin\u00e1rio que deixasse o local; ent\u00e3o eles constru\u00edram uma esp\u00e9cie de lava-r\u00e1pido de um milh\u00e3o de d\u00f3lares. Segundo, ningu\u00e9m deveria usar respiradores ou vestimentas de prote\u00e7\u00e3o Tyvek. O gerente da Jacobs disse \u00e0s pessoas para nem mesmo usarem m\u00e1scaras faciais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/16_kingston_i8996_181222_06063.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Jeff Brewer pr\u00f3ximo \u00e0 usina de Kingston no d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do derramamento. Como muitos trabalhadores envolvidos na limpeza, ele possui diversos problemas de sa\u00fade, que tiveram in\u00edcio quando come\u00e7ou a trabalhar com cinzas de carv\u00e3o todos os dias. &#8220;E eles nos disserem que n\u00e3o era prejudicial&#8221;, afirma ele.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;<\/strong>Esses trabalhadores s\u00e3o honestos e dedicados&#8221;, diz Satterfield, que entrevistou centenas deles. &#8220;Eles n\u00e3o sabiam nada sobre os perigos. Ap\u00f3s o derramamento, todos correram ao local, senadores, grupos ambientalistas, todos preocupados com o impacto na comunidade, e essas pessoas viram os trabalhadores de perto, que usavam camisetas, n\u00e3o tinham nenhum equipamento de prote\u00e7\u00e3o e estavam trabalhando com cinzas de carv\u00e3o todos os dias. Ningu\u00e9m prestou aten\u00e7\u00e3o neles&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem os oficiais da TVA, tampouco os funcion\u00e1rios da Jacobs comentam sobre os processos em andamento, embora, no tribunal, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.knoxnews.com\/story\/news\/crime\/2018\/11\/01\/kingston-coal-ash-spill-jacobs-engineering-lawsuit-toxic-tort\/1826002002\/\">Jacobs tenha negado qualquer irregularidade.<\/a>&nbsp;Kammeyer da TVA tamb\u00e9m negou quaisquer tentativas planejadas para ocultar os perigos das cinzas de carv\u00e3o. &#8220;N\u00e3o tenho conhecimento de nenhuma campanha [de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas]&#8221;, afirma ele. &#8220;Meus engenheiros colocaram c\u00e2meras para monitorar o ar e garantir que est\u00e1vamos atendendo as normas de qualidade do ar, mantendo o p\u00f3 em n\u00edveis reduzidos. Ent\u00e3o, sei que fizemos tudo certo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A TVA se&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.knoxnews.com\/story\/news\/crime\/2018\/11\/07\/verdict-reached-favor-sickened-workers-coal-ash-cleanup-lawsuit\/1917514002\/\">recusou em liberar quaisquer imagens gravadas<\/a>&nbsp;do local onde os servi\u00e7os de limpeza eram realizados, embora ativistas ambientais locais&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CyX5rEb4vqg\">tenham gravado um v\u00eddeo<\/a>&nbsp;de pelo menos uma grande tempestade de p\u00f3 durante a limpeza em 2009. O pr\u00f3prio inspetor geral independente da TVA, Richard Moore, criticou a ag\u00eancia por evitar transpar\u00eancia e responsabilidade como parte de sua estrat\u00e9gia jur\u00eddica ap\u00f3s o derramamento. Al\u00e9m disso, em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.powermag.com\/tva-oig-report-kingston-coal-spill-caused-by-bad-management-practices\/\">um relat\u00f3rio de 111 p\u00e1ginas<\/a>&nbsp;sobre a causa do derramamento emitido em 2009, Moore criticou a ag\u00eancia por &#8220;pr\u00e1ticas irrespons\u00e1veis relacionadas ao manejo de cinzas de carv\u00e3o&#8221; que levaram a diversos vazamentos e fissuras nas lagoas de cinzas da ag\u00eancia em 1980.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um gigantesco problema nacional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A TVA n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica com problemas envolvendo cinzas. Em fevereiro de 2014,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.powermag.com\/a-brief-history-of-u-s-coal-ash-since-the-kingston-spill\/\">uma galeria pluvial em uma lagoa de cinzas ativa h\u00e1 50 anos<\/a>, de propriedade da Duke Energy, desmoronou pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Eden, Carolina do Norte, despejando 39 mil toneladas de cinzas e 102 mil litros de \u00e1gua polu\u00edda no Rio Dan. Apenas uma fra\u00e7\u00e3o das cinzas foi recuperada e foram detectados contaminantes&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/enforcement\/case-summary-duke-energy-agrees-3-million-cleanup-coal-ash-release-dan-river#site\">112 quil\u00f4metros rio abaixo<\/a>.