{"id":4985,"date":"2019-04-06T11:44:18","date_gmt":"2019-04-06T14:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=4985"},"modified":"2019-04-06T11:44:19","modified_gmt":"2019-04-06T14:44:19","slug":"em-uma-decada-brasil-perde-um-terco-das-escolas-para-adultos-com-aula-de-ensino-fundamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/06\/em-uma-decada-brasil-perde-um-terco-das-escolas-para-adultos-com-aula-de-ensino-fundamental\/","title":{"rendered":"Em uma d\u00e9cada, Brasil perde um ter\u00e7o das escolas para adultos com aula de ensino fundamental"},"content":{"rendered":"\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o Brasil viu o n\u00famero de escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica aumentar 12%, de 255.445 para 286.014. No mesmo per\u00edodo, por\u00e9m, o n\u00famero dessas escolas que oferecem o ensino de jovens e adultos (EJA) do ensino fundamental recuou 34%, segundo um levantamento feito pelo\u00a0<strong>G1\u00a0<\/strong>na s\u00e9rie &#8220;Adultos sem diploma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A bab\u00e1 que aprendeu a ler sozinha e hoje estuda pedagogia<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2009, 37.334 escolas tinham turmas do EJA fundamental. J\u00e1 no ano passado, essa oferta s\u00f3 existia em 24.658 escolas, segundo os dados do Censo que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) divulgou no m\u00eas passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pelo&nbsp;<strong>G1<\/strong>&nbsp;explicam que a queda na oferta n\u00e3o est\u00e1 apenas relacionada ao aumento da escolariza\u00e7\u00e3o dos adultos, que provocaria menor demanda. Apesar dos avan\u00e7os, eles estimam que o n\u00famero de brasileiros sem diploma varia entre 30 e 40 milh\u00f5es. O pa\u00eds tem hoje 3,5 milh\u00f5es de alunos matriculados no EJA, sendo que 59% deles est\u00e3o no n\u00edvel fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve queda em todos os estados, e apenas o Distrito Federal registrou aumento no n\u00famero de escolas com a oferta. No Cear\u00e1 e em Rond\u00f4nia, a redu\u00e7\u00e3o chegou a mais da metade do total de escolas em 2009:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/rYhiy1GODDaGmxWpPGwhwdsfYjg=\/0x0:1600x2068\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/8\/y\/FyxSa3T1655RhMLG6NZA\/mapa-oferta-eja.jpg\" alt=\"Em dez anos, o Brasil perdeu um ter\u00e7o da oferta de EJA, segundo os microdados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica \u2014 Foto: Rodrigo Sanches\/G1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em dez anos, o Brasil perdeu um ter\u00e7o da oferta de EJA, segundo os microdados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica \u2014 Foto: Rodrigo Sanches\/G1<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia do fechamento das turmas, atualmente as pessoas com mais de 15 anos que n\u00e3o terminaram o ensino fundamental s\u00f3 podem encontrar cursos em 8,6% das escolas no pa\u00eds. Ou contar com projetos como o Aprender, do Col\u00e9gio Pueri Domus, um curso em que os alunos do ensino regular d\u00e3o aulas voluntariamente no per\u00edodo noturno, e onde a bab\u00e1 Maria das Neves, de 55 anos, encontrou o apoio de que necessitava para finalmente concluir o ensino m\u00e9dio e se matricular na faculdade de pedagogia.<\/p>\n\n\n\n<p>Educa\u00e7\u00e3o de adultos: A trajet\u00f3ria da alfabetiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ensino superiorG1 Olha que legal&#8211;:&#8211;\/&#8211;:&#8211;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s04.video.glbimg.com\/x720\/7347383.jpg\" alt=\"Educa\u00e7\u00e3o de adultos: A trajet\u00f3ria da alfabetiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ensino superior\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Educa\u00e7\u00e3o de adultos: A trajet\u00f3ria da alfabetiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ensino superior<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre o curso que ela fez e as turmas de EJA mantidas pela rede p\u00fablica de ensino \u00e9 que, no segundo caso, n\u00e3o s\u00f3 a turma \u00e9 presencial e mantida com financiamento do poder p\u00fablico, mas a avalia\u00e7\u00e3o feita pela escola tamb\u00e9m serve para a emiss\u00e3o do diploma de conclus\u00e3o do curso, assim como no ensino regular.