{"id":5313,"date":"2019-04-08T14:35:16","date_gmt":"2019-04-08T17:35:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=5313"},"modified":"2019-04-08T14:35:18","modified_gmt":"2019-04-08T17:35:18","slug":"registro-de-tuberculose-que-resiste-a-remedios-triplica-ja-sao-3-casos-por-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/08\/registro-de-tuberculose-que-resiste-a-remedios-triplica-ja-sao-3-casos-por-dia\/","title":{"rendered":"Registro de tuberculose que resiste a rem\u00e9dios triplica; j\u00e1 s\u00e3o 3 casos por dia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">No ano passado, a taxa teve uma leve queda (ficou em 34,8), mas continua superior ao coeficiente registrado em 2014 e 2015.<\/h4>\n\n\n\n<p>A taxa de incid\u00eancia de tuberculose preocupa o governo federal \u2013 foram 73,2 mil infec\u00e7\u00f5es em 2017, m\u00e9dia de mais de 200 por dia. E o mais grave: voltou a crescer no Pa\u00eds o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es multirresistentes, ou seja, que n\u00e3o respondem aos dois principais medicamentos. Esse n\u00famero triplicou em uma d\u00e9cada, alcan\u00e7ando 1, 1 mil naquele ano \u2013 tr\u00eas por dia, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade obtidos pelo jornal&nbsp;<strong>O Estado de S. Paulo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Doen\u00e7a diretamente relacionada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas da popula\u00e7\u00e3o, a tuberculose registrou aumento, segundo especialistas, principalmente por causa da crise econ\u00f4mica que atingiu o Pa\u00eds nos \u00faltimos anos, o que teria diminu\u00eddo os investimentos no sistema de sa\u00fade e piorado a vida da popula\u00e7\u00e3o em aspectos que contribuem para a infec\u00e7\u00e3o, como moradias inadequadas e sem circula\u00e7\u00e3o de ar.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade destaca a crise, ao lado de melhorias no diagn\u00f3stico. \u201cO aumento do coeficiente de incid\u00eancia da tuberculose nos dois \u00faltimos anos pode representar uma amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s ferramentas de diagn\u00f3stico. No entanto, tamb\u00e9m pode estar relacionado aos desafios no controle da doen\u00e7a por determina\u00e7\u00e3o social, ao lado de uma importante crise econ\u00f4mica pela qual o pa\u00eds tem passado nos \u00faltimos anos\u201d, destacou a pasta em boletim epidemiol\u00f3gico publicado no \u00faltimo m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento mostra que o \u00edndice de casos por 100 mil habitantes, que era de 34,1 em 2015, foi para 34,3 em 2016 e alcan\u00e7ou 35,3 em 2017. No ano passado, a taxa teve uma leve queda (ficou em 34,8), mas continua superior ao coeficiente registrado em 2014 e 2015. Somente em 2017, 73,2 mil pessoas foram infectadas pela doen\u00e7a no Brasil, das quais 1,1 mil apresentaram a forma multirresistente da tuberculose, o triplo do registrado em 2009, quando 339 tiveram infec\u00e7\u00e3o resistente. O \u00edndice de mortalidade por tuberculose permanece est\u00e1vel no Pa\u00eds, mas a doen\u00e7a, embora cur\u00e1vel e com tratamento gratuito na rede p\u00fablica, ainda mata cerca de 4,5 mil brasileiros por ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Causas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para m\u00e9dicos especialistas no tema e ativistas no combate \u00e0 doen\u00e7a, o contingenciamento de recursos p\u00fablicos \u00e9 determinante para o cen\u00e1rio. \u201c\u00c9 uma resposta \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade. H\u00e1 muita rotatividade dos profissionais, eles n\u00e3o recebem o treinamento adequado, n\u00e3o h\u00e1 identifica\u00e7\u00e3o com a comunidade e o diagn\u00f3stico \u00e9 tardio\u201d, afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo de como a tuberculose tem forte liga\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a incid\u00eancia da doen\u00e7a em favelas cariocas. \u201cEnquanto no Brasil a taxa \u00e9 de cerca de 35 casos por 100 mil habitantes, na Favela da Rocinha, chega a 300\u201d, comenta Margareth.