{"id":54754,"date":"2023-10-12T13:04:35","date_gmt":"2023-10-12T16:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=54754"},"modified":"2023-10-12T13:05:37","modified_gmt":"2023-10-12T16:05:37","slug":"aposentada-faz-pinturas-em-postes-e-colore-bairro-objetivo-e-incentivar-as-pessoas-a-fazerem-coisas-boas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/10\/12\/aposentada-faz-pinturas-em-postes-e-colore-bairro-objetivo-e-incentivar-as-pessoas-a-fazerem-coisas-boas\/","title":{"rendered":"Aposentada faz pinturas em postes e colore bairro: \u2018Objetivo \u00e9 incentivar as pessoas a fazerem coisas boas\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p>Por entre as ruas da Mooca, tradicional bairro paulistano da regi\u00e3o leste de S\u00e3o Paulo marcado pela imigra\u00e7\u00e3o italiana, \u00e9 poss\u00edvel avistar postes coloridos com pinturas florais.<\/p>\n\n\n\n<p> A arte urbana \u00e9 obra da professora aposentada Norma Gongora, de 83 anos. Incomodada com o abandono do local onde mora, ela decidiu que precisava fazer algo para trazer mais alegria aos arredores de sua casa. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, come\u00e7ou a pintar os postes da Mooca por conta pr\u00f3pria. Seu trabalho despertou o interesse de vizinhos que pediam para que ela tamb\u00e9m pintasse outras pilastras. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"667\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/whatsapp-image-2023-09-14-at-18.12.03-667x500-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54756\" srcset=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/whatsapp-image-2023-09-14-at-18.12.03-667x500-1.jpeg 667w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/whatsapp-image-2023-09-14-at-18.12.03-667x500-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/whatsapp-image-2023-09-14-at-18.12.03-667x500-1-80x60.jpeg 80w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/whatsapp-image-2023-09-14-at-18.12.03-667x500-1-265x198.jpeg 265w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/whatsapp-image-2023-09-14-at-18.12.03-667x500-1-560x420.jpeg 560w\" sizes=\"(max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao longo de mais de cinco anos de dedica\u00e7\u00e3o, Norma j\u00e1 pintou cerca de 285 postes, entre novas pinturas e refa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Ela relembra o in\u00edcio da iniciativa. \u201cTudo come\u00e7ou porque eu via tudo muito sujo. O bairro parece meio abandonado j\u00e1 h\u00e1 alguns anos. N\u00e3o \u00e9 de agora. Ent\u00e3o, eu resolvi dar uma alegria maior aqui, pelo menos nos arredores de onde eu moro. N\u00e3o d\u00e1 para pintar a regi\u00e3o inteira, mas um pedacinho d\u00e1. \u00c9 s\u00f3 querer e n\u00e3o chover. Foi assim que come\u00e7ou. Eu fiz um, e a vizinha reclamou porque fiz o meu e n\u00e3o o dela. Eu fiz o dela, e outra pessoa reclamou que n\u00e3o tinha feito o outro. Quando eu vi, tinha feito a rua inteira, e a\u00ed eu n\u00e3o parei mais\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto de Norma por pintar n\u00e3o \u00e9 recente. Ele deu aulas de pintura por cerca de 40 anos, parando de lecionar apenas com o in\u00edcio da pandemia. Depois do isolamento social, a artista decidiu n\u00e3o retomar o trabalho e se dedicar apenas a seus hobbies. Hoje, o trabalho de Norma \u00e9 feito apenas pelo seu prazer em pintar. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto eu tiver for\u00e7a e coragem, eu vou pintar. No dia em que eu n\u00e3o tiver mais, quem quiser que continue. Se quiser continuar, o que eu duvido, que as pessoas v\u00e3o p\u00f4r o material e o trabalho, ficar no sol, na chuva, no vento para n\u00e3o ganhar nada. Eu duvido que apare\u00e7a outra louca que nem eu\u201d, graceja. <\/p>\n\n\n\n<p>A aposentada revela que possui um problema grave no joelho, mas que pretende continuar pintando enquanto tiver sa\u00fade. Ela define como \u201cpaz\u201d o sentimento que tem ao pintar. \u201cMe faz bem para a alma. Sempre gostei de pintura desde menina.