{"id":44520,"date":"2023-03-09T09:13:22","date_gmt":"2023-03-09T12:13:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=44520"},"modified":"2023-03-09T09:13:23","modified_gmt":"2023-03-09T12:13:23","slug":"mes-das-mulheres-conheca-a-chilena-que-ajuda-a-cultura-paranaense-a-escrever-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2023\/03\/09\/mes-das-mulheres-conheca-a-chilena-que-ajuda-a-cultura-paranaense-a-escrever-sua-historia\/","title":{"rendered":"M\u00eas das mulheres: conhe\u00e7a a chilena que ajuda a cultura paranaense a escrever sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Toda pessoa que tenha ingressado na \u00e1rea da Cultura do Estado nos \u00faltimos 25 anos, de secret\u00e1rios a estagi\u00e1rios, com certeza passou pela mesa dela pelo menos uma vez. Seu nome \u00e9 Marcela Llorente Aguilera, 62 anos, chilena de nascimento e brasileira de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste m\u00eas das mulheres sua hist\u00f3ria merece destaque porque, como chefe de Recursos Humanos da Secretaria da Cultura, exerce uma lideran\u00e7a forjada na ternura e, em uma rotina que poderia ser extremamente burocr\u00e1tica, consegue injetar altas doses de humanidade junto \u00e0queles que fazem a roda dos filmes, livros, shows e exposi\u00e7\u00f5es girar.<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio da trajet\u00f3ria de Marcela nos quadros do governo estadual remonta ao ano de 1984, quase quatro d\u00e9cadas antes. Nascida em Santiago, chegou em Curitiba com a fam\u00edlia aos 16 anos. A mudan\u00e7a trouxe um novo ritmo de vida para a jovem. Terminou o ensino m\u00e9dio no Col\u00e9gio Medianeira e logo ingressou na faculdade de Economia da FAE.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, ao ir ao consulado chileno com a m\u00e3e, por meio de um conhecido conterr\u00e2neo, ficou sabendo de uma vaga de est\u00e1gio na Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1. \u201cPegamos um t\u00e1xi para a Secretaria, que ficava onde hoje \u00e9 o Museu Oscar Niemeyer. Conversamos, gostaram de mim e comecei a trabalhar\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois, surgiu uma vaga de auxiliar administrativa e veio a efetiva\u00e7\u00e3o. \u201cAt\u00e9 hoje o meu v\u00ednculo \u00e9 com a Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o. Faz 39 anos que eu sou servidora p\u00fablica\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1993, Marcela se tornou gerente-administrativa da R\u00e1dio e TV Educativa, ent\u00e3o vinculada \u00e0 Secretaria da Cultura, e em janeiro de 1995 assumiu a chefia de Recursos Humanos da pasta, onde est\u00e1 at\u00e9 hoje. \u201cEssa \u00e9 a minha trajet\u00f3ria, uma vida toda. Por aqui passam diretores, secret\u00e1rios, servidores, estagi\u00e1rios, alegrias, tristezas\u2026 O contato com as pessoas me motiva\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcela conseguiu injetar intera\u00e7\u00f5es em uma rotina que tender a ter muito papel. Ela \u00e9 a figura ao estilo m\u00e3ezona, a quem muitos recorrem para tirar d\u00favidas, contar novidades, trocar ideias e at\u00e9 desabafar. O acento espanhol e a fala doce v\u00eam sempre acompanhados de um sorriso.<\/p>\n\n\n\n<p>A sala do RH, no segundo andar do pr\u00e9dio hist\u00f3rico da Secretaria da Cultura, na Rua \u00c9bano Pereira, em Curitiba, \u00e9 particularmente apraz\u00edvel para encontros, com um alto p\u00e9 direito e muitas plantas, cujas regas s\u00e3o exclusivamente de Marcela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu conhe\u00e7o as pessoas at\u00e9 pelo jeito que elas caminham. Sou muito de escutar. As pessoas v\u00eam e \u2018se confessam\u2019, falam da sua vida profissional, pessoal, suas hist\u00f3rias. Eu sou protetora, sinto que tenho de cuidar as pessoas\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa sensibilidade atravessa fronteiras. Quando foi ao