{"id":4858,"date":"2019-04-05T15:07:05","date_gmt":"2019-04-05T18:07:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=4858"},"modified":"2019-04-05T15:07:06","modified_gmt":"2019-04-05T18:07:06","slug":"a-cegueira-do-radicalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2019\/04\/05\/a-cegueira-do-radicalismo\/","title":{"rendered":"A cegueira do radicalismo"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil vive a era do radicalismo. E, como em todo ambiente extremado, existem dois lados que, embora berrem, s\u00f3 ouvem o que lhes interessa \u00ad\u2014 mesmo que o trombeteado por suas turbas sejam estelionatos hist\u00f3ricos. Na \u00faltima semana, vivenciamos as pontas mais vis\u00edveis dessa radicaliza\u00e7\u00e3o que, em geral, nasce de governos doutrin\u00e1rios movidos por ideologias tacanhas. N\u00e3o raro, destinadas a maquiar fracassos administrativos. \u00c9 como se o Brasil se adequasse \u00e0 imagem shakespeariana do absurdo: \u201ca do louco conduzindo o cego\u201d, onde os cegos s\u00e3o a milit\u00e2ncia amestrada.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro fato envolveu a ladainha do comemora-n\u00e3o-comemora os 55 anos do golpe de 31 de mar\u00e7o de 1964. O outro partiu do ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, o embaixador Ernesto Ara\u00fajo, que numa ins\u00f4nia pseudo-acad\u00eamica inventou que o nazismo de Adolf Hitler e o fascismo de Benito Mussolini seriam ideologias de esquerda. Na pol\u00eamica sobre o 31 de mar\u00e7o, foi o pr\u00f3prio presidente Jair Bolsonaro quem ordenou que se celebrasse o anivers\u00e1rio do golpe \u2013 para ele, \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201ccontragolpe\u201d. A quest\u00e3o foi parar na Justi\u00e7a. Houve liminar, mas aconteceu principalmente o que o mandat\u00e1rio queria: a polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ruas, o que se viu foram gatos-pingados a favor e contra a data. Em S\u00e3o Paulo, a Avenida Paulista virou palco de brigas e discuss\u00f5es acaloradas. \u201cSou patriota e fui para a Paulista comemorar um dia hist\u00f3rico. Vivemos mais de trinta anos de doutrina\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o nas m\u00e3os da esquerda comunista\u201d, afirmou um personagem que s\u00f3 quis se identificar como Torres, integrante do movimento Patriotas Lobos do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fui \u00e0s ruas contra a celebra\u00e7\u00e3o do golpe e contra Bolsonaro\u201d, retruca Antonio Carlos Silva, dirigente do Partido da Causa Oper\u00e1ria. \u201cUma companheira foi agredida pelo grupo de direita, alguns deles tinham tasers e spray, outros carregavam paus\u201d. Nas redes sociais, as disputas mais renhidas duraram uma eternidade. \u201cH\u00e1 mil\u00edcias organizadas nas redes\u201d, lamenta o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. \u201cElas usam rob\u00f4s e perseguem opini\u00f5es e pessoas que pensam de forma diferente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBVEwLH.img?h=942&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&amp;x=970&amp;y=312\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00a9 Fornecido por Tr\u00eas Editorial Ltda<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno pol\u00edtico e social n\u00e3o constitui uma exclusividade nacional. E nem da direita. A esquerda tamb\u00e9m est\u00e1 mergulhada de cabe\u00e7a. Diversos pa\u00edses vivem imersos hoje no mesmo clima de antagonismo, feito um filme que roda para tr\u00e1s: j\u00e1 o assistimos e sabemos que o final do enredo n\u00e3o tem nada de feliz. Na Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, os ingleses, embora fleugm\u00e1ticos nas manifesta\u00e7\u00f5es, se dividem em rela\u00e7\u00e3o ao Brexit.