{"id":52313,"date":"2023-07-17T14:34:07","date_gmt":"2023-07-17T17:34:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=52313"},"modified":"2023-07-17T14:34:07","modified_gmt":"2023-07-17T17:34:07","slug":"tres-vacinas-contra-crack-sao-a-esperanca-da-humanidade-uma-e-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/07\/17\/tres-vacinas-contra-crack-sao-a-esperanca-da-humanidade-uma-e-brasileira\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas vacinas contra crack s\u00e3o a esperan\u00e7a da humanidade, uma \u00e9 brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Tr\u00eas vacinas contra crack e coca\u00edna ser\u00e3o testadas em humanos ap\u00f3s sucesso em animais. Elas ensinam o sistema imunol\u00f3gico a neutralizar a coca\u00edna e o crack.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de terem o mesmo objetivo, as tr\u00eas vacinas funcionam de formas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas s\u00e3o injet\u00e1veis e uma \u00e9 inal\u00e1vel. Todas foram criadas para que essas drogas n\u00e3o tenham efeito no corpo humano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A primeira vacina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pioneira das tr\u00eas vacinas \u00e9 a dAd5GNE, que est\u00e1 sendo desenvolvida h\u00e1 uma d\u00e9cada por cientistas da Universidade Cornell, nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO problema da coca\u00edna \u00e9 que ela \u00e9 composta por mol\u00e9culas muito pequenas, que o sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o identifica\u201d, explica o m\u00e9dico Ronald Crystal, diretor do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, eles criaram uma vacina que utiliza um vetor viral (mesma estrat\u00e9gia empregada nas vacinas da Covid criadas por AstraZeneca e Johnson &amp; Johnson).<\/p>\n\n\n\n<p>A base \u00e9 um adenov\u00edrus, o Ad5, que j\u00e1 circula em humanos e causa resfriados leves. Ele \u00e9 acoplado a uma mol\u00e9cula chamada GNE \u2013 cuja estrutura \u00e9 parecida com a da coca\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina est\u00e1 pronta. Ela \u00e9 injetada em tr\u00eas doses ao longo de dois meses.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que o organismo aprenda a produzir anticorpos contra a mol\u00e9cula GNE. A\u00ed, quando\/se a pessoa usar coca\u00edna ou&nbsp;crack, esses anticorpos se conectar\u00e3o \u00e0s mol\u00e9culas da droga.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, o conjunto ficar\u00e1 grande demais para atravessar a chamada barreira hematoencef\u00e1lica (uma camada de c\u00e9lulas que reveste o c\u00e9rebro e barra a maior parte das mol\u00e9culas).<\/p>\n\n\n\n<p>E o crack\/coca\u00edna n\u00e3o ter\u00e3o efeito no corpo humano porque as mol\u00e9culas da vacina tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem penetrar no c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>O imunizante se mostrou eficaz em testes com ratos e macacos(5). \u201cConclu\u00edmos que a vacina produz altos n\u00edveis de anticorpos para coca\u00edna, tanto contra o uso di\u00e1rio&nbsp;[da droga]&nbsp;quanto para doses maiores, e sem rea\u00e7\u00f5es adversas\u201d, diz Crystal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultados da primeira vacina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em ratos que receberam uma dose de coca\u00edna, a vacina reduziu em 55% a quantidade da subst\u00e2ncia no c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>A prote\u00e7\u00e3o se manteve, e at\u00e9 melhorou um pouco, com o uso cont\u00ednuo da droga: ap\u00f3s tr\u00eas doses de coca\u00edna, 64% dela foi bloqueada e n\u00e3o entrou no c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 total porque os anticorpos presentes no organismo n\u00e3o conseguem se conectar a todas as mol\u00e9culas da droga antes que ela penetre no c\u00e9rebro (n\u00e3o d\u00e1 tempo).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a diminui\u00e7\u00e3o foi suficiente, no estudo, para suprimir os efeitos da coca\u00edna: os ratinhos vacinados ficaram calmos, sem andar freneticamente pelas gaiolas, mesmo ap\u00f3s receber a droga.<\/p>\n\n\n\n<p>Em macacos, os resultados foram ainda melhores. Em animais n\u00e3o-vacinados, que receberam uma dose de coca\u00edna, a droga conseguiu inativar 62% dessa prote\u00edna, em m\u00e9dia.&nbsp;Com isso, os c\u00e9rebros deles ficaram inundados de dopamina \u2013 e os bichos demonstraram os sintomas t\u00edpicos do uso da droga. Normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em macacos vacinados, o resultado foi muito diferente.