{"id":56881,"date":"2023-12-18T13:39:31","date_gmt":"2023-12-18T16:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=56881"},"modified":"2023-12-18T13:39:33","modified_gmt":"2023-12-18T16:39:33","slug":"alambiques-sustentaveis-e-identidade-impulsionam-tradicao-da-cachaca-de-morretes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/12\/18\/alambiques-sustentaveis-e-identidade-impulsionam-tradicao-da-cachaca-de-morretes\/","title":{"rendered":"Alambiques sustent\u00e1veis e identidade impulsionam tradi\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a de Morretes"},"content":{"rendered":"\n<p>Dos primeiros alambiques \u00e0s margens do Rio Nhundiaquara no s\u00e9culo XVIII \u00e0 produ\u00e7\u00e3o atual das cacha\u00e7as nobres com a cana-de-a\u00e7\u00facar da mais alta qualidade plantada ao p\u00e9 da Serra do Mar, Morretes, no Litoral do Paran\u00e1, preserva uma liga\u00e7\u00e3o \u00edntima com a produ\u00e7\u00e3o da bebida que se confunde com a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Uma tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte que virou at\u00e9 verbete de dicion\u00e1rio: \u2018morretiana\u2019, nos dicion\u00e1rios Houaiss e Aur\u00e9lio, \u00e9 sin\u00f4nimo de cacha\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada no in\u00edcio de dezembro, quando o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) reconheceu a aguardente de cana e a cacha\u00e7a de Morretes como o 13\u00ba produto com Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) do Paran\u00e1. A bebida \u00e9 um dos produtos tradicionais paranaenses com IG e que est\u00e3o sendo abordados na nova\u00a0s\u00e9rie de reportagens da Ag\u00eancia Estadual de Not\u00edcias (AEN).<\/p>\n\n\n\n<p>A certifica\u00e7\u00e3o contempla tr\u00eas cacha\u00e7arias da regi\u00e3o que se comprometem a produzir a cacha\u00e7a em alambiques, abrindo m\u00e3o do processo industrial em grande escala, e seguindo par\u00e2metros r\u00edgidos de rastreabilidade do produto. O modelo preserva as caracter\u00edsticas que fizeram da bebida produzida em Morretes uma refer\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExistem dois tipos de cacha\u00e7a. A cacha\u00e7a industrial e a cacha\u00e7a de alambique, que \u00e9 a que n\u00f3s produzimos aqui em Morretes. Al\u00e9m deste processo mais cuidadoso, n\u00f3s tamb\u00e9m temos um terroir \u00fanico aqui no Litoral, estamos praticamente no n\u00edvel do mar, na encosta da serra, com um solo especial, ent\u00e3o isso tamb\u00e9m resulta em uma cana especial\u201d, explicou o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Cacha\u00e7a de Morretes (Apocam) e propriet\u00e1rio da cacha\u00e7a Ouro de Morretes, Sadi Poletto.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas condi\u00e7\u00f5es, inclusive, que deram in\u00edcio \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cai\u00e7ara na produ\u00e7\u00e3o de aguardentes de cana e cacha\u00e7as. A hist\u00f3ria come\u00e7a ainda no Brasil Imp\u00e9rio, quando Dom Pedro II determinou a abertura de engenhos centrais em algumas cidades do Pa\u00eds. No Paran\u00e1, Morretes foi a escolhida pelo potencial na produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma cana que tem uma produ\u00e7\u00e3o menor por hectare, que tamb\u00e9m d\u00e1 menos caldo, mas que tem um teor de a\u00e7\u00facar muito alto, o que \u00e9 ideal para a produ\u00e7\u00e3o de uma boa cacha\u00e7a\u201d, disse Poletto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos engenhos surgiram os primeiros alambiques, que se multiplicaram com o tempo e com o sucesso da bebida. No auge da produ\u00e7\u00e3o local, nos anos 1950, Morretes chegou a ter mais de 60 alambiques.