{"id":53253,"date":"2023-08-11T13:15:40","date_gmt":"2023-08-11T16:15:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=53253"},"modified":"2023-08-11T13:15:41","modified_gmt":"2023-08-11T16:15:41","slug":"parceria-internacional-do-iat-viabiliza-pesquisa-de-campo-com-arvores-nativas-da-ilha-do-mel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/08\/11\/parceria-internacional-do-iat-viabiliza-pesquisa-de-campo-com-arvores-nativas-da-ilha-do-mel\/","title":{"rendered":"Parceria internacional do IAT viabiliza pesquisa de campo com \u00e1rvores nativas da Ilha do Mel"},"content":{"rendered":"\n<p>Quase 300 \u00e1rvores nativas da comunidade Vila Bras\u00edlia, na Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) da Ilha do Mel, em Paranagu\u00e1, no Litoral, foram catalogadas de forma colaborativa por meio de uma parceria entre o Instituto \u00c1gua e Terra (IAT), a Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e a University of Eastern Finland (UEF), de Joensuu, na Finl\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto faz parte do programa de mestrado da estudante Silvia Ureta, de 27 anos, engenheira florestal guatemalense graduada na Universidade Rafael Land\u00edvar, na Cidade da Guatemala. A expedi\u00e7\u00e3o pela ilha, realizada entre junho e julho deste ano, resultou em uma robusta base de dados que ser\u00e1 utilizada para fomentar a\u00e7\u00f5es futuras de conserva\u00e7\u00e3o ambiental na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa que vai desencadear em novas a\u00e7\u00f5es de sustentabilidade em um dos mais relevantes pontos tur\u00edsticos do Paran\u00e1 \u00e9 fruto da persist\u00eancia de Silvia. Ela foi uma das selecionadas para participar do projeto de mestrado da UEF Master of Science in European Forestry (Mestrado em Ci\u00eancias Florestais Europeias), uma proposta bastante concorrida, realizada de forma integrada por universidades da Alemanha, \u00c1ustria, Rom\u00eania, Fran\u00e7a, Espanha e Finl\u00e2ndia, al\u00e9m de programas associados de institui\u00e7\u00f5es do Brasil, Canad\u00e1 e China.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte da grade curricular do programa, os estudantes devem passar por um per\u00edodo de est\u00e1gio pr\u00e1tico de dois meses, podendo escolher entre m\u00faltiplos locais de atua\u00e7\u00e3o conectados com as entidades parceiras da iniciativa. Silvia foi a primeira mestranda que decidiu fazer o est\u00e1gio na Ilha do Mel, uma experi\u00eancia que se tornou vi\u00e1vel tamb\u00e9m pela parceria entre IAT e UFPR.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu escolhi a Ilha do Mel porque queria trabalhar a floresta com um enfoque social, j\u00e1 que \u00e9 importante entender como a din\u00e2mica de humanos pode promover ou interferir na conserva\u00e7\u00e3o ambiental. E o Brasil foi um dos \u00fanicos locais que oferecia a oportunidade de trabalhar o est\u00e1gio com essa tem\u00e1tica\u201d, afirma a mestranda.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os procedimentos, ela se baseou em um invent\u00e1rio das esp\u00e9cies de \u00e1rvores existentes na ilha e tamb\u00e9m em informa\u00e7\u00f5es das comunidades de moradores da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, levantamento organizado pelo IAT. Por conta do tempo limitado da pesquisa, decidiu focar nas esp\u00e9cies florestais de 41 dos 97 lotes da Vila Bras\u00edlia, selecionados por amostragem, com a anu\u00eancia dos moradores locais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo levantamento foram registradas as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de cada \u00e1rvore, como esp\u00e9cie, localiza\u00e7\u00e3o, altura e di\u00e2metro. Depois, n\u00f3s instalamos em cada \u00e1rvore uma placa com um n\u00famero de registro individual, para que seja poss\u00edvel consultar as informa\u00e7\u00f5es de cada planta de forma digital\u201d, explica Silvia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do per\u00edodo de est\u00e1gio, as informa\u00e7\u00f5es coletadas pela estudante foram transformadas em uma base de dados que ser\u00e1 utilizada pelo IAT para guiar futuras a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. No total, foram catalogadas 299 plantas, um valor que corresponde a 42% das \u00e1rvores da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor meio desse levantamento, n\u00f3s vamos poder monitorar a quantidade de \u00e1rvores na ilha com mais facilidade. Saberemos se as \u00e1rvores est\u00e3o sendo cortadas de forma irregular nas comunidades e a quantidade de esp\u00e9cies que devemos plantar para manter a regi\u00e3o sempre arborizada. <\/p>\n\n\n\n<p>O futuro da conserva\u00e7\u00e3o nessas comunidades depende de pesquisas como essa\u201d, comenta o engenheiro florestal do escrit\u00f3rio regional do IAT do Litoral Leandro Duarte, que tamb\u00e9m auxiliou na pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSERVA\u00c7\u00c3O \u2013 Uma das principais considera\u00e7\u00f5es da mestranda durante o per\u00edodo de pesquisa tem rela\u00e7\u00e3o com a qualidade da conserva\u00e7\u00e3o da Ilha do Mel.