&nbsp;Exames de tomografia computadorizada revelaram que parte da coca\u00edna at\u00e9 penetrou no c\u00e9rebro, mas ela n\u00e3o conseguiu anular nem 20% da prote\u00edna DAT.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o narc\u00f3tico realmente n\u00e3o fez efeito (em humanos, para que a a\u00e7\u00e3o da coca\u00edna comece a ser sentida, a droga precisa anular pelo menos 47% da prote\u00edna DAT presente no c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos foram relativamente curtos (13 semanas para os roedores e 7 para os primatas), mas suficientes para que os cientistas da Universidade Cornell recebessem, em 2016, permiss\u00e3o do governo americano para testar a dAd5GNE em seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, que est\u00e1 sendo executado em parceria com o National Institute on Drug Abuse, foi desenhado para ter 150 participantes: um grupo recebendo placebo, e outro a vacina. A coleta de dados termina ao final de 2023, e a pesquisa dever\u00e1 ser conclu\u00edda&nbsp;(8)&nbsp;em junho do ano que vem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior dificuldade \u00e9 recrutar volunt\u00e1rios. E, mais ainda, garantir que eles continuem participando\u201d, admite Crystal.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque os participantes do estudo precisam ser usu\u00e1rios habituais de coca\u00edna ou crack. Por quest\u00f5es \u00e9ticas, os cientistas n\u00e3o podem aplicar a droga nos volunt\u00e1rios (como \u00e9 feito nos testes em animais). Ent\u00e3o a \u00fanica forma de saber se a vacina realmente funciona \u00e9 verificar se, ap\u00f3s receb\u00ea-la, a pessoa reduz o uso de entorpecentes no seu dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra exig\u00eancia do teste: antes de ser vacinado, cada volunt\u00e1rio precisa dar uma pausa na coca\u00edna \u2013 e ficar 30 dias sem us\u00e1-la. \u201c\u00c9 uma estrat\u00e9gia para testar com maior seguran\u00e7a os n\u00edveis de anticorpos\u201d, diz Crystal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A segunda vacina \u00e9 brasileira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais, que tamb\u00e9m est\u00e1 desenvolvendo uma vacina contra a droga, lidou com essa quest\u00e3o de forma inteligente: decidiu focar sua pesquisa em gestantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s recebemos, no hospital da universidade, muitas mulheres gr\u00e1vidas viciadas. Sabemos dos danos que a droga provoca nesses casos, e gostar\u00edamos de reduzir esse preju\u00edzo\u201d, diz o m\u00e9dico Frederico Garcia, que \u00e9 pesquisador da UFMG e um dos l\u00edderes do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o uso de coca\u00edna ou crack na gravidez tem consequ\u00eancias muito graves. A mulher pode sofrer pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia severa (um tipo de hipertens\u00e3o que pode levar \u00e0 morte), aborto espont\u00e2neo ou parto prematuro com complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A droga tamb\u00e9m contrai os vasos sangu\u00edneos da placenta, estrangulando o fluxo de nutrientes para o feto, que pode apresentar baixo peso, malforma\u00e7\u00f5es e at\u00e9 s\u00edndrome de abstin\u00eancia \u2013 j\u00e1 que, durante a gravidez, ele recebe a droga por meio do cord\u00e3o umbilical.<\/p>\n\n\n\n<p>O beb\u00ea j\u00e1 nasce viciado. \u201cEsses rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o dormem bem, n\u00e3o mamam. As m\u00e3es, que j\u00e1 est\u00e3o fragilizadas, e poderiam ter nos beb\u00eas um incentivo para evitar o v\u00edcio, acabam por doar as crian\u00e7as\u201d, diz Garcia.<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina brasileira, assim como a americana, tamb\u00e9m utiliza a prote\u00edna GNE \u2013 que \u00e9 estruturalmente parecida com a coca\u00edna. A diferen\u00e7a \u00e9 que essa mol\u00e9cula n\u00e3o \u00e9 acoplada a um v\u00edrus, mas a uma segunda prote\u00edna, chamada KLH, extra\u00edda de um molusco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultados da vacina brasileira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vacina j\u00e1 foi aplicada em ratos, e funcionou. Em testes com 26 ratas gr\u00e1vidas, que receberam coca\u00edna durante a gesta\u00e7\u00e3o, houve 30% menos abortos. A vacina gerou ninhadas com 27% mais filhotes, e eles eram em m\u00e9dia 50% maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ratinhos tamb\u00e9m n\u00e3o nasceram com s\u00edndrome de abstin\u00eancia da droga \u2013 e receberam anticorpos contra a coca\u00edna por meio do leite materno. Os resultados&nbsp;(9)&nbsp;foram publicados em 2021 em uma revista cient\u00edfica importante, a americana&nbsp;Molecular Psychiatry.