{"id":39568,"date":"2022-07-28T16:02:30","date_gmt":"2022-07-28T19:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=39568"},"modified":"2022-07-28T16:02:31","modified_gmt":"2022-07-28T19:02:31","slug":"infancia-fonte-de-aprendizado-e-desenvolvimento-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2022\/07\/28\/infancia-fonte-de-aprendizado-e-desenvolvimento-emocional\/","title":{"rendered":"Inf\u00e2ncia: fonte de aprendizado e desenvolvimento emocional"},"content":{"rendered":"\n<p>O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) define que eles s\u00e3o seres dignos de respeito. Mesmo assim, nossa cultura por vezes ainda insiste em olhar para a crian\u00e7a como um ser \u00e0 parte de tudo. Algu\u00e9m que n\u00e3o entende, que n\u00e3o escuta, esquece r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio desse entendimento, \u00e9 na inf\u00e2ncia que a crian\u00e7a recebe sua maior fonte de aprendizado. Do zero aos seis anos, temos a base que ser\u00e1 levada para toda a nossa vida. Dos sete aos 12, aperfei\u00e7oamos tudo o que foi desenvolvido por meio do afeto e do respeito, principalmente. Nesse cen\u00e1rio, compreende-se a fam\u00edlia como um dos fatores primordiais para que dali surja um futuro adulto respons\u00e1vel com ele mesmo e com os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a especialista em neuroci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento infantil Gabriela Arruda, embora os conflitos fa\u00e7am parte do dia a dia, o respeito deve prevalecer. \u201cUma crian\u00e7a que cresce em meio \u00e0s brigas dos pais ou que os pais mant\u00eam o casamento s\u00f3 por ela, vai desenvolver uma ideia conturbada do que \u00e9 uma fam\u00edlia. Ou, at\u00e9 mesmo, brigas frequentes de familiares, a viol\u00eancia f\u00edsica, verbal e at\u00e9 psicol\u00f3gica influenciam e muito no futuro daquela crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela pontua que hoje os casos mais recorrentes s\u00e3o os de viol\u00eancia verbal e psicol\u00f3gica: \u201cEmbora n\u00e3o se considere, \u00e9 viol\u00eancia sim! Um pai ofender, humilhar, constranger, amea\u00e7ar ou chantagear uma crian\u00e7a, \u00e9 um tipo de viol\u00eancia psicol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma crian\u00e7a que convive com a constante repeti\u00e7\u00e3o desses atos, tende a crescer com menor aptid\u00e3o no controle das suas emo\u00e7\u00f5es, \u201cela vai estar sempre com medo, insegura e isso afeta tamb\u00e9m o desenvolvimento cognitivo dela, assim como sua parte de socializa\u00e7\u00e3o e tantos outros fatores\u201d, complementa a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes o comportamento de uma crian\u00e7a \u00e9 visto como uma birra ou falta de educa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 de acordo com Gabriela, \u201co que ningu\u00e9m pensa \u00e9 que essa pode ser a forma de comunica\u00e7\u00e3o dela. O jeito que ela encontrou de dizer que n\u00e3o est\u00e1 bem, que n\u00e3o est\u00e1 gostando ou que n\u00e3o se sente importante. \u00c9 tudo feito com a inten\u00e7\u00e3o de chamar a aten\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m para si. Esperando que algu\u00e9m olhe, n\u00e3o rotule e atenda \u00e0s necessidades dela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elas compreendem ou apenas escutam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu j\u00e1 vi casos em que a pessoa lembrava de fatos que aconteceram aos seus dois anos de idade. N\u00e3o se sabe ao certo se realmente tinha essa idade, mas a crian\u00e7a j\u00e1 capaz de perceber e sentir situa\u00e7\u00f5es de conflito desde o \u00fatero\u201d, explica a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 \u00e9 provado cientificamente que crian\u00e7as s\u00e3o como esponjas, absorvendo tudo ao seu redor. Embora os adultos tamb\u00e9m possam ter percep\u00e7\u00f5es de quando o clima est\u00e1 mais pesado ou algo acabou de acontecer, com o passar dos anos uma esp\u00e9cie de bloqueio se desenvolve. No caso dos pequenos, est\u00e3o sempre abertos.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, em quest\u00e3o de compreender o que ela est\u00e1 presenciando, \u201cdepende muito da maturidade dela, por exemplo, um beb\u00ea pode estar no carrinho sem entender nada, mas ele pode sentir a agressividade no ambiente e vai chorar por n\u00e3o saber compreender aquilo\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de toxidade em um ambiente pode ser prejudicial em diferentes n\u00edveis para uma crian\u00e7a: desde o atraso cognitivo, fobia social e m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios sentimentos, que pode levar \u00e0 gagueira, transtornos psicol\u00f3gicos, etc. Ap\u00f3s os seis anos, essas dificuldades podem afetar sua leitura, fala e aprendizagem de forma geral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adultos despreparados geram crian\u00e7as subestimadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Gabriela, \u201cos pais t\u00eam o costume de achar que ela [a crian\u00e7a] n\u00e3o \u00e9 capaz de entender, de compreender, mas \u00e9 um grande engano. Ela precisa do adulto preparado para guiar seu aprendizado, mas nunca ser subestimada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente precisa olhar para a crian\u00e7a como um ser capaz de resolver conflitos, capaz de se superar e de aprender as coisas, mesmo que com a gente ao lado conduzindo e guiando\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O