&nbsp;No ano passado, o Furac\u00e3o Florence&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.newsobserver.com\/news\/local\/article218718570.html\">inundou duas outras lagoas de cinzas da Duke Energy<\/a>&nbsp;na regi\u00e3o leste do estado da Carolina do Norte, resultando em despejos semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/29_kingston_i8996_181222_07898.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma cruz de madeira no local do derramamento de Kingston homenageia os trabalhadores envolvidos na limpeza que adoeceram e morreram.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por sorte, esses desastres s\u00e3o raros, mas pesquisadores afirmam que o maior problema \u00e9 a onipresen\u00e7a das cinzas de carv\u00e3o ao redor dos Estados Unidos. Embora sua participa\u00e7\u00e3o no&nbsp;<em>mix&nbsp;<\/em>de combust\u00edveis esteja diminuindo, o carv\u00e3o ainda&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.eia.gov\/tools\/faqs\/faq.php?id=427&amp;t=3\">gera quase 30%<\/a>&nbsp;da eletricidade dos Estados Unidos, gerando&nbsp;<a href=\"https:\/\/earthjustice.org\/features\/coal-ash-contaminated-sites\">mais de 100 milh\u00f5es de toneladas de cinzas<\/a>&nbsp;todos os anos \u2014 a maior fonte de res\u00edduos industriais s\u00f3lidos do pa\u00eds. H\u00e1 mais de mil aterros ativos de cinzas de carv\u00e3o nos Estados Unidos e centenas de locais de descarte j\u00e1 fechados. A maioria s\u00e3o grandes valas no ch\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o impermeabilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase 60% das cinzas de carv\u00e3o s\u00e3o recicladas, de acordo com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.acaa-usa.org\/\">Associa\u00e7\u00e3o Norte-Americana de Cinzas de Carv\u00e3o<\/a>&nbsp;(ACAA), gerando cerca de US$23 bilh\u00f5es em receita todos os anos para as empresas de energia. A maior parte \u00e9 destinada \u00e0 ind\u00fastria do concreto e cimento, mas as cinzas tamb\u00e9m s\u00e3o utilizadas em leitos rodovi\u00e1rios, como preenchimento sob a funda\u00e7\u00e3o de casas e campos de golfe, e at\u00e9 mesmo como forma de controle da neve ou fertilizante agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o derramamento de Kingston, grupos ambientais defendem que as cinzas de carv\u00e3o sejam regulamentadas como res\u00edduos perigosos. Mas as empresas de energia e a ACAA fazem press\u00e3o contra, argumentando que isso prejudicaria o mercado de reciclagem e geraria ainda mais cinzas de carv\u00e3o. Em vez disso, a EPA aprovou seu&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.epa.gov\/coalash\/coal-ash-rule\">primeiro regulamento sobre o armazenamento de cinzas de carv\u00e3o<\/a>, exigindo que todo novo aterro de cinzas seja impermeabilizado (embora aterros n\u00e3o impermeabilizados ainda possam ser utilizados) e que as empresas testem a \u00e1gua subterr\u00e2nea ao redor das lagoas de cinzas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_885\/public\/11_kingston_i8996_181222_07330.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Angie Shelton em sua casa em Decatur, Tennessee, em 22 de dezembro de 2018, no d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do derramamento das cinzas de carv\u00e3o. O marido de Shelton trabalhou na limpeza e posteriormente faleceu de c\u00e2ncer.FOTO DE&nbsp;<strong>MADDIE MCGARVEY, NATIONAL GEOGRAPHIC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados gerados pela ind\u00fastria foram divulgados em mar\u00e7o passado: eles revelaram contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.environmentalintegrity.org\/news\/trump-administrations-new-rule-weakens-toxic-coal-ash-pollution-safeguards\/\">95% dos locais testados<\/a>. As empresas de energia s\u00e3o obrigadas a realizar novos testes, limpar a contamina\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo fechar o local de descarte se os problemas persistirem. O governo Trump est\u00e1 