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A pintora conta que busca alternar as cores para que o poste possa sempre ser visto de longe. Al\u00e9m disso, ela sempre utiliza flores nos desenhos, por gostar do tema. Segundo Norma, a pintura dura cerca de dois anos e \u00e0s vezes \u00e9 preciso refazer o trabalho, que se desgasta com o tempo. Al\u00e9m da m\u00e3o de obra, todos os custos e material s\u00e3o pagos pela aposentada. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fa\u00e7o por minha conta. Compro a tinta, os pinc\u00e9is, pinto, fa\u00e7o o que quero.\u201d Ela conta que j\u00e1 chegou a receber, em algumas raras ocasi\u00f5es, potes de tinta para o trabalho. Mas, no geral, costuma arcar com todos os custos. Pelo menos uma vez por semana, ela tenta dedicar um tempo para embelezar os postes. Cada pintura leva de 1 hora e 30 minutos a 2 horas para ser feita, exclusivamente com pincel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o receba nenhum retorno financeiro com o projeto, Norma se sente satisfeita com a iniciativa. Ela compartilha que quando sai para pintar e fam\u00edlias param para olhar, geralmente as crian\u00e7as v\u00e3o falar com ela. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei se o trabalho \u00e9 maravilhoso e perfeito, mas, se as crian\u00e7as est\u00e3o vendo cores e admirando, para eles \u00e9. Isso est\u00e1 despertando uma coisa em algu\u00e9m, e isso me faz muito bem. Como eu dei aula muitos anos, minha maior satisfa\u00e7\u00e3o era quando uma aluna minha ia fazer uma exposi\u00e7\u00e3o e eu ajudava, quando algu\u00e9m fazia algo melhor do que eu fa\u00e7o. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o objetivo: incentivar as pessoas a fazerem alguma coisa boa\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p> A aposentada considera que nem sempre as pessoas podem fazer muito, mas que o pouco com Deus \u00e9 muito. \u201cSe todo mundo cuidasse somente da sua quadra, a cidade estaria maravilhosa. S\u00f3 de n\u00e3o destruir j\u00e1 est\u00e1 fazendo muito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para pessoas que tamb\u00e9m querem contribuir com o espa\u00e7o que convivem, Norma afirma que \u00e9 preciso trabalhar com o que gosta. Para ela, \u00e9 importante que o trabalho seja feito com gosto e sem pensar em ganhos pessoais. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas sempre querem fazer as cosias com o intuito de algum proveito, mas n\u00e3o \u00e9 assim que a gente faz o que \u00e9 bom. A gente faz o que \u00e9 bom porque quer fazer, porque se sente bem. Para mim, \u00e9 uma felicidade quando as pessoas passam e elogiam. Esse \u00e9 o pagamento, n\u00e3o precisa pagar mais nada\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p> A aposentada tamb\u00e9m faz um apelo para que as pessoas olhem para o pr\u00f3prio bairro, vejam o que est\u00e1 errado e fa\u00e7am algo a respeito, sem culpar a prefeitura. \u201cSe voc\u00ea fizer alguma coisa, os outros tamb\u00e9m v\u00e3o fazer. Se as pessoas vissem algo de errado e arrumassem, o mundo estaria maravilhoso\u201d, completa<\/p>\n\n\n\n<p>Jovem Pan\/Fotos: Alessandra Kianek\/Jovem Pan<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por entre as ruas da Mooca, tradicional bairro paulistano da regi\u00e3o leste de S\u00e3o Paulo marcado pela imigra\u00e7\u00e3o italiana, \u00e9 poss\u00edvel avistar postes coloridos com pinturas florais. A arte urbana \u00e9 obra da professora aposentada Norma Gongora, de 83 anos. 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