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta de pol\u00edticas econ\u00f4micas nacionais, a produ\u00e7\u00e3o brasileira das d\u00e9cadas seguintes acabou se concentrando em Minas Gerais e S\u00e3o Paulo, mas a tradi\u00e7\u00e3o paranaense vem sendo resgatada nos \u00faltimos anos, com uma produ\u00e7\u00e3o menor, mas que mira um p\u00fablico mais exigente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAssim como aconteceu com a cerveja e com o vinho, que criou-se uma cultura de consumo de bebidas de maior qualidade, estamos trabalhando agora com um p\u00fablico que aprecia uma cacha\u00e7a premium\u201d, disse o presidente da Apocam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO<\/strong>&nbsp;\u2013 Para fazer uma bebida de qualidade, a cacha\u00e7a segue um processo de produ\u00e7\u00e3o cuidadoso em todas as etapas. As bebidas que t\u00eam o selo da Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica usam somente o produto plantado em Morretes e regi\u00e3o, que \u00e9 de uma varia\u00e7\u00e3o batizada como \u2018havaianinha\u2019, que resulta em uma bebida ligeiramente mais suave do que as cacha\u00e7as de outras regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A cana \u00e9 cortada e colhida manualmente. Depois disso, ela \u00e9 levada at\u00e9 uma \u00e1rea onde \u00e9 mo\u00edda. O baga\u00e7o \u00e9 separado para ser queimado e o caldo \u00e9 extra\u00eddo, filtrado e reservado para passar por um processo de dilui\u00e7\u00e3o para que todo o l\u00edquido seja homogeneizado a um mesmo percentual de a\u00e7\u00facar, a 15%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm geral, dependendo do clima e da matura\u00e7\u00e3o da cana, ela pode variar o brix, que \u00e9 o \u00edndice de a\u00e7\u00facar do caldo, entre 18% e 20%. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio fazer um processo inicial de dilui\u00e7\u00e3o com \u00e1gua\u201d, disse a gerente de produ\u00e7\u00e3o da Agroecol\u00f3gica Marumbi, que faz a cacha\u00e7a Porto Morretes, Gisele Abreu.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, o caldo de cana passa pela fermenta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pelo menos 24 horas que o l\u00edquido passa por grandes recipientes onde uma massa de levedura transforma o a\u00e7\u00facar em \u00e1lcool. \u201cEste \u00e9 um dos processos mais delicados da produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, porque \u00e9 preciso controlar rigidamente a vaz\u00e3o do l\u00edquido e a temperatura do caldo para uma fermenta\u00e7\u00e3o perfeita\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>A levedura respons\u00e1vel pela fermenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m demanda cuidados especiais, sendo \u2018alimentada\u2019 por cerca de uma semana com quirera de arroz e lim\u00e3o no in\u00edcio da colheita da cana para ficar pronta para o processo de produ\u00e7\u00e3o da bebida ao longo de toda a safra.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da fermenta\u00e7\u00e3o, a bebida passa pela destila\u00e7\u00e3o no alambique de cobre, onde parte do l\u00edquido se evapora a 90\u00baC, passa por um duto e depois \u00e9 condensado novamente a cerca de 20\u00baC.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste processo, cerca de 10% de todo o l\u00edquido produzido se transforma, efetivamente, em cacha\u00e7a. \u201c\u00c9 uma sele\u00e7\u00e3o feita por uma an\u00e1lise sensorial. Um profissional experiente que analisa, a cada lote, caracter\u00edsticas como o cheiro e a viscosidade do l\u00edquido\u201d, disse Gisele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, no processo final de produ\u00e7\u00e3o, a bebida \u00e9 separada para descansar em ton\u00e9is de inox ou, para bebidas mais refinadas, em barris de carvalho, onde ficam at\u00e9 15 anos em processo de envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos primeiros alambiques \u00e0s margens do Rio Nhundiaquara no s\u00e9culo XVIII \u00e0 produ\u00e7\u00e3o atual das cacha\u00e7as nobres com a cana-de-a\u00e7\u00facar da mais alta qualidade plantada ao p\u00e9 da Serra do Mar, Morretes, no Litoral do Paran\u00e1, preserva uma liga\u00e7\u00e3o \u00edntima com a produ\u00e7\u00e3o da bebida que se confunde com a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. 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