{"id":37970,"date":"2022-06-08T09:48:12","date_gmt":"2022-06-08T12:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=37970"},"modified":"2022-06-08T09:48:13","modified_gmt":"2022-06-08T12:48:13","slug":"em-casa-ou-no-hospital-rede-estadual-garante-rotina-de-estudos-mesmo-em-tempos-dificeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2022\/06\/08\/em-casa-ou-no-hospital-rede-estadual-garante-rotina-de-estudos-mesmo-em-tempos-dificeis\/","title":{"rendered":"Em casa ou no hospital: rede estadual garante rotina de estudos mesmo em tempos dif\u00edceis"},"content":{"rendered":"\n<p>Enfrentar um tratamento de sa\u00fade j\u00e1 \u00e9 um grande desafio para jovens e suas fam\u00edlias e um eventual afastamento total da vida escolar s\u00f3 traz mais preju\u00edzos ao estudante, que por vezes n\u00e3o sabe por quanto tempo ficar\u00e1 longe da sala de aula. Gra\u00e7as ao Servi\u00e7o de Atendimento da Rede de Escolariza\u00e7\u00e3o Hospitalar (Sareh), da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o e do Esporte (Seed-PR), anualmente centenas de jovens mant\u00eam os estudos em dia de suas casas ou de unidades hospitalares.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das 20 institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade que t\u00eam esse servi\u00e7o \u00e9 o Hospital do C\u00e2ncer de Cascavel (Uopeccan), refer\u00eancia no tratamento da doen\u00e7a no Oeste do Estado. \u201cAtendemos estudantes internados,&nbsp;em leitos,&nbsp;na casa de apoio,&nbsp;anexa ao hospital, para quem ainda n\u00e3o est\u00e1 liberado para ir para casa, e tamb\u00e9m na quimioterapia ambulatorial,&nbsp;de&nbsp;jovens que v\u00eam uma ou algumas vezes na semana para fazer o procedimento e depois retornam para casa\u201d, explica a pedagoga Aryadny Neubauer.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo,&nbsp;25 estudantes s\u00e3o atendidos no hospital, cada um com aulas adaptadas \u00e0 realidade que est\u00e1 passando. \u201cTodas as manh\u00e3s eu vejo quem est\u00e1 por aqui e quem pode ter aulas, fa\u00e7o uma lista e distribuo hor\u00e1rios aos professores, porque \u00e9 comum o aluno n\u00e3o poder ter aula em determinados dias devido ao tratamento, e isso \u00e0s vezes muda ao longo do dia\u201d, diz Aryadny, que coordena tr\u00eas professores na unidade: um de Linguagens, um de Ci\u00eancias Humanas e outro de Ci\u00eancias Exatas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das alunas no hospital \u00e9 Thaila Gabriely Bonfim, de 14 anos, do 9\u00ba ano no Col\u00e9gio Estadual Prefeito Antonio Teodoro de Oliveira, em Campo Mour\u00e3o, que desde 2018 \u00e9 atendida pelo Sareh. \u201cN\u00e3o esperava ter aulas aqui porque quando recebi o diagn\u00f3stico achei que ia parar minha vida, parar com tudo. Mas aqui tem as aulas normais, te acolhem e voc\u00ea estuda normalmente. Os professores s\u00e3o super legais, extrovertidos e entendem o momento, se voc\u00ea estiver mal por causa de uma quimio, por exemplo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, ela participou da elabora\u00e7\u00e3o do livro \u201cAnjos do Bem\u201d, escrito pelas crian\u00e7as e adolescentes em tratamento contra o c\u00e2ncer infantojuvenil. O projeto foi interrompido com o in\u00edcio da pandemia e deve ser retomado pelo hospital neste ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aluno no Uopeccan \u00e9 Bruno Ferreira Prestes, 16&nbsp;anos, da 1\u00aa s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio do Col\u00e9gio Estadual do Campo Professor J\u00falio Moreira, de Pinh\u00e3o, outro que n\u00e3o fazia ideia de que teria aulas no per\u00edodo de internamento. \u201cEu gosto de estudar aqui no hospital porque os professores s\u00e3o muito atenciosos, sempre est\u00e3o ajudando. S\u00f3 tenho a agradecer pela aten\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia. Quando eu voltar para o col\u00e9gio, n\u00e3o