{"id":53202,"date":"2023-08-09T11:51:33","date_gmt":"2023-08-09T14:51:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=53202"},"modified":"2023-08-09T11:51:34","modified_gmt":"2023-08-09T14:51:34","slug":"brigadistas-indigenas-ajudam-a-conservar-o-patrimonio-natural-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/08\/09\/brigadistas-indigenas-ajudam-a-conservar-o-patrimonio-natural-do-parana\/","title":{"rendered":"Brigadistas ind\u00edgenas ajudam a conservar o patrim\u00f4nio natural do Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>A enfermeira Cleonice Pacheco Amorim, de 46 anos, trabalha na Casa de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Casai-Curitiba). Mas al\u00e9m dos cuidados com os pacientes, ela abra\u00e7ou mais uma responsabilidade: ser brigadista volunt\u00e1ria contra inc\u00eandios na Floresta Estadual Metropolitana, em Piraquara, cidade vizinha \u00e0 capital paranaense. Ela e mais seis membros da comunidade ind\u00edgena que residem na floresta foram preparados h\u00e1 um ano pelo Instituto \u00c1gua e Terra (IAT) e pelo Corpo de Bombeiros do Paran\u00e1 para atuarem no enfrentamento ao fogo na Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) do Estado. Uma hist\u00f3ria que ajuda a celebrar o Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, comemorado nesta quarta-feira (9).<\/p>\n\n\n\n<p>No meio ind\u00edgena Cleonice atende pelo nome de Kunh\u00e3 Wew\u00e9. Ela \u00e9 da origem Guarani \u00d1andeva, que ao lado de outros 42 ind\u00edgenas das etnias Kaingang, Tukano e Terena, formam a comunidade que administra a Floresta Estadual Metropolitana. Gest\u00e3o compartilhada com base em um\u00a0Termo de Coopera\u00e7\u00e3o\u00a0entre o IAT e o Instituto e Centro de Forma\u00e7\u00e3o Etno Bio Diverso Angelo Kret\u00e3 \u2013 a formaliza\u00e7\u00e3o da parceria se deu no 19 de abril de 2023, com a assinatura do governador Carlos Massa Ratinho Junior.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"520\" src=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/img-20230809-wa0017.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-53204\" srcset=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/img-20230809-wa0017.jpg 780w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/img-20230809-wa0017-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/img-20230809-wa0017-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/img-20230809-wa0017-696x464.jpg 696w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/img-20230809-wa0017-630x420.jpg 630w\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s temos o nosso jeito de cuidar da natureza e quando tem inc\u00eandio a gente consegue controlar. Mas o curso somou ao nosso conhecimento. Agora temos t\u00e9cnicas n\u00e3o ind\u00edgenas para n\u00e3o deixar o fogo se espalhar\u201d, afirma Cleonice. O local tem 4,4 hectares de mata e uma vegeta\u00e7\u00e3o prop\u00edcia para grandes queimadas, por isso os ind\u00edgenas foram capacitados e instrumentalizados com t\u00e9cnicas para combate direto do fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Munidos com abafadores e bombas d\u2019\u00e1gua fornecidos pelo IAT, o grupo de brigadistas ind\u00edgenas precisou agir em julho deste ano para impedir que um inc\u00eandio avan\u00e7asse floresta a dentro. \u201cO meu marido viu que o fogo come\u00e7ou pela BR-116 e estava se alastrando. Imediatamente realizamos os procedimentos iniciais de conten\u00e7\u00e3o do fogo at\u00e9 a chegada do Corpo de Bombeiros\u201d, relembra ela.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o l\u00edder da comunidade ind\u00edgena, Kret\u00e3 Kaingang, gra\u00e7as ao olhar atento dos moradores j\u00e1 se percebe a restaura\u00e7\u00e3o da floresta em alguns pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 s\u00f3 a gente proteger. O n\u00e3o \u00edndio n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o da quantidade de animais que existem ali. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio fazer o tratamento di\u00e1rio, inclusive combatendo com agilidade qualquer foco de fogo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sociedade precisa compreender e estar sensibilizada de que \u00e9 poss\u00edvel visitar uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o respeitando a legisla\u00e7\u00e3o, que co\u00edbe, inibe e pro\u00edbe o uso de fogueiras ou aparatos que produzam chamas\u201d, refor\u00e7a o diretor de Patrim\u00f4nio Natural do IAT, Rafael Andreguetto. Para ele, a atua\u00e7\u00e3o de todos os brigadistas volunt\u00e1rios, sejam ind\u00edgenas ou n\u00e3o, \u00e9 fundamental o desenvolvimento sustent\u00e1vel do