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais an\u00e1lises<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Denise Arakaki, ainda s\u00e3o necess\u00e1rias an\u00e1lises mais aprofundadas para verificar as causas do aumento da incid\u00eancia da tuberculose nos \u00faltimos anos. \u201cUm ou dois anos de crescimento na incid\u00eancia \u00e9 pouco tempo para dizermos se a doen\u00e7a, de fato, voltou a aumentar ou se cresceu a notifica\u00e7\u00e3o por causa da melhoria no diagn\u00f3stico. De qualquer forma, para n\u00e3o sermos surpreendidos no futuro, vamos realizar uma reuni\u00e3o com especialistas no pr\u00f3ximo m\u00eas para verificar se esse aumento \u00e9 real e definir o que fazer\u201d, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Denise citou ainda, como outro fator que explicaria o aumento, um trabalho mais ativo do minist\u00e9rio nos \u00faltimos anos na busca de casos entre a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, um dos grupos mais afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as infec\u00e7\u00f5es multirresistentes, a coordenadora disse que o n\u00famero de casos cresceu de forma expressiva por causa da inclus\u00e3o no SUS, em 2014, de um teste r\u00e1pido molecular que verifica a resist\u00eancia da bact\u00e9ria a um dos principais antibi\u00f3ticos, a rifampicina. \u201cOs casos diagnosticados est\u00e3o crescendo, mas a resist\u00eancia no Brasil continua baixa, principalmente porque aqui os rem\u00e9dios s\u00f3 s\u00e3o oferecidos pelo governo, n\u00e3o s\u00e3o vendidos em farm\u00e1cia, o que evita o uso indiscriminado\u201d, destaca Denise.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Margareth, no entanto, embora a inclus\u00e3o do teste r\u00e1pido tenha, de fato, aumentado o n\u00famero de diagn\u00f3sticos de casos multirresistentes, esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator que explica a alta. \u201cTem crescido a resist\u00eancia a alguns medicamentos e, al\u00e9m disso, a ocorr\u00eancia de casos multirresistentes \u00e9 favorecida pelas situa\u00e7\u00f5es dos doentes ditos cr\u00f4nicos, que ficam rodando na rede sem ter diagn\u00f3stico ou acompanhamento. Se a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tratada adequadamente, ela pode voltar mais resistente\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foram necess\u00e1rias tr\u00eas passagens por especialistas e um m\u00eas de ang\u00fastia para que a auxiliar administrativa \u00c9rica Barbosa Decaris, de 31 anos, tivesse o diagn\u00f3stico. Mesmo com tosse persistente e muita dor nas costas, nenhum dos dois m\u00e9dicos cogitou tuberculose.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFui a um pronto-socorro do SUS (rede p\u00fablica) e o m\u00e9dico disse que era pneumonia. Fiz o tratamento, mas logo depois voltaram os sintomas. Ent\u00e3o decidi pagar um cl\u00ednico particular e ele me disse que era inflama\u00e7\u00e3o nos br\u00f4nquios, mas o tratamento tamb\u00e9m n\u00e3o adiantou. S\u00f3 o terceiro m\u00e9dico disse que podia ser tuberculose e me orientou a fazer o exame\u201d, conta ela. \u201cAcho que os m\u00e9dicos n\u00e3o est\u00e3o preparados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), \u00e9 \u201cinadmiss\u00edvel\u201d esse atraso na detec\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 injustific\u00e1vel que, em um pa\u00eds com mais de 70 mil casos, nossos pacientes estejam sendo diagnosticados tardiamente \u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A demora fez \u00c9rica iniciar o tratamento quando a doen\u00e7a estava mais avan\u00e7ada. \u201cEu j\u00e1 estava tossindo sangue e tinha afetado os dois pulm\u00f5es.\u201d Depois da descoberta, a auxiliar administrativa passou a ir diariamente ao posto de sa\u00fade, durante seis meses, para tomar os medicamentos. \u201cNo come\u00e7o foi muito dif\u00edcil porque eu sentia dores no corpo e enjoos por causa dos rem\u00e9dios, mas me apeguei ao pensamento de que cada dia que eu ia ao posto era um dia a menos no meu tratamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Preconceito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ela se afastou do trabalho por quatro meses, usou m\u00e1scara no in\u00edcio do tratamento e dormiu na sala por meses pois, enquanto n\u00e3o estivesse curada, a recomenda\u00e7\u00e3o era n\u00e3o dividir o quarto. Mas o que mais chateou a paciente foi o preconceito de amigos. \u201cPessoas me viam na rua com a m\u00e1scara e n\u00e3o chegavam perto. Sempre fui bem amparada no posto de sa\u00fade na parte m\u00e9dica, mas acho que faltou uma rede de apoio psicol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>BandaB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, a taxa teve uma leve queda (ficou em 34,8), mas continua superior ao coeficiente registrado em 2014 e 2015. A taxa de incid\u00eancia de tuberculose preocupa o governo federal \u2013 foram 73,2 mil infec\u00e7\u00f5es em 2017, m\u00e9dia de mais de 200 por dia. 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