melhor a se fazer, de acordo com Gabriela, \u00e9 manter um di\u00e1logo aberto com a crian\u00e7a respeitando seu n\u00edvel de maturidade, independente do assunto. \u201cSe a crian\u00e7a \u00e9 muito pequena e o assunto \u00e9 relacionado \u00e0 morte, por exemplo, \u00e9 preciso usar da ludicidade e colocar aquilo de uma maneira que ela consiga visualizar. Mas ela precisa passar pela dor, dizer tchau pro animalzinho ou familiar que partiu. Ou no caso do div\u00f3rcio, ela precisa saber que os pais nunca v\u00e3o deixar de am\u00e1-la, se conectar com ela, mas que agora eles n\u00e3o est\u00e3o mais juntos entre eles\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de di\u00e1logo resulta na n\u00e3o compreens\u00e3o de ambos os lados, no entanto, a maior afetada \u00e9 a crian\u00e7a. J\u00e1 que, por n\u00e3o saber se expressar ou lidar com aqueles sentimentos, muitas vezes ela segue pelos caminhos errados e resulta em r\u00f3tulos como \u201cvoc\u00ea est\u00e1 imposs\u00edvel\u201d, \u201cn\u00e3o sei mais o que fa\u00e7o com voc\u00ea\u201d, ou simplesmente assumir aquilo como uma birra.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas situa\u00e7\u00f5es v\u00e3o se refletir l\u00e1 na frente. Quando, por exemplo, a crian\u00e7a mais introvertida se torna um adulto perfeccionista que quer agradar sempre e sente dificuldade em confiar nas pessoas. J\u00e1 a crian\u00e7a extrovertida tende a se rebelar, o que traz a autossufici\u00eancia, o sentimento de n\u00e3o precisar de ningu\u00e9m, a resist\u00eancia em lidar com problemas, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seja uma dificuldade para tirar a crian\u00e7a da fralda ou at\u00e9 mesmo extinguir o uso da chupeta, o problema muitas vezes acaba sendo bem mais profundo. \u201cA crian\u00e7a \u00e9 um reflexo do ambiente\u201d, diz a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA crian\u00e7a \u00e9 capaz at\u00e9 mesmo de mudar quest\u00f5es gen\u00e9ticas se ela recebe um lar com amor e com liberdade, mas com responsabilidade. N\u00e3o com permissividade, mas com respeito.&nbsp; O adulto tem que estar preparado para isso\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa cultura tende a rotular os pequenos, com \u201ccrian\u00e7a tem que ter limites\u201d ou at\u00e9 mesmo que usar da viol\u00eancia f\u00edsica \u00e9 a resposta. De acordo com Gabriela, \u201ca gente esquece de olhar para esses comportamentos como uma comunica\u00e7\u00e3o. E se a gente aprendesse a olhar para as crian\u00e7as com respeito e dignidade, e buscar entender o mau comportamento como uma imaturidade cognitiva, com certeza muitos conflitos poderiam ser evitados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Gabriela, \u201c\u00e9 preciso estudar para educar\u201d. De acordo com a especialista, as pessoas t\u00eam a ideia errada de que quando nasce uma crian\u00e7a, tamb\u00e9m nasce uma m\u00e3e. Mas \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o, de saber reconhecer os erros e buscar melhorar. O importante \u00e9 que os pais saibam olhar para sua inf\u00e2ncia, para que possam compreender os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro fator important\u00edssimo para o desenvolvimento infantil, \u00e9 o tempo de qualidade. \u201cHoje os eletr\u00f4nicos t\u00eam roubado esse tempo, os pais passam muito tempo nos celulares e as crian\u00e7as ficam ali com a falsa aten\u00e7\u00e3o, observando seu tempo ser dividido\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente se desenvolve na medida em que somos estimulados e quando a crian\u00e7a recebe amor, respeito, tempo de qualidade, zelo, entre outros fatores, isso \u00e9 um prato cheio para que ela possa transbordar por ela mesma. Necessidades b\u00e1sicas s\u00e3o importantes? Sim, claro. Mas as necessidades socioemocionais s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema foi abordado durante o programa&nbsp;<strong>Fala, Prof.&nbsp;<\/strong>exibido pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/R%C3%A1dioUninter\"><strong>R\u00e1dio Uninter<\/strong><\/a>. As professoras Talita Cabral e Relly Amaral receberam a especialista em neuroci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento infantil Gabriela Arruda para apresentarem a vis\u00e3o da crian\u00e7a diante dos conflitos familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Para assistir a transmiss\u00e3o completa,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vBGGZOXHCdw\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a>.<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fwww.uninter.com%2Fnoticias%2Finfancia-fonte-de-aprendizado-e-desenvolvimento-emocional\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Inf%C3%A2ncia%3A%20fonte%20de%20aprendizado%20e%20desenvolvimento%20emocional&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.uninter.com%2Fnoticias%2Finfancia-fonte-de-aprendizado-e-desenvolvimento-emocional\" target=\"_blank\"><\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.linkedin.com\/shareArticle?mini=true&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.uninter.com%2Fnoticias%2Finfancia-fonte-de-aprendizado-e-desenvolvimento-emocional&amp;title=Inf%C3%A2ncia%3A%20fonte%20de%20aprendizado%20e%20desenvolvimento%20emocional\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assessoria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) define que eles s\u00e3o seres dignos de respeito. 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