{"id":5145,"date":"2019-04-07T18:11:27","date_gmt":"2019-04-07T21:11:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=5145"},"modified":"2019-04-07T18:11:28","modified_gmt":"2019-04-07T21:11:28","slug":"desastres-iminentes-criam-onda-de-refugiados-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/07\/desastres-iminentes-criam-onda-de-refugiados-no-brasil\/","title":{"rendered":"Desastres iminentes criam onda de &#8216;refugiados&#8217; no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">748 pessoas que vivem na &#8216;zona de autossalvamento&#8217; por causa de trag\u00e9dia da Vale e&nbsp;outras 19 mil vivem de bairro de Macei\u00f3 com risco de afundar<\/h4>\n\n\n\n<p>Por um tempo, a sensa\u00e7\u00e3o era de viver \u00e0 espera do pior. O sono era invadido pelo receio de precisar fugir a qualquer momento. Hoje, eles est\u00e3o a salvo, mas j\u00e1 convivem com a sensa\u00e7\u00e3o de terem perdido tudo (ou quase). A descri\u00e7\u00e3o pode remeter a uma zona em conflito ou sob amea\u00e7a de desastre ambiental, mas se refere a alguns milhares de brasileiros. A eles, a \u00fanica alternativa foi sair de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0s trag\u00e9dias iminentes, duas chamam a aten\u00e7\u00e3o por criarem ondas de &#8220;refugiados&#8221; no Pa\u00eds: a&nbsp;<a href=\"https:\/\/noticias.r7.com\/brasil\/vale-negocia-acordo-de-ate-r-1-bilhao-com-cidades-06042019\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Vale realocou 748 pessoas que vivem na zona de autossalvamento<\/strong><\/a>&nbsp;(\u00e1rea at\u00e9 10 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia das barragens sob risco iminente de romperem em Minas Gerais); e outros 19 mil moradores de Pinheiro, bairro nobre de Macei\u00f3, que corre o risco de afundar, passam por desocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em casas tempor\u00e1rias ou hot\u00e9is, parte deles convive com a incerteza do retorno e a falta de uma vida que talvez nunca retomar\u00e3o. Ao Estado, relataram dificuldades em se adaptar a nova realidade, como a mudan\u00e7a de cidade ou bairro, a nova resid\u00eancia e conv\u00edvio social.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A repeti\u00e7\u00e3o desses desastres tecnol\u00f3gicos tem criado um ambiente de inseguran\u00e7a&#8221;, diz Frederico Garcia, coordenador do N\u00facleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Sa\u00fade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). &#8220;A gente n\u00e3o tem dados diretos, mas houve claramente um aumento de transtornos de ansiedade em popula\u00e7\u00f5es que vivem no entorno ou embaixo dessas barragens.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor foi um dos coordenadores de um estudo com 271 moradores de Mariana, de 10 e 90 anos, que passaram pela trag\u00e9dia de 2015. Do total, 63% diziam sofrer discrimina\u00e7\u00e3o pela condi\u00e7\u00e3o de atingido por barragem, 29% foram diagnosticado com depress\u00e3o e 83% apresentavam sintomas de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Garcia, os moradores dessas \u00e1reas t\u00eam maior propens\u00e3o a desenvolver estresse cr\u00f4nico, doen\u00e7as mentais e tamb\u00e9m f\u00edsicas, como diabete e hipertens\u00e3o. Por isso, ressalta a necessidade de atendimento preventivo. &#8220;Tem efeito a curto e a longo prazo, se nada for feito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Decis\u00e3o dif\u00edcil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dessa l\u00f3gica, ele aponta que a sa\u00edda de casa \u00e9 uma decis\u00e3o muito dif\u00edcil para as fam\u00edlias, por terem uma liga\u00e7\u00e3o estreita n\u00e3o s\u00f3 com o im\u00f3vel. &#8220;S\u00e3o pessoas que sa\u00edram da fazenda onde a fam\u00edlia estava h\u00e1 200 anos, que perderam o contato com as pessoas que conhecem, em quem confiavam. Se perde um im\u00f3vel, mas tamb\u00e9m uma rede de apoio, uma hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/recordtv.r7.com\/jornal-da-record\/videos\/moradores-de-bairro-de-maceio-al-abandonam-casas-apos-erosoes-e-rachaduras-11012019\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente com os moradores de Pinheiro<\/strong><\/a>, explica Laeuza Farias, presidente do Conselho Regional de Psicologia. Com sede no bairro alagoano, a entidade tem cerca de 50 colaboradores que atendem a popula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de risco &#8211; ao menos 447 pessoas j\u00e1 se cadastraram para receber aux\u00edlio-moradia da Prefeitura. &#8220;O dano causado \u00e0 sa\u00fade mental das pessoas \u00e9 imensur\u00e1vel, mesmo ofertando apoio psicol\u00f3gico.