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, os coletes amarelos fustigam semanalmente nas ruas o governo de Emmanuel Macron. Em outras na\u00e7\u00f5es do continente, d\u00e1-se o retorno \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos estados nacionais. Somemos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da Europa a dos EUA, onde ressurge o infame discurso da supremacia branca, e encontraremos um denominador comum: a repulsa aos imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, gente que vem para c\u00e1, fugindo das mis\u00e9rias de suas terras, como \u00e9 o caso dos venezuelanos tiranizados por Nicol\u00e1s Maduro, \u00e9 bem acolhida. H\u00e1, no entanto, um segundo denominador que abrange Brasil, EUA e pa\u00edses europeus. Trata-se de governantes que agem como uma esp\u00e9cie de evangelizadores, a impor suas doutrinas \u2014\u00ad\u00ad nem sempre com os p\u00e9s na realidade. Onde eles se reproduzem existem radicaliza\u00e7\u00f5es no tecido social. Assim, empurram a sociedade para o desalento. Da prostra\u00e7\u00e3o nasce a descren\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBVEiVK.img?h=473&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&amp;x=337&amp;y=340\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00a9 Fornecido por Tr\u00eas Editorial Ltda<\/p>\n\n\n\n<p>Extremismos s\u00e3o engendrados por tais formas de governos, que se alimentam de demagogia e ideologias e regurgitam populismo. Se ainda fossem conceitos ideol\u00f3gicos no campo filos\u00f3fico hegeliano, nos quais h\u00e1 um aprimoramento constante das ideias como s\u00ednteses que sucedem o debate de teses e ant\u00edteses, tudo estaria bem \u2013 o que n\u00e3o significaria o fim da Hist\u00f3ria, como um dia decretou, para ter seus quinze minutos de gl\u00f3ria, o fil\u00f3sofo e economista americano Francis Fukuyama. Nada h\u00e1 de filos\u00f3fico na voca\u00e7\u00e3o para o doutrin\u00e1rio. O que impera s\u00e3o prega\u00e7\u00f5es totalit\u00e1rias, como as que assistimos no governo de Jair Bolsonaro, e as que j\u00e1 experimentamos, por exemplo, sob os governos populistas de Get\u00falio Vargas, Jo\u00e3o Goulart, Lula e Dilma Rousseff.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal m\u00e9todo de governar pode ser cotejado \u00e0 enfermidade do anor\u00e9xico que enxerga distorcida a sua imagem no espelho. Os presidentes que se apegam ao m\u00e9todo desvirtuam a realidade como se eles fossem o espelho no qual a sociedade se olha. Assim foi com Lula, o criador e disseminador do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d. Nesse momento, Bolsonaro e alguns ministros elevam a deturpa\u00e7\u00e3o ao estado da arte. A gest\u00e3o do capit\u00e3o reformado, em sua primeira centena de dias que foram t\u00e3o ruins que parecem mil, promove de dentro do pr\u00f3prio Pal\u00e1cio do Planalto essas distor\u00e7\u00f5es. \u201cA no\u00e7\u00e3o de que pol\u00edtica se faz a partir do compartilhamento se quebrou no Brasil\u201d, diz o cientista pol\u00edtico Eduardo Grin, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. \u201cAo presidente interessa o confronto permanente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto a que Grin se refere est\u00e1 mais do que bem desenhado: de um lado h\u00e1 a esquerda ou os que se dizem de esquerda, do outro se posiciona a direita ou os que se dizem de direita. Nos \u00faltimos dias, ISTO\u00c9 mergulhou nesse mundo. \u00c9 f\u00e1cil perceber que as t\u00e1ticas da guerrilha dos radicais de esquerda e direita s\u00e3o primas-irm\u00e3s, na forma e no conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos se comportam de modo muito parecido. Nas redes sociais ou mesmo fora delas, as hordas atuam organizadas como manada. Sobra disposi\u00e7\u00e3o e energia para linchar e moer por meio de uma m\u00e1quina muito poderosa quem ousa pensar diferente. Em geral, investem contra o indiv\u00edduo que se \u201catreve\u201d a tecer uma cr\u00edtica contra a cartilha ideol\u00f3gica pela qual rezam. Partem para desqualific\u00e1-lo de todas as formas. O coment\u00e1rio \u00e9 replicado para o ex\u00e9rcito organizado que, imediatamente, passa a promover uma esp\u00e9cie de linchamento p\u00fablico do(a) autor(a) da opini\u00e3o indesejada. \u00c9 uma tentativa de destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. Com a ajuda de rob\u00f4s, os ataques s\u00e3o intensificados e os posts distribu\u00eddos para um n\u00famero maior de pessoas. Nas ruas, os provocadores s\u00e3o infiltrados em manifesta\u00e7\u00f5es, pac\u00edficas ou n\u00e3o, que envolvam apoiadores da tese advers\u00e1ria. A ideia \u00e9 \u201ccausar\u201d, para usar uma express\u00e3o atual.