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEst\u00e1 tudo pronto para a pr\u00f3xima etapa, os testes em humanos\u201d, diz Garcia. A mol\u00e9cula GNE-KLH j\u00e1 foi patenteada, inclusive.&nbsp;Para chegar ao est\u00e1gio atual, os cientistas da UFMG tiveram o apoio de uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es, como a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), a Secretaria Nacional de Pol\u00edtica sobre Drogas e a C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores da UFMG j\u00e1 enviaram \u00e0 Anvisa um pedido de autoriza\u00e7\u00e3o para os estudos cl\u00ednicos, em volunt\u00e1rios, que levariam aproximadamente dois anos. O problema \u00e9 conseguir verba e seguran\u00e7a jur\u00eddica \u2013 j\u00e1 que a coca\u00edna \u00e9 uma droga ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos recursos humanos e t\u00e9cnicos para realizar os testes cl\u00ednicos dentro da UFMG\u201d, afirma o professor. \u201cMas falta investimento e acesso a lotes da droga, de forma segura.\u201d Isso porque a s\u00edntese da mol\u00e9cula GNE, que \u00e9 o elemento ativo da vacina americana e tamb\u00e9m da brasileira, requer coca\u00edna como mat\u00e9ria-prima&nbsp;(10).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto nos EUA parte da droga apreendida pela pol\u00edcia \u00e9 destinada a estudos cient\u00edficos, no Brasil as cargas costumam ser totalmente incineradas. \u201cN\u00e3o conseguimos encontrar parceiros dispostos a participar, porque o acesso \u00e0s subst\u00e2ncias&nbsp;[necess\u00e1rias]&nbsp;n\u00e3o \u00e9 devidamente regulamentado\u201d, diz Garcia, que ressalta a import\u00e2ncia da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDiante dos testes pr\u00e9-cl\u00ednicos, sabemos que a vacina \u00e9 eficaz para bloquear a circula\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula de coca\u00edna&nbsp;[no organismo], e n\u00e3o tem efeitos colaterais significativos. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o inovadora, para uma doen\u00e7a contra a qual n\u00e3o se tem rem\u00e9dio\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A terceira vacina \u00e9 inal\u00e1vel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em outro imunizante anticoca\u00edna, que est\u00e1 sendo desenvolvido pela Universidade Duke, nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio das outras vacinas, injetadas no bra\u00e7o, ela \u00e9 inal\u00e1vel, podendo ser aplicada pelo pr\u00f3prio paciente. Em ratos, se mostrou eficaz: eliminou os sintomas comportamentais da coca\u00edna&nbsp;(18).<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta dessa vacina \u00e9 neutralizar a droga j\u00e1 nas vias a\u00e9reas, antes mesmo de ela cair na corrente sangu\u00ednea. \u201cVacinas aplicadas em uma mucosa t\u00eam maior probabilidade de induzir anticorpos do tipo IgA\u201d, diz o imunologista Herman Staats, l\u00edder do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A imunoglobulina A, ou IgA, \u00e9 um anticorpo de a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, a primeira linha de defesa do organismo contra doen\u00e7as. Ele serve para ganhar tempo, enquanto o corpo fabrica outro tipo de anticorpo, o IgG, que circula no sangue e \u00e9 mais poderoso \u2013 mas demora para ficar pronto.<\/p>\n\n\n\n<p>A vacina da Universidade Duke \u00e9 focada na coca\u00edna em p\u00f3, e n\u00e3o funciona contra o crack (porque ele \u00e9 absorvido pelos alv\u00e9olos pulmonares, e n\u00e3o atrav\u00e9s da mucosa nasal, que \u00e9 onde esse imunizante age). Ainda n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de testes em humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Depend\u00eancia psicol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As vacinas antidroga t\u00eam outro grande por\u00e9m: elas bloqueiam ou enfraquecem o efeito de determinada subst\u00e2ncia, mas n\u00e3o fazem nada contra a depend\u00eancia psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que o viciado pode acabar consumindo mais coca\u00edna ou crack, para tentar sentir algum efeito. \u201cAs pessoas precisariam de doses muito grandes da droga, ministradas muito r\u00e1pido, para superar a barreira proporcionada pelos anticorpos\u201d, admite Staats. Nessa situa\u00e7\u00e3o, haveria risco de overdose.