{"id":47974,"date":"2023-05-17T14:49:07","date_gmt":"2023-05-17T17:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=47974"},"modified":"2023-05-17T14:49:08","modified_gmt":"2023-05-17T17:49:08","slug":"animal-mais-letal-do-planeta-como-mosquito-egipcio-chegou-ao-brasil-e-matou-10-mil-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/05\/17\/animal-mais-letal-do-planeta-como-mosquito-egipcio-chegou-ao-brasil-e-matou-10-mil-pessoas\/","title":{"rendered":"Animal mais letal do planeta: Como mosquito eg\u00edpcio chegou ao Brasil e matou 10 mil pessoas"},"content":{"rendered":"\n<p>Popularmente conhecido como mosquito da dengue, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;h\u00e1 mais de um s\u00e9culo \u00e9 o mais temido &#8220;inimigo p\u00fablico&#8221; do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A esp\u00e9cie, origin\u00e1ria do Egito, \u00e9 respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o das arboviroses urbanas mais comuns do pa\u00eds: dengue, chikungunya e zika.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu tamanho inferior a um cent\u00edmetro e suas listras brancas no tronco, cabe\u00e7a e pernas parecem esconder sua alta capacidade de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pouca gente sabe \u00e9 que nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas o\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0foi respons\u00e1vel pelas mortes de 10 mil brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantamento feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a pedido da BBC News Brasil aponta que desde 1990, 10.096 brasileiros morreram ap\u00f3s serem picados pelo mosquito. Foram 9.186 mortes por dengue, 875 por chikungunya e 35 por zika.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem contar as milh\u00f5es de pessoas que s\u00e3o contaminadas todos os anos pelo mosquito e conseguem se recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ter uma ideia, somente em 2022, foram registrados 1.450.270 casos e 1.017 mortes de dengue no Brasil \u2013 um recorde, desde que os \u00f3bitos pela doen\u00e7a passaram a serem registrados oficialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Cientificamente, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;foi descrito pela primeira vez, em 1762, quando foi denominado&nbsp;<em>Culex aegypti<\/em>&nbsp;&#8211; culex de &#8216;mosquito&#8217; e aegypti em refer\u00eancia a sua regi\u00e3o de origem: o Egito.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em 1818, pesquisadores notarem que a esp\u00e9cie tinha caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas e biol\u00f3gicas semelhantes \u00e0s de esp\u00e9cie do g\u00eanero&nbsp;<em>Aedes<\/em>. Com isso, o nome passou a ser&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/d4b6\/live\/6616b5e0-ed7e-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg\" alt=\"Aedes aegypti pousado em uma folha\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,Menor do que os mosquitos comuns, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;possui listras brancas no tronco, cabe\u00e7a e pernas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No Brasil, estudos apontam que a chegada do mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana ocorreu entre os s\u00e9culos 17 e 19, atrav\u00e9s de navios que traziam pessoas do continente africano para serem escravizadas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade dos ovos da esp\u00e9cie de resistir at\u00e9 um ano sem contato com \u00e1gua ajudou para que rapidamente o mosquito do Egito encontrasse ambiente favor\u00e1vel para se reproduzir nos navios e, em seguida, no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamara Nunes de Lima Camara, pesquisadora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), ressalta que apesar do primeiro caso oficial de dengue no Brasil ser de 1981, existem evid\u00eancias que, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 19, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;j\u00e1 era um problema no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existem relatos de epidemias de doen\u00e7a com sintomas similares \u00e0 dengue em 1916, em S\u00e3o Paulo (SP); e em 1923, em Niter\u00f3i (RJ), mas sem diagn\u00f3stico laboratorial, apenas cl\u00ednico. A primeira confirma\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio de dengue no pa\u00eds somente ocorreu em 1981, a partir de uma epidemia na cidade de Boa Vista, em Roraima.