agora&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.environmentalintegrity.org\/news\/trump-administrations-new-rule-weakens-toxic-coal-ash-pollution-safeguards\/\">tentando reverter<\/a>&nbsp;esses regulamentos, pois os considera muito pesados, permitindo que estados parem de monitorar as \u00e1guas subterr\u00e2neas, al\u00e9m de dispensarem outras exig\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de apenas uma toxina&#8221;, afirma Avner Vengosh,&nbsp;<a href=\"https:\/\/sites.nicholas.duke.edu\/avnervengosh\/\">geoqu\u00edmico da Duke University<\/a>&nbsp;que estudou os&nbsp;<a href=\"https:\/\/sites.nicholas.duke.edu\/avnervengosh\/duke-research-on-environmental-effects-of-coal-ash-disposal\/\">derramamentos de Kingston e do Rio Dan<\/a>. &#8220;\u00c9 um coquetel de ars\u00eanico, cobre, chumbo, sel\u00eanio, t\u00e1lio, antim\u00f4nio e outros metais em n\u00edveis mais altos do que os encontrados no estado natural. As pessoas acham que as cinzas de carv\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o um problema porque as empresas de energia est\u00e3o passando a utilizar g\u00e1s natural, que \u00e9 uma fonte de energia mais limpa. Mas o legado da produ\u00e7\u00e3o e do descarte das cinzas de carv\u00e3o ficar\u00e1 conosco por d\u00e9cadas. Esses contaminantes n\u00e3o s\u00e3o biodegrad\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jeff Brewer, 44 anos, de New Market, Tennessee, ele e seus colegas de trabalho envolvidos na limpeza das cinzas de carv\u00e3o foram apenas cobaias descart\u00e1veis. Quando come\u00e7ou a trabalhar na limpeza de Kingston, ele era um homem saud\u00e1vel com um pouco mais de 30 anos de idade e, ap\u00f3s 4 anos no local, ele j\u00e1 precisava tomar dois rem\u00e9dios para press\u00e3o sangu\u00ednea, um para reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos e um inalador de esteroide; ele tamb\u00e9m recebia uma inje\u00e7\u00e3o de testosterona a cada quinze dias. Ele foi diagnosticado com disfun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica e doen\u00e7a pulmonar obstrutiva. Em intervalo de minutos, ele \u00e9 acometido por um acesso de tosse.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 como se a vida estivesse sendo sugada de voc\u00ea&#8221;, diz Brewer. &#8220;Se eu soubesse o que sei hoje, teria ido catar latas na beira da estrada. Mas eu tinha uma esposa e tr\u00eas filhas e precisava sustent\u00e1-las. Al\u00e9m disso, eles nos disserem que n\u00e3o era prejudicial. Que poder\u00edamos ingerir um quilo de cinzas por dia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo que a exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de Kingston tenha sido extrema, eles foram como can\u00e1rios em uma mina de carv\u00e3o. At\u00e9 todas as lagoas e aterros de cinzas serem limpos, e pararmos de queimar carv\u00e3o, o risco ao fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel nos Estados Unidos continua existente. A pr\u00f3xima fase do julgamento de Kingston, na qual cada trabalhador tentar\u00e1 comprovar que suas doen\u00e7as foram causadas pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s cinzas de carv\u00e3o, come\u00e7ar\u00e1 ainda este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>NATGEO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 22 de dezembro de 2018, dez anos ap\u00f3s o&nbsp;rompimento de uma conten\u00e7\u00e3o em uma usina de energia da Tennessee Valley Authority&nbsp;pr\u00f3ximo a Kingston, Tennessee, que resultou no derramamento de mais de 3,7 bilh\u00f5es de litros de cinzas de carv\u00e3o t\u00f3xicas no Rio Emory, a TVA publicou&nbsp;um an\u00fancio de p\u00e1gina inteira&nbsp;no jornal local parabenizando a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5838,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":{"0":"post-5837","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-meio-ambiente"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/carv.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5837"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5837"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5839,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5837\/revisions\/5839"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}