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia ficou clara nos testes da vacina TA-CD: quanto mais anticorpos havia no sangue de cada volunt\u00e1rio, maior tamb\u00e9m o n\u00edvel de coca\u00edna na urina dele. Os viciados estavam aumentando o consumo da droga, em busca da sensa\u00e7\u00e3o que tinham antes de serem vacinados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs pesquisadores levaram para os testes pessoas que n\u00e3o estavam dispostas a abandonar o v\u00edcio. Nesses casos, a vacina realmente n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d, diz Garcia, da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do perigo de overdose, e a possibilidade de que os viciados aumentem seu consumo de coca\u00edna ou crack, tamb\u00e9m haveria outra quest\u00e3o. Da mesma forma que parte da sociedade hoje defende o encarceramento dos usu\u00e1rios de drogas, poderia haver um clamor pelo uso for\u00e7ado dos imunizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO usu\u00e1rio poderia ter que escolher entre a pris\u00e3o ou uma vacina\u201d, afirma o m\u00e9dico australiano Wayne Hall, pesquisador da Universidade de Queensland, em um artigo sobre as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas das vacinas antidrogas&nbsp;(19).<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma: as vacinas anticoca\u00edna ou crack t\u00eam efeito curto, podem acabar aumentando o consumo da droga, ou se transformar em instrumento de opress\u00e3o contra pessoas j\u00e1 fragilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vacina \u00e9 a estrat\u00e9gia mais promissora para o tratamento de depend\u00eancia qu\u00edmica. Mas, sem o paciente estar motivado, n\u00e3o adianta\u201d, afirma Garcia, da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que a pessoa consiga se levantar, enxergar uma luz e ver que \u00e9 poss\u00edvel deixar o v\u00edcio, ela precisa de ajuda. A vit\u00f3ria contra uma droga nunca vai depender s\u00f3 de outra droga&nbsp;&nbsp;\u2013 mesmo que seja uma vacina. \u00c9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, algo bem maior e mais forte: o apoio da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Usu\u00e1rios de drogas no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A depend\u00eancia \u00e9 uma doen\u00e7a grave, e que vem piorando. As ruas das metr\u00f3poles, e at\u00e9 de cidades m\u00e9dias, t\u00eam cada vez mais gente viciada, jogada pelos cantos. E essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior do que parece.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas, elaborado pela Fiocruz e pelo IBGE, 1,4 milh\u00e3o de brasileiros entre 12 e 65 anos j\u00e1 usaram crack pelo menos uma vez&nbsp;(11).<\/p>\n\n\n\n<p>E esse dado \u00e9 de 2015, bem anterior \u00e0 explos\u00e3o da cracol\u00e2ndia paulistana, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros pa\u00edses t\u00eam problemas similares: um relat\u00f3rio publicado pelo minist\u00e9rio da Justi\u00e7a dos EUA, tamb\u00e9m em 2015, estimou que 8,8 milh\u00f5es de americanos j\u00e1 tinham experimentado crack&nbsp;(12).<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/media\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/vacina-crack-capa.jpg\" alt=\"Das tr\u00eas vacinas contra crack e coca\u00edna, que ser\u00e3o testadas em humanos, uma \u00e9 brasileira e outra inal\u00e1vel - Foto: Willfried Wende \/ Pixabay\" width=\"500\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/media\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/vacina-crack-capa.jpg 800w, https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/media\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/vacina-crack-capa-263x184.jpg 263w, https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/media\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/vacina-crack-capa-547x383.jpg 547w, https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/media\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/vacina-crack-capa-171x120.jpg 171w, https:\/\/d281e75zdqqlon.cloudfront.net\/media\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/vacina-crack-capa-768x538.jpg 768w\"><\/p>\n\n\n\n<p id=\"caption-attachment-220118\"><em>Tr\u00eas vacinas contra crack e coca\u00edna ser\u00e3o testadas em humanos \u2013 Foto: Willfried Wende \/ Pixabay<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es da\u00a0SuperInteressante<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas vacinas contra crack e coca\u00edna ser\u00e3o testadas em humanos ap\u00f3s sucesso em animais. 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