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Isolamento-contra-o-mosquito\">Isolamento contra o mosquito<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes do primeiro caso de dengue ser confirmado oficialmente, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;j\u00e1 era um problema no territ\u00f3rio brasileiro pela sua capacidade de transmitir o v\u00edrus da febre amarela urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, por falta de conhecimento que a picada do&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;poderia transmitir doen\u00e7as muitas pessoas acreditavam que a febre amarela, por exemplo, era contra\u00edda a partir do contato com um infectado.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi somente no s\u00e9culo 20, que houve o consenso que eram os vetores, entre eles, o mosquito&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>, os grandes respons\u00e1veis pela transmiss\u00e3o da doen\u00e7a e que o combate n\u00e3o seria apenas isolando as v\u00edtimas, mas combatendo os focos de reprodu\u00e7\u00e3o dos mosquitos transmissores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi apenas entre 1905 e 1906, que o m\u00e9dico ingl\u00eas Thomas Lane Bancroft, prop\u00f4s na Austr\u00e1lia que o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;quando infectado, poderia, atrav\u00e9s da picada, transmitir o microrganismo causador da dengue. Em seguida, em 1908, as observa\u00e7\u00f5es de Bancroft foram confirmadas pelo m\u00e9dico cubano Aristides Agramonte y Simoni&#8221;, explicou Jorge Tibilletti de Lara, pesquisador em hist\u00f3ria das ci\u00eancias e sa\u00fade da Fiocruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a descoberta, come\u00e7ou no Brasil uma verdadeira &#8220;ca\u00e7a aos mosquitos&#8221;. Quem estava contaminado precisava ficar em isolamento e na resid\u00eancia era instalada uma arma\u00e7\u00e3o de madeira revestida de tela ao redor da cama para impedir o acesso dos mosquitos ao doente.<\/p>\n\n\n\n<p>No resto da casa, pap\u00e9is eram colados em todas as aberturas para evitar a entrada dos insetos. Al\u00e9m disso, era comum a queima de p\u00f3 de piretro, que liberava um vapor capaz de atordoar os mosquitos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Brasil-j\u00e1-conseguiu-acabar-com-o-mosquito\">Brasil j\u00e1 conseguiu &#8216;acabar&#8217; com o mosquito<\/h2>\n\n\n\n<p>A busca por acabar com os mosquitos transmissores da febre amarela &#8211; na forma silvestre os vetores s\u00e3o o&nbsp;<em>Haemagogus&nbsp;<\/em>e o&nbsp;<em>Sabethes<\/em>; e na forma urbana (\u00faltimo registro em 1942), os mosquitos&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Albopictus<\/em>&nbsp;&#8211; levou o Brasil a adotar uma s\u00e9rie de medidas, na primeira metade do s\u00e9culo 20, contra a procria\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Propriet\u00e1rios de terrenos, por exemplo, eram punidos com multas caso tivessem criadouros de vetores e at\u00e9 farm\u00e1cias tinham que informar quem estava com febre amarela ou dengue.<\/p>\n\n\n\n<p>O esfor\u00e7o deu certo e vetores de doen\u00e7as comuns come\u00e7aram a ser erradicados do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira esp\u00e9cie foi a&nbsp;<em>Anopheles gambiae<\/em>, em 1940. O exterm\u00ednio desse mosquito, um perigoso vetor da mal\u00e1ria, ocorreu antes do uso do pesticida DDT (dicloro-difenil-tricloretano) ser utilizado no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em 1958, a erradica\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;no Brasil foi reconhecida pela a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana da Sa\u00fade (OPAS), ap\u00f3s uma campanha que teve grande import\u00e2ncia para a coopera\u00e7\u00e3o interamericana em sa\u00fade p\u00fablica, mas que tamb\u00e9m foi marcada por problemas internos, como a ades\u00e3o tardia dos Estados Unidos ao programa de erradica\u00e7\u00e3o. Isso somente ocorreu em 1964 e foi finalizado em 1969 sem ter atingido as metas estabelecidas&#8221;, apontou Gabriel Lopes, pesquisador em hist\u00f3ria das ci\u00eancias e sa\u00fade da Fiocruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o estopim para que em 1967, o Brasil voltasse a registrar casos de dengue.