{"id":55830,"date":"2023-11-27T12:46:08","date_gmt":"2023-11-27T15:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=55830"},"modified":"2023-11-27T12:46:10","modified_gmt":"2023-11-27T15:46:10","slug":"carne-celular-e-veganismo-sao-temas-em-destaque-pela-pesquisa-cientifica-da-ufpr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/11\/27\/carne-celular-e-veganismo-sao-temas-em-destaque-pela-pesquisa-cientifica-da-ufpr\/","title":{"rendered":"Carne celular e veganismo s\u00e3o temas em destaque pela pesquisa cient\u00edfica da UFPR"},"content":{"rendered":"\n<p>A popula\u00e7\u00e3o global deve chegar a 9,8 bilh\u00f5es at\u00e9 2050. Com isso, a demanda por alimentos deve aumentar em mais de 50%, e alimentos de origem animal em quase 70%, segundo dados do World Resources Institute. Assim, alternativas alimentares s\u00e3o pensadas no mundo todo a fim de resolver e suprir essa demanda \u2014 como as carnes veganas \u00e0 base de plantas, e a mais recentemente, a carne celular. Este \u00e9 o contexto da entrevista realizada pela Ag\u00eancia Escola da UFPR.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro epis\u00f3dio do Bate-Pop AE, Bife sem bicho: a carne do futuro chegou?, traz um panorama sobre as evolu\u00e7\u00f5es dessas alternativas pelo mundo, com uma discuss\u00e3o que passa pela necessidade das pessoas de se alimentarem da prote\u00edna animal, veganismo, crueldade animal e os poss\u00edveis futuros da ind\u00fastria aliment\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>As convidadas da edi\u00e7\u00e3o s\u00e3o Carla Molento, professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e coordenadora dos Laborat\u00f3rios de Zootecnia Celular (ZOOCEL\/UFPR) e de Bem-estar Animal (LABEA\/UFPR) e Patricia Marin, advogada, especialista em Direito Animal e coordenadora dos Grupos e N\u00facleos Locais da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).<\/p>\n\n\n\n<p>A carne celularDiferente da ind\u00fastria convencional de carne, em que uma m\u00e9dia de 70 bilh\u00f5es de animais terrestres s\u00e3o criados e abatidos por ano no mundo, essa inova\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o inicia a partir de uma \u00fanica c\u00e9lula animal extra\u00edda por meio de bi\u00f3psia, sem dor ou abate, que \u00e9 multiplicada em um biorreator at\u00e9 chegar ao produto final \u2014 uma carne animal com propriedades id\u00eanticas \u00e0 que j\u00e1 existe no mercado, em um processo semelhante ao da fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A carne celular ou cultivada \u00e9 realidade em um restaurante de Singapura desde 2020, quando a startup Eat Just recebeu aprova\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria do pa\u00eds para vender cubos de frango cultivados. Pa\u00edses da Europa e Estados Unidos tamb\u00e9m j\u00e1 contam com iniciativas. Al\u00e9m disso, a JBS, multinacional brasileira e uma das l\u00edderes globais da ind\u00fastria de alimentos, anunciou um investimento de US$ 100 milh\u00f5es para se tornar uma das principais fabricantes de prote\u00edna cultivada do mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a primeira vez na hist\u00f3ria que o interesse em lucro est\u00e1 do lado dos animais\u201d, \u00e9 o que afirma Carla. A professora comenta que, por ser uma inova\u00e7\u00e3o radical, h\u00e1 um tempo necess\u00e1rio para que os custos de produ\u00e7\u00e3o se igualem ao que j\u00e1 existe no mercado, o que j\u00e1 vem ocorrendo. \u201cO que faz cair o pre\u00e7o \u00e9 investimento em pesquisa\u201d, complementa.Na UFPR, os Laborat\u00f3rios de Zootecnia Celular (ZOOCEL\/UFPR) e de Bem-estar Animal (LABEA\/UFPR) s\u00e3o respons\u00e1veis pelos estudos desses avan\u00e7os a fim de melhorar a qualidade de vida dos animais. No epis\u00f3dio, a professora Carla Molento destaca um dos diferenciais do laborat\u00f3rio:<\/p>\n\n\n\n<p> \u201cEle n\u00e3o tem o foco s\u00f3 de pesquisa, mas de ensino. Se a gente vai desenvolver uma nova cadeia de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a gente precisa formar pessoas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O veganismoDurante a grava\u00e7\u00e3o, Patricia Marin destacou a quest\u00e3o \u00e9tica e a necessidade de repensar tradi\u00e7\u00f5es. \u201cTudo acontece sempre para refor\u00e7ar como se os animais fossem instrumentos pra gente usar, est\u00e3o aqui ao nosso favor, e n\u00e3o \u00e9 assim\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p> Para ela, embora a carne e diversos outros produtos que resultam da explora\u00e7\u00e3o animal estejam presentes culturalmente na sociedade h\u00e1 s\u00e9culos, \u00e9 poss\u00edvel que isso seja reconsiderado.Diferente de uma ideia ainda bastante disseminada, Patr\u00edcia ressalta que \u00e9 totalmente poss\u00edvel obter todos os nutrientes em uma alimenta\u00e7\u00e3o 100% vegana, pr\u00e1tica reconhecida como uma op\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade desde 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a carne celular, a advogada comenta que, como j\u00e1 existe um universo de carnes alternativas \u00e0 base de vegetais, ela n\u00e3o \u00e9 necessariamente direcionada a um p\u00fablico vegano, mas para as pessoas que comem carne convencional, \u00e9 uma alternativa melhor para os animais, meio ambiente e sa\u00fade das pessoas. \u201cEla abre uma oportunidade de escolha para quem ainda n\u00e3o conseguiu se desfazer daquele apego ao paladar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Let\u00edcia Negrello<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Alice Lima\/ Ag\u00eancia Escola UFPR<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A popula\u00e7\u00e3o global deve chegar a 9,8 bilh\u00f5es at\u00e9 2050. 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