<\/p>\n\n\n\n<p> \u201cAo observar a frequ\u00eancia da vegeta\u00e7\u00e3o da Vila Bras\u00edlia, n\u00f3s avaliamos que a quantidade de \u00e1rvores na regi\u00e3o \u00e9 similar \u00e0 da floresta natural, o que mostra que as pessoas est\u00e3o colaborando para preservar a fauna e a flora locais\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor de Patrim\u00f4nio Natural do IAT, Rafael Andreguetto, o alto \u00edndice de preserva\u00e7\u00e3o do local tem rela\u00e7\u00e3o com as a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o realizadas pelo IAT, \u00f3rg\u00e3o gestor da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, a conserva\u00e7\u00e3o da Ilha do Mel \u00e9 uma das caracter\u00edsticas que torna o local um dos grandes atrativos tur\u00edsticos do Estado. E a\u00e7\u00f5es como essa pesquisa s\u00e3o imprescind\u00edveis para manter esse n\u00edvel de preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>E a ideia \u00e9 que a pesquisa de Silvia seja o primeiro passo para a sequ\u00eancia da digitaliza\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores das outras comunidades da ilha, como explica o professor de Engenharia Florestal da UFPR, Renato Robert, um dos respons\u00e1veis pelo interc\u00e2mbio com a UEF. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s queremos continuar a parceria com a UEF para trazer mais estudantes nos pr\u00f3ximos anos para contribuir com a cataloga\u00e7\u00e3o digital. A colabora\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es \u00e9 algo que fortalecer\u00e1 a\u00e7\u00f5es ambientais executadas pela universidade no futuro\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>ANIMAIS DE ESTIMA\u00c7\u00c3O \u2013 Al\u00e9m das \u00e1rvores, a mestranda aproveitou o per\u00edodo de est\u00e1gio para conduzir mais duas iniciativas na regi\u00e3o. A primeira foi um levantamento sobre a quantidade de bichos de estima\u00e7\u00e3o presentes na comunidade, j\u00e1 que a prolifera\u00e7\u00e3o desenfreada desses animais tamb\u00e9m pode impactar o meio ambiente.\u201cN\u00f3s descobrimos que dos 41 lotes, 16 possuem cachorros ou gatos, e apenas tr\u00eas possuem animais castrados. <\/p>\n\n\n\n<p>Os moradores no geral se mostraram interessados em castrar os bichos de estima\u00e7\u00e3o, mas acham o processo muito dif\u00edcil por terem que viajar para outras cidades para encontrar um veterin\u00e1rio. Isso \u00e9 algo delicado em uma reserva ecol\u00f3gica, porque se n\u00e3o houver um controle teremos muitos animais abandonados, e eles podem impactar o meio ambiente negativamente ao transmitir zoonoses\u201d, diz Silvia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para colaborar e diminuir o impacto na localidade, o Programa Permanente de Esteriliza\u00e7\u00e3o de C\u00e3es e Gatos, mais conhecido como CastraPet Paran\u00e1, prev\u00ea a\u00e7\u00f5es para a Ilha do Mel durante o quarto ciclo do projeto, previsto para come\u00e7ar nos pr\u00f3ximos meses. Em tr\u00eas est\u00e1gios diferentes, o CastraPet j\u00e1 beneficiou 75 mil animais em todo o Estado desde 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>EDUCA\u00c7\u00c3O AMBIENTAL \u2013 A outra linha de atua\u00e7\u00e3o foi um trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental desenvolvido em uma das escolas do Litoral. A parceria desencadeou em palestras e tamb\u00e9m na elabora\u00e7\u00e3o de um material did\u00e1tico sobre as esp\u00e9cies de \u00e1rvores da Ilha do Mel, com suporte t\u00e9cnico do Instituto \u00c1gua e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse material did\u00e1tico surgiu porque percebemos que muitos dos moradores, em especial as crian\u00e7as, n\u00e3o conheciam as esp\u00e9cies nativas da ilha. As professoras da escola apreciaram muito o material, j\u00e1 que \u00e9 uma forma de promover a consci\u00eancia ambiental nos alunos, de inclu\u00ed-los na natureza\u201d, afirma Silvia.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 300 \u00e1rvores nativas da comunidade Vila Bras\u00edlia, na Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) da Ilha do Mel, em Paranagu\u00e1, no Litoral, foram catalogadas de forma colaborativa por meio de uma parceria entre o Instituto \u00c1gua e Terra (IAT), a Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e a University of Eastern Finland (UEF), de Joensuu, na Finl\u00e2ndia. 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