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"De-febre-amarela-a-dengue\">De febre amarela a dengue<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;voltou a ser problema, na d\u00e9cada de 1970, o Brasil j\u00e1 n\u00e3o tinha as mesmas caracter\u00edsticas dos anos 1900.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00eaxodo rural que fez brasileiros se mudarem do campo para as cidades estimulou o crescimento urbano desordenado, a falta de saneamento b\u00e1sico e concomitantemente a reprodu\u00e7\u00e3o acelerada da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A dengue, como conhecemos hoje, se espalhou pela Am\u00e9rica Latina a partir da d\u00e9cada de 1980, afetando 25 pa\u00edses e se expandindo rapidamente pelas cidades mais povoadas. O retorno e propaga\u00e7\u00e3o do mosquito&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>, que se intensificou ao final da d\u00e9cada de 1970, foi fundamental para esse processo. A perman\u00eancia desse mosquito em regi\u00f5es urbanas pouco saneadas garantiu a circula\u00e7\u00e3o de epidemias sem precedentes no s\u00e9culo 21, como o caso da zika e da chikungunya&#8221;, apontou Gabriel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 atrelada ao ciclo de vida do&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>. Sua r\u00e1pida reprodu\u00e7\u00e3o com ovos capazes de ficar at\u00e9 um ano em ambiente seco para conceder larvas s\u00e3o apontados como motiva\u00e7\u00f5es para que o vetor continue sendo temido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os mosquitos t\u00eam o ciclo de vida holomet\u00e1bolo, ou seja, com metamorfose completa. O ciclo possui as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos s\u00e3o muito resistentes \u00e0 disseca\u00e7\u00e3o e o embri\u00e3o pode permanecer vi\u00e1vel at\u00e9 um ano sem contato com a \u00e1gua&#8221;, explicou Tamara.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Animal-mais-letal-do-planeta\">Animal mais letal do planeta<\/h2>\n\n\n\n<p>Diferentemente do que muita gente imagina, os mosquitos s\u00e3o os animais mais letais do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) apontam que cerca de 725 mil pessoas morrem todos os anos por doen\u00e7as transmitidas por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, diferentemente de muitas outras criaturas perigosas, os mosquitos podem ser encontrados em praticamente todas as partes do mundo sem serem notados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/c027\/live\/e3e45b20-ed7a-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg\" alt=\"Aedes aegypti visto em um microsc\u00f3pio\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,O&nbsp;<em>Aedes aegypti&nbsp;<\/em>chegou ao Brasil entre os s\u00e9culos 17 e 19<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No caso do&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>, para que a transmiss\u00e3o da dengue aconte\u00e7a \u00e9 preciso que o vetor esteja infectado. Isso porque, ao mesmo tempo em que pica para sugar o sangue, o&nbsp;<em>Aedes<\/em>&nbsp;expele saliva infectada e transmite a doen\u00e7a para o ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a pessoa infectada, ao entrar na fase aguda da dengue e ser picada por um outro mosquito, vai contamin\u00e1-lo, iniciando novamente o ciclo de transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje, sabemos que at\u00e9 os ovos da f\u00eamea infectada tamb\u00e9m nascem com o v\u00edrus&#8221;, ressaltou L\u00edvia Vinhal, coordenadora de vigil\u00e2ncia de arboviroses do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Vetores-de-doen\u00e7as\">Vetores de doen\u00e7as<\/h2>\n\n\n\n<p>Jorge Tibilletti de Lara, pesquisador em hist\u00f3ria das ci\u00eancias e sa\u00fade da Fiocruz explica a transmiss\u00e3o de muitos dos v\u00edrus relacionados ao&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;se d\u00e1 pelo sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esses v\u00edrus se replicam no est\u00f4mago do mosquito. Ao mesmo tempo, o sangue humano, alimento preferido das f\u00eameas da esp\u00e9cie, aumenta as aptid\u00f5es dos mosquitos e a taxa de reprodu\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o fato de os mosquitos se alimentarem v\u00e1rias vezes de forma sorrateira, pelos tornozelos, aumentam as chances de transmiss\u00e3o. Isso porque muitas vezes a pessoa n\u00e3o consegue ver a tempo o inseto em contato com sua pele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico mosquito que transmite pat\u00f3genos aos humanos, mas preenche muito bem v\u00e1rios crit\u00e9rios que corroboram seu protagonismo como transmissor de doen\u00e7as: utiliza humanos como fonte de alimenta\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea; e vive em estreita associa\u00e7\u00e3o com humanos numa ampla distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica&#8221;, apontou Jorge.