{"id":37601,"date":"2022-05-11T11:45:33","date_gmt":"2022-05-11T14:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/?p=37601"},"modified":"2022-05-11T11:45:36","modified_gmt":"2022-05-11T14:45:36","slug":"ilha-mal-assombrada-no-litoral-do-pr-esconde-cemiterio-indigena-e-intriga-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/index.php\/2022\/05\/11\/ilha-mal-assombrada-no-litoral-do-pr-esconde-cemiterio-indigena-e-intriga-cientistas\/","title":{"rendered":"Ilha \u201cmal-assombrada\u201d no Litoral do PR esconde cemit\u00e9rio ind\u00edgena e intriga cientistas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pescadores da regi\u00e3o evitam chegar perto do s\u00edtio arqueol\u00f3gico e cientistas que pesquisam as forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram fazer um drone sobrevoar a \u00e1rea<\/h2>\n\n\n\n<p>Um mist\u00e9rio ronda uma pequena ilha da regi\u00e3o de Guaraque\u00e7aba, no Litoral do Paran\u00e1. Ossadas humanas se acumulam nos barrancos e, juntamente com outros vest\u00edgios de antigas civiliza\u00e7\u00f5es, alimentam hist\u00f3rias macabras que mant\u00eam a fama de lugar mal-assombrado. A cren\u00e7a \u00e9 t\u00e3o forte que muitos pescadores se recusam a passar por l\u00e1. N\u00e3o bastasse isso, equipamentos eletr\u00f4nicos dos cientistas que se aproximam da ilha parecem falhar por motivos desconhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Crendices \u00e0 parte, a tal ilha tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), que descobriram ali um importante s\u00edtio arqueol\u00f3gico que pode ajudar a entender como era a vida das primeiras comunidades que habitaram a orla do estado no per\u00edodo entre mil e 8 mil anos atr\u00e1s. Pelo que a equipe de arque\u00f3logos e ge\u00f3grafos descobriu, a ilha inteira \u00e9 uma esp\u00e9cie de cemit\u00e9rio ind\u00edgena, com forma\u00e7\u00f5es de sambaquis que chegam a 20 metros de altura.<\/p>\n\n\n\n<p>O arque\u00f3logo Laercio Loiola Brochier explica que, assim como em Santa Catarina, os sambaquis s\u00e3o s\u00edtios arqueol\u00f3gicos comuns no Litoral do Paran\u00e1. Sabe-se que existem ao menos 300, e a cada dia novos n\u00facleos s\u00e3o descobertos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs sambaquis eram locais de moradia e de sepultamento organizado dos mortos. Mas hoje essa concep\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando um pouco. Imaginava-se que esses grupos eram n\u00f4mades, formados por pescadores e coletores. Com essa descoberta da ilha, come\u00e7a a surgir a ideia de que os sambaquis ocupavam uma posi\u00e7\u00e3o central na comunidade. Ou seja, mostram que esses povos seriam din\u00e2micos, mas permaneciam mais tempo na mesma regi\u00e3o\u201d, explica Brochier. Ac\u00famulos de restos alimentares, os sambaquis tamb\u00e9m s\u00e3o identificados como uma forma de constru\u00e7\u00e3o em que os povos primitivos acumulavam peda\u00e7os de conchas, moluscos, peixes, ossos de mam\u00edferos marinhos, aves e animais terrestres, formando v\u00e1rias camadas sedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o s\u00edtio arqueol\u00f3gico encontrado na ilha \u2013 cuja localiza\u00e7\u00e3o os pesquisadores preferem manter em segredo, para afastar os aventureiros e plant\u00e3o \u2013 sugere uma caracter\u00edstica de cemit\u00e9rio comunit\u00e1rio, diferentemente da maioria dos sambaquis, onde s\u00e3o encontrados poucos vest\u00edgios de sepultamentos, conforme observa o ge\u00f3grafo Eduardo Vedor de Paula, que tamb\u00e9m participa da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Drone n\u00e3o sobe<\/h2>\n\n\n\n<p>Vedor conta que ao come\u00e7ar as pesquisas na regi\u00e3o e ao perguntar aos pescadores onde haviam sambaquis, muitos nas comunidades de Almeida e Mariana comentavam sobre uma ilha fantasmag\u00f3rica \u2013 no entanto, ningu\u00e9m topou conduzir os pesquisadores at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ap\u00f3s conseguirem chegar ao local, os cientistas utilizaram um drone para sobrevo\u00e1-lo e coletar parte das informa\u00e7\u00f5es que precisavam. Por\u00e9m, por algum motivo desconhecido, o equipamento n\u00e3o conseguir levantar voo da ilha. \u201cTivemos que ancorar o barco e lan\u00e7ar o drone de dentro dele, porque da ilha ele n\u00e3o sa\u00eda\u201d, diverte-se Vedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Brochier explica a localiza\u00e7\u00e3o da ilha era conhecida, mas o sambaqui dali nunca foi objeto de estudo. Boa parte dos sambaquis do Litoral j\u00e1 foram catalogados h\u00e1 d\u00e9cadas, mas sua localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 imprecisa e h\u00e1 pouca informa\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica sobre eles. Por isso, os pesquisadores da UFPR