{"id":39069,"date":"2022-07-21T11:38:30","date_gmt":"2022-07-21T14:38:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=39069"},"modified":"2022-07-21T11:38:32","modified_gmt":"2022-07-21T14:38:32","slug":"por-que-brasil-tambem-deve-se-preocupar-com-ondas-de-calor-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2022\/07\/21\/por-que-brasil-tambem-deve-se-preocupar-com-ondas-de-calor-na-europa\/","title":{"rendered":"Por que Brasil tamb\u00e9m deve se preocupar com ondas de calor na Europa"},"content":{"rendered":"\n<p>A onda de calor que atinge a Europa Ocidental tem impressionado pelos cont\u00ednuos dist\u00farbios na vida cotidiana: impacto sobre corpo e sa\u00fade das pessoas, alta demanda por \u00e1gua e energia para resfriar ambientes numa \u00e9poca em que esses recursos est\u00e3o pressionados, al\u00e9m de\u00a0inc\u00eandios de dif\u00edcil controle em florestas\u00a0\u2014 um fen\u00f4meno agora presenciado em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quarta-feira (20\/07), quando a temperatura em Londres atingiu o recorde de 40,3\u00b0C, os bombeiros locais tiveram o dia com mais chamados desde a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta semana tamb\u00e9m marcou a primeira vez na hist\u00f3ria que os brit\u00e2nicos tiveram registros oficiais acima do patamar de 40\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p>O Met Office, o servi\u00e7o meteorol\u00f3gico do Reino Unido, relaciona a presente onda de calor \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica provocada pela a\u00e7\u00e3o humana global.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As chances de observar 40\u00b0C no Reino Unido \u00e9 10 vezes mais prov\u00e1vel nas atuais condi\u00e7\u00f5es do que sob um clima que n\u00e3o teve influ\u00eancia humana. A probabilidade de exceder 40\u00b0C em qualquer lugar do territ\u00f3rio brit\u00e2nico em qualquer ano tem aumentado rapidamente, mesmo com as promessas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es [de g\u00e1s carb\u00f4nico]&#8221;, diz Nikos Christidis, cientista do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Europa Ocidental tem contribu\u00eddo mais para a meta de cortar emiss\u00f5es de gases &#8211; crucial para deter o aquecimento global &#8211; em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses desenvolvidos. Mas, como disse uma vez o ex-secret\u00e1rio-geral da ONU Ban Ki-moon, &#8220;a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o respeita fronteiras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/17B0F\/production\/_125993079_wennington-pa.png\" alt=\"Inc\u00eandio em Wennington, Londres\"\/><figcaption>Legenda da foto,Londres teve o dia com mais chamados de bombeiros desde a Segunda Guerra Mundial<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Evidentemente \u00e9 um equ\u00edvoco achar que essa onda de calor \u00e9 um processo local da Europa. N\u00f3s temos tido eventos de calor extremo acontecendo em todos os locais do mundo, especialmente durante os per\u00edodos de ver\u00e3o dos respectivos hemisf\u00e9rios&#8221;, diz o cientista do clima e professor da UECE (Universidade Estadual do Cear\u00e1) Alexandre Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-59155367\">situa\u00e7\u00f5es incomuns foram relacionadas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/a>&nbsp;por especialistas: uma tempestade de areia no interior paulista, a maior enchente j\u00e1 registrada no rio Negro (AM) e capitais sob c\u00e9u escuro em plena tarde por causa da fuma\u00e7a de um inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) aponta que o semi\u00e1rido brasileiro, que engloba boa parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais, j\u00e1 enfrenta&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-58154146\">secas mais intensas e temperaturas mais altas, o que est\u00e1 acelerando o processo de desertifica\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre Costa afirma que a recente trag\u00e9dia das chuvas em Pernambuco, que deixou quase 130 mortos entre o final de maio e o come\u00e7o de junho, t\u00eam fortes evid\u00eancias de rela\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O aquecimento global n\u00e3o apenas facilita a ocorr\u00eancia de ondas de calor, mas tamb\u00e9m de secas, inc\u00eandios florestais e grandes enchentes porque a gente passa a ter uma atmosfera mais aquecida e portanto com mais capacidade de armazenar vapor d&#8217;\u00e1gua e, assim, com mais capacidade de produzir extremos de precipita\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/874F\/production\/_125993643__121095803_42b4798f-5058-455e-a676-3f86f778597f.jpg\" alt=\"Infogr\u00e1fico\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Francisco Eliseu Aquino, climatologista do Departamento de Geografia e Centro Polar e Clim\u00e1tico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que, no hemisf\u00e9rio sul, as ondas de calor das \u00faltimas duas d\u00e9cadas est\u00e3o mais frequentes e duram mais dias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 por isso que no ver\u00e3o passado n\u00f3s tivemos com recorde de temperatura no Paraguai, na Argentina, no Uruguai, no Rio Grande do Sul e, considerando que 2022 ser\u00e1 o sexto ano mais quente desse s\u00e9culo, essa sequ\u00eancia de anos quentes em ascens\u00e3o permite mais ondas de calor.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um planeta mais quente gera perturba\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7a na densidade da atmosfera.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O IPCC divulgou em abril um relat\u00f3rio apontando que essa eleva\u00e7\u00e3o apontada pelos term\u00f4metros far\u00e1 com que o planeta seja atingido por &#8220;ondas de calor sem precedentes, tempestades aterrorizantes e escassez generalizada de \u00e1gua&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar que isso aconte\u00e7a, o mundo deve limitar a alta global para um patamar abaixo de 1,5\u00b0C neste s\u00e9culo, dizem os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Aquino, caso se mantenha a atual taxa de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e de desmatamento junto a acordos ambientais globais que n\u00e3o enfrentam de forma efetiva a crise clim\u00e1tica, esses cen\u00e1rios devem se intensificar ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre Costa afirma que a primeira parte do sexto volume do relat\u00f3rio do IPCC, divulgada no ano passado, j\u00e1 destacava a mudan\u00e7a na frequ\u00eancia e intensidade de eventos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma onda de calor que tipicamente acontecia a cada 10 anos est\u00e1 praticamente tr\u00eas vezes mais frequente. E outras ainda mais intensas (embora raras, que ocorriam a cada 50 anos) estariam agora cinco vezes mais comuns do que no per\u00edodo pr\u00e9-industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O processo \u00e9 muito claro: a probabilidade de ocorr\u00eancia de ondas de calor extremas cresce a medida que a temperatura aumenta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3ximos anos s\u00e3o cr\u00edticos, segundo o relat\u00f3rio do IPCC, porque se as emiss\u00f5es n\u00e3o forem reduzidas at\u00e9 2030, ser\u00e1 praticamente imposs\u00edvel limitar o aquecimento global no final deste s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>BBC<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A onda de calor que atinge a Europa Ocidental tem impressionado pelos cont\u00ednuos dist\u00farbios na vida cotidiana: impacto sobre corpo e sa\u00fade das pessoas, alta demanda por \u00e1gua e energia para resfriar ambientes numa \u00e9poca em que esses recursos est\u00e3o pressionados, al\u00e9m de\u00a0inc\u00eandios de dif\u00edcil controle em florestas\u00a0\u2014 um fen\u00f4meno agora presenciado em \u00e1reas urbanas. 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