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Neves, por\u00e9m, foi necess\u00e1rio realizar um exame de certifica\u00e7\u00e3o. Ela acabou tendo que passar por quatro tentativas frustradas com o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), at\u00e9 que, em 2017, o Inep decidiu retomar a aplica\u00e7\u00e3o do Exame Nacional para Certifica\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancias de Jovens e Adultos (Encceja) como prova de certifica\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Maria das Neves, a maioria dos adultos que fizeram o Enem em busca do certificado n\u00e3o conseguiram a pontua\u00e7\u00e3o m\u00ednima exigida, de 450 pontos nas provas objetivas e 500 pontos na prova de reda\u00e7\u00e3o. Mas, entre os demais candidatos do Enem, essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era diferente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/qIRlbQF_WdY8GCw6O5Q7QMbm-gc=\/0x0:1600x1346\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/R\/z\/pN7fxDQvAXpCUWfhU1Fg\/oferta-eja-2009-2018.jpg\" alt=\"N\u00famero de escolas com EJA do ensino fundamental caiu 34% em uma d\u00e9cada \u2014 Foto: Rodrigo Sanches\/G1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00famero de escolas com EJA do ensino fundamental caiu 34% em uma d\u00e9cada \u2014 Foto: Rodrigo Sanches\/G1<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alunos de dia, professores \u00e0 noite<\/h2>\n\n\n\n<p>Inicialmente criado por estudantes para alfabetizar funcion\u00e1rios da limpeza, seguran\u00e7a e do restaurante da escola, o Aprender hoje tem turmas de ensino fundamental e m\u00e9dio e foi ampliado para atender \u00e0 comunidade do entorno do Itaim Bibi, al\u00e9m de ganhar edi\u00e7\u00f5es em dois outros endere\u00e7os. Desde o in\u00edcio, por\u00e9m, as aulas s\u00e3o ministradas por alunos ou ex-alunos do pr\u00f3prio col\u00e9gio, no turno noturno e de forma volunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Giuliano Rossini, coordenador de projetos sociais do Pueri Domus, explica que, al\u00e9m de educar os adultos, o Aprender tamb\u00e9m melhora a disciplina e o rendimento dos estudantes que participam como professores. &#8220;\u00c0 noite ele \u00e9 professor, ent\u00e3o muda a rela\u00e7\u00e3o dele com os professores, ele entende como \u00e9 estar l\u00e1 na frente.&#8221; As turmas variam entre 3 e 13 alunos e, somando os tr\u00eas endere\u00e7os, o projeto mobiliza 80 professores volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/lbHpPbcDDOm6_J52PyR6VsOVNp0=\/0x189:960x720\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/g\/r\/j5V0P6SNAAAYDyI3ePmQ\/projetoaprender-pueridomus-.jpg.jpeg\" alt=\"No Projeto Aprender, os estudantes do ensino m\u00e9dio regular viram professores volunt\u00e1rios de jovens e adultos no per\u00edodo noturno \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Col\u00e9gio Pueri Domus\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No Projeto Aprender, os estudantes do ensino m\u00e9dio regular viram professores volunt\u00e1rios de jovens e adultos no per\u00edodo noturno \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Col\u00e9gio Pueri Domus<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">No Fundeb, aluno do EJA &#8216;vale menos&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Timothy Ireland, professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e coordenador da C\u00e1tedra da Unesco em Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos, alerta para o fato de que, no Brasil, a oferta de turmas do EJA tem ca\u00eddo nos \u00faltimos dados, o que pode dificultar ainda mais o processo de escolariza\u00e7\u00e3o das atuais gera\u00e7\u00f5es de adultos que n\u00e3o conclu\u00edram o ensino b\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do acesso mais dif\u00edcil, o financiamento p\u00fablico das turmas de EJA, que historicamente \u00e9 o menor entre todas as modalidades da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, tamb\u00e9m teve o menor crescimento em 11 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Fundeb) mostram que, em 2009, o valor por aluno anual estimado para o EJA desvinculado ao ensino profissionalizante foi de R$ 2.167,03, considerando o valor corrigido pela infla\u00e7\u00e3o (IPCA).<\/p>\n\n\n\n<p>Para 2019, esse n\u00famero subiu at\u00e9 R$ 2.870,94. Apesar do avan\u00e7o de 32,5%, essa \u00e9, atualmente, a \u00fanica modalidade de ensino em que cada estudante recebe menos de R$ 3,5 mil do poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o EJA integrado ao ensino profissionalizante viu seu valor expandir 56,6%, de R$ 2.749,81 em 2009 para R$ 4.306,41 neste ano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prioridades pol\u00edticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados do Fundeb mostram ainda como as prioridades dos gestores impactaram cada modalidade. Em 2009, o EJA estava empatado com a creche em tempo parcial na posi\u00e7\u00e3o de &#8220;modalidade com menor financiamento p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, nos \u00faltimos 11 anos, o financiamento por aluno matriculado na creche parcial de escolas p\u00fablicas aumentou 93,1% e hoje \u00e9 de R$ 4.183,75, 46% maior que o EJA sem v\u00ednculo com ensino profissionalizante.