est\u00e3o usando a tecnologia para georreferenciar os s\u00edtios e corrigir sua localiza\u00e7\u00e3o por GPS, formando um banco de dados sobre os sambaquis. Os drones ajudam a fotografar e at\u00e9 a coletar informa\u00e7\u00f5es sobre a forma\u00e7\u00e3o e as dimens\u00f5es desses ac\u00famulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, os pesquisadores querem saber se esses s\u00edtios maiores ficaram desse tamanho porque estavam localizados em \u00e1reas adensadas ou foram ficando assim ao longo do tempo ou pelo tipo de uso. O objetivo \u00e9 tamb\u00e9m interagir com as comunidades que vivem no Litoral hoje, que de alguma forma s\u00e3o descentes dos antigos povos e conhecer o que sabem sobre os sambaquis e a cultura ancestral, at\u00e9 para evitar que os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos sejam destru\u00eddos pela a\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"660\" height=\"371\" src=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/00a803922a8e880085cdac0eea89d2bc-gpMedium.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37603\" srcset=\"https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/00a803922a8e880085cdac0eea89d2bc-gpMedium.jpeg 660w, https:\/\/www.paranapraia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/00a803922a8e880085cdac0eea89d2bc-gpMedium-300x169.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><figcaption>Foto: Gazeta do Povo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os sambaquis, como este do Poruquara, s\u00e3o s\u00edtios arqueol\u00f3gicos comuns no Litoral do Paran\u00e1, e guardam muitos vest\u00edgios das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es que habitaram a orla do estado.Eduardo Vedor de Paula \/Divulga\u00e7\u00e3o<br>\u201cMuitas pessoas v\u00e3o aos sambaquis buscar a terra preta que existe naquelas forma\u00e7\u00f5es para usar na agricultura. Outros contam hist\u00f3rias de lendas sobre tesouros e visagens, de gente que passou mal ou incorporou entidades. H\u00e1 quem tenha escavado o solo desses s\u00edtios e localizado ossos humanos\u201d, conta Brochier.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, n\u00e3o se sabe o que causou o colapso dessas antigas sociedades, h\u00e1 cerca de mil anos. \u201cConstatamos, por exemplo, a presen\u00e7a de cer\u00e2mica, que a princ\u00edpio \u00e9 um elemento de fora trazido por grupos horticultores do Planalto e que pode ter influenciado os sambaqueiros, que at\u00e9 ent\u00e3o eram soberanos na costa do paran\u00e1. Mas n\u00e3o sabemos que processos ocorreram para p\u00f4r fim naquela civiliza\u00e7\u00e3o: pode ser por influ\u00eancia de culturas de fora ou at\u00e9 mesmo por uma guerra\u201d, enumera o arque\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preservar \u00e9 um desafio<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar da enorme quantidade de sambaquis no Litoral do Paran\u00e1, preserv\u00e1-los \u00e9 um desafio grande. Dos 300 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da regi\u00e3o, apenas 13 foram escavados parcialmente e estudados. Brochier estima que nos pr\u00f3ximos anos de 30% a 50% deles podem ser destru\u00eddos com a eleva\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a a\u00e7\u00e3o humana que deteriora boa parte dos sambaquis. Muitas pessoas v\u00e3o a esses locais em busca de tesouros, o que segundo os pesquisadores \u00e9 um absurdo, j\u00e1 que os sambaqueiros n\u00e3o lidavam com metais e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 tesouros nos sambaquis, a n\u00e3o ser o pr\u00f3prio s\u00edtio arqueol\u00f3gico pela sua relev\u00e2ncia cultural e hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o patrimonial e o envolvimento das comunidades locais \u00e9 a melhor ferramenta para preservar esses s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, mostrando que os sambaquis s\u00e3o um bem cultural, que gera conhecimento\u201d, afirma Brochier. Segundo ele, com os ossos encontrados nesses locais \u00e9 poss\u00edvel entender, entre outras coisas, a dieta desses povos, se eram nadadores, se havia conflitos e at\u00e9 analisar os parentescos desses ancestrais com as comunidades atuais. \u201cS\u00e3o um patrim\u00f4nio cultural importante, e que hoje est\u00e1 negligenciado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Por Jo\u00e3o Rodrigo Maroni\/ Gazeta do Povo<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pescadores da regi\u00e3o evitam chegar perto do s\u00edtio arqueol\u00f3gico e cientistas que pesquisam as forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram fazer um drone sobrevoar a \u00e1rea Um mist\u00e9rio ronda uma pequena ilha da regi\u00e3o de Guaraque\u00e7aba, no Litoral do Paran\u00e1. 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