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um vocabul\u00e1rio que define os dois lados. Para a esquerda, os advers\u00e1rios da direita s\u00e3o \u201cbolsominions\u201d, \u201crea\u00e7as\u201d ou mesmo \u201cfascistas\u201d. Para a direita os inimigos s\u00e3o \u201cesquerdopatas\u201d, \u201cesquerdalha\u201d ou \u201cpetralhas\u201d. A execu\u00e7\u00e3o da vereadora Marielle Franco, as invas\u00f5es do MST, as depreda\u00e7\u00f5es de propriedades em meio a manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7am pac\u00edficas s\u00e3o emblemas concretos do sectarismo. \u201cToda a cultura e a pr\u00e1tica do confronto come\u00e7ou em 2013 com Lula. O ex-presidente transformou a coisa numa guerra santa\u201d, diz Grin. Em postagem no Twitter, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso clamou pela \u201csensatez\u201d. \u201cO Pr (presidente da Rep\u00fablica) confunde os autoritarismos: chama os nazis de comunistas. O PT confunde Justi\u00e7a com arb\u00edtrio. Sem a sensatez a democracia \u00e9 dif\u00edcil. N\u00e3o desistiremos\u201d, escreveu.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 explica\u00e7\u00f5es para o Brasil ser a rep\u00fablica dos Jangos, dos Lulas, das Dilmas e dos Bolsonaros. Basta ir \u00e0 fonte de um dos mais conceituados intelectuais da Am\u00e9rica Latina, o historiador brasileiro S\u00e9rgio Buarque de Holanda. Em seu cl\u00e1ssico \u201cRa\u00edzes do Brasil\u201d, ele delineia o que chama de o \u201chomem cordial\u201d \u2013 express\u00e3o tomada emprestada do poeta cubano Rub\u00e9n Dar\u00edo. Para Buarque de Holanda, assim \u00e9 o brasileiro. Com \u201ccordialidade\u201d, ele n\u00e3o quis dizer que somos bonzinhos e educadinhos. Desejou, sim, mostrar o quanto somos passionais e emocionais. O brasileiro de outros tempos e dos atuais abre a garganta gritando gol e fecha a m\u00e3o para esmurrar o torcedor advers\u00e1rio. Na pol\u00edtica o fanatismo \u00e9 igual.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra explica\u00e7\u00e3o pode estar na forma\u00e7\u00e3o da nossa rep\u00fablica, \u201cquartelada\u201d \u00e0 qual o povo assistiu \u201cbestializado\u201d, no testemunho presencial de Aristides Lobo. A zonzeira daquela \u00e9poca era ainda a ressaca do suntuoso \u00faltimo baile da Ilha Fiscal, dias antes do 15 de novembro de 1889. Monarquistas e republicanos dan\u00e7aram, embriagaram-se e juntos se empaturraram de camar\u00f5es. Empedernido republicano, Benjamin Constant achou que n\u00e3o lhe ca\u00eda bem ir ao baile. Aproveitou-se ent\u00e3o da vontade de sua filha de ver a festa: alugou um barco, e l\u00e1 ficou, no mar, olhando quem entrava e quem sa\u00eda. Convenhamos, tudo isso s\u00f3 podia dar mesmo no que deu.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui e em todo o mundo, pa\u00edses movidos por ideologias est\u00e3o fadados a esquecer do que \u00e9 essencial \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Os governos focam na doutrina\u00e7\u00e3o e esquecem investimentos b\u00e1sicos na educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a. O que conta \u00e9 dividir. \u00c9 o palavr\u00f3rio \u2013 e o \u00f3dio nutrido por quem expressa opini\u00e3o diferente. As autoridades deveriam ler, por exemplo, Irineu Evangelista de Souza, o Bar\u00e3o de Mau\u00e1. Ali est\u00e1 o caminho para pacificar o Pa\u00eds: \u201co melhor programa de governo \u00e9 n\u00e3o atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem\u201d. Tamb\u00e9m poderiam ouvir o Bai\u00e3o de Nossa Senhora da Penha, composto por David Nasser e Guio de Morais. H\u00e1 um trecho exemplar: \u201c(\u2026) D\u00ea b\u00ean\u00e7\u00e3o padroeira\/ pra essa gente brasileira\/ que quer paz pra trabalhar\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BBVEqxg.img?h=2180&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>.\u00a9 Fornecido por Tr\u00eas Editorial Ltda<\/p>\n\n\n\n<p>MSN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive a era do radicalismo. E, como em todo ambiente extremado, existem dois lados que, embora berrem, s\u00f3 ouvem o que lhes interessa \u00ad\u2014 mesmo que o trombeteado por suas turbas sejam estelionatos hist\u00f3ricos. 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