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00e3o chega a ter 1% de investimento da educa\u00e7\u00e3o destinado ao EJA. O gestor p\u00fablico acaba preferindo investir na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as porque tem mais press\u00e3o social, jur\u00eddica e legal para fazer isso\u201d, afirma Roberto Catelli Junior, coordenador adjunto da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Marcelino de Rezende Pinto, doutor em educa\u00e7\u00e3o e professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), \u00e9 especialista em financiamento da educa\u00e7\u00e3o e explica que \u00e9 dif\u00edcil descobrir quanto exatamente cada rede p\u00fablica gasta com o ensino de adultos, porque os professores do EJA s\u00e3o os mesmos do ensino regular.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o existe um professor que faz concurso para EJA. Em geral \u00e9 um professor que d\u00e1 aula nos anos finais e iniciais do fundamental e tamb\u00e9m d\u00e1 aula de EJA. O grande gasto de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sal\u00e1rio, e o sal\u00e1rio desse professor vai sair misturado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele ressalta que, j\u00e1 no ponto de partida da divis\u00e3o dos recursos do Fundeb para os estados e munic\u00edpios, os estudantes de EJA saem perdendo. Isso porque o c\u00e1lculo \u00e9 feito segundo o chamado &#8220;fator de pondera\u00e7\u00e3o&#8221;, que usa como base o valor por aluno dos anos iniciais do fundamental. Como o EJA tem fator 0,8, cada estudante do EJA recebe o valor correspondente a 80% do que recebe um aluno do fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os fatores da lei j\u00e1 desestimulam. Se dez alunos de EJA contam como oito, eu como prefeito j\u00e1 n\u00e3o vou me sentir estimulado&#8221;, diz Marcelino, que ressalta outros fatores de desest\u00edmulo \u00e0 oferta de EJA. &#8220;H\u00e1 uma resist\u00eancia da pr\u00f3pria rede. Como a EJA \u00e9 \u00e0 noite, o diretor tem que abrir escola de noite&#8221;, ressalta.Financiamento p\u00fablico da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sicaValor por aluno anual estimado do Fundeb de algumas modalidades de ensino para 20194.729,454.729,454.183,754.183,754.729,454.729,453.819,943.819,943.622,293.622,293.984,523.984,524.547,554.547,554.729,454.729,454.365,654.365,652.870,942.870,944.306,414.306,41Creche integralCreche parcialPr\u00e9-escola integralPr\u00e9-escola parcialFundamental I &#8211; urbanoFundamental II &#8211; urbanoM\u00e9dio &#8211; urbanoEduca\u00e7\u00e3o profissionalEduca\u00e7\u00e3o especialEJAEJA integrado \u00e0 ed. profissional02k4k6kFonte: FNDE\/Fundeb<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Oferta e demanda<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Catelli, o Censo de 2010 apontava que 9,6% da popula\u00e7\u00e3o com 15 anos ou mais no pa\u00eds era analfabeta, e 34,7% dos adultos tinham o ensino fundamental incompleto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ireland diz que a tend\u00eancia se deve a corte de gastos e agrupamento de turmas de EJA em menos escolas, e que as pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o investem na mobiliza\u00e7\u00e3o ativa para encontrar os adultos sem diploma. \u201cA oferta normalmente n\u00e3o ultrapassa 10% da demanda potencial\u201d, explica ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia para o futuro, segundo os especialistas, \u00e9 que de fato as turmas de alfabetiza\u00e7\u00e3o e ensino fundamental passem a dar mais espa\u00e7o para o ensino m\u00e9dio. Mas isso n\u00e3o necessariamente significa que a escolariza\u00e7\u00e3o esteja avan\u00e7ando \u2013 eles alertam que o ritmo lento dessa melhora indica que a popula\u00e7\u00e3o mais velha (e, portanto, a menos escolarizada) vai morrendo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A ideia de que vai resolver pela mortalidade \u00e9 um erro imenso&#8221;, afirma Timothy Ireland. &#8220;Temos metas de reduzir em 50% o n\u00famero de analfabetos funcionais, o que tamb\u00e9m \u00e9 muito improv\u00e1vel.