&#8221; Segundo ela, o impacto maior \u00e9 sobre a popula\u00e7\u00e3o mais idosa, que costuma ter um la\u00e7o mais antigo com o local. &#8220;Ainda tem a incerteza do patrim\u00f4nio material, que praticamente n\u00e3o vale mais nada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, um dos fatores mais estressantes \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o. &#8220;Algumas pessoas se mudaram, mas deixaram parte das coisas na casa. Sa\u00edram, mas ainda t\u00eam esperan\u00e7a de voltar para o seu cantinho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem escolha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Especializada em produ\u00e7\u00e3o de eventos, Lu\u00edza Vieira Wollny, de 32 anos, queria construir uma casa no distrito de S\u00e3o Sebasti\u00e3o das \u00c1guas Claras, conhecido como Macacos, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, e se casar. Ela e outros 200 moradores, aproximadamente, de \u00e1rea vizinha \u00e0 barragem da Vale no munic\u00edpio foram obrigados a deixar as casas em 16 de fevereiro, depois da empresa de consultoria se negar a atestar a estabilidade da estrutura. Todos viviam na chamada zona de autossalvamento (ZAS).<\/p>\n\n\n\n<p>A ex-moradora de Macacos est\u00e1 hoje em um hotel em Belo Horizonte. Ainda pensa em se casar. &#8220;Mas construir casa l\u00e1, n\u00e3o. \u00c9 dar sorte para o azar&#8221;, disse. Com o impacto do risco de rompimento da barragem, Lu\u00edza perdeu o emprego e n\u00e3o sabe para onde ir nem se volta para o interior. &#8220;N\u00e3o sei se posso ir. Se for, n\u00e3o sei se perco meus direitos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada aposentada paulistana Guiomar Marotti Dumont, de 61 anos, queria construir uma casa no lote que tem em Macacos para a filha, o genro e o neto de 3 meses. Vivia havia 15 anos no distrito e, vi\u00fava, fazia planos de voltar para S\u00e3o Paulo, onde tamb\u00e9m tem familiares. A casa que possui em Macacos, o lote, e a casa onde moravam a filha e o genro ficam no Engenho, localidade distante tr\u00eas quil\u00f4metros, dentro da zona de salvamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu nunca mais quero ouvir aquela sirene tocar, me arrepio s\u00f3 de pensar nisso. \u00c9 como se o c\u00e9rebro da gente parasse. N\u00e3o sei explicar. \u00c9 um pavor&#8221;, rememorou Guiomar. A sirene em Macacos foi acionada pela primeira vez no dia 16 de fevereiro, data da evacua\u00e7\u00e3o, quando o n\u00edvel de emerg\u00eancia da barragem foi elevado a 2. No dia 27, o status foi alterado para 3, que indica rompimento iminente. &#8220;A sensa\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos era de que, com a sirene, a barragem j\u00e1 havia rompido, tendo visto o que aconteceu em Brumadinho (que deixou mais de 300 mortos e desaparecidos)&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fomos muito felizes l\u00e1. Olhava para aquelas montanhas e dizia: Para que l\u00e1 fosse perfeito, s\u00f3 faltava o mar&#8221;, afirmou. Vivendo em um apart-hotel em Belo Horizonte, Guiomar espera agora uma indeniza\u00e7\u00e3o da Vale. &#8220;A casa agora n\u00e3o vale nada. O lote tamb\u00e9m n\u00e3o. E eu n\u00e3o pretendo fazer mais nada l\u00e1.