Estado. \u201cSensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, de cuidar de uma \u00e1rea que \u00e9 de todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O coronel Ant\u00f4nio Hiller, do Comando do Corpo de Bombeiros do Paran\u00e1, tamb\u00e9m destaca o apoio dos brigadistas volunt\u00e1rios no combate ao fogo. \u201cNem sempre os bombeiros dessas regi\u00f5es s\u00e3o suficientes para fazer o enfrentamento\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o Paran\u00e1 conta com cinco brigadas de inc\u00eandio e 200 volunt\u00e1rios com forma\u00e7\u00e3o atuando em diferentes pontos do Estado. Al\u00e9m disso, um novo grupo est\u00e1\u00a0em processo de capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00d5ES&nbsp;<\/strong>\u2013 Trabalhando em coparticipa\u00e7\u00e3o com o IAT na gest\u00e3o do parque, a comunidade ind\u00edgena intensificou as a\u00e7\u00f5es no local. Uma delas foi abrir o espa\u00e7o para visita\u00e7\u00e3o de alunos das escolas da rede p\u00fablica de Piraquara. A outra \u00e9 promover a educa\u00e7\u00e3o ambiental sob a \u00f3tica dos povos origin\u00e1rios da floresta, disseminando a cultura das etnias Guarani Yandeva, Tukano, Kaingang e Terena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma forma de ensinar as crian\u00e7as a quebrar preconceitos\u201d, disse o l\u00edder Kret\u00e3 Kaingang. \u201cEm um ano, mais de 2 mil mudas de plantas nativas foram distribu\u00eddas, tivemos visitas guiadas, apresenta\u00e7\u00f5es, jogos, artes. Conseguimos repassar a hist\u00f3ria da cultura ind\u00edgena. A nossa presen\u00e7a aqui nessas terras \u00e9 construtiva, e s\u00f3 p\u00f4de ser viabilizada com esse Termo de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica com o IAT\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto \u00e9 garantir o restauro ambiental e ampliar a \u00e1rea com vegeta\u00e7\u00e3o nativa. De acordo com os ind\u00edgenas, grande parte do parque \u00e9 tomada por esp\u00e9cimes de flora ex\u00f3tica (n\u00e3o natural, geralmente inserida naquele ambiente por fins econ\u00f4micos), como pinus e eucalipto. Apenas 20% s\u00e3o de floresta nativa, com \u00e1rvores como arauc\u00e1ria, flora origin\u00e1ria da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FESTA&nbsp;<\/strong>\u2013 Para celebrar o Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, Cleonice e toda a comunidade ind\u00edgena da Floresta Estadual Metropolitana estendem o convite para quem quiser participar das festividades que ser\u00e3o nesta quarta (9) e quinta-feira (10).<\/p>\n\n\n\n<p>Haver\u00e1 atividades para crian\u00e7as, exposi\u00e7\u00e3o de artesanatos, rodas de conversa para troca de saberes e tamb\u00e9m a apresenta\u00e7\u00e3o de sementes ind\u00edgenas e crioulas. \u201cH\u00e1 exatos dois anos voltamos para esse territ\u00f3rio. O nosso intuito com o evento \u00e9 que as pessoas venham conhecer a nossa cultura e costumes, para que nos respeitem mais, assim reduzimos esse preconceito. Queremos contar a nossa hist\u00f3ria com a nossa boca, e para isso as pessoas precisam ter abertura para chegar at\u00e9 n\u00f3s. N\u00e3o estamos aqui para pegar terra, mas sim para cuidar e preservar a natureza\u201d, ressalta Cleonice.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas \u00e9 celebrado desde 1995, todo dia 9 de agosto. A data foi definida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para dar luz \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia dignas aos povos ind\u00edgenas de todo o planeta, principalmente no que se refere aos seus direitos \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o de suas vidas e cultura, bem como a garantia aos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESTAT\u00cdSTICA<\/strong>\u00a0\u2013 De acordo com os dados do censo de 2022 divulgados nesta segunda-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aen.pr.gov.br\/Noticia\/Censo-2022-Parana-tem-30460-indigenas-em-345-cidades\" target=\"_blank\">Paran\u00e1 tem 30.460 ind\u00edgenas autodeclarados<\/a>. Em compara\u00e7\u00e3o com os dados do Censo anterior, de 2010, o Estado registrou um aumento de 14% na popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que era de 26.559.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A enfermeira Cleonice Pacheco Amorim, de 46 anos, trabalha na Casa de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Casai-Curitiba). Mas al\u00e9m dos cuidados com os pacientes, ela abra\u00e7ou mais uma responsabilidade: ser brigadista volunt\u00e1ria contra inc\u00eandios na Floresta Estadual Metropolitana, em Piraquara, cidade vizinha \u00e0 capital paranaense. 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