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em 2018, adultos interessados em voltar \u00e0 escola e cursar o ensino m\u00e9dio s\u00f3 encontram esse servi\u00e7o em 3,4% das escolas de ensino b\u00e1sico do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a demanda por essa modalidade \u00e9 evidenciada pela evolu\u00e7\u00e3o do total de matr\u00edculas registradas no Censo Escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2014 e 2018, o n\u00famero de estudantes no EJA do ensino m\u00e9dio cresceu 5,1%, de 1.367.885 para 1.437.833. J\u00e1 o n\u00famero de estudantes no ensino m\u00e9dio regular caiu 7,1% no mesmo per\u00edodo, o que pode indicar, al\u00e9m do abandono escolar, a transfer\u00eancia de adolescentes para o EJA assim que eles completam a idade m\u00ednima exigida (15 anos para o fundamental e 18 para o m\u00e9dio).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cFalta no pa\u00eds hoje uma vis\u00e3o de que essa \u00e9 uma d\u00edvida social que o pa\u00eds tem que resolver. Hoje se coloca a discuss\u00e3o numa l\u00f3gica muito meritocr\u00e1tica, de que a pessoa que n\u00e3o estudou tem culpa e precisa resolver. Se n\u00e3o criar alguma condi\u00e7\u00e3o para esse sujeito estudar, ele n\u00e3o vai estudar\u201d, afirma Catelli Junior.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de adultos sem diploma<\/h2>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o ensino dos adultos vai al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o atual, at\u00e9 a demanda futura de quem hoje deveria j\u00e1 estar sendo escolarizado de forma adequada. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad C) de 2017 estimam que cerca de 900 mil adolescentes de 15 a 17 anos sequer est\u00e3o matriculados na escola. Entre os demais, o Censo divulgado em janeiro mostrou que 28,2% est\u00e3o cursando uma s\u00e9rie inferior \u00e0 esperada para sua idade, uma situa\u00e7\u00e3o que aumenta o risco da evas\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;O aluno de EJA \u00e9 cada vez mais jovem, n\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o teve acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no ano passado. Ele \u00e9 fruto da escola ruim. \u00c9 a escola de baixa qualidade que vai produzir o aluno do EJA de amanh\u00e3&#8221;, ressalta Marcelino, da USP.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/NTouYjkBkZpUsxB44kD7JL-2Lnw=\/0x0:1600x1723\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/c\/u\/bwNFHUTRaC0bXPZ3wzkQ\/ensino-medio-regular-x-eja.jpg\" alt=\"Dados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica mostram que, nos \u00faltimos cinco anos, o n\u00famero de matr\u00edculas do ensino m\u00e9dio regular tem ca\u00eddo, enquanto as do ensino m\u00e9dio para jovens e adultos subiu \u2014 Foto: Rodrigo Sanches\/G1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Dados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica mostram que, nos \u00faltimos cinco anos, o n\u00famero de matr\u00edculas do ensino m\u00e9dio regular tem ca\u00eddo, enquanto as do ensino m\u00e9dio para jovens e adultos subiu \u2014 Foto: Rodrigo Sanches\/G1<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os especialistas citam diversos benef\u00edcios em investir na oferta de mais turmas de EJA, especialmente em uma sociedade em que, segundo Timothy Ireland, exige dom\u00ednio da leitura e da escrita mesmo para conseguir um trabalho de pedreiro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuem tem o maior n\u00edvel de escolaridade rende mais, produz mais. Faz sentido em termos de cidadania, e faz sentido em termos de economia, de produ\u00e7\u00e3o\u201d, explica Ireland.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>J\u00e1 segundo Marcelino, aumentar a escolariza\u00e7\u00e3o dos milh\u00f5es de adultos brasileiros que n\u00e3o pegaram o diploma tem impacto direto na melhora do rendimento escolar dos filhos deles. &#8220;Se fala muito que os pais n\u00e3o participam, mas o melhor argumento pro pai participar \u00e9 poder estudar na escola em que o filho estuda.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o Brasil viu o n\u00famero de escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica aumentar 12%, de 255.445 para 286.014. No mesmo per\u00edodo, por\u00e9m, o n\u00famero dessas escolas que oferecem o ensino de jovens e adultos (EJA) do ensino fundamental recuou 34%, segundo um levantamento feito pelo\u00a0G1\u00a0na s\u00e9rie &#8220;Adultos sem diploma&#8221;. A bab\u00e1 que aprendeu a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4990,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4985","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/projeto-aprender-pueri-domus.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4985"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4985"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4985\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4991,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4985\/revisions\/4991"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}