pa\u00eds natal da Marcela, o advogado Danilo Buss, que trabalha com ela h\u00e1 mais de dez anos, ganhou a indica\u00e7\u00e3o de um ponto tur\u00edstico em Vi\u00f1a del Mar, a &#8220;cidade-jardim&#8221; do Chile. Tudo parecia normal at\u00e9 que o &#8220;conhe\u00e7o as pessoas pelo jeito de caminhar&#8221; se revelou na pr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cChegando l\u00e1, mandei para a Marcela uma foto da rua onde havia parado o carro, apenas para indicar que tinha encontrado o ponto tur\u00edstico. E qual foi a surpresa? Havia parado o carro bem na frente da casa que era da av\u00f3 dela, que ela tinha dito que era pr\u00f3xima ao local\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Buss, esse fato marcou a rela\u00e7\u00e3o que tem com ela e que ela tem com a cultura e os recursos humanos. \u201cSofre com as preocupa\u00e7\u00f5es e dificuldades da equipe, mas tamb\u00e9m tem o lindo brilho nos olhos quando as conquistas surgem\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FUTURO&nbsp;<\/strong>\u2013&nbsp;No alto dos seus 62 anos, com o aprendizado de quem teve de refazer a vida num outro pa\u00eds, Marcela mant\u00e9m um esp\u00edrito positivo para o futuro. \u201cMe acostumei a olhar pra frente. Se voc\u00ea tem amor e comprometimento, a coisa flui\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A aposentadoria, no entanto, j\u00e1 est\u00e1 no radar. \u201cTem o apego, mas a gente j\u00e1 est\u00e1 repassando o conhecimento. Vai chegar o momento em que vou ter de me despedir e retomar a minha vida familiar\u201d, afirma a dupla-cidad\u00e3, que s\u00f3 pende mais para o Chile em jogo de Copa do Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando encerrar a trajet\u00f3ria no servi\u00e7o p\u00fablico, os planos s\u00e3o se dedicar aos cultivos da sua ch\u00e1cara e ao casamento t\u00e3o longo quanto a carreira. Marcela \u00e9 casada h\u00e1 41 anos com o filho de imigrantes s\u00edrios Camilo Brahim, com quem tem o filho Diego (38) e o neto Cadu (3 meses). Outra uni\u00e3o que deu certo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento ser\u00e1 sempre o de gratid\u00e3o. \u201cToda a minha vida eu devo a esse trabalho. \u00c9 uma gratid\u00e3o enorme. Conseguir compartilhar com as pessoas, entend\u00ea-las e respeit\u00e1-las. O meu trabalho me ensinou isso. A gente n\u00e3o pode tentar mudar as pessoas, mas tentar entender elas na sua plenitude&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de sair, por\u00e9m, ela encampou a miss\u00e3o de estruturar a nova Secretaria de Estado da Cultura. \u201cMe emocionei bastante com esse desmembramento porque eu respiro cultura. Quando a Elietti (diretora-geral) me mostrou o organograma eu disse \u2018temos que retomar, vou estruturar os recursos humanos na Cultura&#8217;\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a&nbsp;secret\u00e1ria da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, ela \u00e9 um exemplo claro de pessoa certa no lugar certo, &#8220;match&#8221; que quando acontece faz com que as coisas fluam com naturalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFiquei encantada com a sensibilidade dela. Tem a caracter\u00edstica necess\u00e1ria para lidar com a rela\u00e7\u00e3o humana e o dom de encantar as pessoas. Eu me guiei muito nela porque me passou a confian\u00e7a que eu precisa naquele momento para conhecer o Estado. E agora para elevar o patamar da Cultura no Paran\u00e1. Ela \u00e9 o pilar da Secretaria\u201d, arremata.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda pessoa que tenha ingressado na \u00e1rea da Cultura do Estado nos \u00faltimos 25 anos, de secret\u00e1rios a estagi\u00e1rios, com certeza passou pela mesa dela pelo menos uma vez. Seu nome \u00e9 Marcela Llorente Aguilera, 62 anos, chilena de nascimento e brasileira de cora\u00e7\u00e3o. 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