vou ter perdido praticamente nada\u201d, diz ele, que chegou ao hospital no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento \u00e9 compartilhado por Thaila. \u201cN\u00e3o pode abaixar a cabe\u00e7a, n\u00e3o pode desistir. Tem que estudar sim, vai ajudar agora e no futuro principalmente\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pedagoga, ver o entusiasmo dos alunos n\u00e3o tem pre\u00e7o. \u201c\u00c9 muito gratificante, pois eles n\u00e3o sabem o que vai acontecer e j\u00e1 sofrem por n\u00e3o estar com a fam\u00edlia, com a escola. Estamos sempre cativando, conversando com eles pelo celular e temos esse retorno. \u00c0s vezes vem algu\u00e9m na minha sala me dar um abra\u00e7o\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DOMIC\u00cdLIO<\/strong>&nbsp;\u2013&nbsp;Al\u00e9m do atendimento em 20 hospitais de nove diferentes munic\u00edpios, o Sareh tamb\u00e9m vai atualmente at\u00e9 a casa de 322 estudantes em mais de 100 munic\u00edpios do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das alunas&nbsp;atendias&nbsp;em Curitiba&nbsp;\u00e9 Marine Trevisan, que tem S\u00edndrome de Asperger, condi\u00e7\u00e3o que afeta a capacidade de socializa\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e, Jaqueline Trevisan, relata que a filha chegou a reprovar duas vezes por faltas no 8\u00ba ano do ensino fundamental. \u201cEla s\u00f3 deixou de estudar pelos per\u00edodos de crise, que depois estabilizaram com medica\u00e7\u00e3o e tratamento com psic\u00f3loga e terapeuta ocupacional\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s conhecer o programa, Marine iniciou o Sareh no segundo semestre de 2019, ainda revezando um pouco na escola e um pouco em casa, que posteriormente virou 100% em casa devido \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse esse projeto, n\u00e3o sei como a Marine estaria, porque quando ela n\u00e3o sai de casa o \u00fanico v\u00ednculo dela \u00e9 com a escola. Foi uma coisa maravilhosa que aconteceu, tem que ser valorizada ao extremo. Se n\u00e3o fosse isso, a Marine estaria at\u00e9 hoje na oitava s\u00e9rie\u201d, afirma Jaqueline, que no passado colocou a filha em escolas particulares e n\u00e3o encontrou apoio igual ao que recebe na rede p\u00fablica estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Matriculada na 2\u00aa s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio do Col\u00e9gio Estadual do Paran\u00e1, ela segue com as aulas domiciliares com a professora Patr\u00edcia Torres, todas as segundas e sextas \u00e0 tarde. Marine poderia ter professores espec\u00edficos de Linguagens, Humanas e Exatas, mas pela quest\u00e3o de v\u00ednculo optou apenas por Patr\u00edcia, que al\u00e9m de se dedicar ao Sareh desde 2014, d\u00e1 aulas de Hist\u00f3ria no Col\u00e9gio Estadual Tarsila do Amaral, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais. \u201cEla \u00e9 excelente em Artes, Matem\u00e1tica e Qu\u00edmica\u201d, frisa a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a m\u00e3e, que periodicamente vai ao col\u00e9gio entregar as tarefas feitas pela filha, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela gradativamente volte \u00e0 escola e quem sabe n\u00e3o necessite mais do Sareh, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9, entre outras, possibilitar a reinser\u00e7\u00e3o no ambiente escolar: \u201cSe Deus quiser ela vai voltar\u00a0e esse atendimento \u00e9 essencial para que isso possa acontecer\u201d, arremata.<\/p>\n\n\n\n<p>AEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enfrentar um tratamento de sa\u00fade j\u00e1 \u00e9 um grande desafio para jovens e suas fam\u00edlias e um eventual afastamento total da vida escolar s\u00f3 traz mais preju\u00edzos ao estudante, que por vezes n\u00e3o sabe por quanto tempo ficar\u00e1 longe da sala de aula. 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