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>25 km<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O genro de Guiomar, Gabriel Francisco dos Santos, de 28 anos, propriet\u00e1rio de um restaurante em Macacos, precisa agora se deslocar todos os dias do hotel em Belo Horizonte para o trabalho no distrito, a 25 quil\u00f4metros da capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Acostumado com a calma do interior, reclama de ter de viver em um grande centro. &#8220;L\u00e1 eu tinha mil metros quadrados com jabuticabeiras. Aqui abro a janela e s\u00f3 vejo pr\u00e9dio. Voc\u00ea n\u00e3o vive na sua casa. N\u00e3o tem privacidade. Vive sob as regras de um hotel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para ajudar a enfrentar a nova vida, Gabriel e Guiomar levaram os animais para o hotel. &#8220;S\u00e3o dois cachorros e cinco gatos. O apart-hotel providenciou tela nas janelas&#8221;, observou ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tristeza<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pedreiro Wilson Mendes, de 51 anos, vive agora em uma casa alugada pela ArcelorMittal no Centro de Itatiaiu\u00e7u. Em 8 de fevereiro, foi retirado \u00e0s pressas de sua resid\u00eancia no distrito de Pinheiros, na zona de autossalvamento da barragem da mineradora. Com a mulher, uma filha de 22 anos e um filho de 18, passou a viver em um hotel, at\u00e9 ser alojado na casa em que est\u00e1 hoje. &#8220;Para a minha filha e o meu filho foi bom, porque estudam e trabalham na cidade. Para mim, n\u00e3o. Eu tinha horta, criava porco e galinha.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mendes morou no distrito durante 27 anos. &#8220;Sa\u00edmos de casa com a roupa do corpo. Tive de vender os animais. Ficaram meu gato e meu cachorro, que agora t\u00eam de ficar presos. At\u00e9 eles est\u00e3o tristes&#8221;, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia em que Mendes foi obrigado a deixar sua casa, Jos\u00e9 Wilson Magalh\u00e3es, de 69 anos, teve de sair da sua, no distrito de Socorro, em Bar\u00e3o de Cocais. Pelo mesmo motivo: problemas com uma barragem que, no munic\u00edpio, pertence \u00e0 Vale. Magalh\u00e3es, que \u00e9 separado, mora hoje em um hotel em Santa B\u00e1rbara, munic\u00edpio vizinho. &#8220;Ficar em um hotel dois dias \u00e9 uma coisa, mas dois meses \u00e9 bem diferente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O aposentado conta que dever\u00e1 se mudar para uma casa alugada nos pr\u00f3ximos dias. &#8220;O que eu queria era ficar na minha casa. Era o lugar em que eu iria passar o resto da minha vida. Isso foi tirado de mim. Tudo o que fa\u00e7o agora \u00e9 porque sou obrigado a fazer.&#8221; Em nenhum dos casos, existe a possibilidade de que moradores das zonas de autossalvamento retornem para as casas em que viviam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cenas de &#8216;Vidas Secas&#8217;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No planalto acinzentado do bairro do Pinheiro, em Macei\u00f3, o Jardim das Ac\u00e1cias espalha 23 edif\u00edcios de paredes desbotadas. No n\u00famero 17 &#8211; o Bloco A\u00e7a\u00ed, na Rua Manoel Menezes -, a aposentada Nailde Leal Messias, de 74 anos, despacha, de um dos apartamentos do 2.\u00ba andar, as \u00faltimas caixas para o caminh\u00e3o de mudan\u00e7as estacionado na frente do pr\u00e9dio. Deixa por \u00faltimo o Lourinho, um papagaio que a acompanha h\u00e1 23 anos. As rachaduras nas paredes do im\u00f3vel lembram a lama seca na margem de um rio des\u00e9rtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentada na sala, a filha da aposentada, Soraia Leal Messias, inevitavelmente se lembra da mudan\u00e7a de Fabiano e Sinh\u00e1 Vit\u00f3ria, personagens de Vidas Secas que tentam sobreviver aos infort\u00fanios da caatinga no romance do alagoano Graciliano Ramos. A diferen\u00e7a lembra ela, \u00e9 que o \u00eaxodo \u00e9 urbano. Depois de fechar o apartamento, Nailde Leal desce os dois lances de escadas que separam seu apartamento do t\u00e9rreo observada pelos vizinhos que insistem em continuar no edif\u00edcio condenado pela Defesa Civil de Alagoas. &#8220;Adeus&#8221;, fala para um deles. &#8220;A gente ainda vai se ver&#8221; responde o vizinho esperan\u00e7oso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Bloco 17 est\u00e1 na chamada \u00e1rea vermelha do Pinheiro &#8211; uma das tr\u00eas cores escolhidas pela Defesa Civil para definir o grau de perigo, sendo a vermelha a mais amea\u00e7ada de desabamento desde mar\u00e7o de 2018, quando um tremor de terra na regi\u00e3o provocou fissuras em dezenas de im\u00f3veis e afundamento do solo. Ao todo, a Prefeitura de Macei\u00f3 diz que pelo menos 2.415 im\u00f3veis correm risco de desabamento. Entretanto, passado mais de um ano, ningu\u00e9m sabe as causas. Profissionais do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil investigam o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, os moradores do Pinheiro tentam sobreviver em outros bairros longe da amea\u00e7a de desabamento, que agora afeta tamb\u00e9m os bairros do Mutange &#8211; onde est\u00e1 o centro de treinamento do CSA, o primeiro clube alagoano a disputar a S\u00e9rie A do Brasileiro &#8211; e Bebedouro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem \u00e1gua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na quarta-feira (3), o aposentado Jos\u00e9 Alves, de 65 anos, foi o \u00faltimo a deixar o edif\u00edcio Gameleira &#8211; o Bloco 13 do Jardim das Ac\u00e1cias. Saiu, faz quest\u00e3o de esclarecer, porque a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) cortou a \u00e1gua do pr\u00e9dio. &#8220;N\u00e3o iria conseguir arcar com uma despesa de cerca de R$ 500 sozinho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sa\u00edda do edif\u00edcio de tr\u00eas pavimentos, o aposentado cruzou com o funcion\u00e1rio p\u00fablico Ant\u00f4nio Rodrigues de Ara\u00fajo, de 66 anos, que havia deixado o bloco algumas semanas antes dele. Especialmente naquele dia, Ant\u00f4nio tinha marcado com um engenheiro da Caixa Econ\u00f4mica Federal que faria uma avalia\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel onde morava com a mulher. &#8220;Preciso saber como vai ficar minha situa\u00e7\u00e3o, porque ainda pago financiamento do im\u00f3vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto aguardava o representante do banco, Ant\u00f4nio Ara\u00fajo abriu a caixa de correios do pr\u00e9dio e se surpreendeu com o volume de correspond\u00eancias. N\u00e3o era o \u00fanico. Nos dias em que a reportagem percorreu as ruas do bairro, agentes dos Correios e t\u00e9cnicos da Equatorial Energia Alagoas visitaram im\u00f3veis abandonados distribuindo correspond\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem querer se identificar, funcion\u00e1rios da distribuidora de energia informavam que estavam apenas avisando sobre a possibilidade de interrup\u00e7\u00e3o de fornecimento de energia para quem estivesse deixando o bairro. Ao mesmo tempo, as ruas do Pinheiro foram tomadas por empresas de mudan\u00e7a &#8211; que cobram at\u00e9 R$ 400 dependendo da dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Perto dali a secret\u00e1ria Ana Paula Cirilo Castelo Branco enchia o ve\u00edculo com alguns objetos pessoais retirados da casa que acabara de abandonar com o marido e os dois filhos. Abalada com as not\u00edcias de poss\u00edvel desabamento do bairro, ela passou a tomar ansiol\u00edticos para poder conviver com a realidade local. Sua casa, avaliada em R$ 500 mil h\u00e1 quatro anos, n\u00e3o vale a metade disso atualmente, segundo o mercado imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha se mudado para um lugar que considera seguro, Ana Paula costuma voltar ao bairro com frequ\u00eancia para visitar a tia a aposentada Maria Nadir Marques Farias, de 82 anos, que se recusa a deixar o Pinheiro. &#8220;Isso tudo n\u00e3o passa de especula\u00e7\u00e3o&#8221; diz a aposentada. &#8220;Tem algu\u00e9m querendo ganhar dinheiro com isso&#8221;, acrescenta, se referindo \u00e0s not\u00edcias sobre uma eventual cat\u00e1strofe.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m de driblar um fen\u00f4meno aparente natural, os moradores do Pinheiro t\u00eam de driblar a incompreens\u00e3o e a gan\u00e2ncia do homem&#8221;, lamenta Jos\u00e9 Alves. Enquanto isso, como em Vidas Secas, o Pinheiro continuar\u00e1 mandando para outros lugares da cidade homens e mulheres fortes como Fabiano, Sinh\u00e1 Vit\u00f3ria, Nailde, Jos\u00e9 Alves, Ant\u00f4nio, Ana Paula e a pr\u00f3pria Nadir, que insiste em ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>Copyright \u00a9 2018 Estad\u00e3o. Todos os direitos reservados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>748 pessoas que vivem na &#8216;zona de autossalvamento&#8217; por causa de trag\u00e9dia da Vale e&nbsp;outras 19 mil vivem de bairro de Macei\u00f3 com risco de afundar Por um tempo, a sensa\u00e7\u00e3o era de viver \u00e0 espera do pior. O sono era invadido pelo receio de precisar fugir a qualquer momento. 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