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, diferente de outros mosquitos que vivem mais em \u00e1reas de mata, o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;se adaptou bem ao ambiente urbano. Com isso, tem um maior contato com os seres humanos em rela\u00e7\u00e3o aos outros vetores do planeta, ganhando protagonismo em transmitir doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Cidades populosas sem saneamento adequado ao serem atingidas pelas chuvas, produzem condi\u00e7\u00f5es muito boas para a prolifera\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;no Brasil. De forma geral, as regi\u00f5es urbanas que possuem piores condi\u00e7\u00f5es relacionadas ao descarte do lixo, drenagem e obras inacabadas ou prec\u00e1rias podem produzir criadouros muito produtivos para o vetor&#8221;, disse Gabriel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"Como-combater-o-Aedes-aegypti-\">Como combater o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil dizem que dificilmente o Brasil vai conseguir erradicar o&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>, como fez h\u00e1 70 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje, o vetor \u00e9 altamente domiciliado. O que falamos atualmente \u00e9 em diminuir a infesta\u00e7\u00e3o do vetor e consequentemente a transmiss\u00e3o dos v\u00edrus&#8221;, disse Livia Vinhal, coordenadora de vigil\u00e2ncia de arboviroses do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a OMS, a dengue \u00e9 considerada end\u00eamica em pelo menos 100 pa\u00edses, abrangendo as regi\u00f5es das Am\u00e9ricas, \u00c1frica, Oriente M\u00e9dio, \u00c1sia e Ilhas do Pac\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/65e8\/live\/d10269b0-ed7b-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg\" alt=\"Vaso de planta com \u00e1gua parada\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,O mosquito pode ter como criadouros grandes espa\u00e7os ou at\u00e9 pequenos objetos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente, a grande esperan\u00e7a est\u00e1 relacionada aos resultados positivos de vacinas contra formas graves da dengue \u2013 doen\u00e7a mais comum de ser transmitida pelo&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Alda Maria da Cruz, diretora do departamento de doen\u00e7as transmiss\u00edveis da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ressalta que, com ou sem vacina, a melhor maneira de evitar a dengue, chikungunya e zika continua sendo acabar com os criadouros do&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o muitas vezes acredita que o fumac\u00ea \u00e9 uma das medidas mais efetivas no combate ao&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>, mas usamos ele quando todas as oportunidades de controle j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o dando mais certo. O que \u00e9 altamente efetivo no combate ao vetor \u00e9 evitar \u00e1gua parada. Por isso, precisamos muito da colabora\u00e7\u00e3o de todos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/3ff6\/live\/e7801820-ed7d-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg\" alt=\"Pessoa com roupa de prote\u00e7\u00e3o lan\u00e7ando fumac\u00ea\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Legenda da foto,O chamado &#8216;fumac\u00ea&#8217; \u00e9 uma das estrat\u00e9gias utilizadas no combate ao mosquito<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">BBC<\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popularmente conhecido como mosquito da dengue, o&nbsp;Aedes aegypti&nbsp;h\u00e1 mais de um s\u00e9culo \u00e9 o mais temido &#8220;inimigo p\u00fablico&#8221; do Brasil. 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